
Série Just Another Livro 1: Just Another Roomie
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Capítulo 1
Livro 1: Apenas Mais Um Colega de Quarto
RACHEL
A chuva de Londres é como um ex-namorado grudento. Ela simplesmente nunca vai embora.
A tempestade da manhã caiu pesada sobre mim. Parecia que o clima não tinha mais nada para fazer além de estragar ainda mais o meu dia. Enquanto isso, eu guardava todas as minhas coisas no meu carro pequeno.
Você provavelmente está se perguntando que diabos eu estava fazendo lá fora com esse tempo. Bem, sabe como todo mundo sempre diz que as coisas boas vêm em três? Pois adivinhe só? As coisas ruins também vêm.
Eu acordei hoje de manhã com uma sensação estranha. Minha colega de quarto, Jessy, estava toda sorridente e cheia de risadinhas. Isso deveria ter servido de aviso. Ela nunca fica feliz em me ver.
Mas eu apenas tirei isso da cabeça e fui trabalhar. Eu era assistente pessoal de um advogado em um dos melhores escritórios de Londres. Pelo menos, eu era quando acordei hoje de manhã.
Algumas semanas atrás, eu denunciei meu chefe nojento ao RH por assédio sexual. O babaca era o tipo de cara que achava normal eu deixar ele tocar na minha bunda “sem querer”. Ele achava que isso fazia parte do meu trabalho. Então, eu fiz uma denúncia. Mas pessoas como ele sempre parecem dar um jeito de sair impunes desse tipo de merda.
Adivinha o que esse desgraçado fez? Ele distorceu a história e me fez parecer a vilã. Ele disse ao RH que eu estava tentando seduzi-lo desde o meu primeiro dia. E disse que eu só estava fazendo a denúncia para me vingar porque ele me rejeitou.
O maldito desgraçado até me entregou a carta de demissão pessoalmente. Ele tinha um sorrisinho maldoso no rosto quando fez isso. Então, eu dei um soco nele. Os seguranças me acompanharam para fora do prédio. Eu saí sem o meu último pagamento e sem o salário do mês passado que eles ainda me deviam.
Eu me sentei pesadamente na calçada em frente ao meu apartamento. Coloquei a cabeça entre as mãos.
Bem, acho que não é mais o meu apartamento.
Além de eu ter sido demitida, minha escrota de colega de quarto decidiu ligar para o nosso senhorio. Ela contou a ele que eu perdi o emprego.
Eu já estava atrasada com o aluguel do mês passado. O babaca para quem eu trabalhava estava prendendo meu pagamento, a menos que eu transasse com ele. E agora que eu estava desempregada, meu senhorio disse que eu quebrei o contrato e me despejou. Então agora eu estava sem teto, sem emprego e encharcada.
Não é à toa que ela estava tão sorridente hoje de manhã. Ela queria o lugar só para ela há um tempo, e agora ela conseguiu.
“Porra. Eu realmente precisava de um sorvete.”
Estiquei a mão para pegar minha bolsa no chão de cimento ao meu lado, mas ela não estava lá. Eu me virei, procurando por todos os lados, mas não a vi.
Que porra é essa?!
Olhei em volta desesperada. Então, vi um jovem correndo para longe com a minha bolsa debaixo do braço.
“Merda!” eu gritei. Comecei a correr na direção dele, mas parei quando ele desapareceu na esquina.
Pressionei as palmas das mãos na testa e respirei fundo.
Então, como podem ver, as coisas ruins realmente vêm em três. Ou seriam quatro? Acho que não posso contar o clima de Londres, já que chove praticamente todos os dias.
Agarrada ao meu último pingo de sanidade, peguei meu celular e liguei para a minha melhor amiga.
Becky e eu somos inseparáveis desde crianças. Mesmo ela sendo modelo agora e viajando pelo mundo, ainda nos falamos por mensagem todos os dias. Também ligamos uma para a outra pelo menos três vezes por semana.
Ela atendeu no segundo toque. “Ei, gata. Como está a vida em Londres?”
Eu comecei a chorar na mesma hora ao ouvir a voz dela. Consegui contar tudo a ela entre soluços.
“Caramba, Rach”, ela respondeu. “O universo realmente fodeu com você hoje. O que você precisa, amiga? É só pedir.”
Limpei minhas bochechas e suspirei. “Eu vou me reerguer. Você sabe que sim, mas posso ficar na sua casa por uns dias ou semanas? Só até eu encontrar um emprego novo.”
“Você sabe que sim, gata. Você tem a chave. É só levar a sua bunda até lá e ficar à vontade pelo tempo que precisar.”
“Obrigada, Beck. Te devo essa.”
Eu não fazia ideia de como tive tanta sorte para merecer uma melhor amiga como a Beck. Mas eu estava muito grata.
***
Nós conversamos por mais alguns minutos. A Beck me contou tudo sobre o lugar tropical e luxuoso onde ela estava fotografando nesta semana. Eu já me sentia um pouco melhor quando me sentei ao volante do meu carro.
