
Tainted Love Livro 2
Author
Reads
274K
Chapters
54
Eu Disse Justiça, mas Vingança Também Serve
Savannah
“Você não vai matar ninguém, Savannah!”
Grave começa a falar sobre como eu nunca poderei mudar isso. Ele diz que isso vai pesar na minha mente. E se alguém descobrir? Como isso vai afetar a minha vida no futuro?
Ele insiste em ser o único a matar Matthias.
“Como caralhos você acha que você vai atrair o Mathias para fora da base e matar ele? Hum? Se fosse fácil, o Lucien já teria feito isso. Agora, me escute.”
Eu começo a explicar o meu plano. Eu digo a Grave como buceta deixa os homens burros. Especialmente a chance de viver um filme pornô na vida real.
“Sua ideia é fazer o carro enguiçar na frente do clube dos Hell Raiders. E convencer o Barns a foder na beira da estrada enquanto espera por um guincho. Você está brincando comigo?” Grave pergunta.
Eu faço um som com os lábios dizendo não. Eu cruzo os braços e jogo o meu quadril para o lado.
“Eu conheço pornô. Eu também sei o quanto eu sou gostosa. Tudo que eu preciso fazer é preparar o cenário. Você conhece os motoqueiros. Quer ajudar? Me coloque perto o suficiente. Mexa no carro o bastante para ele enguiçar bem na visão das câmeras deles. Deixe que eles vejam que eu estou falando a verdade.
“De qualquer forma, eu odeio mentir”, eu digo. “Eu preciso ficar o mais perto da verdade possível. Eu vou dizer que estava indo para a cidade, o carro quebrou e eu preciso de um guincho.”
“Eu posso fazer o carro enguiçar na frente do clube. Eu vou parecer frustrada e agir como uma donzela em perigo. Eu vou até o portão e digo: ‘Olá? Posso, por favor, ligar o meu celular na tomada? Minha bateria acabou e eu preciso de um guincho ou algo assim. Eu não sou daqui.’”
“Isso vai me colocar dentro do clube. Isso vai deixar eu usar o meu charme e conhecer o Mathias. Eu vou chegar e dizer: ‘Bem, olá.’ Eu vou agir como se eu quisesse que ele me fodesse. Isso vai fazer ele morder a isca. Então eu vou dizer: ‘Mas o guincho vai chegar logo. Vamos foder no meu carro.’”
“Isso vai tirar ele de dentro dos portões. Ele vai se sentir seguro porque é bem ali do lado. Eu posso levar a gente para um lugar fora da visão da câmera e bang. Um tiro na cabeça. Justiça por Nina.”
Dane concorda com a cabeça. Ele está aqui para dar apoio moral, pelo menos.
“E o que acontece depois? O corpo dele? O clube ouvindo o tiro? O sangue? Para fugir, nós só temos um carro da polícia com rastreador. Eles vão saber o seu rosto e vão caçar você. Isso vai trazer problemas de volta para o nosso clube, uma guerra e o Jonah.”
Eu estalo a língua e começo a pensar.
“Certo, certo, então... primeiro, ele começou isso. Ele matou a Nina.”
“Isso não importa, Savannah. Você não pode conseguir justiça sempre. Nem sempre é uma vingança limpa. Isso não é bater num garoto rico com um consolo. Isso é assassinato. Matar alguém.”
Eu fico com raiva e irritada, mas não consigo evitar. Isso me deixa puta. O Mathias NÃO tem o direito de viver depois de tirar a vida da Nina. As coisas não funcionam assim, e eu me recuso a permitir isso.
Minha mãe está morta. Eu não posso apontar o dedo para ninguém em específico.
Damon, Dane, Daxon e Darrion podem. Eles merecem justiça pela morte da mãe deles. Como qualquer pessoa deveria ter.
Lucien não vai parar de sujar o nome da minha mãe. Ele vai continuar odiando a mim e a minha família até que esse homem seja destruído.
Tem que haver um jeito.
“Não se trata de encontrar um jeito, Savannah. Trata-se das consequências. O que acontece depois? É nisso que você tem que pensar.”
Boa sorte com isso. Como todos nós sabemos, esse nunca foi o meu ponto forte.
“Ele machucou pessoas que eu amo. Ele matou a Nina. Ele não tem o direito de viver uma vida inteira de felicidade enquanto o Dane não pode ter uma mãe. Enquanto o Damon teve que ver ela morrer. Enquanto o Daxon não recebe mais abraços de mãe. E enquanto o Darrion só tem o Lucien para se inspirar.
“Enquanto a vovó está toda sozinha e o negócio dela vai fechar quando ela morrer. O Matthias não tem o direito de viver enquanto aqueles que amavam a Nina sofrem. Lucien, eu não o conheço bem, mas eu posso apostar que ele morreu junto com a esposa, não é?
“Isso significa que o Mathias tirou a mãe e o pai deles. O que significa que tudo que o Lucien fez para mim é culpa do Mathias. Ele tem que pagar por isso. Sempre existe um jeito.”
Eu olho fundo nos olhos de Grave e dou um passo à frente. Eu tenho certeza de que ele está tentando me ler e entender o que estou pensando.
Nós encaramos um ao outro. Ele me observando, eu me mantendo firme nisso. Nós poderíamos encontrar um jeito.
Sempre existe um jeito.
Sempre.
“Se nós fizermos isso, você vai seguir o que eu disser. Eu não vou brigar com você sobre isso, Savannah. Eu sei o que estou fazendo”, ele rosna. O lado urso e lobo dele está aparecendo.
