
Série Wyndham: Livro 2
Author
J Goddard
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Chapters
44
Capítulo 1
Livro 2: Alguém Para Confiar
MILES
O silêncio entre nós era ensurdecedor. Ela apenas ficou lá, esperando por uma resposta, e eu só conseguia olhar para ela, paralisado de medo. Eu precisava dizer algo logo ou sentiria a fúria dela a qualquer momento, mas, maldição, eu era péssimo com essas coisas.
“Hum… o preto?” eu respondi com tom de pergunta.
“Você tem certeza? Falando sério, Miles, eu não posso ir à casa da sua mãe anunciar nossa gravidez parecendo nada menos que perfeita.”
Ela jogou as duas opções de vestido na cama e voltou para o closet. “Ah, eu não consigo fazer isso! Ela vai achar que é muito cedo. Ela vai me odiar por arruinar a vida do filho dela!” ela gritou de lá de dentro.
Eu fechei os olhos e suspirei. Senti uma dor de cabeça chegando, então eu precisava acalmar essa situação rápido. Caminhei até ela e a impedi de revirar o nosso closet, segurando as duas mãos dela nas minhas e forçando-a a olhar para mim.
“Pare com isso, Callie, pelo amor de Deus. Olhe para mim. O vestido preto fica lindo em você, e você sabe disso. Eu me lembro muito bem de arrancá-lo do seu corpo pouco depois de chegarmos do jantar algumas semanas atrás.”
A expressão de raiva dela se transformou em um sorriso malicioso quando esfreguei meu nariz no dela.
“Além do mais, ela já não te odeia um pouco?” eu perguntei, dando uma risada.
A cara feia voltou, mas o rosto dela ainda estava sereno. “Não teve graça.” Ela me empurrou e passou por mim em direção ao banheiro, pegando o vestido preto no caminho, na esperança de finalmente terminar de se arrumar.
Eu ainda estava rindo da minha própria piada enquanto via a bunda gostosa dela se afastando, mas meus pensamentos voltaram para o pedido da minha mãe, o que arruinou meu humor por completo. Já fazia duas semanas que as duas mulheres da minha vida me deram uma enxurrada de informações, e eu ainda estava tentando processar tudo aquilo.
Assim que Callie me contou que estava grávida, não consegui nem tocar no assunto sobre o que minha mãe queria de mim, e por que eu deveria?
Eu não precisava deixar Callie mais chateada do que já estava; eu precisava encontrar uma solução antes de jogar esse problema nas costas dela. Ela já estava ansiosa por engravidar tão cedo, tudo isso enquanto tentava erguer o seu restaurante do zero.
Eu também tinha que lidar com a ideia de ser pai. Será que eu servia para ser um pai? Eu não conseguia nem colocar a minha própria cabeça no lugar.
Eu também não queria decepcionar minha mãe, nem que eles perdessem um cliente, mas Callie e eu vínhamos em primeiro lugar. Agora que um bebê estava a caminho, eu não podia de jeito nenhum abandoná-la por causa dessa viagem de negócios ridícula, especialmente com a Palmer.
Mesmo assim, eu precisava encontrar um jeito de ajudar minha mãe. Eu sei que ela não teria me pedido se não precisasse da minha ajuda. Por sorte, eu ainda tinha algumas semanas para decidir, mas o tempo estava passando.
Os pensamentos continuavam a girar na minha mente, e a minha dor de cabeça estava começando a piorar ainda mais.
Fui até a gaveta da mesa de cabeceira para tomar uns Tylenol, e ouvi o barulho dos saltos de Callie vindo do banheiro. “Você está pronta?” eu perguntei enquanto me virava para encontrá-la.
Lá estava ela, me deixando sem fôlego de novo. Eu acho que nunca vou me acostumar com as sensações que ela me causa. Como eu posso morar com uma mulher, estar noivo dela e ainda me sentir como um garoto nervoso convidando sua paixão para o baile da escola?
“E então?” Ela alisou o vestido e deu uma voltinha para mim. “O que você acha?”
Caminhei lentamente até ela e a agarrei pela cintura. “Eu acho que você ficava melhor quando o vestido estava na cama.” Comecei a lamber e morder o pescoço exposto dela, puxando-a ainda mais para perto de mim.
Ela ofegou quando sentiu o quanto eu estava pronto para cancelar esse jantar inteiro e ficar em casa.
