
A Misericórdia do Diabo
Author
E. J. Lace
Reads
2,5M
Chapters
61
Mercy Jones voltou para casa. E está temendo tudo o que isso significa — principalmente as perguntas que sabe que sua irmã e sua mãe vão fazer. O que ela não esperava era Eli Samson. Alto, moreno, lindo, coberto de tatuagens e 100% focado nela. O Diabo faria qualquer coisa para ficar com seu anjo.
Classificação etária: 18+.
Eu Não Quero
Piedade
Estou aqui parada, minha mão no puxador de metal frio, sabendo o que está prestes a acontecer. Preciso entrar. Preciso pedir ajuda. Estou tentando juntar coragem para abrir a porta e dizer que preciso de ajuda. Eu preciso. Então, engulo meu orgulho, empurro a porta de metal e entro.
Os gemidos e grunhidos são as primeiras coisas que me lembram por que odeio este lugar.
Passo pelas três primeiras salas, contando-as mentalmente.
Sala de descanso.
Maquiagem.
Figurinos.
Só mais duas salas antes de chegar ao escritório da minha mãe. Só mais duas.
*Bum!*
Um som de surpresa escapa da minha boca quando bato no que parece uma parede de tijolos. Meus olhos se arregalam rapidamente, e me seguro antes de cair no chão do escritório.
O homem em quem esbarrei entra no meu campo de visão enquanto recupero o equilíbrio. Ele tem cabelo escuro e olhos escuros. Seu rosto parece duro e irritado.
Está usando nada além de uma toalha de algodão preta amarrada na cintura, e seus braços e peito estão cobertos de tatuagens coloridas.
É muito alto e projeta uma longa sombra sobre mim enquanto estou sentada no chão.
“Você pode olhar por onde anda? Ou pelo menos sair do caminho?” eu solto. Me sinto envergonhada e isso me deixa irritada.
Fico ainda mais irritada enquanto limpo gotas de água do meu rosto com a mão suja.
“E se seque melhor!” acrescento, lançando-lhe um olhar furioso antes de me levantar. Ele não diz nada.
Me olha de cima a baixo, como se estivesse tentando decifrar uma mensagem secreta escrita na minha pele. Mas antes que eu possa me afastar desse homem irritante, noto a tatuagem de espantalho no lado esquerdo do pescoço dele.
Eu já vi isso antes. Era diferente então. Menor. Não.
Eram apenas linhas pretas finas. Algumas já estavam borradas e desbotadas porque foi feita tão mal, como se alguém tivesse usado um alfinete em pele suada no ângulo errado.
A lembrança da última vez que vi isso vem à minha mente. Um menino bem menor, desacordado, no concreto cinza.
Sangue saindo de feridas que não consigo parar de encontrar.
“Vo...” começo a dizer, mas então balanço a cabeça. Não pode ser. É só mais uma tatuagem.
Esta é uma versão melhor. Linhas mais limpas. Maior. Mais ousada. Esta tem cor. Mais detalhes.
Passo por ele e chego à porta do escritório da minha mãe. Olho para trás, sem saber bem por quê. Não me importo de verdade.
Mas ainda assim, olho para trás.
Ele ainda está parado ali, congelado como um videogame pausado.
Sua cabeça se move um pouco de um lado para o outro, e posso ver as linhas brancas dos músculos dele, destacadas pelas tatuagens azuis, pretas e amarelas. Formas diferentes, estilos diferentes, cores diferentes. Que desperdício, uma arte tão linda num cara desses.
Alcanço o puxador da porta do escritório da minha mãe, observando-o se afastar. Ele não diz nada, não pede desculpas. Apenas vai embora, cada passo soando como se estivesse com raiva do chão. A porta dele bate, e faço o mesmo. Me encosto na porta e respiro fundo.
Finalmente, um pouco de silêncio.
O escritório da minha mãe bloqueia o som e não tem janelas para o set. É o único cômodo bom neste lugar.
Quando abro os olhos, vejo a mesa de madeira robusta da minha mãe e todas as fotos nossas pregadas ao redor dela.
“Por que minha foto do baile de formatura é a que você emoldurou? A da banda é muito melhor” digo para mim mesma. Suspiro quando vejo o maço de cigarros na mesa dela. Venho tentando fazê-la parar há anos.
Deixo minha bolsa cair no chão e afundo em uma das cadeiras de carvalho na frente da mesa. Os arquivos ao meu lado parecem muito mais altos do que quando eu era pequena.
Puxo uma cadeira e me sento.
“Ugh, não quero estar aqui” digo em voz alta.
Inclino a cabeça para trás e fecho os olhos, tentando relaxar. Estar no set sempre me deixa tensa. Minha ansiedade fica muito ruim aqui.
Antes que eu possa sequer ficar confortável, a porta se abre e o cabelo loiro armado da minha mãe entra correndo. Seus gritos felizes são muito altos.
“Meu Deus, minha bebê!” ela grita, me envolvendo num abraço muito apertado.
