
Uma Viagem Inesquecível
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Capítulo 1
Uma mão forte apertou minha coxa, abrindo minhas pernas com firmeza, mas com cuidado. Um toque leve deslizou por entre as minhas pernas, subindo do meu joelho e passando pela parte interna da minha coxa, roçando de leve na minha buceta nua.
O desejo pulsou pelo meu corpo, endurecendo meus mamilos enquanto minha pele se arrepiava. Eu gemi, me movendo na direção do toque para ter mais contato.
Uma risada grave e um hálito quente no meu ouvido me deram calafrios. “Paciência, Lyla, paciência. Você está dizendo... sim?” ele sussurrou.
“Sim, sim”, eu disse. “Eu estou pronta, por favor...”
Seus dedos exploraram a minha fenda, arrastando a umidade até o meu clitóris e esfregando em círculos enquanto eu me contorcia. Várias vezes, ele banhou o meu clitóris com meus próprios sucos, enfiando os dedos apenas um pouquinho na minha abertura, mas sem afundar em mim do jeito que eu tanto queria.
“Por favor”, eu gemi, e empurrei o meu corpo contra a mão dele para forçá-lo a entrar em mim.
Outra risadinha me fez estremecer quando o ar da sua respiração bateu na minha orelha e no meu pescoço. “Chegou a hora”, ele sussurrou de novo.
“Hora de quê?”
“Hora de acordar.”
Abri os olhos num susto. Fiquei olhando para o teto, desorientada, mas quando comecei a enxergar melhor o ambiente escuro, me lembrei de tudo.
Hotel chique. San Diego. Congresso de trabalho de três dias.
Mas aquele sonho...
Cobri o rosto, mas dei um pulo quando dedos molhados encostaram na minha testa. Com medo de estar sangrando, olhei para as minhas mãos, mas um líquido transparente cobrindo três dos meus dedos me fez levá-los até o nariz.
Puta merda, são os meus sucos. Eu não conseguia nem me lembrar da última vez que tinha me masturbado, muito menos dormindo.
Tudo isso era culpa da Sara, que divide o apartamento comigo. Ela insistiu tanto que eu ia transar nessa viagem que eu acabei sonhando com isso. Se não fosse por ela, eu com certeza não teria acordado com tesão, frustrada e, bom, toda melada.
Guardei na memória que precisava dar uma bronca nela depois. Aí, olhei para o relógio: 6:15 da manhã.
Acho melhor me levantar logo, pensei, mesmo ainda faltando três horas para o congresso começar.
Rolei para fora do colchão macio e fui andando até o banheiro, guiada pela luz do sol que escapava pelos cantos das cortinas blecaute. Quando entrei, fui procurar o interruptor da luz, mas parecia que cada lâmpada tinha um botão só para ela.
Não tinha como eu lembrar qual botão era qual, então apertei todos, e o luxo do banheiro me deixou de boca aberta agora que eu estava enxergando bem acordada.
Isso aqui é do tamanho do meu quarto, pensei, enquanto meu olhar saltava da enorme pia dupla de mármore que pegava uma parede inteira para a banheira de cobre e o chuveiro de azulejos que ocupavam a outra.
Primeiro, usei a única coisa luxuosa que eu lembrava da noite anterior: a privada japonesa. Depois, liguei a ducha de mão, que soltou um jato forte de água que quase na mesma hora encheu o ar de vapor.
Fiquei ainda mais animada quando reparei em mais nove saídas de água saindo dos azulejos das três paredes. Com aquela pressão de água incrível do hotel e a água quente que parecia não acabar nunca, eu ia fazer a minha empresa achar que cada centavo gasto nesse quarto valeu a pena.
Quando os meus dedos já estavam enrugados e o meu corpo bem relaxado com a massagem de água quente, saí do banheiro com as pernas bambas, com um roupão felpudo e uma toalha enrolada na cabeça.
Indo até a janela, abri as cortinas de uma vez para banhar o espaço com a luz do sol da manhã. Esse quarto era lindo demais; eu precisava mostrar para alguém.
“Até que enfim você ligou, Lyla! Estava aqui esperando! Pesquisei o seu hotel no Google, e ele parece surreal.” O sorriso empolgado da Sara apareceu na tela do meu celular. “E aí, como é? Super chique? Me mostra tudo!”
O cabelo loiro e cacheado dela estava espetado para todo lado por causa da faixa que ela usava para prender o cabelo para trás. Tinha uma mancha de tinta azul na bochecha dela. Ela devia ter acordado muito cedo para já estar pintando a essa hora.
“Bom dia para você também!”, dei risada, e depois virei a câmera para mostrar o quarto. “Olha só.”
