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Skyler, um desafio supremo

Autor
Mirjam Kik Pollemans
Leituras
19,8K
Capítulos
34
Autor
Mirjam Kik Pollemans
Leituras
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Capítulos
34
🏈Disputas esportivas🏃🏿‍♂️Atletas😌Segundas chances🏙️Contemporâneo💪🏻Protetor💂🏻‍♀️Soldados🏈Jogadores de futebol americano

“Ainda sou gostosa”, Skyler digita, “só estou… mais silenciosa agora.” 😏 E o homem que está lendo? O ex dela. Aquele com mãos que lembram de tudo.

Skyler acorda em um hospital de campanha com o silêncio onde deveria haver som e bandagens onde costumavam estar suas pernas. Ela está tentando manter a compostura com um celular novo, os primeiros sinais trêmulos e um pedido muito específico: enterrem suas pernas amputadas como se elas importassem (porque elas importavam). Seus amigos médicos aparecem com quadros brancos e olhares ternos, o que é gentil. Então Tall Fin entra desfilando como um herói porque transferiu os contatos dela, o que, honestamente, só piora as coisas. Porque cada nome naquela lista é uma mina terrestre… especialmente Declan. E você sabe que ela deveria bloqueá-lo. Ela não bloqueia. Você também não bloquearia. Sky aponta o polegar em direção à porta e depois para o telefone, e a caligrafia de Fin brilha: “Ele está aqui”. Declan entra na ala. Todos se viram.

O gancho: Como você beija um ex quando a unidade inteira está assistindo?