Pelo menos eu tenho um lugar para ficar até me reerguer.
Meu bom humor, no entanto, durou muito pouco. Ele acabou assim que coloquei a chave na ignição e tentei ligar o carro. O motor tossiu e engasgou por um segundo. Depois, morreu com um barulho metálico e um chiado agudo.
“Ah, você só pode estar de puta sacanagem comigo”, eu resmunguei. Tentei ligar o carro de novo, mas sem sucesso.
Fiquei olhando pelo para-brisa, imaginando o que eu tinha feito para merecer isso. Foi então que vi a placa iluminada da loja da esquina. A chuva de Londres ainda caía pesada. Mas eu podia, pelo menos, resolver uma coisa da minha lista terrível enquanto esperava um Uber.
Não tem como eu me molhar mais do que isso, tem? Quer dizer, eu já estou completamente encharcada.
Empurrei a porta do carro para abrir e a bati com força. Andei a passos pesados pela chuva até a loja. Entrei de supetão pela porta, e o sininho tocou enquanto eu caminhava ensopada até os freezers. Minha mente só pensava em uma coisa.
SORVETE!
Peguei três potes do meu sabor favorito de cookies and cream. Me virei para ir ao caixa, mas esbarrei em alguém. Quase derrubei um dos potes. Mãos grandes me seguraram pelos cotovelos, e eu olhei para cima.
“Ai, meu Deus! Me desculpe... espera, Mason?!” Eu reconheci o irmão mais velho da minha melhor amiga. “O que você está fazendo aqui?”
Ele fez uma careta, que era a reação normal dele sempre que me via, e puxou as mãos para longe. “Rach? Por que você está toda molhada?”
Eu não sabia o que tinha feito para ele não gostar de mim, mas ele definitivamente não era meu fã.
Eu revirei os olhos. “É Londres, Mason. Chove o tempo todo aqui.”
Ele olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido. “Bem, talvez você devesse comprar um guarda-chuva em vez de três potes de sorvete”, ele disse com um sorriso arrogante.
Eu já comentei que também o odiava um pouco? Eu normalmente o ignorava porque a Becky é a minha melhor amiga, mas hoje não era um dia para isso.
“Sabe de uma coisa, Mason? Hoje foi um dia de merda. Eu não tenho paciência para a sua atitude agora.” Eu sorri docemente, me virei e mostrei o dedo do meio para ele enquanto ia para o caixa.
A risada sarcástica dele ecoou pelo corredor. Eu paguei pelo meu sorvete e saí pela porta.
Por favor, universo. Só me deixe chegar na casa da Becky. Eu juro que vou direto para a cama e nunca mais peço nada na vida.
***
O motorista do Uber foi gentil o bastante para me deixar colocar algumas coisas no porta-malas. Assim, eu teria pelo menos uma troca de roupa quando chegasse na casa da Becky. Eu já tinha ligado para um mecânico vir buscar meu carro. Não que eu tivesse dinheiro para pagar o conserto.
Acho que vou ter que tirar a poeira do velho cartão de metrô.
Nós paramos em frente ao apartamento da Becky. Foi quando vi uma pedra no meu sapato, alta e emburrada, entrando no prédio.
Nem fodendo.
Eu liguei rapidamente para a Becky.
“Ei, gata. Já se acomodou com um pote de sorvete?” ela brincou.
“Não”, eu bufei. “Meu carro morreu além de todo o resto.”
“Ah, gata. Você não tem um minuto de paz hoje, tem?”
“Aparentemente não, o que me traz de volta ao motivo da minha ligação, Beck.” Eu encarei as portas do prédio dela. “O Mason está ficando na sua casa agora?”
A linha ficou em silêncio por um segundo antes de ela soltar uma risadinha nervosa. “Ah, sim, eu esqueci totalmente de mencionar que ele também está dormindo no meu apartamento. Os canos da casa dele estouraram. Então, ele vai morar comigo nas próximas semanas enquanto fazem os reparos. Isso não é um problema, certo?”
Eu resmunguei, deixando minha cabeça cair para trás contra o banco. “Beck, o seu irmão é um babaca. Ele nunca gostou de mim.”
“Bem, você também nunca foi a maior fã dele, Rach”, ela retrucou. “Considere isso uma oportunidade para vocês se conhecerem melhor. Ah! Hora da minha sessão de fotos! Tenho que correr, amiga. Não o mate nem nada do tipo, tá bom? Manchas de sangue seriam um saco para tirar do meu tapete.”
Ela desligou, e eu fiquei olhando para o celular por vários minutos.
“Ahn, senhorita?” o motorista perguntou. “Você vai descer?”
Eu suspirei, e meus ombros caíram enquanto eu concordava. “Sim, acho que não tenho muita escolha.”













































