
Série The Royal Livro 2: Encontrando Freya
Author
Rebekah Halt
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Chapters
35
Até Que a Morte Nos Separe
Livro 2: Encontrando Freya
MAVERICK
Maverick observou enquanto Grant atirava sua taça contra a parede. O vinho espirrou na pedra, o líquido vermelho-escuro escorrendo devagar, arrastando-se em direção ao chão.
Maverick notou que Grant estava cada vez mais distante, e sabia que cada minuto que passava era um verdadeiro tormento para o rei.
Fazia três dias que Emilia havia entrado em coma, e ela ainda não tinha acordado. O prognóstico era sombrio, mas Maverick sabia que Grant ainda se apegava a um frágil pingo de esperança.
Para piorar a situação, o médico havia informado ao rei que Emilia estava grávida — e a probabilidade de ela levar a gestação adiante era quase inexistente, já que não conseguiam alimentá-la. Na verdade, era a inanição que provavelmente mataria Emilia.
O médico tinha medo de tentar administrar até mesmo líquidos, alertando que ela provavelmente engasgaria. Maverick foi forçado a convencer o rei a não enforcar o pobre homem em um ataque de frustração.
Sua amante grávida e solteira estava inconsciente, agarrando-se à vida, enquanto ele estava ali com a saúde perfeita — andando, falando e respirando. No entanto, quando Maverick olhou para seu melhor amigo, ele parecia um fantasma envolto na própria pele.
Um homem moldado pela tristeza em vez de carne.
“Grant”, Maverick disse suavemente.
O rei virou para olhar para ele, a luz do fogo criando sombras profundas nas cavidades do seu rosto. Ele não parecia ter trocado de roupa desde a noite em que Emilia desmaiou.
“O quê?” Grant resmungou, virando-se de volta para a parede.
“Você não pode continuar assim”, ele disse com cuidado, aproximando-se devagar, com medo de assustá-lo.
Grant o ignorou.
“Alguns dos servos estavam conversando, e…” Maverick começou. “Bem, eles pensaram em algo que poderia ajudar.”
“Como o quê?” Grant resmungou. “Nós já tentamos de tudo.”
“Você não vai gostar”, ele disse, cada palavra medida com cuidado, preocupado com a reação dele.
“Apenas fale”, Grant esbravejou. “Você acha que eu já não ouvi de tudo? Eu trouxe a porra de um curandeiro aqui ontem com sais e incenso.”
“Bem, a Beth veio me ver”, Maverick começou. “Ela… Bem, ela é de Ocartese. Você sabe, aquela vila nas montanhas? Aquela com a cachoeira enorme?”
Grant bufou. “Eu conheço essa vila. É aquela cheia de bruxaria e superstições de xamãs.”
“Exatamente.” Maverick plantou as mãos firmemente na cintura e olhou para ele com intensidade.
“Então você acha que nós deveríamos…” Grant deu uma risada sombria. “O quê?”
“Bem, você já tentou todo o resto, certo?” ele perguntou.
“Meu Deus, você está mais insano do que eu.” Grant se levantou para pegar outra taça de vinho.
“Nós devíamos tentar. Eu ouvi algumas histórias”, Maverick disse, estendendo as mãos para a frente. “Por favor.”
“Tudo bem, mande-os entrar”, ele cuspiu, enchendo sua taça de vinho até a borda.
“Aí é que está o problema”, Maverick disse. “Nós temos que levá-la. É algo sobre precisarem da própria terra… Algo sobre espíritos e conexões.”
“Puta que pariu”, Grant esbravejou.
“O médico aprovou a mudança. Ele disse que isso não deve piorar o estado dela — nós só precisamos ser cuidadosos”, Maverick disse. “Então, tudo bem se fizermos isso?”
“O que eles vão fazer com ela?” Grant perguntou, dando outro gole longo em seu vinho. “Eles vão dançar em volta de uma fogueira ou fazer alguma bobagem de ritual?”
Maverick deu de ombros. “Eu realmente não faço ideia. Mas só para você saber, a vila não gosta de forasteiros.”
“Forasteiros?” Grant riu. “Eu sou o rei deles. Eles são o meu povo. Nós não somos forasteiros.”
