
Seu Anjo de Natal
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Capítulo 1
NASH
Já estava escuro quando Nash saiu do bar, e a chuva batia forte na lateral do seu rosto enquanto ele lutava contra a tempestade para chegar à sua caminhonete.
Eu não devia ter ficado para aquela segunda cerveja, ele pensou, ligando o motor e apertando os olhos através do para-brisa, tentando enxergar a estrada. O asfalto já estava escorregadio depois de tanta neve.
Depois de desviar dos poucos veículos estacionados, ele pegou a estrada que levava de volta ao seu rancho.
Ele estava aliviado por ter conseguido vender seu gado antes do mau tempo chegar. Agora, ele só precisava se preocupar com os cavalos e teria um tempo para consertar a casa.
Do nada, o motor roncou alto, e Nash se viu de frente para o pequeno bosque na beira da estrada.
Com o coração acelerado pelo susto, ele segurou o volante com as duas mãos e endireitou a caminhonete de novo.
“Maldito gelo na pista.” Ele abaixou a janela. O ar frio rapidamente penetrou em seus ossos, mas ele sabia que isso o manteria focado. “Falta só um quilômetro, Nash. Fique alerta. Mas o que…?”
Quando o bosque acabou e ele se aproximou do lago, ele viu dois feixes de luz apontando para o céu.
Ele resistiu à vontade de acelerar na estrada escura e perigosa. Mas, ao chegar mais perto, ele viu um carro pequeno na vala. O porta-malas estava apontado para o barranco de lama e em direção à água coberta de gelo.
A caminhonete derrapou até parar, e Nash pulou para fora. Ele usou a força dos ombros para impedir que o vento batesse a porta contra ele.
Protegendo os olhos da chuva forte e olhando pelo meio dos dedos, Nash se aproximou da porta do motorista.
Tem alguém aí dentro?
Ele não conseguia ver o rosto da pessoa. Porém, encostado no volante, havia um monte bagunçado de cabelos loiros.
É uma mulher.
“Olá? Moça?” Nash esticou a mão para a maçaneta da porta. Mas, antes que pudesse segurá-la, o carro escorregou um pouco barranco abaixo. “Moça, você está me ouvindo? Você tem que sair do carro agora mesmo.”
O carro escorregou de novo, e uma das rodas traseiras tocou o gelo do lago. Uma teia de rachaduras apareceu por toda a superfície brilhante antes dela se quebrar.
Nash deu um passo para baixo no barranco. Ele confiava e esperava que a sola de suas botas pesadas o impedisse de cair na lama e na água congelante.
Ele puxou a porta e a abriu. Ele colocou o corpo debaixo da porta para evitar que ela fechasse de novo. Então, ele colocou os braços lá dentro para afastar a mulher do volante. Os olhos dela estavam fechados.
Nash sabia que não devia mover uma pessoa machucada após um acidente. Mas, naquele momento, ele não tinha escolha. Ele precisava tirá-la dali na mesma hora.
O carro escorregou um pouco mais. Isso o empurrou pela lama e para mais perto do lago congelante.
Ele se esticou por cima da motorista e apertou a fivela para soltar o cinto de segurança.
Depois de passar um braço por trás dos ombros dela e o outro por baixo das pernas, ele a puxou para fora logo quando o carro escorregou de novo.
Mesmo com a chuva e o vento batendo em suas orelhas dormentes, Nash ouviu o gelo quebrando sob o peso do carro.
Antes mesmo que ele pudesse recuperar o fôlego, o veículo desapareceu debaixo da água escura.
Ele a segurou mais firme, garantindo que a mulher em seus braços não corresse o risco de escorregar. Depois, ele subiu o barranco de lama, um passo cuidadoso de cada vez, e a levou até o lado do passageiro de sua caminhonete.
Depois de voltar para o banco do motorista, ele respirou fundo para acalmar os nervos. Em seguida, deu várias respirações curtas para aquecer as mãos. Ele ligou o aquecedor no máximo.
Sem a ameaça de ser arrastado para o lago, e sem o granizo e a neve batendo em seu rosto, Nash olhou para a moça direito pela primeira vez.
Sua respiração falhou ao vê-la.
Ela tem o rosto de um anjo.
Ela usava um par de botas de couro com salto alto que iam até os joelhos. Então, ele imaginou que ela não devia ser daqui. Ela com certeza não tinha planejado ser pega nesse clima.
O casaco dela também era longo, mas não era feito para o inverno.
“Moça, você está me ouvindo?” Nash tentou falar o mais baixo possível para não assustá-la.
Nenhuma resposta.
“Eu não sei se você está machucada. Mas não tem como a gente chegar no médico nessa tempestade. Vou levar você para a minha casa, é bem perto.”
Quando ele voltou para a estrada, ele olhou para a mulher a tempo de ver os olhos dela se abrirem um pouco antes de fecharem de novo.
Pelo menos ela está viva.
“Você vai ficar bem, moça”, ele disse, mais para si mesmo do que para ela. Quando ele entrou em seu rancho alguns minutos depois, ele fez o sinal da cruz no peito e agradeceu a Deus.
