
Série The Revered 1: Baby, Eu Vou Te Caçar
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Bella
Observei a rosa desabrochar ao meu toque enquanto braços fortes e amorosos envolveram a minha cintura. Dei uma risadinha e me virei no abraço.
Acordei de supetão quando a minha testa bateu no vidro frio. Devo ter pegado no sono por um instante.
A chuva batia forte no carro, e olhei para as ruas encharcadas, me arrepiando. Ainda bem que tínhamos chegado ao carro antes de o temporal começar.
Ultimamente, eu vinha tendo alguns sonhos íntimos e estranhamente realistas. Eles me deixavam com uma sensação esquisita, como se de repente eu desejasse ser abraçada e amada, embora eu nem tivesse certeza do que isso realmente significava.
Abracei o meu próprio corpo, sentindo solidão ao perder o calor do meu sonho.
Minha mãe estava sentada ao meu lado no banco de trás do SUV preto, falando ao telefone com um de seus clientes. Ela era advogada.
Estávamos voltando para casa depois da minha formatura do ensino médio. Minha mãe arranjara tempo para ir, ao contrário do meu pai.
Ele comandava uma grande empresa e sempre a priorizava acima de tudo — até da família. Eu estava pensando no meu sonho quando fui tirada do meu transe.
Minha mãe havia desligado o telefone e estava falando comigo.
“Ele vai se arrepender disso, sabe, de perder a sua formatura”, ela disse com compaixão. “Ele consegue agir como uma criança às vezes”, ela murmurou para si mesma, olhando para fora.
“Isso só me deixa com mais certeza de que estou fazendo o certo por mim mesma.” Eu bufei.
Meu pai estava com raiva de mim. Nós tínhamos brigado alguns dias antes sobre o meu futuro.
Ele queria que eu seguisse os passos dele e fosse estudar administração imediatamente. Enquanto isso, eu queria dar um tempo da escola.
Eu realmente não queria ficar presa às instituições que eram as nossas universidades atuais. Ele tinha ficado furioso comigo quando eu disse que ia seguir o nosso sangue e trabalhar como caçadora de demônios.
Nós não éramos humanos. Umbra vernandi era como éramos formalmente chamados — umbra, na língua comum.
Nós mandávamos os demônios de volta para o lugar deles e impedíamos que outras subespécies sobrenaturais quebrassem o equilíbrio do mundo, mas não os meus pais. Ambos nasceram caçadores, mas minha mãe deixou a ordem em busca de sua carreira agora muito bem-sucedida, e meu pai assumiu os negócios da família em vez de caçar, como o pai dele antes, para sustentar a nossa espécie financeiramente.
Embora o governo financiasse a sede dos umbra, não era o suficiente para nos manter. Arriscar a própria vida exigia altos salários.
“Como é o seu direito. Nós só ficamos um pouco chocados. Você sempre pode mudar de ideia mais tarde. Acho que é isso que o seu pai não entende muito bem”, minha mãe suspirou.
Olhei de relance para ela. Para ser sincera, eu também tinha me chocado.
Eu sempre quis ser como o meu pai e queria que ele tivesse orgulho de mim, mas, desde que comecei a ter esses sonhos estranhos, sentia que estava perdendo a mim mesma, como se algo estivesse faltando.
No entanto, seria uma péssima ideia contar a alguém que eu sonhava em fazer magia. Apenas alguns poucos escolhidos podiam aprendê-la, já que ela corrompia os nossos espíritos.
Além dos sonhos mexendo comigo, eu também tinha tido uma vontade cada vez maior de ser como os outros umbra da minha idade. Entre as nossas aulas do ensino médio e as aulas na nossa sede, a maioria deles saía para beber no pouco tempo livre que nos restava.
As fofocas nos vestiários sobre noites loucas e sexo casual me faziam sentir que eu estava perdendo a diversão. Eu ainda não tinha pisado em um bar.