“A vila é muito insular e eles não saem por aí ajudando qualquer um”, ele respondeu. “O único motivo de estarem oferecendo uma mão é porque a Beth implorou.”
Grant riu de novo. “Tudo bem. Nós vamos levá-la amanhã, logo de manhã cedo.”
“Grant…” Maverick disse. “Já é de manhã. O sol acabou de nascer.”
O rei cambaleou até a janela e semicerrou os olhos para olhar lá fora. Ele resmungou e voltou para o seu assento.
“Que tal eu levá-la?” Maverick ofereceu. “Eu levo alguns guardas.”
“Ninguém sai deste castelo com ela a menos que eu esteja presente”, Grant disse, sua voz cheia de veneno. “Eu deixei que ela se machucasse uma vez, e isso não vai acontecer de novo.”
“Tudo bem”, Maverick disse rápido, levantando as mãos em rendição. “Mas podemos ir agora? O tempo é… vital para a Emilia.”
Grant concordou com a cabeça.
“Vamos curar essa sua bebedeira”, Maverick disse, ficando atrás dele para descansar uma mão em seu ombro. “Tome um banho. Você está fedendo.”
Maverick correu pelo castelo, reunindo guardas e pedindo para o médico colocar Emilia na carruagem rapidamente. Ele observou com atenção enquanto eles a carregavam, apoiando-a com travesseiros macios e cobrindo-a com um cobertor quente.
A aparência dela preocupava Maverick. Ela parecia fraca e frágil. Se não estivesse respirando, você acharia que estava morta.
Sua pele de marfim agora estava branca como osso, um forte contraste com seu cabelo negro como azeviche. Seus olhos estavam fundos, e olheiras escuras começavam a se formar ao redor deles.
Ela sempre fora uma mulher pequena, mas agora parecia doente — traços de sua lenta inanição começavam a aparecer. Ele se perguntou se ela estaria presa ali, enclausurada dentro do próprio corpo.
Ouvindo tudo ao seu redor, mas incapaz de se mexer ou falar. Ele balançou a cabeça para afastar o pensamento. Pensamentos assim não eram úteis para ninguém.
Ele se virou para ver Grant cambaleando na frente do castelo. Um guarda correu rapidamente para segurá-lo antes que caísse. Maverick já tinha visto Grant em estados lamentáveis antes, mas aquele era diferente de tudo que já presenciara.
O homem havia perdido toda a esperança.
Os guardas conduziram o rei a uma carruagem separada. Maverick decidiu ir com ele — para ter certeza de que ele não cairia na estrada na sua bebedeira. A viagem seria longa, então ele esperava que Grant tivesse tempo para ficar mais sóbrio antes de chegarem.
Ele deslizou para o lado do rei e deu um cutucão nele. “Precisamos continuar lutando e tendo esperança, Grant. Você já fez tudo o que podia — mas pode ser isso. A coisa que a salva”, ele disse.
Mas cada palavra que Maverick disse era uma pura mentira. Ele não acreditava em magia, fadas ou qualquer tipo de bruxaria e cura.
Mesmo assim, Beth insistiu que tinha visto milagres acontecerem em Ocartese — e, embora ele achasse que ela podia ser um pouco louca, como o resto de sua vila, ele decidiu que qualquer coisa valia a pena. Eles tinham trazido médicos de todo o país que tentaram tudo o que podiam imaginar.
O que mais eles podiam fazer?
A viagem foi longa, tornando-se ainda mais demorada com as paradas da carruagem para que Grant pudesse vomitar o conteúdo do estômago. Maverick fez um servo viajar com eles e trazer muita água e pão para ajudá-lo a curar a bebedeira.
Até agora, ele estava ficando mais consciente das coisas.
“Eu me sinto uma merda”, Grant resmungou, encostando a cabeça para trás, segurando a água na mão.
“Isso acontece quando você fica tão bêbado assim”, Maverick deu uma risadinha. “Estamos chegando perto agora. Você se sente melhor?”
Grant concordou com a cabeça. “Não estou mais bêbado — só de ressaca.”
Ele se virou para olhar para Maverick. “Eu realmente concordei em deixar você me arrastar para uma vila de vodu para tentar ajudar a Emilia?”
“Sim. Foi por isso que eu perguntei quando você estava cego de bêbado”, Maverick disse com uma piscadela.
