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Trocando Farpas Consigo Mesma

Autor
SJ Wilke
Leituras
17,1K
Capítulos
44
Autor
SJ Wilke
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Capítulos
44
🕵️‍♂️Mistério & suspense😱Suspense💪Mulheres fortes💪🏻Protetor👩🏻‍🍼Mães🕵️Detetives & policiais🕵️Crime & mistério🕵🏻‍♂️Detetives🎖️ Love in Uniform

Em uma patrulha à meia-noite, a policial Banter encontra um recém-nascido abandonado em uma lata de lixo — e acaba levando o bebê para casa quando o serviço social não aparece. Equilibrando mamadeiras e fraldas enquanto ensina técnicas de vigilância, Banter atrai atenções indesejadas na delegacia, onde invasões, evidências desaparecidas e uma campanha de difamação começam a cercá-la. Com seu parceiro Corey e alguns aliados de confiança, ela terá que proteger o bebê — e provar que não é ela quem está sendo incriminada.

Capítulo 1

Banter resmungou baixinho. Ray havia prometido que ela não trabalharia na rua, ainda mais depois que Corey teve uma conversa com ele. Mas ali estava ela, espreitando por um beco para fazer um reconhecimento.
Era meia-noite e estava muito quente. Embora ela usasse um moletom preto leve e uma camiseta fina, ela estava suando muito.
“Lixo fedorento. Eu pensei que tinha acabado de trabalhar com lixo.”
Havia um cheiro muito forte no ar.
“Apenas ande pela área. Sim, Ray. Eu estou andando. Não há nada para ver. Você acha que eu posso achar tudo em um passe de mágica só porque... eu posso.”
Ela deu uma risadinha para si mesma. Seu trabalho policial recente tinha lhe dado uma ótima fama. “Agora, todo mundo quer a minha ajuda.”
Ela passou por uma fileira de latas de lixo. Nenhuma delas tinha tampa para segurar o cheiro ruim que subia delas. Ela estava quase passando por todas quando ouviu um barulho. Algo dentro dela a fez parar de repente.
É um bicho, ela pensou. Um gatinho? “Era só o que me faltava com dois cachorros e duas crianças. Um gato.” Ela virou o rosto para as latas de lixo, quase esperando que um filhote pulasse de lá.
Não havia nada. Ela não ouviu mais nada. Com um franzir de nariz, ela se virou para ir embora. Ela ouviu outro som antes mesmo de dar um passo. Um gemido baixo. Um choro? Ou os guinchos de um rato?
Banter se virou para olhar de novo. Ainda assim, nada chamou sua atenção. Ela girou nos calcanhares para dar dois passos na direção das latas. Todas pareciam cheias. Uma delas parecia transbordar com um monte de panos velhos em cima.
Uma sensação estranha de medo tomou conta dela. Uma parte dela queria sair correndo, enquanto a outra parte sentia a necessidade de investigar. Ela deu mais alguns passos.
O monte de panos se mexeu. Houve um choro baixinho. “Mas que porra.” Banter deu os últimos passos para frente com pressa.
Quase escondido nos panos estava um recém-nascido.
“O que você está fazendo aqui?” Ela se impediu de tocar no pacote. “Fotos.” Ela tirou fotos do pacote e do local, e então fez uma ligação.
“Nove um um, qual é a sua emergência?”
“Aqui é Banter.” Ela disse o código que a mostrava como policial. “Eu tenho um recém-nascido em uma lata de lixo.” Ela deu os nomes dos cruzamentos, pois não conseguia ver o número de nenhum prédio.
“Nós vamos mandar uma ambulância agora mesmo. Por favor, fique onde está para poder mostrar o caminho.”
“Não me diga. Eu não vou a lugar nenhum.”
Ela enviou uma mensagem para Peter, seu parceiro disfarçado, para avisar o que estava acontecendo. Ele estava dirigindo por perto, esperando para buscá-la. Ele respondeu rápido.
Peter
WTF
“Sim, eu pensei a mesma coisa,” ela resmungou.
Ela foi para mais perto da entrada do beco. Quinze minutos se passaram antes que as luzes da ambulância aparecessem. Ela ficou grata por não estarem usando as sirenes.
Ela acenou para eles. As luzes da ambulância se apagaram quando ela entrou no beco. Ela mostrou o caminho até as latas de lixo.
