
Série Dragões Gêmeos: A Dança do Dragão
Author
C. Swallow
Reads
86,5K
Chapters
15
Capítulo 1
Livro 8: A Dança do Dragão
EVERMORE
Passo uma toalha quente no corte em minha testa. O corte não era fundo, mas o sangue ainda escorria por todo o meu rosto. E eu estava sorrindo, porque eu tinha acabado de vencer.
Eu morava sozinha há quase um ano, apenas tentando encontrar o meu caminho em Riverbeds, o ponto mais ao norte de Requiem City. A pequena cidade era o lar de todos os tipos de seres sobrenaturais e de belos parques de férias, trilhas para caminhadas e a minha lanchonete favorita, Gypsy Love.
Eu ia encontrar meus amigos lá em breve, mas agora estou rindo sozinha enquanto limpo as gotas de sangue das minhas bochechas.
Ah, eu sentia falta de sangue.
Eu sentia falta de cortar meus inimigos e congelá-los com o meu Fogo de Gelo. Eu só tinha feito isso duas vezes, porque na maior parte do tempo eu fui protegida e escondida do mundo. Graças a uma maldição de Jinx, eu podia usar Magia de Gelo em vez do fogo normal.
Eu estava gostando de sentir a liberdade enquanto morava longe dos meus pais, Storm e Silver. Eu os amava, mas odiava os olhos deles em mim. Sempre esperando.
Esperando pelo momento em que eu iria me libertar e ser rebelde, perigosa e violenta como a minha Silver Breed costumava ser quando jovem e crescendo rápido. Então, perto deles e para eles, eu sempre fui uma boa garotinha, sorrindo docemente e não dizendo nada de errado.
Mas longe da presença deles, quando eu estava com meus dois melhores amigos, Fiona e Draco, eu podia ser eu mesma. E eu amava a gente. Juntos, em nosso mundo, éramos unidos.
Nós éramos todos muito diferentes.
Eu tinha a lendária graça e habilidade de Storm para a luta e a morte — encravadas na estrutura dos meus ossos de Tempest Dragon —, mas eu não tinha permissão para lutar. Os Silvers eram empatas e muito viciados em sangue quando essa vontade surgia de repente, a necessidade de caçar de um dragão.
Eu sentia isso o tempo todo, se movendo debaixo da minha pele, incrivelmente poderoso.
Eu tinha meus alvos em mente. Quando estivesse pronta, ia consertar os problemas que se perpetuavam no submundo sombrio. Havia um comércio secreto de escravos, e Fiona foi uma dessas mulheres que salvei disso quando ela tinha doze anos.
Storm a acolheu dos meus braços, ensinou-a a lutar e, em troca de sua proteção e de sua orientação como figura paterna, o preço dela era me proteger.
É claro que eu achava isso engraçado. Como se eu precisasse de proteção. Mas eu não estava reclamando. Fiona era tudo para mim. Uma maga curandeira e agora uma guerreira.
O pai dela tinha matado sua mãe quando ela era criança, e depois o desgraçado a vendeu como escrava, mas ela já tinha encontrado sua justiça, matando o pai depois que o treinamento de Storm a transformou em uma Shadow Assassin experiente e controlada.
Foi o primeiro assassinato dela. Depois disso, ela se tornou basicamente a minha guarda-costas.
E por que os Tempest Dragons — os Silver Dragons — precisariam de segurança? Bem. Minhas escamas eram raras, muito valiosas e frequentemente vendidas no mercado negro. É claro que, para isso acontecer, eu teria que ser esfolada viva.
Mas eu não estava preocupada em ser presa ou enganada. Eu era forte. Mas, acima de tudo, eu simplesmente tinha consciência do meu poder natural. Eu era a filha do dragão mais poderoso vivo.
Ninguém podia se igualar ao meu pai, e até mesmo Storm me assustava para caralho, então eu apenas o evitava. Silver, minha mãe, era muito mais doce, mas ainda estava do lado dele, por isso me mudei assim que pude para encontrar a minha independência.