Capítulo 1

O silêncio era absoluto — tão profundo que engolia até a dor terrível em cada célula do seu corpo. Ela claramente não estava morta, embora aquela quietude estranha pudesse sugerir o contrário. Ela estava deitada em uma cama, com as costas doendo, mas não do chão duro debaixo dela.
Uma vez a ensinaram a examinar seu corpo em busca da fonte da dor — a encontrá-la com precisão em vez de deixar a dor tomar conta. Ela começou pelos dedos dos pés... Ela não sentiu nada ali.
Ela tentou mexer os dedos. Nada aconteceu.
Uma onda de calor a atingiu. Ela queria abrir os olhos, mas não conseguia.
Com um esforço que mal tinha, ela segurou o pânico que subia pela sua garganta.
Ela voltou a atenção para as pernas. Seus tornozelos. Suas panturrilhas. Suas canelas.
Seu peito apertou.
Lá estava — uma dor terrível, espalhando-se logo abaixo dos dois joelhos. Suas coxas também: uma dor forte e viva, como cortes abertos.
Ela tentou mais uma vez mexer os dedos dos pés. Nada.
Ela gemeu. Ela sabia que estava gemendo — sentia a vibração —, mas não conseguia ouvir.
Meu Deus. Estou surda...
“NÃO! NÃO!” ela gritou. Ela também não conseguia ouvir isso.
Talvez fosse passageiro. Ela tentou se lembrar do que havia acontecido.
Sua mente estava vazia, e o silêncio dentro da sua cabeça era insuportável — nada além dos seus próprios pensamentos assustados.
Ela não conseguia ver onde estava. Será que também estava cega?
Havia algo frio em cima dos seus olhos. Ela levantou a compressa gelada com uma mão e piscou, depois testou a outra mão mexendo os dedos.
Pelo menos seus braços e mãos ainda funcionavam.
Suas pálpebras estavam inchadas. Ela só podia esperar que fosse apenas isso.
Ela tentou novamente reconstruir o que havia acontecido, mas nenhuma memória recente apareceu — apenas lembranças mais antigas, suaves e distantes. Ela se deixou levar por elas por um momento.
Ela tinha seguido seu sonho. Seus pais haviam pedido que ela terminasse a faculdade primeiro — para ter um plano B — e ela fez isso, por eles. Mas ela sempre soube onde queria chegar.
Ela adorava correr. Adorava se superar, testando a si mesma contra terrenos difíceis e situações piores ainda. Ela queria proteger as pessoas, servir. O seu destino sempre foi entrar para o exército.
Naquela época, seu melhor amigo era seu vizinho, Declan. Ele também tinha um sonho.
Ele queria jogar futebol americano. Queria ser um quarterback.
Eles se entendiam completamente. E foi exatamente por isso que cada um seguiu seu próprio caminho.
Ela o amava; ainda o amava. E sabia que ele também a amava. Mas os dois entendiam que abandonar seus sonhos iria estragar o que tinham — o ressentimento bateria na porta deles mais cedo ou mais tarde.
Se fosse para dar certo, eles acabariam se encontrando de novo no futuro. E, nesse meio-tempo, eles continuaram conversando.
Só uma mensagem de vez em quando.
Ela mandava uma mensagem de parabéns quando via que ele tinha ganhado algum jogo; ele entrava em contato para perguntar como ela estava e lembrar para ela se cuidar. Algo simples, constante e carinhoso.
Ambos alcançaram seus objetivos. Agora ele jogava futebol americano profissionalmente.
Talvez seus pais pudessem trazê-lo para o time deles.
Eles estavam correndo atrás do sonho da mãe dela há alguns anos — Grace sempre foi apaixonada por futebol americano — e por isso, claro, Grace sempre teve um carinho especial por Declan. Sky sorriu com esse pensamento.
Sua mãe era americana; seu pai, Felix, um empresário holandês de sucesso com mais dinheiro do que alguém poderia precisar. Ele havia vendido metade de seus bens quando um time de futebol americano foi colocado à venda.
Sua mãe havia deixado os Estados Unidos pela Holanda por causa dele; agora eles estavam trocando de lugar.
Sky sorriu novamente, pensando em seus pais. Felix era muito sério e focado no trabalho — mas em casa era um homem incrivelmente gentil com Grace, com Vayèn e com ela.
Aos poucos, ela voltou a dormir, mesmo com a dor que irradiava das suas pernas e dos seus joelhos. Sua cabeça também doía.
Mas ela estava tão cansada...
***
Quando ela acordou novamente, Shannae e Colin estavam de pé ao lado da sua cama. Foi só aí que ela percebeu que tinha aberto os olhos.
Tudo estava embaçado, mas já era um começo.
Ela viu Colin falando — sua boca mexendo, sua expressão atenta — e as lágrimas vieram no mesmo instante. Ela ainda não conseguia ouvi-lo.
“Eu não consigo ouvir você,” ela disse, e quando não conseguiu ouvir a própria voz também, o choro só piorou.
