
Série Diablon Livro 4
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Capítulo 1
Livro 4
QUATRO SEMANAS DEPOIS
Lilitha despertou de seu sono, aninhada no abraço de Damon enquanto o sol começava a se pôr.
Ela estava confortavelmente encolhida contra o peito dele, absorvendo o seu cheiro familiar.
“Boa noite,” Damon sussurrou suavemente.
Com os olhos ainda fechados, Lilitha esticou seu corpo nu contra o dele, um sorriso brincando em seus lábios.
A respiração dele fez cócegas na orelha dela, fazendo seu sorriso se alargar.
Quando ela abriu os olhos, encontrou o olhar verde e cativante dele.
Ela passou os dedos pelos longos cabelos vermelhos dele, puxando-o para mais perto para um beijo.
Embora tivesse voltado há apenas quatro semanas de sua viagem inesperada a Mainstry, parecia que ela estava ali há uma eternidade.
Os galhos mais altos acima deles balançavam suavemente com a brisa.
O sol poente pintava as folhas, as pedras e até mesmo os olhos e os chifres de Damon em um tom vermelho ardente.
O canto doce dos pássaros enchia o ar.
À sua esquerda, uma grande cobra estava pendurada em um galho, sua língua entrando e saindo da boca.
Os cílios de Damon eram escuros e grossos, suas pálpebras pesadas de desejo enquanto ele mordia suavemente o lábio inferior dela.
Lilitha tocou em um dos chifres dele, puxando-o para perto para beijar a superfície de marfim.
Ela passou os lábios pelo chifre e chupou a ponta, fazendo Damon se arrepiar e se afastar, com os olhos escuros e as bochechas coradas.
A atenção deles foi chamada pelo grito de Carmella ecoando nas árvores, seguido pela risada profunda e alegre de Mateus.
O som encheu Lilitha de alegria, sabendo que eles estavam tão felizes quanto ela.
Fazer parte do clã tinha se tornado uma experiência muito maravilhosa.
Com um sorriso, Lilitha rolou para longe de Damon.
“Vamos lá. Vamos nos juntar a eles.”
Mas Damon passou o braço em volta da cintura dela, puxando-a de volta para ele.
Ele mordiscou de brincadeira o lóbulo da orelha dela. “Ainda não.”
Lilitha jogou a cabeça para trás, rindo enquanto ele começava a fazer cócegas no pescoço dela com a língua.
Ela tentou se afastar, mas ele a segurou firme, fazendo-a engasgar e rir sem parar.
“Isso não é justo!” ela protestou.
Ele finalmente a soltou, e ela se sentou rapidamente, rolando-o de costas e prendendo os ombros dele no chão enquanto montava nele.
Ele abriu um sorriso brincalhão para ela.
“Faça o que quiser, bruxa Diablon. Eu estou em seu poder.”
Lilitha devolveu o sorriso dele, em seguida se inclinando para lamber e chupar os chifres dele novamente, o marfim quente e liso contra sua língua.
Ela não entendia por que se sentia tão atraída por eles.
Talvez fosse algo em sua natureza Diablon.
Eles despertavam um lado selvagem nela, assim como a sensação da excitação dele, acendendo um calor nela que endurecia seus mamilos, a deixava arrepiada e criava um desejo ardente entre suas pernas.
Damon gemeu debaixo dela, contorcendo-se enquanto ela jogava seu peso nos ombros dele.
Finalmente, ela o soltou.
Ele agarrou os quadris dela, olhando para ela com um olhar suplicante, seus músculos se movendo sob a pele enquanto ele ofegava.
Ele tentou alcançar os seios dela, mas Lilitha se afastou antes que ele pudesse tocá-la e se levantou.
Ela tirou uma folha do braço e limpou a grama de sua bunda.
Damon se apoiou nos cotovelos.
“Aonde você vai?”
Lilitha abriu um sorriso travesso para ele.
“Feche os olhos.”
“Por quê?”
Ela apertou suavemente os dedos contra as pálpebras dele.
“Apenas feche.”
Ele obedeceu, mas agarrou o pulso dela antes que ela pudesse se afastar.