Meus colegas do ensino médio iam sair juntos para comemorar a nossa formatura. Eu queria ter me juntado a eles, mas o meu pai ia dar a sua própria festa para celebrar a minha formatura, e não seria uma boa ideia sair para beber de qualquer jeito.
Infelizmente, eu precisava acordar cedo no dia seguinte. Eu também tinha que começar a me preparar para as minhas provas finais na sede dos umbra vernandi.
Com sorte, eu estaria pronta para entrar em um esquadrão — exatamente a coisa que o meu pai não queria que eu fizesse.
“Eu sei que você está com raiva do seu pai e que provavelmente não quer fazer isso, mas ele provavelmente vai esquecer isso bem mais rápido se você apenas entrar no jogo e agir como sempre age”, minha mãe disse quando o carro parou na entrada da nossa casa.
“Você está preocupada que eu tenha um ataque de raiva do nada, igual a uma adolescente?” Eu dei um sorriso de lado para ela.
Isso a fez relaxar. “Não, você dá conta”, ela disse, dando uma risadinha enquanto o motorista abria a porta do passageiro e nós saíamos do carro.
Havia um teto de vidro que se estendia da nossa casa grande e moderna, nos protegendo da chuva.
“Você está muito linda, querida”, ela disse, enquanto arrumava uma das minhas mechas loiras e ajustava o meu chapéu branco de formatura, no estilo de um chapéu de marinheiro.
“Obrigada, mãe”, eu disse, sorrindo para ela. Eu tinha herdado o meu cabelo dela, mas os meus olhos azuis cor de gelo vieram do meu pai.
“O meu vestido está bom, ou eu devo me trocar?” perguntei, dando uma voltinha.
Era costume usar branco na formatura; infelizmente, isso também deixava as manchas muito visíveis. Eu usava um vestido sem mangas na altura dos joelhos.
“Sim, Bella, você está simplesmente perfeita”, ela me garantiu.
“Agora vamos lá nos misturar com os funcionários e os parceiros de negócios do seu pai.” Minha mãe bufou, divertida.
“Lá está ela!” meu pai chamou, e os convidados aplaudiram quando a minha mãe e eu entramos na festa.
“Parabéns pela sua formatura, minha linda filha”, ele disse, sorrindo com carinho para mim.
Eu, no entanto, vi o que os convidados não viram. Eu vi a irritação nos olhos dele.
Ia ser interessante ver o que ele diria quando os seus convidados perguntassem para qual escola eu iria no outono.
“Obrigada, pai. Que pena que você não pôde ir à cerimônia”, eu disse inocentemente e olhei em volta para a decoração.
Alguém tinha escolhido lírios; eu teria preferido muito mais crisântemos.
“Bem, na verdade é meio inútil sair correndo do prédio toda alegre como se tivesse conquistado algo. No meu tempo, você tinha que fazer as provas finais e só se formava se passasse em todas elas”, meu pai respondeu, provavelmente pensando na própria formatura.
Eu lutei contra a vontade de suspirar.
“De qualquer forma, tem alguém que eu gostaria que você conhecesse”, ele disse, parecendo alegre de novo e me oferecendo o braço.
Eu fiz um bom trabalho fingindo ser a boneca que ele queria que eu fosse. Eu sorri e agradeci aos seus convidados com sinceridade enquanto eles me davam os parabéns.
“Parabéns, Bella. Você deve estar animada para finalmente entrar no nosso mundo dos negócios e do capital”, disse um homem que reconheci como Gustav, um dos amigos e parceiros de negócios do meu pai, enquanto apertava a minha mão.
“Ela vai dar um tempo da escola, algo sobre se encontrar primeiro”, meu pai disse, revirando os olhos.
Eu mordi a língua e mantive o sorriso, embora tivesse muita vontade de olhar para ele com raiva.
“Os jovens de hoje em dia, não é verdade? Você pensaria que eles veriam o quão privilegiados são e gostariam de manter as coisas assim”, Gustav disse ao meu pai e balançou a cabeça para ele em sinal de compaixão.
Isso me deu vontade de rir.
“Bem, existem outras coisas que também são importantes para a nossa família”, eu disse, encarando o meu pai.
