
Uma Proposta Indecente: Domando a Herdeira
Author
S. S. Sahoo
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Chapters
12
Arrependimentos com Champanhe
KYLE
O CEO bilionário Miller Moss olhou para mim. Seus olhos cinzentos analisaram a minha aparência com a mesma expressão que ele usava ao revisar prejuízos trimestrais. Então ele pegou o celular e virou na minha direção, me mostrando a Page Six.
A manchete da famosa coluna de fofocas gritava.
PRINCESA DAS FESTAS KYLE MOSS SAI TROPEÇANDO DE BAILE DE GALA!
A foto me mostrava no meu vestido de seda da noite passada. Era o mesmo que eu tinha tirado do meu lustre de cristal hoje de manhã, depois de acordar totalmente nua ao lado do meu ex idiota, Collin. Na foto dos paparazzi, eu parecia muito bêbada enquanto caminhava cambaleando em direção ao carro que me esperava.
“Isso”, ele disse, batendo o dedo na foto, “não é como uma futura CEO se comporta.”
Eu empurrei o celular dele para longe. Minha boca ainda tinha gosto de champanhe e arrependimento.
“É só uma foto, pai. Uma noite ruim.”
“Você estava representando a Moss Media, Kyle. Você acha que os acionistas querem ver isso quando abrirem os jornais de manhã?”
“Desde quando você se importa com o que os acionistas pensam? Você construiu essa empresa correndo riscos, não indo pelo caminho mais seguro.”
Ele se recostou em sua cadeira, o trono de couro que ele ocupava há trinta anos.
“Eu construí essa empresa com disciplina e visão. Não saindo tropeçando de boates às três da manhã.”
Eu bati o meu café gelado com caramelo na mesa com mais força do que o necessário.
“Existe um motivo para esse sermão, ou estamos apenas repassando os meus maiores sucessos?”
“O motivo é que eu quero me aposentar.” Suas palavras foram muito bem pensadas. “Eu quero nomear você como minha sucessora e passar o controle da Moss Media para você.”
Meu coração parou. Era isso, tudo com que eu havia sonhado, pelo qual havia trabalhado e lutado.
“Mas eu não posso fazer isso,” ele continuou, “até você me mostrar que está pronta.”
“Eu estou pronta,” eu disse, me inclinando para frente. “Pai, eu me preparei para isso a minha vida inteira. Eu conheço essa empresa de cabo a rabo. Eu tenho grandes planos para o futuro da Moss Media. Nós poderíamos entrar no ramo de streaming, nossa divisão de música poderia—”
“Planos não são o bastante, Kyle. O caráter importa. A liderança importa. A sua mãe—”
“Não comece.” A palavra saiu mais ríspida do que eu queria.
Papai suspirou. “Sua mãe ficaria decepcionada com a mulher que você se tornou.”
As palavras me atingiram como um tapa de verdade. Meu estômago se apertou.
“Como é que é?”
“Ela tinha tantas esperanças para você. Ela costumava dizer que você ia mudar o mundo, fazer dele um lugar melhor. Em vez disso, você está saindo tropeçando de boates e virando notícia pelos piores motivos.”
Eu me levantei da cadeira Eames de couro de 18 mil dólares do meu pai tão rápido que fiquei tonta. Ou talvez fosse a ressaca.
“Você não tem o direito de usar a mamãe contra mim. Você não tem o direito de falar por ela.”
“Kyle.”
“Não.” Eu peguei minha bolsa Hermès Birkin, e minhas mãos estavam tremendo de raiva e de algo que parecia perigosamente perto de choro.
“Eu cansei dessa conversa.”
Eu saí furiosa do escritório dele, passei pela secretária, passei pelas enormes janelas de vidro que mostravam o céu de Los Angeles—a vista que eu deveria herdar.
O elevador não chegava rápido o bastante.
Lá fora, a rua era barulhenta e cheirava a fumaça de escapamento. Eu tirei meus óculos de sol da Bulgari, sem me importar que o sol da tarde piorasse a minha ressaca. Eu precisava de ar. Eu precisava de espaço. Eu precisava ir o mais longe possível daquele escritório e da cara de decepção do meu pai.
Eu estava andando rápido, sem realmente prestar atenção para onde estava indo, quando meu salto prendeu em algo duro. Eu senti que estava caindo em direção à calçada suja. Aquilo era basicamente uma metáfora da minha vida nesse momento. Algum dia, eu ia chegar no fundo do poço e ninguém estaria lá para me segurar.