“Oi, Nick.”
“O que você achou, Banter?” Nick desceu do lado do motorista.
Com todo o treinamento recente com outras equipes, ela agora conhecia a maioria dos paramédicos. “Recém-nascido no lixo.”
“Morto ou vivo?”
“Vivo. Até agora.”
Paul, o parceiro dele, desceu, e todos eles foram até a lata.
“Com certeza é um recém-nascido.” Nick colocou um par de luvas de plástico e abriu os panos apenas o bastante para olhar.
“Uma menina. O cordão umbilical ainda está aqui. Ela deve ter apenas uma hora de vida, eu diria.”
Paul concordou com a cabeça.
“Eu já tirei fotos da área,” ela disse.
Paul colocou as luvas e pegou o pacote com cuidado, segurando a cabeça do bebê com uma mão. “Tem mais alguma coisa por perto?”
Todos eles procuraram na parte de cima do lixo e pela área, buscando por pistas.
“Sem placenta. Ela não nasceu aqui,” Nick disse.
“Venha junto. Você pode fazer o seu relatório direto para a Assistência Social,” Paul disse.
“Que beleza. Mais papelada.” Ela seguiu Paul para se sentar na parte de trás da ambulância.
“O que você está fazendo aqui fora?” Paul se acomodou na parte de trás. “Este não é um bairro bom.”
“Trabalho de reconhecimento. Não era isso que eu esperava encontrar.”
Ela enviou uma mensagem para Peter dizendo para onde estava indo e recebeu uma resposta rápida.
Peter
Vou seguir vocês.
“Minha carona está nos seguindo.”
“Ela é pequena, mas parece ter nascido no tempo certo.” Paul continuou olhando para a bebê. “Provavelmente é a primeira de alguma adolescente. Vocês precisam achar essas jovens rápido. Ainda bem que você estava por perto.”
Banter ficou olhando para Paul, que parecia focado apenas na bebê.
“Os sinais vitais parecem normais,” ele disse depois de alguns minutos.
“Você consegue ver tudo isso só de olhar para ela?”
“Eu contei a respiração dela. Eu consigo ver o pulso. Ela não está em sofrimento. A cor dela está boa. Ela estava bem embrulhada, e o clima está quente.”
“Uau.” Ela ficou impressionada com o que ele podia ver só de olhar para o bebê.
“Ela só precisa ser limpa e ter o cordão umbilical tratado. Depois ela precisa mamar colostro.”
“Agora você me perdeu.”
“O primeiro leite tem colostro. Isso dá a ela as defesas para construir o seu sistema imunológico.”
A ambulância entrou na emergência do hospital mais próximo.
“A equipe vai ficar feliz por não estarmos trazendo um caso grave. Principalmente a esta hora da noite.”
“Um recém-nascido não é grave?”
“Não este aqui. Ela não está tremendo.”
“Tremendo?”
“Ela não deve ser um bebê de mãe drogada.”
“É bom ouvir isso.”
A ambulância parou. Paul não se mexeu. Banter imaginou que Nick estava dando a volta para abrir a porta para eles. Um momento depois, a porta se abriu como ela esperava.
Banter seguiu Paul pela entrada da emergência. Uma enfermeira estava no balcão.
“Recém-nascido...” Paul apontou para o pacote.
A conversa entre Paul e a enfermeira foi rápida, com siglas e termos que Banter não conhecia. Em minutos, eles estavam em uma sala de exames. Paul entregou a bebê para a enfermeira.
“Eu já tenho outro chamado. Tenha uma boa noite, Banter.”
“Sim, obrigada.”
Ele saiu com pressa.
“Um representante da Assistência Social estará aqui em breve. Você é parente?” a enfermeira perguntou.
“O quê? Não, eu sou da polícia. Eu a encontrei.”
A enfermeira olhou para ela como se não acreditasse.
Banter mostrou o seu distintivo.
Um médico entrou na sala.
“Recém-nascido abandonado,” a enfermeira disse.
“Eu sou Banter, uma policial. Eu a encontrei.”
“Dr. Sam Grove,” ele disse para se apresentar. “Vamos dar uma olhada.”
Banter observou enquanto eles examinavam a bebê. Quando os panos foram tirados, a bebê usou os pulmões e gritou. Banter gostava mais dela quando ela estava quieta.
O médico tirou os panos para colocá-los em um saco plástico como prova. Ele pegou um pouco de sangue do cordão umbilical antes de cuidar dele.