Ele sabia que eu me referia ao nosso sangue, mas o parceiro de negócios dele não sabia que não éramos humanos, e ele queria que continuasse assim.
“Onde está o seu filho, Gustav? Você disse que o traria hoje, não disse?” meu pai disse antes que o Gustav tivesse a chance de perguntar o que eu queria dizer.
“De fato, eu disse”, Gustav falou e se virou.
“Stefan!” ele chamou, enquanto eu aproveitava a chance para olhar para o meu pai com desconfiança.
“Chamou?” um homem jovem e alto disse, se juntando a nós.
Ele me olhou de cima a baixo e sorriu. “Você deve ser a Bella? Eu sou o Stefan”, ele disse, estendendo a mão.
“Sou sim”, eu disse, e apertei a mão dele.
Ele tinha outros planos e a levou aos lábios, beijando-a. “É um prazer conhecê-la, Bella”, ele sorriu de lado, parecendo um pouco arrogante.
Eu, no entanto, notei que ele tinha olheiras. Ele parecia estar lutando contra o cansaço.
“O Stefan acabou de se formar em administração e vai começar o mestrado depois do verão”, Gustav disse, brilhando de orgulho.
“Ouviu isso, querida? Não é inspirador?” meu pai me perguntou, tentando me fazer sentir culpa.
“Talvez o Stefan possa te contar tudo sobre isso para quando você for se inscrever?” ele sugeriu.
Eu entendi aonde ele queria chegar com isso e fiquei com raiva.
“Eu adoraria te contar tudo o que você quiser saber!” Stefan disse com entusiasmo, me oferecendo o braço.
Eu dei um sorriso educado. “Talvez mais tarde, eu quero conversar um pouco com o meu pai.”
“Nós já voltamos”, meu pai nos deu licença antes de me seguir até a nossa biblioteca.
A biblioteca era a única parte da casa que não tinha um estilo moderno, mas sim clássico, e era o meu cômodo favorito da casa.
“Pai... eu estou imaginando coisas, ou você está tentando me arranjar para o filho do seu parceiro de negócios?” eu perguntei, irritada, cruzando os braços.
“Claro que não. Eu só estou tentando te inspirar a se inscrever na faculdade”, ele disse, fingindo estar ofendido.
“Mas, já que você tocou no assunto, ele seria um bom par para você no futuro. Especialmente se você não tem nenhum interesse em administrar a minha empresa”, ele acrescentou, cruzando os braços também.
“Então, você ficaria feliz se o amor rolasse solto e eu acabasse casando com ele? Talvez seja isso que você quer?” eu perguntei, franzindo a testa.
“Esse seria um resultado feliz, sim”, meu pai respondeu, sorrindo como um bobo e erguendo uma sobrancelha para mim.
“Isso é muito fodido!” eu disparei. “Eu só tenho dezenove anos. Eu não deveria ter que pensar em casamento, e isso com certeza não é da sua conta!” eu acrescentei. Então, me virei para ir embora.
“Aonde você vai?” meu pai perguntou quando eu estava no meio do caminho para sair da sala.
Eu me virei para olhar para ele. “Eu vou sair para comemorar com os meus colegas!” eu gritei e saí pisando duro.
Fui pegar a minha bolsa com o meu celular e os meus cartões antes de me aventurar pela porta da frente, sentindo-me acolhida pelo cheiro de grama e terra após a chuva.
Eu tinha mentido. Eu não ia sair com os meus colegas.
Eu ia fazer duas coisas esta noite. Duas coisas que eu queria fazer havia meses.
Eu ia ficar bêbada, e eu ia transar.
Eu estava tão cansada de me sentir vazia, mas não desejava necessariamente ter amor. Eu nem sabia o que isso significava.
Eu queria viver uma daquelas noites loucas e divertidas, e sabia exatamente para quem ligar para satisfazer os meus desejos.

















































