
Série Solid Stone
Author
E. G. Patrick
Reads
1,4M
Chapters
51
Capítulo 1
. . O carro cheirava a colônia barata e fast food. Meus dedos apertavam o cinto de segurança com força. Doíam. Eu estava no banco de trás. De novo.
O medo fazia meu coração disparar nos meus ouvidos. O hálito dele batia no meu rosto. Cheirava mal agora. Cheirava azedo por causa do energético e do hambúrguer gorduroso que ele tinha comido apenas uma hora antes.
Ele estava falando e rindo, mas eu não conseguia ouvir as palavras. Só conseguia ouvir o som pesado das batidas do meu coração. Ele estava perto. Perto demais.
O sorriso que fazia as líderes de torcida gritarem nas noites de sexta-feira tinha sumido. O sorriso que os pais dos jogadores de futebol americano e os fãs amavam tinha sumido. Agora tinha virado outra coisa. Algo faminto. Algo perigoso. Confiante e seguro demais de si mesmo, como se eu fosse dele.
“Não” eu sussurrei.
Mas ele fez.
Minha mão correu pela porta, procurando a maçaneta. Senti pânico. O suor escorria pelas minhas costas.
Então—
Sentei de supetão na cama. Estava encharcada de suor e respirando com dificuldade. O apartamento estava silencioso, só dava para ouvir o som do aquecedor vindo da saída de ar acima da minha cama. Pressionei a mão contra o peito. Meu coração ainda batia disparado.
Quando isso ia parar. Quando eu ia parar de acordar naquele banco de trás.
Eram 6h01. Respirei fundo e tirei as pernas da cama. Sentei na beirada por um momento. Algumas cicatrizes não aparecem, mas estão lá.
Sempre lá.
Hoje, eu precisava me concentrar.
“Eu preciso desse emprego!” falei em voz alta, tentando me livrar disso. “Eu preciso provar meu valor” disse enquanto fechava a cortina do chuveiro.
Me vesti e me arrumei. O som do pequeno relógio fazendo tique-taque estava mais alto que o normal. Estava contando os segundos até o momento que poderia mudar tudo. Meu futuro estava a uma reunião de distância.
Atendi meu telefone no primeiro toque.
Era a Ann. “Grande dia!” ela disse animada.
“É” respondi baixinho, enrolando meu lenço vermelho no pescoço. “Obrigada por ter acordado tão cedo para ligar.”
“Você consegue, Vee. Você é inteligente e esforçada”—
“Você sempre diz isso.”
“É porque é verdade. Você se preocupa demais.”
Eu amava a Ann, mas ela tinha um diploma totalmente pago, um namorado confiável e pais que mandavam mensagem só para dar bom dia. Eu tinha um empréstimo estudantil, um grande vazio no peito onde minha mãe costumava estar e um aluguel vencendo semana que vem.
“As coisas sempre dão certo” ela acrescentou.
Forcei um sorriso mesmo ela não podendo ver. “Claro. Tá bom.”
“Me liga depois, tá?”
“Vou ligar.”
Eu era formada em História. Século errado, economia errada. Tinha me virado entre empregos temporários, até a Oliver & Harold, um pequeno escritório de advocacia. Não tinha experiência jurídica, mas trabalhava horas extras de graça e era boa em fazer anotações e ler contratos com atenção.
Semana passada, Paul Anders, um dos sócios seniores do escritório, me ofereceu um emprego permanente como assistente dele. Esta manhã, eu ia encontrá-lo numa reunião importante com um cliente. Uma possível fusão entre a E&B Dominion, um banco poderoso representado pelo enorme escritório de advocacia Laurier & Stone, e nós com nosso cliente, o Berkley's Bank. A reunião de hoje era enorme. Eu não podia estragar tudo.
Parei na frente do espelho do corredor antes de sair. Minha mãe tinha morrido quase um ano atrás, mas mesmo antes disso, eu tinha tido azar, então ser positiva não vinha naturalmente para mim—não do jeito que vinha para Ann.
O passado ficou para trás. Pelo menos, era isso que eu continuava dizendo para mim mesma.
Quando pisei na rua, o vento bateu forte no meu rosto. Fechei bem o casaco e caminhei em direção ao metrô. Tinha esquecido meu gorro, que bobeira. Passei por um pôster de uma exposição futura de museu - A Realeza Francesa. Meu coração apertou. Esse era o tipo de emprego que eu tinha sonhado—organizar exposições, trabalhar em arquivos, encontrar significado no passado. Mas sonhos não pagavam contas.
A multidão da hora do rush e eu descemos do trem. Do lado de fora no frio de novo, caminhei mais um quarteirão, e o Hotel Paramount estava logo à frente.
Conferi minha bolsa—arquivos, laptop, backup no USB—e atravessei a rua. Minha mente já estava praticando o quanto eu seria profissional durante a reunião.
Então—Bang!
Bati na porta giratória. Minha bolsa do laptop tinha ficado presa, travando o vidro no lugar.
Surpresa, olhei para cima—e congelei. Um homem estava preso entre os painéis de vidro. Alto, com ombros largos, vestido com roupas elegantes.
Pisquei, meu coração pulando uma batida. O rosto dele entrou em foco. Seus olhos azul-escuros olharam nos meus.
Ele não era apenas atraente. Era de tirar o fôlego. Cabelo quase preto, mandíbula marcada, o tipo de rosto que parecia pertencer a capas de revista.
Minha respiração falhou.
















