Neste momento, estou muito feliz por ter sido atacada por três caras tentando roubar minhas coisas na rua agora há pouco. Apesar de eu estar segurando um café da tarde em uma das mãos, e de eles puxarem a alça longa da bolsa e até tentarem agarrar meu longo cabelo prateado — eu fodi com todos eles.
Eles podem ter me pego de surpresa enquanto eu mexia na bolsa com uma mão, tentando pegar meu celular que vibrava, sabendo que Draco estava ligando. Na rua silenciosa e vazia, a gangue correu na minha direção quando passou por mim, achando que eu estava indefesa.
Em vez de pegar meu celular, eu peguei minha adaga, presenteando a todos com alguns beijos doces do seu aço fino direto em suas doces barrigas.
Os três bandidos se afastaram tropeçando, mancando e pingando sangue, enquanto eu tomava meu café e admirava o sangue manchando a calçada enquanto eles choravam e imploravam para que eu os poupasse. Eu poupei. Mas só para poder caçá-los direito mais tarde.
Fiona ficaria com muito nojo de mim.
O coração de maga dela era muito bondoso.
Mas eu? Eu sentia tudo.
Bondade e raiva. Paciência e total impaciência. Tranquilidade e violência.
Não se fode com os Silver Dragons.
Nós éramos os mais imprevisíveis. Nós éramos piores do que os renegados.
O único outro dragão que conseguia lidar comigo era Draco, com seus cabelos ruivos tão escuros que quase pareciam castanhos. Seu dragão dominava a raiva, e apenas a raiva. O tipo Red dele era muito desprezado por causa de seu temperamento fora de controle e de seus desejos fora de controle.
Eles não eram respeitados como os Silvers, mas ele tinha conseguido controlar sua alma furiosa com sua criação única.
Draco Perseus Cyrus. O Filho Mais Velho dos Roses. Um nome bonito para uma gangue de Reds que estavam diretamente envolvidos na escravidão de mortais, magos e até mesmo de outros dragões, incluindo o tráfico de drogas e de magia proibida.
Eles eram uma mancha em Requiem City. Eles se escondiam em suas casas luxuosas, com falsas conexões com o mercado imobiliário, jogos de azar e algumas pizzarias. Apenas as formas normais de lavar dinheiro sujo.
Mas Draco não era mau. Ele só queria proteger sua mãe do seu pai mafioso e abusivo, então ele ficava quieto — ele ficava fora dos negócios o máximo que podia, e ficava com a gente quando podia.
Fiona e eu éramos suas únicas amigas fora do seu submundo criminoso. Era a única vez em que ele podia fingir ser normal, indo ao cinema com a gente, tomando sorvete ou relaxando perto das flores de cerejeira no Riverbed National park.
Se estivéssemos nos sentindo muito ousados, nós voávamos até lá, mas ser um dragão bem na frente dos mortais nem sempre dava certo. Você devia proteger sua identidade nesta cidade, mesmo quando a paz parecia reinar.
Alguém sempre queria você morto.
E no nosso pequeno trio? Bem, eu era uma princesa prateada. Fiona era uma curandeira e órfã. Draco era um príncipe dragão sombrio do submundo. Nós não deveríamos ter nos aproximado, mas, quando estávamos juntos, o mundo desaparecia.
Mesmo sabendo que todos os nossos futuros provavelmente significavam problemas.
Enquanto nossa adolescência se transformava na vida adulta.
E agora, nós íamos comemorar o aniversário de dezenove anos de Draco. Fiona e eu tínhamos dezoito anos, alguns meses mais novas que Draco.
Eu mal posso esperar para contar a ele que esfaqueei três bandidos. Ele ficaria muito orgulhoso de mim.
“Evermore?”, Fiona grita pela porta do meu apartamento, batendo sem parar. “Me deixe entrar agora mesmo!”
“Espera!”, eu grito enquanto tento cobrir a cicatriz na minha cabeça com maquiagem, mas, é claro, não funciona muito bem. Ela vai ver; a doce curandeira dentro dela nunca deixava passar o menor arranhão em mim.
“Agora, Evermore!”, Fiona começa a gritar meu nome. “EVERMORE! AGORA!”