Nash estacionou o mais perto da casa que pôde. Depois, ele deu a volta na caminhonete, pegou a mulher nos braços e a carregou até a porta da frente. Ele usou o cotovelo e o pé para conseguir entrar.
O border collie latia e pulava para receber o dono. Ele estava doido para cheirar a mulher.
“Fica no chão, garoto.” Nash colocou a moça no sofá e tirou o casaco e as botas dela.
Ela usava um vestido sem mangas, e sua pele estava gelada. Ela resmungou algo que Nash não conseguiu entender, mas ele viu que os lábios dela estavam roxos.
“Vamos esquentar ela”, Nash disse para o cachorro. Ele pegou a mulher no colo de novo para levá-la a um quarto de hóspedes.
Ele a colocou na cama e tentou ao máximo não olhar enquanto tirava as roupas dela. Ele colocou uma de suas camisas nela e, depois, a cobriu com vários cobertores.
“Fique aqui e cuide dela, Moe.” Ele fez carinho na cabeça do cachorro. “Eu vou ligar para o médico para saber o que devo fazer. Bom garoto.”
Antes de se virar para sair, ele olhou bem para o rosto da mulher e sentiu um aperto estranho no coração.
“Não sei dizer se já vi você antes ou se só imaginei alguém como você. Mas você é uma mulher muito linda.”
“Vou ligar para o médico e logo volto para sentar nesta cadeira ao lado da cama. Se precisar de alguma coisa, eu estarei bem aqui.”
UNKNOWN
Acordando com uma forte dor de cabeça, ela abriu os olhos. Ela tentou focar no que estava ao seu redor.
O quarto era pequeno e as cortinas estavam bem abertas. Ela podia ver a camada de neve do lado de fora da janela, que parecia se estender por muitos quilômetros.
“Onde eu…? Mas o que…? Ah!”
Ela sentiu algo macio e molhado nas costas da mão. Mas, antes que pudesse entender o que era, um cachorro grande, preto e branco, estava encostando o focinho nela. Ele abanava o rabo com muita alegria.
Ela puxou a mão para trás num susto e levantou as cobertas até o peito. “Vá embora!”
“Tudo bem, ele é amigável.”
Ela olhou rápido na direção da voz que vinha do outro lado do quarto.
Lá, perto da porta, estava um homem que ela não reconhecia. Ele era alto, tinha cabelos escuros e era muito bonito de um jeito rústico. As mangas da camisa dele ficavam apertadas nos músculos.
O medo lhe subiu à garganta quando tentou se afastar dele. Ela se empurrou para trás contra a cabeceira da cama. “Quem é você? Onde eu estou e o que estou fazendo aqui?”
“Meu nome é Nash Harris, e este aqui é meu cachorro, Moe. Você não se lembra do que aconteceu com você?”
“Não”, ela respondeu. Ela puxou a coberta ainda mais para cima, até chegar no queixo.
“Você sofreu um acidente. Eu tirei você do seu carro antes que ele caísse no lago. Eu queria levar você para o hospital, mas a tempestade estava muito forte. Então, eu trouxe você para cá.”
“Qual é o seu nome e por que você estava lá fora no meio de uma nevasca?”
“Meu nome é, hum, e-eu não sei.” Ela olhou para ele, esperando se lembrar de algo ou ter alguma ideia. Mas sua mente estava em branco. “Por que eu não consigo me lembrar? Onde eu estou?”
“Você está em Montana, no meu rancho. Você bateu a cabeça bem forte, a julgar pelo galo na sua testa. Vou ligar para o médico e perguntar o que devemos fazer.”
“Obrigada”, ela disse, olhando para baixo, para o cachorro.
“Aposto que você está com fome.”
Bem na hora, o estômago dela roncou. “Sim, na verdade, estou morrendo de fome.”
“Vou preparar algo para você comer. Se quiser tomar um banho, o banheiro fica descendo o corredor. Tem toalhas limpas e uma escova de dentes nova e fechada na gaveta.”
Ele olhou para Moe. “Vem, garoto. É hora de você ir lá fora fazer suas necessidades.”
“Espere, onde estão as minhas roupas?”
“Eu tive que lavar. Agora, elas estão na secadora.”
“De quem é esta camisa que estou usando?”
“É minha.”
Ela apertou o cobertor com mais força ainda. “Quem colocou ela em mim?”
“Fui eu.”
O rosto dela ficou vermelho de vergonha. “Você me viu nua?”
“Suas roupas estavam molhadas, e não tem mais ninguém aqui. Então, eu tive que fazer isso. Eu dou a minha palavra de que me comportei como um verdadeiro cavalheiro. Fiz o meu melhor para não olhar.”
Mesmo se sentindo violada, ela se forçou a olhar nos olhos de Nash. O olhar dele era gentil e familiar. Algo dizia a ela que podia confiar nele. “Tudo bem.”
***
Depois de um banho quente, suas dores diminuíram. Ela se sentia um pouco mais humana.