JULIAN
O sol da tarde aquecia a calçada, e eu já tinha ganhado vinte dólares, o que não era ruim para uma quarta-feira. Eu pensei na minha conta do banco. Eu tinha a triste quantia de 347 dólares para sobreviver até a semana que vem.
E então eu pensei na Paige, a minha irmãzinha linda e cheia de energia, que aos vinte e cinco anos, deveria estar saindo para festas, namorando caras idiotas e reclamando do trabalho. Mas, em vez disso, ela estava lutando contra o câncer.
Hoje de manhã, eu tinha ido com ela a uma loja de perucas, agora que a quimioterapia tinha levado seu lindo cabelo escuro. Eu tentei fazer a Paige rir vestindo uma peruca loira e curta, e eu consegui, mas então ela recebeu uma ligação do hospital dizendo que o plano de saúde não pagaria pela imunoterapia.
Cem mil dólares.
Poderia muito bem ser cem milhões. A quimioterapia sozinha não estava adiantando. Mas combinada com a imunoterapia, a Paige tinha uma chance de lutar.
Meu coração se apertou como um punho. Eu faria qualquer coisa por ela. Eu encontraria um jeito de pagar pelo tratamento de imunoterapia, mesmo que parecesse impossível.
Eu comecei a tocar Blackbird, quando ouvi o barulho de saltos se aproximando. De repente, a mulher que usava os saltos tropeçou no estojo do meu violão e começou a cair. A bolsa dela voou para o lado... até que ela se equilibrou de novo com uma agilidade impressionante.
Eu soltei o violão. “Você está bem?”
“Você está de brincadeira comigo, porra?” ela disparou.
Ela era linda daquele jeito que parece intocável—cabelo loiro perfeitamente arrumado, maquiagem sem falhas, roupas que custavam mais do que eu ganhava em seis meses.
“Não bloqueie a calçada,” ela disse, como se eu a tivesse ofendido de propósito. “Você não deveria estar aqui.”
Eu ri. “A última vez que eu chequei, isso aqui era uma área pública.”
Os olhos azuis e brilhantes dela me encararam com raiva. Ela apontou para o prédio de vidro gigante atrás de mim. “Você está na propriedade da Moss Media.”
Eu olhei para o prédio enorme, e depois para ela.
“Eu tenho quase certeza de que a calçada pertence à cidade.”
Ela não gostou nada disso. Eu pude ver o maxilar dela ficar tenso e suas mãos perfeitas se fecharem. Ela parecia uma gatinha brava.
“Isso não significa que você pode acampar onde quiser.” Ela arrumou a postura, me olhando como se eu estivesse fedendo.
“Eu não sou sem-teto. Eu estou trabalhando.”
“Trabalhando?” Ela deu uma risada de deboche, apontando para o estojo do meu violão. “É isso que você chama de trabalho?”
“Ei, pelo menos é honesto.”
Ela deu um sorrisinho maldoso. “Bem, tente focar a sua honestidade em um lugar que não faça pedestres inocentes tropeçarem.”
Eu não consegui evitar um sorriso. “Moça, eu não sei muito sobre você, mas eu tenho muita certeza de que inocente não é a palavra que eu usaria.”
“Ah, é mesmo?” Ela andou até mim, segurando o seu café gelado, que estava quase vazio. “Bem, senhor trabalhador, aqui está uma gorjeta pelo seu talento,”
Antes que eu pudesse reagir, ela jogou o copo de plástico dentro do meu estojo de violão. Café e caramelo espirraram por todo lado, ensopando as poucas notas que eu tinha ganhado.
“Jesus!” Eu pulei, vendo os meus vinte dólares de gorjeta virarem uma lama doce.
Ela já estava se afastando, com seus saltos estalando como tiros no concreto.
Eu peguei uns guardanapos na minha mochila e tentei salvar o dinheiro que eu podia. As notas estavam arruinadas, melecadas de caramelo e leite.
Ótimo. Que maravilha, porra.
Eu ainda estava limpando tudo quando vi uma coisa brilhando na calçada. Era um celular numa capinha rosa dourada, que devia valer mais do que o meu aluguel. Deve ter caído da bolsa dela quando ela tropeçou. Eu poderia ter deixado lá. Depois do que ela tinha acabado de fazer com o meu dinheiro, era o que eu deveria ter feito.
Mas a minha mãe me ensinou a ser uma pessoa melhor.
“Ei!” eu gritei, correndo atrás dela. “Paris Hilton. Você derrubou isso!”
Ela se virou, e ficou surpresa quando viu o celular na minha mão.
“Ah. Obrigada.”
Ela foi pegar o celular, mas eu não soltei. “Você deveria aprender a ter modos.”