Eu saio correndo do banheiro e abro a porta. Seguro minhas mãos atrás das costas enquanto dou um sorriso malicioso.
“Eu vi você ser atacada lá fora quando eu cheguei! Eu deixo você sozinha por um dia, e você entra em uma briga?”, Fiona sussurra para mim.
“Shh.” Eu reviro os olhos.
“Não use o tom do seu pai comigo.” Fiona já está vestida para a festa de aniversário, em um vestido que combina com seus olhos malva e seu cabelo ruivo e ardente que chega à cintura em cachos incrivelmente lindos.
Ninguém tinha um cabelo tão perfeito quanto o dela, e a pele dela era de um bronze dourado. Para uma maga, ela com certeza parecia um dragão, e foi exatamente isso que Draco disse quando a conheceu.
Então ela tentou dar um soco nele, porque pensou que ele era um dos Roses que a tinham usado. Mas não foi ele quem abusou dela. Foi o pai dele que esteve envolvido no comércio de escravos.
Levou algum tempo, mas Draco e Fiona confiavam um no outro agora. A escola nos forçou a ficar juntos, mas funcionou.
E eu estava no meio. Eu acho que eu era a cola? Draco simplesmente gostava da minha personalidade perversa, e da timidez de Fiona misturada com a paixão dela.
Fiona levanta a mão, e seu toque suave cura imediatamente o corte em minha testa.
“Obrigada”, eu murmuro. Fiona sorri enquanto balança a cabeça.
“O que você vai vestir, afinal?”, ela pergunta, curiosa.
“Eu estava pensando em usar este vestido prateado.” Eu me afasto de Fiona e mostro a ela o vestido que comprei, tirando-o da bolsa.
Eu sempre usava prata, mas comprei algo muito especial para esta noite.
Os olhos de Fiona se arregalam quando eu o sacudo para mostrá-lo. Um decote fundo no meio, descendo até o meu umbigo, praticamente sem costas, mas tinha alças prateadas para segurar a seda metálica e brilhante.
Parecia tão fino quanto papel de seda, mas era forte. Depois, mostro a ela os saltos altos espelhados, tão altos que eu andaria na ponta dos pés com eles.
“Veste logo”, Fiona sussurra. “Draco vai desmaiar.”
“Ou você vai, se não lembrar de respirar”, eu a provoco, e Fiona cora enquanto eu sorrio e começo a tirar meu jeans e minha blusa branca.
Quando estou pronta para me vestir, olho para a minha calcinha e sutiã e torço os lábios. “Hmm...”
“Melhor sem.” Fiona lê a minha mente, e eu vejo que ela cora ainda mais quando tiro o sutiã e a calcinha antes de colocar o vestido de uma vez.
Puxo meu longo cabelo prateado sobre os ombros. Fiona pega os saltos e praticamente levanta o meu joelho para mim, colocando meus sapatos sociais, um de cada vez.
“Eu não preciso da sua ajuda”, eu digo docemente, e Fiona apenas me lança um olhar mortal.
“Shh.” Ela tenta parecer má, mas é fofa demais para eu levar a sério.
Quando um salto está no pé, ela levanta a minha outra perna e coloca o segundo salto. Quando ela solta o meu joelho direito, eu não consigo me segurar.
Eu seguro o rosto dela quando ela se levanta, chocada com a minha atitude enquanto eu a beijo nos lábios — um selinho rápido e fofo.
Em seguida, me afasto e dou um giro ao redor de Fiona. Ouço seu suspiro doce: “Por que você fez isso, Evermore?”
“Draco me disse que você não desejava nada mais do que isso”, eu sussurro perto de sua orelha, e ela se vira para mim, com o choque mantendo suas mãos paradas no ar.
“Ele te disse isso?”, Fiona engole em seco, muito tímida.
“Vamos logo.” Eu levanto uma sobrancelha devagar para ela. “É apenas um beijo.”
“Certo.” Fiona concorda com a cabeça, apertando os punhos. “Você tem razão, vamos logo.”