Eu reviro os meus olhos e bufo. Mas eu concordo e deixo que ele me conte o plano.
***
“Eu não consigo acreditar nessa merda”, Grave começa a falar de novo do banco do passageiro. As janelas estão abertas e o rádio está no máximo. Eu tento manter a calma como fiz antes.
Eu ainda não estou acostumada a dirigir, mas eu não tenho escolha agora. Eu me lembro da primeira vez que o Damon tentou me colocar na moto dele. Ele disse que os carros eram gaiolas. Ele disse que estar na garupa da moto dele era um bom primeiro passo.
Agora, eu estou dirigindo um Equinox. Eu não conseguiria aguentar ficar no banco do passageiro ou no banco de trás. Mas, dirigindo, eu me sinto no controle.
Como o meu Anjo estava certo.
Eu sinto falta dele. Eu preciso terminar isso logo para poder voltar para o meu homem.
“Você pode parar de reclamar?”, eu digo. “Aceite isso como é. Sabe... um momento de união entre pai e filha ou algo assim.”
Eu olho para os olhos dele e vejo a sua expressão mudar com as minhas palavras. Eu sei o que eu disse.
Jeremiah sempre será o meu pai.
Mas o Grave também é o meu pai... então eu poderia deixar ele se aproximar um pouco, certo?
Isso não é como trair o meu pai com outro pai. Eu tenho um pai que ninguém nunca vai tirar de mim.
“União entre pai e filha?” Ele repete isso como se não tivesse ficado feliz. Que idiota.
“Meu pai e eu já matamos pessoas juntos. É um tempo de união”, Dane fala. Eu e Grave apenas rimos disso e continuamos dirigindo.
“Você sabe o que fazer? Nós deveríamos repassar o plano de novo”, Grave diz.
Eu paro num sinal vermelho e resmungo mais alto que a música.
“Eu sei o que estou fazendo. Eu entendo. Essa é uma merda muito séria e eu posso ser morta. Eu sei o que está em risco. Você não precisa me lembrar de que, se eu errar em qualquer coisa hoje, a minha família vai estar em perigo e sem proteção.
“Eu entendo. Eu posso parecer livre e de cabeça quente, mas não sou. Eu sei o que estou fazendo hoje. Pare de agir como se isso fosse me mudar para sempre. Como se eu estivesse virando um Comensal da Morte ou algo assim.
“Você age como se eu já não tivesse sangue nas minhas mãos ou como se isso fosse ser muito difícil para mim. O Mathias não é um garoto doce que não fez nada de errado. Eu estou olhando para um assassino frio.
“Eu não vou matar qualquer pessoa. Eu estou buscando justiça e essa é a diferença. Então cala a boca e me deixa fazer o meu trabalho. Tá bom?”
Eu espero no sinal vermelho e olho para ele.
Os olhos cor de avelã dele olham de volta para os meus. Os dele são mais castanhos e os meus são mais verdes. Os olhos azuis da minha mãe se misturaram com os castanhos dele e formaram os meus.
O rosto dele se transforma numa carranca fraca que quase parece doer nele.
“Agora, sem mais enrolação...” Eu aceno com a mão de volta para a estrada para ser chata e continuo dirigindo pela rua.
Eu viro à esquerda e sigo para o ponto de encontro sobre o qual conversamos.
É hora de consertar isso.
Certo. Certo. Certo. Eu dou conta disso.
É só fazer o meu trabalho e acabar com isso. Conseguir essa justiça e ir para casa.
Eu dou conta disso.
Saindo do carro, eu sei que tudo está no lugar. Eu sei que o Grave e o Dane estão escondidos bem atrás das árvores grossas que cercam esta estrada.
Eu já preparei o terreno. O segredo está nos detalhes. E eu me certifiquei de fazer o papel de uma donzela em perigo que está confusa e perdida, mas que é muito gostosa.
Antes do meu carro quebrar, eu me certifiquei de passar pela estrada três vezes. Eu parei no meio da rua e saí para “ler a placa”.
Agora eu faço o meu carro parar engasgando com algo batendo debaixo do capô. Bem na linha das câmeras que eles têm instaladas aqui. Agora é comigo para fazer o papel.
Eu abro a porta do carro e bato com força. Eu ajo como se estivesse frustrada. Eu chuto a porta e o meu chinelo voa. Eu bato do lado do carro todo enquanto grito e xingo a existência dele.
Com o capô levantado, eu ajo como se não soubesse o que estou fazendo. Eu brigo com o capô para ele ficar aberto. Eu deixo a curva da minha bunda aparecer... deixando a minha blusa subir para mostrar a tira da minha calcinha.
Os meus shorts jeans são bem curtos com certeza. O top curto e a parte de cima do biquíni estão matadores. Eu estou fazendo o papel de uma garota do ensino médio indo encontrar os amigos nas cachoeiras. Mas ela se perdeu no caminho, a bateria do celular acabou e o carro quebrou.
Eu preciso da ajuda de um homem. Que nojo.
Eu grito para o céu e tento ligar o meu celular. Depois eu jogo os meus chinelos e olho para todos os lados com frustração.
Não é como se eu estivesse fingindo tudo. Meu celular está mesmo sem bateria e eu preciso carregá-lo.
A maldita cabana não tem eletricidade e eu não suporto isso.
Vendo os portões de ferro da base dos Hell Raiders, eu pego os meus sapatos e vou naquela direção.
Sorte a minha. Eu estou marchando direto para a boca do inferno.
Deus... O meu Anjo vai me matar.
















