Eles limparam a bebê muito bem, colocaram uma fralda nela e a enrolaram em uma manta de bebê do hospital.
“Aqui, segure-a um pouco.”
Banter quis reclamar, mas a enfermeira colocou a bebê em seus braços antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
A enfermeira limpou tudo e passou um pano na mesa de exames. Banter teve a imagem de uma garçonete que estava com pressa para limpar a mesa para os próximos clientes.
A bebê, porém, ainda estava chorando, mas não tão alto agora.
“Você está quentinha e com roupas. Você deveria ficar quieta agora.” Banter não tinha esperança de acalmar a bebê.
Porém, a bebê mudou para um choro baixinho, o que a surpreendeu, pois não sabia que sua voz poderia causar essa resposta.
“Nós vamos pegar uma mamadeira para ela. Nós temos uma reserva de leite materno, mas está congelado. Vai levar alguns minutos para esquentar.”
A enfermeira saiu.
Banter se viu sozinha com a bebê. Ela tocou o cabelo castanho e fino que parecia muito com o dela.
Outra enfermeira entrou. “Você pode esperar lá fora? Nós precisamos da sala.”
Banter saiu para uma sala de espera lotada. Peter estava lá. Ele se misturava bem com seu cabelo comprido e calça jeans rasgada.
“O que nós temos?” Ele olhou para a bebê esperando uma resposta.
“Uma menina.”
“Ela se parece muito com você.”
Banter quase caiu na gargalhada. “É. Parece um lixo.”
“O que estamos esperando?”
“Assistência Social e uma mamadeira.”
“Vamos nos sentar ali.”
Peter achou um lugar afastado para eles. A maioria dos pacientes esperando pelo médico parecia com bêbados que tinham apanhado ou estavam doentes pelo que beberam.
“Não é o melhor lugar para se estar no dia do seu aniversário.” Ele olhou em volta.
“Não. Eu não consigo imaginar alguém fazendo isso. Existem tantas agências que as pessoas podem procurar.” Banter balançou a cabeça.
“Infelizmente, se você for uma adolescente rica, você nunca deve ter ouvido falar dessas agências.”
Um homem se levantou. Ele chamou a atenção de Banter porque a cabeça dele estava sangrando. Uma enfermeira o levou para a sala de exames que ela tinha acabado de sair.
“Merda,” Peter disse. “Eu conheço adolescentes pobres que não sabem dessas agências.”
A bebê pareceu se acalmar e ficou quieta.
“Eu queria que eles andassem logo. Assim podemos terminar a nossa noite.” Banter se sentia sem paciência.
“Você viu algo suspeito no beco?”
“Sim, um bebê.”
Ele riu. “Além do bebê.”
“Latas de lixo transbordando. Eu não vejo a hora de saber o que o Ray vai dizer quando ler o meu relatório.”
Vinte minutos se passaram antes de uma enfermeira vir com uma mamadeira. Banter achou que ela pegaria a bebê, mas ela não fez isso. Ela entregou a mamadeira para ela e foi embora.
“O que é isso? O que eu devo fazer com isso?”
“Alimente o bebê,” ele disse.
“Mas... mas você não deveria ver se está quente o bastante?”
“Apenas coloque o bico na boca dela. Ela sabe o que fazer.”
“Ela acabou de nascer.”
“Bico. Na boca,” ele disse.
Banter colocou o bico nos lábios da bebê. Uma gota saiu. A bebê respondeu movendo os lábios. O bico pareceu ser sugado para dentro da boca da bebê.
“Ela suga.” Ele riu.
“Droga.”
Banter viu o leite sumir. “Indo. Indo. Já era.”
“Eu disse que ela suga. Uma atiradora de aluguel cuidando de um bebê. O que vem depois?” Ele balançou a cabeça.
“Você me diz.”
Ela viu mais duas pessoas entrarem nas salas de exames. “Onde está a Assistência Social? Eles estão dormindo no ponto?”
“Eles têm uma linha de telefone de vinte e quatro horas. Alguém vai vir aqui.”
“Você parece saber muito sobre isso.”
“Eu já trabalhei com jovens fugitivos.”
“Eu não quero esperar aqui a noite toda. Eu dou aula de manhã.” Ela estava se sentindo estranha enquanto segurava a bebê. Era uma sensação esquisita segurar algo quente que se mexia.

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