Ela passa por mim a passos largos. Passo uma mão delicadamente pelo cabelo dela, sentindo como é macio. “Você sabe que é a garota mais linda do mundo, não é?”, eu pergunto seriamente enquanto saímos do meu apartamento.
Fiona tinha implorado para dividir o apartamento comigo quando o aluguei, mas me recusei a morar com qualquer pessoa. Eu gostava do meu tempo sozinha.
Eu sempre dizia a ela que ela era muito linda, só para ver Fiona piscar rapidamente com o elogio, incapaz de aceitar.
“Sabe, é melhor a gente chegar lá antes de Draco, porque fomos nós que organizamos isso.” Fiona muda de assunto. “Vamos logo. E eu não sou linda. Você só diz isso porque sente pena de mim.”
“Claro.” Eu dou de ombros. Fiona me lança um olhar de lado enquanto caminhamos. “O quê?” Eu dou um sorriso malicioso. “Eu só estou concordando.”
“Vadia.” Fiona realmente parece que vai chorar, e de repente me sinto muito mal.
“Me desculpa, eu estava só te provocando.” Tento pegar a mão dela, mas ela se afasta ainda mais de mim.
“Você é fria como gelo”, Fiona sussurra para mim. “Você machuca mais do que imagina às vezes, Evermore. Pense nos outros quando os insulta.”
“Eu penso”, eu murmuro de volta, sentindo que me fechei um pouco.
Eu amava Fiona, mas era difícil me expressar quando eu sentia tantas coisas, e ela achava que eu a estava insultando quando eu estava apenas provocando ou só interessada nas reações dela.
Eu amava as emoções dela mais do que tudo. Ela chorava fácil. Isso era lindo.
Meu celular toca de novo e eu atendo.
“Draco? Estamos a caminho”, eu respondo. “Você chegou cedo, não foi?”
“Onde estão as minhas duas mulheres? Estou sozinho no meu carro esperando por vocês duas”, Draco fala arrastado e suspira... Ele já parece muito chapado.
Dou um olhar cúmplice a Fiona. Ele com certeza já tinha bebido algumas hoje. Ele odiava o seu aniversário por causa das expectativas de seu pai... E de sua mão pesada.
“Estaremos aí em alguns minutos”, eu prometo. “Você pelo menos vestiu a sua roupa de aniversário?”
“Sim, sim, a que a Fiona comprou.” Draco ri. “Ela choraria de qualquer jeito se eu não usasse.”
“Verdade”, sussurro no telefone. “Até logo, ou talvez nunca mais.” Pelo menos eu posso provocá-lo, ele entende.
“Evermore, Evermore... Sempre tão misteriosa”, Draco sussurra, de repente me provocando de volta.
Mas ele parece tão sexy. Isso me confunde. Fico corada e desligo.
Quando ele falava com aquela voz sombria e profunda, parecendo muito mais velho... Isso simplesmente... Isso simplesmente me deixava com calor e me fazia sentir toda menininha.
Eu nunca tinha pensado nele desse jeito antes, mas ele tinha ficado incrivelmente alto nos últimos dois anos. Eu costumava ter a altura dele, agora ele me fazia parecer pequena, especialmente a baixinha da Fiona. Heh.
Me concentro em caminhar, e meu coração fica mais leve de qualquer forma.
A única vez em que eu era realmente feliz era com os meus dois melhores amigos. E nada poderia estragar o nosso tempo juntos.
Embora o que vai acontecer no jantar?
Vai nos testar.
A verdade perigosa é que... Nenhum de nós deveria ser amigo. Nunca.
A espécie de Draco caçava a minha e escravizava magos. A Fiona, bem, ela deveria odiar a mim e a Draco, para a sua própria proteção.
E eu deveria saber que não devia interagir com outros que não fossem da Silver Breed.
Mas, mesmo assim, nossas almas se uniram quando éramos crianças.
Isso não significava que a realidade não iria bater à nossa porta.
Se aproximando de todos nós, prestes a nos causar uma dor do caralho.
E nenhum de nós conseguiu ver isso chegando.
Mesmo que fosse óbvio desde o começo.










