Ela arregalou os olhos. Parecia que ninguém nunca tinha chamado a atenção dela antes.
“Como é que é?”
“Você me ouviu. Só porque você está tendo um dia ruim não significa que pode descontar em todo mundo.”
Ela ficou me encarando. Eu pude ver a cabeça dela trabalhando, como se estivesse decidindo entre gritar comigo ou me mandar prender.
“Quem é você?”
“Julian,” eu disse. “Julian Davis.”
Os dedos perfeitos dela encostaram nos meus quando eu soltei o celular rosa. Eu queria saber o nome dela, o nome verdadeiro.
“Não,” ela respondeu, com um sorriso cruel. “Você não é ninguém.”
Eu a observei ir embora. O cabelo loiro dela balançava nas costas em ondas perfeitas, e eu reparei como os ombros dela estavam tensos. Fosse lá o que a deixou com tanto mau humor, era algo muito grande. Eu estava andando de volta para o meu estojo de violão, pensando se havia algum jeito de salvar as minhas notas melecadas, quando ouvi uma voz grossa e alta atrás de mim.
“Parabéns. Mandou muito bem.”
Eu me virei e vi um homem mais velho com um terno caro, cabelos grisalhos, olhos atentos e um jeito de quem era muito importante. Ele devia ter uns sessenta anos, mas agia como um líder poderoso.
Eu franzi a testa. “Desculpe?”
“O jeito que você lidou com a minha filha.” Ele apontou na direção por onde a mulher de salto tinha ido. “A maioria das pessoas ou puxa o saco dela ou foge com medo. Você não fez nenhum dos dois.”
Filha.
Isso explicava aquela atitude ruim.
“Ela é a sua filha?”
“Kyle, sim. E ela normalmente não é tão...”
Ele fez uma pausa, procurando uma palavra mais educada.
“Escrota?”
Ele deu um sorriso. “Eu ia dizer ‘cheia de atitude’. Mas sim.”
O homem puxou a carteira e colocou uma nota de cem dólares dentro do meu estojo sujo de café.
“Uou.” Eu levantei as mãos. “Isso é muito dinheiro.”
“Toque alguma coisa para mim,” ele disse. “Considere isso um pagamento pelo serviço.”
Eu olhei para a nota de cem e depois para ele. “O que o senhor quer ouvir?”
“Você que sabe. Alguma coisa... tranquila.”
Eu peguei o meu violão e comecei a tocar. A música veio naturalmente. Era Landslide, do Fleetwood Mac. A minha mãe costumava cantarolar essa música quando achava que não tinha ninguém escutando.
Quando eu terminei, o homem ficou em silêncio por um longo tempo.
“Essa é a música favorita da minha esposa,” ele disse por fim. “Ela aprendeu a tocar no piano sozinha. Você toca lindamente.”
“Obrigado. Ela ainda toca?”
“Não mais. Ela morreu. Câncer.” A voz dele soava muito prática, mas eu podia ouvir o sofrimento escondido nela. “Três anos atrás.”
“Eu sinto muito,” eu disse. E eu falei de coração. “A minha irmã está lutando contra o câncer agora. Eu sei como é difícil ver alguém que a gente ama lutando contra essa doença.”
Ele me olhou bem rápido. “Sua irmã?”
“É. Minha irmãzinha, Paige. Eu acabei de descobrir hoje que o plano de saúde não vai cobrir o tratamento de imunoterapia que ela precisa.”
As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse segurar. Talvez tenha sido o jeito que ele prestou atenção na minha música, ou a tristeza nos olhos dele quando ele falou sobre a esposa.
“Qual é o seu nome?”
“Julian. Julian Davis, senhor.”
“Miller Moss.” Seus olhos acinzentados cruzaram com os meus. “Eu acho que isso pode ser o destino, Julian.”
“Destino?”
“Você é honesto. Você devolveu o celular da Kyle, mesmo depois do que ela fez. Você não foge de um desafio. Você disse que ela estava errada quando ela foi grossa. E você tocou a música favorita da minha esposa.”
Eu não sabia muito bem onde ele queria chegar com isso, mas o tom de voz dele me deixou alerta.
“Eu posso ajudar você,” ele disse. “Eu sou o CEO da Moss Media Corporation. Um bilionário, como a minha filha faria questão de avisar. Eu posso pagar pelo tratamento da sua irmã. Pagar por tudo. A imunoterapia, a recuperação, e o que mais ela precisar.”
Meu coração parou. “Qual é a pegadinha?”
“Eu preciso que você se case com a Kyle.”















