Ela riu enquanto tentava lutar contra seus próprios desejos e se manter séria. “Miles, nós não podemos. Já estamos atrasados,” ela disse, me empurrando sem muita força.
“É, bom, e de quem foi a culpa? Ficar provando cada vestido do seu closet para um jantar bobo,” eu murmurei, continuando a tentar convencê-la a desfazer tudo o que ela tinha acabado de arrumar.
Ela segurou meu rosto com as duas mãos e me fez olhar em seus olhos. “Não é só um jantar bobo. Nós vamos anunciar nossa gravidez, e a nossa hora acabou. Temos que ir.” Ela me empurrou de leve enquanto eu fazia bico.
“Mas eu não quero,” eu reclamei como uma criança de dois anos.
“Vamos logo,” ela simplesmente respondeu, pegando a bolsa e saindo do quarto, me deixando parado ali de bico e com um volume rígido e insatisfeito marcando a minha calça.
Por sorte, consegui me acalmar durante o trajeto até a cidade. O ar fresco ajudou bastante. Agora estávamos caminhando até a porta da frente da casa da minha mãe. Essa era a primeira vez de Callie ali, e eu percebia que ela estava muito nervosa.
“Acalme-se, Cal,” eu disse a ela enquanto tocava a campainha.
“Eu não consigo. Sua mãe simplesmente me deixa nervosa,” ela disse, inquieta.
“Eu achei que vocês duas estivessem se dando bem?” eu perguntei, confuso do porquê ela estava tão nervosa de repente.
“Nós estamos, de um jeito casual. Mas ela ainda me deixa nervosa, e nós estamos prestes a dizer que ela vai ser avó. Você não acha que ela vai ficar chateada com isso?” ela respondeu, como se achasse que eu era o louco da história.
Eu pensei sobre isso por um segundo. “Sabe, eu não sei. Eu nunca a ouvi falar muito sobre isso antes.” Eu me virei para ela e vi um olhar de tanto medo em seu rosto que me fez rir. “Vai dar tudo certo, eu prometo.”
“Tudo bem,” ela disse quase em um sussurro, e então respirou fundo e soltou o ar devagar, logo antes de a porta se abrir.
“Callie!” Marley gritou quando abriu a porta. Ela puxou Callie para um abraço, não esperando nem por um cumprimento.
Callie riu e eu soltei um suspiro de alívio ao ver minha prima. Se alguém conseguiria fazer Callie relaxar, seria a Marley.
Ela era a única Wyndham que seguia seu próprio caminho e fazia as coisas do seu jeito, e sempre dava a Callie o resumo de como lidar com os dramas da família. Ela era um anjo da guarda.
“Miles, venha cá.” Ela me chamou e me abraçou. “Eu sinto que não vejo vocês faz uma eternidade. Quando foi a última vez que vocês vieram me ver?”
“Na semana passada, Marley. Nós fomos jantar no seu restaurante, assim como em todas as outras semanas antes disso,” Callie afirmou com um sorriso irônico.
“Nem perto do suficiente,” Marley respondeu, dando um empurrãozinho nela.
“Miles.” Eu ouvi minha mãe chamar meu nome da sala de jantar à nossa direita. “Venham logo, o jantar está prestes a ser servido. Vocês estão atrasados. Vamos, vamos.”
Ela virou as costas e voltou para dentro, não parando para dizer olá primeiro, nem para agradecer por termos vindo. Não era à toa que Callie tinha medo dela.
Nós três entramos no cômodo apenas para ver muito mais pessoas do que esperávamos. Quando minha mãe disse para virmos jantar, eu estupidamente pensei que ela se referia apenas à Callie e a mim.
Ao redor da mesa estavam o tio Jensen e minha tia Gwen, pais de Marley — nada parecidos com ela. A outra convidada inesperada estava sentada na ponta da mesa, bem ao lado da minha mãe. Uma pessoa que eu não desejava ver esta noite.
A julgar pela forma como Callie agora apertava a minha mão, ela sentia o mesmo. Palmer sorriu para nós com aquele seu sorriso falso e um brilho de malícia nos olhos.
Esse jantar não ia terminar bem.
















