Chorar não era muito do feitio dela. Ela não se lembrava da última vez que tinha chorado — não desde que disse adeus a Declan, talvez.
O pânico passou pelo corpo dela como uma corrente elétrica. Ela tentou se sentar, e o tubo do soro esticou forte contra sua mão.
Ela se concentrou nos lábios de Colin, pegando apenas pedaços de palavras. Então ele fez um gesto de escrever. Ele se sentou — aparentemente, ele tinha muita coisa para contar a ela.
Shannae começou os exames médicos: checou os olhos, os ouvidos e a pressão arterial dela. Shannae fez um movimento para levantar o lençol, mas Colin a impediu com um olhar e uma palavra rápida — ainda não — e continuou escrevendo.
Shannae concordou com a cabeça, mantendo uma expressão cuidadosa. Sky sentiu uma onda de calor tomar conta dela.
Alguma coisa estava muito errada. Colin estendeu o bloco de notas para ela.
Ela pegou rapidamente.
Sua equipe foi atacada e um morteiro caiu perto de você enquanto você voltava para eles depois de pegar algo no veículo. O resto da sua equipe está bem.
Ele sabia, sendo um soldado também, que essa seria a primeira coisa na cabeça dela. Ela mal conseguia se lembrar de caminhar de volta para o veículo, mas não do que tinha ido buscar — e muito menos de voltar para perto dos outros.
Eles devem ter corrido direto para o veículo, é claro.
Você foi arremessada longe pela explosão. A força do impacto provavelmente danificou a sua cóclea — saberemos mais quando fizermos exames de imagem. Nós trabalhamos duro para salvar as suas pernas, e conseguimos preservar os dois joelhos.
Você vai ficar em observação aqui no hospital de campanha, e depois será transferida para um hospital militar para continuar o tratamento. A reabilitação completa vai levar meses — há um longo caminho pela frente, mas você está viva, seus joelhos estão inteiros, e isso é o que mais importa.
Ele escreveu do jeito que sempre escrevia — como um verdadeiro médico, como alguém que já tinha dado notícias difíceis várias vezes e sabia que precisava terminar de um jeito honesto, e não deprimente. Isso quase a fez rir.
O mais estranho é que ela quase conseguia aceitar o fato de ter perdido as pernas. Mas não conseguir ouvir absolutamente nada — o silêncio total e vazio —, aquilo ela já odiava com todas as suas forças.
Ela chorou baixinho, com as lágrimas escorrendo pelas têmporas e molhando seus cabelos.
“Eu... Falar... Isso... é... estranho.” Ela balançou a cabeça, mas parou no mesmo instante — a dor atravessou o seu crânio, e ela apertou os olhos. Com cuidado, pegou o bloco de notas que havia colocado no colo e apontou para a caneta que ainda estava na mão de Colin.
Eu vou falar, mas não consigo me ouvir, então me desculpem se a minha voz soar estranha.
“Certo, hã... A questão das pernas não me incomoda tanto quanto a dos ouvidos. Não vai ficar tudo bem?”
Colin balançou a cabeça dizendo que não.
O queixo dela caiu contra o peito. “Ontem eu pintei as unhas dos pés.”
Shannae olhou para ela e apontou para si mesma — Eu vi — com um sorriso pequeno e triste no rosto.
“Como é isso? Eles cortam e... só deixam de lado?”
“Horrível.” Ela viu os dois dizerem a palavra, com as vozes embargadas pela emoção.
“Eu posso enterrar as minhas pernas?”
Shannae pegou o bloco de notas e a caneta. Vou falar com o capitão sobre isso. Já ouvi falar de soldados que fazem isso — pode ajudar a lidar com a perda. Shannae disse as palavras em voz alta para Colin enquanto escrevia. Ele confirmou com a cabeça.
“Vamos fazer isso,” Sky disse.
Colin apontou para o botão de chamada na grade da cama, caso ela precisasse deles durante a noite.
“Obrigada,” Sky disse.
“Você está com dor, Skyler?” Shannae perguntou, olhando diretamente para ela e falando de forma clara para que Sky pudesse ler seus lábios.
“Um pouco. Dá para aguentar.” Ela queria tomar o mínimo possível de remédios para dor — mas não era do tipo que recusava se essa fosse a única maneira de conseguir dormir.
Ela abriu os braços. Ela precisava daquilo. Shannae levantou o lençol para ver se os curativos ainda estavam no lugar.
Skyler sentiu como se estivesse olhando para as pernas de outra pessoa.
Ela desviou o olhar, fixando os olhos em Colin. “Onde está o meu celular?” As palavras saíram lentas e arrastadas, como se a boca dela ainda não estivesse acompanhando o pensamento.
“Quebrado,” Colin disse, virando-se de frente para ela para que pudesse ler seus lábios.
