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Um Tiro no Escuro: A Protegida

Autor
B. E. Harmel
Leituras
734K
Capítulos
39
Autor
B. E. Harmel
Leituras
734K
Capítulos
39
🕵️‍♂️Mistério & suspense😱Suspense💪🏻Guarda-costas💪🏻Protetor🎭Drama⚔️Ação & aventura🔒Proximidade forçada

Kate chega em casa esperando bolo e velas, não o caos. Uma noite cruel destrói tudo o que ela pensava saber sobre sua família, arrastando-a para um mundo perigoso de segredos e mentiras. Para sobreviver, ela é colocada sob a proteção de John, um agente implacável com um passado sombrio e o juramento de protegê-la a qualquer custo. Mas proteger Kate não é tão simples quanto deveria ser. Quanto mais tempo passam juntos, mais difícil se torna manter intacta a linha entre o dever e o desejo. Com os inimigos se aproximando e a confiança cada vez mais escassa, sobreviver significa risco, sacrifício e enfrentar uma tentação para a qual nenhum dos dois está preparado. Em uma tempestade de perigo, será que a paixão poderá salvá-los ou destruí-los?

Capítulo 1

KATE

Acordei com o som de vidro quebrando.
Depois vieram os gritos. Algo pesado caiu no chão com estrondo. Por um segundo, eu não consegui lembrar onde estava.
O teto acima de mim era baixo e de madeira. Minha mão tocou em uma colcha que cheirava a lavanda. Meu quarto antigo. Eu estava na casa dos meus pais — a casa de campo, onde eu tinha vindo passar o fim de semana do meu aniversário.
Não era meu apartamento em Washington. Não era a cidade, com seu trânsito e sirenes constantes. Eu estava em casa.
Eu esperava sentir o cheiro de café no ar. Esperava o silêncio familiar: pássaros na janela, o relógio antigo do corredor batendo. Panquecas, um dos cafés experimentais do meu pai. As rotinas que eu sempre prometia a mim mesma que voltaria para viver.
Isso era mentira. A culpa apertou meu estômago.
Eu disse a eles que o trabalho na firma estava muito corrido e que não podia tirar um fim de semana de folga. Mas agora, deitada aqui, percebi o quanto sentia falta disso. E então, o barulho soou de novo.
Outro estrondo, mais alto desta vez. Vozes de homens: graves, rápidas e irritadas.
Meu corpo inteiro ficou tenso. Meu cérebro tentava entender o que estava acontecendo.
Ladrões? Vizinhos? Não, meus pais não moravam perto de ninguém em um raio de quilômetros.
Meu coração batia tão forte que doía. O instinto que me ajudou na faculdade de direito — lógica primeiro, pânico depois — entrou em ação. Eu me sentei, com o pulso latejando na garganta.
A casa era muito grande e muito antiga. Cada som ecoava. Tentei dizer a mim mesma que não era nada. Talvez meu pai tivesse derrubado alguma coisa. Mas minha intuição sabia que era mentira.
Saí da cama, com os pés descalços tocando o chão frio de madeira e fui de fininho até a porta. Cada tábua rangia sob mim, como se me avisasse para não sair do lugar. Eu ignorei.
O corredor estava escuro, exceto por um brilho fraco que vinha do andar de baixo. A casa cheirava a café e óleo de arma — a mistura normal do meu pai — e a algo forte e metálico. Cheguei ao mezanino e me inclinei sobre a grade.
Meu pai estava na sala de estar, ainda de pijama. Ele estava com as mãos erguidas diante de três homens armados. Minha respiração falhou. Ele se moveu sem hesitar: desarmou um e jogou o outro contra a parede, como se o corpo dele se lembrasse de como lutar.
Meu pai. O homem que dizia que "só mexia com papelada". Cada parte de mim queria correr até ele para ajudar. Mas a razão falou mais alto que o medo.
Ele havia treinado para isso. Eu não. Meu trabalho era sobreviver.
“Fiquem no chão!” ele gritou. Mas não para mim. Para eles.
Um quarto homem apareceu com uma arma na mão. Meu pai se virou bem a tempo de ver o clarão de um silenciador.
“Não o mate, idiota!” uma mulher esbravejou lá de trás. “Nós precisamos deles vivos.” A voz dela era fria e dura.
O pânico subiu pela minha espinha. Tentei lutar contra a adrenalina e pensar. Eu queria gritar, mas algo me dizia para não fazer isso.
Ainda não. Então, eu vi minha mãe.
Ela saiu correndo do corredor, descalça, furiosa e balançando um abajur como se fosse uma arma. Ela lutou e por um segundo, achei que pudesse vencer. Mas eram homens demais.
Quando eles a derrubaram no chão e bateram nela, eu mordi o nó do dedo para não gritar.
“Tem mais alguém na casa?” um homem berrou.