Mesmo assim, sem suas roupas, ela não teve escolha a não ser vestir a camisa do estranho de novo. Depois, ela seguiu o cheiro de comida até o andar de baixo.
Ele virou a cabeça quando ela entrou no cômodo. “Eu consegui ouvir seu estômago roncando até aqui embaixo.”
Ela não sorriu. Ela usou toda a sua energia para não fugir de medo. Por mais desconhecido que esse Nash parecesse, todo o foco dela estava em si mesma; ela não conseguia se lembrar de quem era ou de onde eles estavam.
“Por favor, sente-se, o café da manhã está pronto. Eu não sabia do que você gostava. Então, eu fiz panquecas, bacon, ovos mexidos e torradas.”
A boca dela encheu de água no momento em que ele colocou a comida na mesa.
“O cheiro está muito bom”, ela disse, enchendo o prato.
“Você aceita um pouco de café?”
“Por favor.” Ela deu uma risadinha.
“O que tem graça?”
“Nada... Eu não consigo me lembrar do meu nome, mas, pelo jeito, eu sei que gosto de café.”
Quando ele encheu uma caneca para ela, ela deu um gole e fez uma careta.
Nash riu. “Parece que você gosta de café com leite e açúcar também.” Ele empurrou os dois na direção dela.
O sorriso dele sumiu. “Eu sei que você deve estar com medo agora. Sem saber o que está acontecendo e estando aqui comigo. Mas eu prometo que você está segura.”
Ela segurou a caneca com as duas mãos, passando os polegares na porcelana. “Obrigada. Eu confesso que não saber quem eu sou dá muito medo. E se eu nunca recuperar a minha memória?”
“Tenho certeza de que vai. Enquanto isso, o xerife está checando os casos de pessoas desaparecidas para ver se alguém está procurando por você. Tomara que ele descubra alguma coisa. Até lá, acho que você terá que ficar aqui.”
Ela olhou para ele por cima da borda da caneca. “Obrigada. E obrigada por salvar a minha vida. Vou tentar não dar trabalho. Talvez eu possa cozinhar e limpar para pagar pela sua hospitalidade?”
“Não precisa de nada disso. E eu acho que você devia estar descansando, não limpando. Você não se lembra de absolutamente nada?”
“Não, minha mente está vazia.”
“E você não tem nenhum documento de identidade com você?”
Ela balançou a cabeça dizendo que não. “Se eu tinha, acho que estava no carro. Que você disse que está no fundo de um lago, certo? Você por acaso não viu o número da placa antes de me tirar de lá, viu?”
“Infelizmente não.”
Ela colocou o garfo no prato vazio. “Você mora aqui sozinho ou é casado?”
“Não, eu não sou casado. Somos só eu e o Moe.”
Ao ouvir seu nome, Moe levantou as orelhas.
“Ele é um cachorro muito lindo. Qual é a raça dele?”
“Um border collie. Eu o encontrei alguns anos atrás. Ele estava abandonado e machucado no bosque. Então, eu o trouxe para casa. Ele tem sido meu grande parceiro desde então.”
“Ele é muito esperto. Muito leal. Leal até demais, às vezes. Na verdade, você é a primeira pessoa que ele gostou logo de cara. Geralmente, ele não dá bola para ninguém além de mim.”
“Você tem o costume de resgatar animais e mulheres que estão em perigo?”
“Quando é preciso, sim.”
Ela abaixou a caneca e puxou a barra da camisa um pouco mais para baixo. “Eu devia me vestir.”
“Claro, vou pegar suas roupas. Elas já devem estar secas.” Nash sumiu por uma porta que dava para fora da cozinha.
Como ele não voltou na mesma hora, ela foi atrás dele até a lavanderia. A secadora já estava aberta e vazia. Nash estava tirando o sutiã e a calcinha dela do varal.
Ele ainda estava segurando as peças quando a viu olhando para ele, e seu rosto ficou vermelho. “Eu, hum, não tinha certeza de como lavar roupas íntimas de… mulher. Espero não ter estragado tudo.”
Pegando o sutiã e a calcinha da mão dele, ela sorriu. “Tenho certeza de que estão ótimos. Vou lá me vestir e depois lavo a louça.”
Ele limpou a garganta. “Certo. Eu tenho umas tarefas para fazer. Preciso alimentar os cavalos. Estarei lá fora no celeiro se precisar de alguma coisa. Não vou demorar.” Ele acenou para Moe. “Vem comigo, garoto.”
Ela achou muito fofo o jeito que o rosto dele ficou vermelho.
O cachorro olhou para ela e abanou o rabo mais um pouco antes de decidir ir com Nash.
Ela pegou sua caneca e terminou o resto do café. Depois, ela a colocou na pia. Na torneira, ela conseguiu ver o seu reflexo. Ela não pôde deixar de notar que suas bochechas também estavam um pouco vermelhas.
Nem mesmo os seus marcantes olhos verdes trouxeram alguma lembrança.
“Quem é você, estranha? E o que você está fazendo aqui?”















