“O que você está fazendo aqui?! Estou tão feliz em te ver! Por que não me disse que estava na cidade? Meu Deus, olha só pra você! Minha menina doce cresceu.”
Minha mãe fala muito quando está animada. Ela pensa em voz alta — é como ela processa as coisas.
“Mãe, não consigo respirar” consigo dizer.
Ela me solta, e respiro fundo. Desde que a minha mãe fez os peitos — de novo — ela não consegue sentir o quanto aperta nos abraços, e eles são duros como pedra.
“Mercy, bebê, que surpresa boa!” Ela passa as mãos pelos meus braços e sorri.
Suas unhas longas e rosa se curvam ao redor das minhas mãos enquanto me segura. Posso sentir o peso da nail art coberta de joias. É incrível que ela consiga fazer qualquer coisa com essas unhas.
Aceno e sorrio. “Senti sua falta também, mãe. É bom te ver.”
Um silêncio constrangedor paira sobre nós antes que a minha mãe comece a falar de novo.
“Então, bebê, o que você está fazendo aqui? Você odeia o set.” Ela não me solta. Suas unhas ainda estão cravadas nas minhas mãos.
“Não posso vir ver minha mãe quando quiser?”
Tento evitar a pergunta. Não quero falar sobre isso ainda. Mal consegui entrar pela porta. Não posso simplesmente começar a explicar por que voltei correndo pra cá.
“Pode, mas você não vem. Faz anos que você não vem pra casa. Tem algo errado? Você está bem, bebê?” ela pergunta.
Os olhos azuis de boneca da minha mãe brilham, mesmo sob a iluminação dura do escritório.
“Caramba, mana!” Minha gêmea, Cami, irrompe na sala, fazendo o mesmo grito animado da nossa mãe.
Está usando nada além de um biquíni feito de balas e um par de saltos rosa-choque. Seu cabelo loiro platinado é tão branco que está quase brilhando.
“Coloca uma roupa, Cami. Por favor.” Me afasto quando ela estende os braços para outro abraço muito apertado.
“Qual é, Mercy. Não é como se eu estivesse nua. E mesmo que estivesse, somos gêmeas. Dividimos o mesmo útero” ela responde.
Move as mãos, como uma criancinha implorando para ser pega, tentando me fazer chegar mais perto.
“Vamos não falar sobre isso, ok?” Enfio minhas mãos nos bolsos de trás da minha calça jeans, fora do alcance dela.
“O que você está fazendo aqui, afinal?” Cami pergunta, cruzando os braços.
“Posso visitar quando quiser” respondo, tentando evitar a pergunta.
Sei que minha visita repentina é uma surpresa. Deveria ter inventado uma história ou algo assim para evitar esse constrangimento. Não pensei nisso direito. Isso foi um erro.
O telefone do escritório toca, nos dando uma pausa muito necessária da conversa. “Pode atender” digo à minha mãe, sabendo que ela ainda tem trabalho a fazer, esteja eu aqui ou não.
“Só um segundo, querida.” Ela dá um grande sorriso, alcançando-me com uma mão e o telefone com a outra.
“Alô?” Ela atende. “Ah, isso parece maravilhoso! Sim, com certeza. Você poderia esperar só um momento, querido?” Ela coloca a ligação em espera.
“Querida, você está com fome? Vamos almoçar. Tenho uma coisa rápida pra resolver, depois podemos comer e conversar. Minha garotinha voltou.”
O sorriso dela é radiante. Sempre foi seu superpoder. Ela consegue iluminar um ambiente e trazer calor para qualquer situação.
“Não vou beber nenhum daqueles shakes verdes que vocês ficam postando fotos. Ou comer nada cru” brinco.
Já vi os posts no Instagram dos shakes de algas que elas tomam toda manhã.
Uma vez me levaram a um bar de comida crua onde tudo era pasta ou salada.
“Tudo bem. É nosso dia do lixo mesmo.” A minha mãe ri, me puxando para um abraço.
“Vou me trocar rapidinho. Me dá dez minutos e estarei pronta.” Cami pega a maçaneta e abre a porta, pronta para sair correndo da sala. Enquanto minha mãe volta ao telefone, noto o homem mal-humorado parado na porta.
Ele se afasta para deixar Cami passar. O clique do telefone da minha mãe é alto, mas não tão alto quanto a voz dela.
“Eli, vamos, bora.” A minha mãe acena para ele.
Olho para o homem de cabelo escuro que encontrei no corredor mais cedo, depois de volta para a minha mãe.
Eli? O idiota tem um nome bonito como Eli?
“Ele vai também?” sussurro, esperando que ela esteja errada.
“Com certeza, linda.” Ele me pisca e sorri. Se encosta no batente da porta, esticando os braços acima da cabeça. Sua camisa sobe, mostrando a parte de baixo de uma tatuagem colorida. Um guepardo espia do ombro dele, se estendendo pelo peito. Seu sorriso malicioso aumenta num sorriso torto.
O que está acontecendo aqui?











