“Aonde você vai?”
“É uma surpresa.”
Ele a soltou.
“Tudo bem.”
O coração dela bateu forte de emoção ao pensar nas infinitas horas de diversão que teriam pela frente.
Lilitha correu por entre as árvores, gritando por cima do ombro: “Me pegue se for capaz!”
“O quê!” ele gritou de volta.
Lilitha riu.
“Lilitha!” ele chamou atrás dela.
Nas últimas quatro semanas, Lilitha tinha se acostumado com o chão irregular e espinhoso, tornando mais fácil para ela se mover por entre as árvores.
O som de galhos e folhas quebrando sob seus pés ecoava pela floresta, enquanto folhas grandes e com veias roçavam nela.
Galhos finos batiam contra seu corpo.
“Lilitha!” a voz de Damon ressoou forte.
Lilitha tentou correr mais rápido, mas não adiantou—ele estava se aproximando rapidamente.
O som de seus passos pesados e o jeito como ele quebrava os galhos com facilidade eram assustadores.
Ele soava como um touro atacando.
Se ela não o conhecesse, estaria morrendo de medo.
Ela olhou por cima do ombro, seu pé prendeu em uma raiz e ela tropeçou—
“Te peguei!”
De repente, ela foi tirada do chão e foi parar em um par de braços fortes.
Lilitha soltou um grito enquanto Mateus a erguia sobre o ombro dele.
“Mateus!”
Ele a carregou por entre as árvores até um pequeno espaço aberto.
Carmella estava lá, sorrindo muito, com suas longas tranças pretas caindo até os quadris.
O sol já havia se posto, mas a visão noturna de Lilitha permitia que ela visse tudo ao seu redor facilmente.
Mateus riu, dando um tapinha de brincadeira na bunda de Lilitha.
“Ei!”
Ele deu outro tapa nela, e em seguida alisou a mão sobre a nádega esquerda dela.
O sangue subiu para a cabeça de Lilitha.
Mateus manteve sua cauda enrolada nas costas, a ponta afiada guardada com segurança para não machucar Lilitha.
O som de passos e galhos quebrando anunciou a chegada de Damon.
Ele parou bruscamente atrás deles. “Ei! Ela é minha!”
Mateus se virou para encará-lo.
Agora, Lilitha estava de frente para Carmella, cujos olhos escuros brilhavam para ela.
“Quem disse?” Mateus rebateu.
Lilitha se contorceu nos braços de Mateus, e ele a colocou no chão.
Os dois alfas estavam se olhando com raiva.
Os olhos de Damon estavam apertados, sua cauda balançando forte.
Todos eles estavam nus.
Era uma experiência nova.
Lilitha cruzou os braços sobre os seios por instinto, e depois deixou os braços caírem ao lado do corpo.
Por incrível que pareça, estava começando a ser mais estranho estar vestida do que sem roupa.
Todos eles já tinham se visto.
Todos eles já tinham se conhecido profundamente.
Era mais uma prova do quanto ela havia mudado nas últimas quatro semanas; do quanto ela tinha se tornado parte do clã.
O quanto eles tinham se tornado uma família.
Damon e Mateus abaixaram seus chifres, rosnando um para o outro.
A cauda de Mateus agora estava balançando, longa, sinuosa e mortal.
“Parem com isso!” Lilitha não estava acostumada com as brigas, e isso parecia sério.
Ela levantou as mãos, dando um passo em direção a Damon, mas Mateus passou o braço em volta da cintura dela, puxando-a contra ele.
“Se você a quer, venha buscá-la,” Mateus desafiou.
“Mateus.” Ela tentou tirar o braço dele de cima dela, mas ele apenas a apertou com mais força.
A cauda de Damon estalou como um chicote, um rosnado profundo soando em sua garganta.
“Onde está Silus?” A voz de Lilitha estava cheia de pânico, sabendo que o líder deles poderia acabar com isso.
“Venha.” A voz de Carmella sussurrou em seu ouvido, a mão dela segurando firmemente o braço de Lilitha, tirando-a dos braços de Mateus e guiando-a para um lugar seguro.