“Isso com certeza é um desperdício de tempo”, Grant disse, olhando pela janela da carruagem para a vila à distância.
“Talvez. Talvez não”, Maverick disse suavemente. “Só há um jeito de descobrir.”
“Essas pessoas não usam aquelas… roupas estranhas?” Grant perguntou. “Aquelas com padrões? É uma das únicas vilas que não me lembro de ter visitado.”
“Ouvi algumas coisas aqui e ali”, Maverick disse, dando de ombros. “Mas eles pagam seus impostos e não causam problemas. Pessoalmente, nunca tive motivo para visitar antes. Eles gostam de ser deixados em paz.”
Eles haviam chegado à entrada da vila.
“Uau”, Maverick assobiou. “Isso não é normal. Nem esperado.”
Ao contrário da maioria das vilas, que tinham apenas uma cerca simples ao redor do perímetro, esta havia tirado um tempo para se fortificar totalmente. Altos muros de pedra se erguiam o suficiente para bloquear completamente a visão da vila.
Duas torres altas estavam conectadas ao portão da frente, e arqueiros permaneciam no topo, olhando para baixo — totalmente concentrados e prontos para um ataque. Seus arcos já estavam tensionados.
“Puta merda”, Grant disse. “Isso que é uma segurança séria.”
“Faz sentido que o Saqueador nunca tenha se importado em vir aqui”, Maverick sussurrou, como se eles pudessem ouvi-lo.
A carruagem parou no portão, e duas mulheres de mantos deram um passo à frente, seguidas por mais cinco mulheres, totalmente blindadas em couro grosso marrom-claro com espadas em punho.
Maverick saiu da carruagem, e Grant foi logo atrás. Ele caminhou até as duas mulheres de mantos e levantou as mãos para mostrar que estava desarmado.
“Eu sou Sir Maverick de Greensbriar. Eu cheguei, e trouxe o seu rei”, ele disse, acenando com a cabeça para trás enquanto Grant se aproximava.
A primeira mulher puxou o capuz do seu manto, revelando um longo cabelo prateado, pele enrugada e olhos azul-escuros. Ela usava um manto branco, pesado com a idade, mas singularmente belo, adornado com padrões intrincados em prata bordados ao longo das mangas e da bainha.
Ela fez uma reverência rápida, seu manto roçando a terra abaixo dela, enquanto a mulher atrás copiou seus movimentos.
Maverick já podia notar que ela era a líder. Ele viu isso na forma como as mulheres ao redor pareciam olhar para ela antes de fazerem a reverência, como se pedissem permissão.
Maverick semicerrou os olhos para os padrões no manto dela, tentando decifrar os símbolos. Aquilo era um idioma?
Grant agora estava de pé ao lado dele.
A mulher se ajoelhou diante de Grant e olhou para ele. “Vossa Majestade”, ela disse.
Todas as mulheres seguiram o seu exemplo e se ajoelharam no chão também.
“Qual é o seu nome?” Grant perguntou quando elas se levantaram.
“Eu sou Cora, a líder desta vila”, ela disse.
“Uma mulher?” Grant abriu um sorriso.
Cora concordou com a cabeça. “Sim. Nós todas somos mulheres.”
Maverick balançou a cabeça. “Todas vocês?”
Cora inclinou a cabeça e semicerrou os olhos para ele. “Sim.”
“Como…” Maverick começou.
“Já chega”, Cora o cortou. “Onde está ela?”
Maverick foi um pouco pego de surpresa pela sua brusquidão. Ele a levou até a carruagem que abrigava Emilia.
A mulher olhou para dentro. Quando viu Emilia, seu rosto ficou intenso e pensativo. Em seguida, ela espalmou a mão e a segurou a alguns centímetros do rosto de Emilia antes de fechar os olhos.
Ela começou a cantarolar baixinho.
Grant olhou para Maverick e sussurrou: “Eu te avisei.”
“Uma pena”, Cora disse.
“O que você quer dizer?” Grant perguntou rápido.
“Ela é forte”, Cora disse. “Seria uma pena se ela morresse. Um verdadeiro desperdício. Venham rápido. Eu providenciei para que uma das nossas melhores curandeiras cuide dela.”












































