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Traição

Autor
Karen Cogan
Leituras
17,8K
Capítulos
24
Autor
Karen Cogan
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Capítulos
24
🕵️‍♂️Mistério & suspense😱Suspense💪🏻Protetor🎭Drama🕵️Crime & mistério😊Inocente

Bethany nunca procura problemas, mas eles a encontram de qualquer maneira. Após uma perda chocante abalar seu mundo, ela se torna a guardiã de algo poderoso o suficiente para transformar o medo em uma arma. De repente, cada passo parece vigiado e cada silêncio parece ensurdecedor.

Luke percebe o perigo instantaneamente e sabe que protegê-la significa retornar a uma vida da qual ele trabalhou duro para escapar. À medida que a tensão aumenta e a confiança se torna sua moeda mais valiosa, um vínculo inesperado cresce entre eles.

Juntos, eles navegam por sombras, decepções e o zumbido de uma tecnologia que nunca dorme. Quanto mais a ameaça se aproxima, mais tudo parece estar em risco. Como sobreviver quando o próximo passo já foi planejado?

Capítulo 1

Luke atravessou a rua carregando a mulher desmaiada e a segurou em seu colo enquanto ligava para a emergência. Uma multidão se formou enquanto ele checava o pulso acelerado dela. O que poderia ter acontecido com ela? Seus pensamentos foram interrompidos quando um homem se inclinou na direção dele.
“Eu sou o irmão dela.”
Luke avaliou o homem e tomou uma decisão rápida. “Ela me pediu para manter a maleta dela em segurança. Vai ficar comigo, por enquanto.”
O homem não insistiu, mas continuou por perto, sem expressar nenhuma das preocupações que Luke esperaria de um irmão, enquanto Luke se concentrava na mulher, certificando-se de que ela continuava respirando.
O barulho constante de uma ambulância precedeu sua chegada à calçada. Luke se afastou para permitir que os socorristas atendessem a mulher caída. Eles checaram os sinais vitais dela e a colocaram em uma maca. “Para onde vocês vão levá-la?” Luke perguntou.
Ele não só precisava saber onde entregar a maleta, mas também estava curioso sobre por que ela era importante o suficiente para ser protegida.
“Para o Mount Sinai.”
“Eu sou um amigo. Posso ir junto?”
O socorrista fez que sim com a cabeça. “Você pode ir na frente com o motorista.”
Luke segurou a maleta enquanto caminhava até a porta do passageiro. O que o levou a se importar com o que acontecia com essa estranha? Ele deveria enviar a maleta com ela e esquecer tudo.
Ele olhou para a multidão e viu o homem que dizia ser o irmão dela observando da borda dos espectadores. Se tivesse que apostar, Luke adivinharia que o cara sabia o que tinha dentro da mala e tinha um motivo para querê-la. Talvez ele tivesse machucado ou drogado a vítima para roubá-la. As possibilidades passaram pela sua mente enquanto ele subia a bordo.
Ele pensou em ir atrás do suspeito. No entanto, duvidava que o pegasse, dada a distância entre eles. Se não ficasse com a vítima, seria mais difícil localizá-la e devolver sua propriedade. Ele fechou a porta e colocou o cinto de segurança. Fosse qual fosse o resultado, ele estava nessa jornada.
A curiosidade de Luke sobre o que havia na mala queimava enquanto eles dirigiam para o hospital. Quando chegaram, ele esperou que os paramédicos tirassem a mulher da ambulância e a levassem para a sala de emergência. “Como ela está?” ele perguntou para a pequena socorrista loira que empurrava a maca.
“Ela está estável.”
Dentro do hospital, perguntaram o nome dela.
“Vocês vão ter que pegar a identificação na bolsa dela. Por favor, me avisem quando ela puder receber visitas.”