“O que você está fazendo?” Lilitha protestou, tentando se soltar de Carmella. “Eu tenho que impedi-los. Eles vão se matar!”
“Não, eles não vão,” Carmella respondeu, com a voz firme e calma. “Eles são alfas, Lilitha. É isso que eles fazem.”
“Mas—”
Carmella colocou a mão no ombro dela, interrompendo-a. “Confie em mim.”
A voz dela tinha um tom severo que fez Lilitha ficar em silêncio.
Carmella sentou-se no chão, esticando as pernas e jogando o cabelo para trás, parecendo totalmente tranquila enquanto se inclinava para assistir.
Lilitha ficou de pé ao lado dela, com o coração batendo forte e o corpo tão tenso que suas coxas doíam.
Os dois alfas andavam em círculos um ao redor do outro, mostrando os dentes e balançando as caudas, com seus chifres brilhando à luz do luar.
Uma imagem rápida de um deles com a garganta cortada passou pela mente de Lilitha. Ela tentou dar um passo à frente, mas Carmella segurou sua perna.
“Deixe para lá,” Carmella ordenou, a voz como um rosnado baixo. “Sente-se.”
Lilitha sentou-se no chão ao lado dela.
A mão de Carmella apertou o joelho dela. “Observe.”
Os dois alfas continuaram o confronto, encarando-se debaixo de seus chifres abaixados.
O cabelo vermelho de Damon caía pelas costas e pelo peito. O cabelo escuro de Mateus era mais selvagem, cheio de nós e emaranhado em seus ombros, com folhas e pequenos galhos presos nele.
As mãos deles estavam erguidas, curvadas como garras.
Lilitha prendeu a respiração quando eles atacaram. Ela tentou se levantar, mas Carmella a puxou de volta para baixo.
Lilitha gritou quando os chifres deles bateram, o som de marfim raspando no marfim enchendo o ar.
Eles rosnavam e grunhiam, dando socos e se arranhando, mostrando os dentes como se quisessem despedaçar um ao outro.
Mateus era gigante, e o alcance de seus braços era muito maior que o de Damon.
“Damon!” Lilitha gritou quando Mateus deu um soco na barriga dele.
Damon caiu de joelhos e cuspiu, depois pulou de volta, balançando a cabeça e rosnando, sua raiva ainda maior.
Ele se abaixou perto do chão, suas mãos com garras prontas para arrancar os olhos de Mateus.
Lilitha olhou para Carmella. Ela parecia totalmente entediada.
Ela bocejou.
Lilitha se virou de volta para a briga, prendendo a respiração enquanto Damon atacava.
Logo ela percebeu que seus medos não tinham motivo.
O que faltava a Damon em tamanho e força, sobrava em pura fúria.
Ele era um vulto de velocidade e força selvagem, desviando dos ataques de Mateus, bloqueando seus socos e cortando o rosto dele.
Ele se movia tão rápido que deixava marcas e cortes em Mateus antes que Lilitha pudesse sequer registrar como eles apareceram.
Mas Mateus não era fraco, com seus socos pesados e a pura força por trás deles fazendo Damon cair de joelhos ou mandando-o cambalear para trás.
Seus rosnados, grunhidos e rugidos ecoavam pelas árvores.
Para quem estivesse ouvindo, parecia que dois monstros estavam se despedaçando.
E, na verdade, era exatamente isso.
Mateus tentou prender Damon em seus braços gigantescos, provavelmente querendo esmagá-lo, mas Damon escapou.
Ele deu um giro rápido, rangendo os dentes e rosnando, depois pulou para atacar.
Mateus pulou para trás, esticando a mão com as unhas arranhando o peito de Damon.
Havia sangue por todo lado.
Lilitha olhou para Carmella mais uma vez.
Eles correram um na direção do outro, seus chifres se prendendo enquanto lutavam.
Então Mateus caiu com um estrondo forte, puxando Damon para baixo com ele.
E assim, a briga acabou.














