Meu sangue gelou.
“Não sei. Verifiquem lá em cima”, a mulher ordenou.
Eles estavam vindo. O pânico rugiu nos meus ouvidos. Meu coração batia tão forte que achei que eles ouviriam.
Pense, Kate.
O quarto dos meus pais: havia uma arma na mesa de cabeceira, mas demoraria muito para chegar lá. O escritório deles: arquivos. Talvez fosse isso que aquelas pessoas queriam.
Ambos haviam servido no exército. Talvez arquivos militares. Algo pelo qual valesse a pena matar. Meus pensamentos se dividiram em dois e, por um segundo de tontura, eu congelei.
Então a voz da minha mãe ecoou na minha cabeça, calma e clara: Não seja estúpida, não entre em pânico. Seja rápida.
Pânico. Essa palavra acionou um gatilho e, de repente, pensei em uma velha canção de ninar que ela cantava quando eu tinha medo. A voz dela surgiu na minha memória, suave, mas firme:
Quando a sombra cair e o medo chegar, corra para o quarto e trate de trancar. Quando o perigo chamar, não faça nenhum som. No quarto do pânico, tudo ficará bom.
O quarto do pânico. Nós tínhamos um, escondido atrás da despensa. Mas eu estava no andar de cima.
Eles estariam na escada em segundos. Eu tinha que me mexer bem rápido. Minha mente acelerou.
A cozinha era um beco sem saída. Chegar lá significava dar de cara com eles. Então me lembrei do elevador de serviço. Pequeno. Antigo. Barulhento.
Mas ele ia do segundo andar até a cozinha. Se eu coubesse, poderia descer sem ser vista. Eu me mexi.
Meu corpo tremia, mas agora eu estava pensando e não congelando. Fui de fininho até o fim do mezanino. Encontrei a porta do elevador de serviço, puxei para abrir e entrei rastejando. Meus joelhos bateram com força na madeira.
Espaço apertado. Ar frio. Poeira por todo lado.
Pressionei a alavanca. A máquina rangeu como se não se movesse há anos. O barulho ecoou pela casa.
“Lá em cima!” alguém gritou.
Merda. A caixa deu um solavanco e eu mordi a língua para não gritar.
Eu me forcei a respirar devagar, mesmo com as botas trovejando lá em cima. O elevador de serviço desceu tremendo, lento para caramba. O medo se transformou em outra coisa: algo claro e focado.
Eu conseguia ouvir tudo: passos fortes, ordens gritadas e as batidas do meu coração no mesmo ritmo do metal rangendo. Quando cheguei ao fundo, minhas palmas sangravam de tanto apertar as laterais. Eles estavam no andar de cima agora.
Essa era a minha única chance. Saí rastejando e corri para a cozinha. Atravessei a despensa derrubando potes e frascos de tempero no chão. Atrás deles, o painel de madeira escondido me esperava.
Minhas mãos tremiam demais para segurar direito, mas de alguma forma consegui abrir. Havia outra porta, desta vez de metal. Um teclado numérico.
Minha mente buscou o próximo verso da canção de ninar. Não era apenas uma música: era um código. Pude me ver aos cinco anos, balançando em uma cadeira enquanto meu pai apontava para as letras grudadas na geladeira.
“Vamos lá, Kaká”, ele dizia, sorrindo. “Cante com a gente. Mais alto desta vez.”
Então, minha mãe se juntava a nós, com uma voz suave:
B de barco, que navega no mar, E de elefante, gigante a passear. C de carro, que te leva ao seu lar, Dois e três, você não está só neste lugar.
A melodia tocou na minha cabeça, tão vívida que quase doeu. Meus olhos arderam enquanto eu digitava o código no teclado. Minhas mãos tremiam tanto que mal consegui apertar os botões. B. E. C. 2. 3.
Pressionei a sequência, metade rezando, metade lembrando. A fechadura fez um clique. Entrei rápido, bati a porta e finalmente me permiti respirar.
O quarto do pânico se selou atrás de mim com um baque pesado e final. Por um segundo, fiquei ali parada, encostada na parede fria e com o peito subindo e descendo. Olhei ao redor.
Quatro paredes de aço. Uma almofada fina no chão. Uma pequena tela na minha frente, com um brilho fraco.
Abaixo dela, no console, havia um botão vermelho e um bilhete com uma caligrafia que eu conhecia de cor. Aperte, Kate. A letra da minha mãe.
Algo dentro de mim se quebrou. Apertei o botão. A tela piscou e ganhou vida. Uma luz azul cortou a escuridão.
Palavras apareceram nela:
O pedido de resgate, Kaká, foi concluído com sucesso.
“O que diabos isso significa?” sussurrei. Minha voz foi engolida pelo quarto.
A tela se atualizou. E os rostos deles olharam de volta para mim.

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