A rígida cadeira de vinil na área de espera espetava suas omoplatas. Ele se resignou ao desconforto e à comédia na televisão que jorrava risadas altas. Seus pensamentos estavam na mulher que havia desmaiado em seus braços.
Ele virou a maleta no colo. Se ela estivesse protegendo algo ilegal, ele se recusava a fazer parte disso. Ele estudou a fechadura e sabia que não seria problema. Enfiou a mão no bolso e retirou o canivete que carregara durante todo o seu tempo no exército. Com alguns giros rápidos, ele a abriu.
Ele olhou dentro da bolsa e viu duas luvas ensanguentadas olhando de volta. Se ela não tivesse uma boa explicação, ele iria direto para a polícia.
***
Bethany acordou em uma cama estreita. Ela apertou os olhos contra a luz forte do teto e lutou para lembrar por que estava ligada a um acesso venoso. O que tinha acontecido? Ela se moveu para se sentar, e sua cabeça latejou. Então tudo voltou. Ele queria as luvas. Ele as tinha pegado?
Ela procurou desajeitadamente a campainha enquanto uma enfermeira entrava no quarto. “Eu preciso vê-las,” Bethany disse.
A enfermeira moveu-se rapidamente para o lado dela. “Não tente se levantar. Eu entrego para você.”
Bethany percebeu pelo peso da bolsa que ela não continha a maleta. Ela lutou contra o pânico crescente. “Minha maleta está desaparecida. Onde ela está?”
“Tem um homem na sala de espera. Talvez ele esteja com ela.”
A maneira calma da mulher enquanto ajustava o frasco de soro agitou Bethany. “O que aconteceu comigo?”
“Você foi injetada com um sedativo poderoso. Sabe como?”
Bethany balançou a cabeça. “Eu acho que desmaiei.”
“Eu gostaria de ver o homem da sala de espera. Como eu não o conheço, você poderia ficar no quarto?”
“Claro.” Alguns momentos depois, ela abriu a porta e deixou entrar um homem alto e de cabelos escuros.
A camiseta de algodão esticada sobre seus ombros não escondia seu porte físico poderoso. Ele acenou com a cabeça para Bethany, então examinou os arredores antes de se aproximar da cama. “Você me pediu para guardar isto.” Ele ergueu a maleta.
Ela suspirou de alívio. Ele não era o homem que havia sussurrado em seu ouvido. “Muito obrigada. Tem papéis importantes e eu não queria perdê-la.”
Ela notou o olhar estreito dele. “Tem mais do que papéis. Eu olhei dentro.”
Bethany olhou para ele e sentiu a boca seca. “Ela estava trancada.”
“Eu levo jeito para mecânica.” Ela não o culpava por estar desconfiado. “Eu posso explicar.”
“Espero que sim.” Ele olhou para a enfermeira. “Estarei logo ali fora, senhorita Parker.” A mulher de rosto doce assentiu. “Toque a campainha se precisar de alguma coisa.”
Quando ficou sozinha com Luke, Bethany disse: “Eu fui atacada com uma injeção. Você viu o homem andando ao meu lado?”
“Acho que ele era o cara que disse ser seu irmão. Ele pediu a sua bolsa.”
Uma raiva brilhou nos olhos azuis dela. “Fico feliz que você não tenha dado a bolsa para ele.”
“Infelizmente, não teríamos provas de que foi ele quem te drogou.”
Bethany estremeceu com a lembrança. “Sinto muito por ter te envolvido, mas eu estava desesperada.”
“Como ele sabia que você estava com as luvas?”
“Uma vizinha me avisou hoje de manhã que viu alguém com uma máscara de esqui jogar algo na lixeira na noite do assassinato. Ele deve ter visto quando eu as peguei e as coloquei na minha maleta.”
“Quem foi morto?”
“O namorado da minha colega de quarto.”
“De quem é o sangue nas luvas?”
“Eu acho que é do Jordan.”