Ele pegou o bloco de notas. Mas vamos arrumar um novo para você, já com o número dos seus pais salvo. Tall Fin está transferindo todos os seus dados, se tudo der certo.
Ela mandou um beijo no ar para ele. “Obrigada,” ela disse.
Tall Fin... Ela sorriu sem querer. Quando foram apresentados pela primeira vez, ela achou que ele fosse finlandês — mas o nome dele era Finley.
Eles tinham trabalhado juntos por um mês, em equipes diferentes realizando operações em conjunto. Agora ele era um deles, assim como Roel — que trabalhava com cães farejadores — e Ian, que fazia parte do corpo de bombeiros.
Também havia os Graysons — que podiam ser trigêmeos ou talvez gêmeos e um irmão mais velho; ninguém nunca obteve uma resposta exata — e já fazia tempo que eles tinham desistido de usar o primeiro nome.
E tinha o Devil. Damian era o nome verdadeiro dele, e com aqueles olhos — tão escuros quanto o seu cabelo, em uma pele quase assustadoramente pálida — na verdade, a palavra vampiro combinaria bem mais com ele.
Ela ia sentir falta deles. Ia sentir falta de Shannae e de Colin.
Ela teve que ir embora muito cedo. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, e ela adormeceu ainda chorando.
***
Quando ela acordou novamente, seus amigos estavam reunidos em volta da cama. Por um momento — um segundo de alívio — ela se esqueceu de tudo. Então, a consciência trouxe a dor e o silêncio de volta juntos, e a realidade desabou sobre ela de uma só vez.
“Ser surda tem as suas vantagens,” ela disse.
Ela ficou olhando Devil escrever, com o rosto fazendo uma expressão exagerada de falsa indignação. Claro. Só você mesma para encontrar o lado bom nisso.
“Pelo menos eu não vou mais ser acordada pelo seu ronco,” ela brincou.
Eles riram — parecia forçado, mas era verdadeiro.
Ela notou que Fin e um dos Graysons — eles sempre eram chamados pelos sobrenomes, era a única maneira de não confundir — estavam os dois escrevendo nos próprios blocos de notas.
Fin entregou o bloco primeiro. Nós vamos com você para o enterro das suas pernas.
Ela sorriu em meio às lágrimas.
“Isso é tão fofo. Obrigada.” Ela mandou um beijo no ar para ele.
Grayson entregou seu bilhete logo depois: Qualquer coisa que você precisar, é só falar. Nós daremos um jeito.
“Nada agora — eu não tenho energia para nada. Mas obrigada.” Ela fez uma pausa. “Se eu pensar em alguma coisa, vocês vão ficar sabendo. É tão estranho, falar e não se ouvir — sentir apenas a vibração no meu peito. Agradeço por pelo menos saber falar.”
Eles confirmaram com a cabeça. Fin começou a escrever de novo.
Assim que você se sentir pronta, viremos te buscar para o enterro.
Skyler riu. “Perfeito. Tomara que não demore muito, senão elas podem sair andando sem a gente.”
Ela adorava ver aquelas expressões pesadas e impotentes se quebrarem, dando lugar a algo verdadeiro.
Eles tentaram manter a conversa rolando, mas a troca de bilhetes com papel e caneta não durou muito. Quando viram que Sky estava perdendo as forças, eles se despediram com beijos no rosto dela.
“Estou tão feliz por ter visto todos vocês. Estou muito feliz por vocês estarem bem,” ela disse, com a voz falhando.
“Você... é... um... amor,” Colin disse devagar, olhando para ela o tempo todo. “Nós... sentimos... muito... que... isso... tenha... acontecido.”
Ela balançou a cabeça. “É assim que as coisas são às vezes.”
Ela forçou um sorriso. “Não se preocupem comigo. Eu vou colocar aquelas próteses de corrida e voltar a correr — lá em casa, ou nos Estados Unidos com os meus pais.”
Todos riram da imagem. Ela podia ver a cena passando pelo rosto deles — todos imaginando-a correndo com as próteses.
Quando eles se viraram para sair, Fin parou de repente. Ele se virou para trás e tirou o novo celular dela do bolso.
Ele pegou o bloco de notas uma última vez. Todos os seus contatos estão salvos aí — os seus pais, todo mundo. O aplicativo vai facilitar muito as coisas; você pode simplesmente mandar mensagem para nós. Sabemos que nem sempre podemos responder na hora, mas vamos retornar o mais rápido possível.
:) Não tem senha. Eu coloquei umas fotos de todo mundo aí também — para você não sentir tanta saudade.
No momento em que ela terminou de ler, abriu os braços novamente. Ele se inclinou o máximo que os ferimentos dela permitiam, a abraçou bem forte e beijou o rosto dela.
“Assim... que... pudermos... nós... viremos... mas... até lá... a gente manda mensagem,” ele disse.
Ela confirmou com a cabeça, e ele acenou até chegar à porta.

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