Luke franziu a testa. “Se o assassino usou luvas, ele não deixaria impressões digitais. Ele usou uma faca que já tinha as impressões digitais dela.”
Ela fez uma pausa, sem fôlego. “Eu tenho que levar as provas para a polícia, mas agora estou com medo. Não estarei a salvo até me livrar delas.”
Luke refletiu sobre a história dela. Se fosse verdade, o homem que a havia seguido era provavelmente o assassino. Ele poderia segui-la até que ela entregasse as luvas. Então eles saberiam que, se a colega de quarto de Bethany fosse esperta o suficiente para usar luvas, ela teria limpado a faca. Pelo menos isso lançaria uma dúvida razoável. Talvez ela tivesse cortado uma maçã e deixado a faca no balcão.
“Eu vou com você até a delegacia. Quando você vai ter alta?” Luke perguntou.
Ela olhou para o relógio, chocada ao ver que já fazia três horas desde que tinha saído naquela manhã. “Sinto muito por tomar tanto do seu tempo. Você provavelmente está perdendo o trabalho.”
Luke mexeu os ombros. “Eu avisei meu chefe que vou chegar tarde.”
“Qual é o seu trabalho?”
Ele era robusto e tinha uma aparência arrumada. Ela achou que ele poderia ter seu próprio negócio e passar seu tempo livre na academia. Ela não estava preparada para a resposta dele.
“Eu sou chapeiro. Eu viro hambúrgueres e corto cebolas e batatas.”
Após um momento de silêncio, Bethany disse: “Eu ficaria feliz em lhe pagar pelo tempo que está perdendo.”
Ele balançou a cabeça. “Não precisa. Eu não estou precisando de dinheiro.”
Isso a surpreendeu, embora não tenha argumentado. Ela pensou que poderia pelo menos pagar-lhe um almoço — o mínimo que poderia fazer por um homem disposto a escoltar uma estranha até a polícia. Na verdade, ela queria saber mais sobre ele. Ele parecia inteligente e educado, e portava-se com confiança. Fosse qual fosse o seu passado, ela se sentiria mais segura tendo-o com ela.
Um médico entrou rapidamente no quarto. “Seus sinais vitais estão melhores. Você está liberada, embora eu a avise: outra injeção disso poderia matá-la.”
Bethany ficou brava. “Eu não fiz isso comigo mesma.”
Ele virou a cabeça. “Por que outra pessoa te daria essa droga?”
“Tentativa de assalto. Vou à polícia quando sair daqui.” Ela não tinha certeza se ele acreditava nela. Não importava.
Luke se repreendeu por se oferecer para acompanhá-la. Foi porque ela parecia pequena e frágil, encarando-o com grandes olhos azuis grandes demais para seu rosto pálido? Seu cabelo loiro na altura dos ombros se enrolava em seu rosto, dando a ela uma aparência angelical.
Ele teria que tomar cuidado. Pelo que ele sabia, ela poderia ser uma assassina. Mesmo assim, ele tinha a obrigação de garantir que as provas chegassem à polícia. Então ele esqueceria essa mulher e sua história estranha, e voltaria para a sua vida.
A enfermeira entrou para tirar o acesso. “Você consegue ficar de pé?”
“Sim. Não me sinto mais separada de mim mesma. Eu não gostei da sensação.”
“A cetamina pode dar reações estranhas,” a enfermeira concordou.
Bethany encontrou Luke na sala de espera. Ele a estudou. “Você está firme? Não podemos deixar que você caia e bata a cabeça.”
“Estou bem.” Na verdade, ela ainda se sentia um pouco tonta. O ar fresco do oceano lhe faria bem.
Luke chamou um táxi. Bethany se jogou no banco de trás, ainda não totalmente recuperada da droga, mas a presença dele a fez se sentir melhor. Ele tentou ignorar a fragrância de baunilha de seu cabelo macio. Quanto menos ele soubesse sobre ela, mais fácil seria não pensar no que seria dela.

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