Um coro de reações da Sara ecoou enquanto eu movia o celular. “Oohs”, “aahs” e suspiros levaram a pedidos para eu mostrar as coisas de perto e dar descrições sensoriais.
Ela me fez descrever a maciez dos lençóis da cama king-size para poder adivinhar a quantidade de fios, afundar os dedos dos pés no carpete para mostrar como era fofinho, e até mesmo levantar e soltar a cortina para que ela pudesse ter uma ideia de como era pesada.
A Sara falou sem parar do papel de parede de seda estampado, da decoração chique e dos móveis que combinavam. Ela ficou doida com o banheiro e aquela privada gringa e chique, e me implorou para tomar um banho de banheira uma hora dessas.
Mas eu deixei a melhor parte para o final.
Tampando a câmera, fui até a varanda e revelei dramaticamente minha vista para o mar. Isso me rendeu o suspiro mais alto.
“Aqui é maravilhoso, Sara”, eu disse. “Esse sol gostoso da Califórnia dá de dez a zero na chuva triste de Portland, e o pouco que vi da cidade é lindo.” Virei a câmera para mim e voltei para o quarto, colocando a Sara na pia do banheiro para continuar me arrumando.
“Sabe de uma coisa, esse quarto é bem grande. Grande o bastante para você levar companhia”, brincou a Sara. “Não vai esquecer do que a gente conversou, hein.”
“Eu sei, eu sei”, falei, soltando o meu cabelo castanho ondulado da toalha. “Você acha que esse congresso vai ser uma putaria generalizada, mas não tem a menor chance de eu encontrar um amor de verdade num encontro de nerds da engenharia de software, tá bom?” Comecei a passar a minha maquiagem.
A Sara deu risada. “Falou uma dessas nerds da engenharia de software!” Ela se mexeu na cadeira, puxando as pernas para sentar com elas cruzadas, vestida com sua roupa de pintura de sempre: um top e um macacão.
Já era uma verdade de longa data em nossa amizade que ela era a descolada — uma artista profissional que trabalhava como barwoman nos finais de semana — enquanto eu era a nerd que ficava sentada numa baia de escritório das 8 da manhã às 5 da tarde todos os dias olhando para a tela de um computador.
“E quem é que falou em amor da sua vida?” ela continuou. “Eu só acho que você precisa transar. Já faz... quanto tempo mesmo?”
“Sim, sim, eu já sei, dois anos. Eu estou na seca. Não precisa ficar me lembrando disso”, resmunguei.
“Na seca? Lyla, querida, você está num verdadeiro deserto do Saara.” Sara suspirou, com um olhar mais compreensivo. “Eu sei que você nunca foi num congresso de trabalho antes, mas eles servem justamente para o pessoal ficar. Vai por mim, eu sei o que estou falando.”
Abri a boca para jogar na cara dela que ela também nunca tinha ido a um congresso desses, mas ela levantou o dedo para me interromper.
“Você está num lugar novo”, ela continuou. “Há pessoas novas ao seu redor, ninguém a conhece, e você não precisa ser você mesma!”
Lancei um olhar fuzilante para ela pela telinha do celular. “E qual é o problema em ser eu mesma, posso saber?”
“Você sabe o que eu quis dizer. Seja você mesma, mas aquela versão sua que era alegre, despreocupada e que transava. Sinto falta daquela garota.” Ela abriu um sorriso para me acalmar, mas no fundo, ela tinha razão.
Depois de um término confuso, eu recuei drasticamente de qualquer tipo de vida social e passei quase todo o meu tempo no trabalho ou em casa. Se não fosse pela insistência implacável da Sara para que eu a acompanhasse nas saídas às vezes, eu não teria feito nada.
Mas, quando se tratava de caras, a implacável era eu. Eu queria o amor ou nada, mas nenhum cara para quem ela me empurrava era bom o suficiente, e então tudo parecia ser muito difícil e não valer a pena.
Mas talvez eu pudesse dar um tempo nessa história de amor. Talvez a Sara tivesse razão. Lugar novo, vida nova, não é?
Sem saber muito bem como deixar de ser eu mesma, suspirei e falei: “Me diz o que eu tenho que fazer.”
“É só não dizer não.”
Enquanto eu acabava de me arrumar, a Sara e eu fechamos os detalhes do nosso acordo de “não ser eu mesma”. Eu jurei que ia ter a mente aberta, dizer sim para qualquer convite que aparecesse e não ficar com ninguém que estivesse no meu congresso.
Essa última regra não tinha nem discussão para mim, apesar da Sara ter ficado resmungando.
Havia pouco que pudesse ser feito para “não ser eu” com meu guarda-roupa, no entanto, então decidimos por mais um botão desabotoado na minha camisa azul-clara, que estava por dentro da saia-lápis preta que eu guardava para um evento chique. Em vez dos meus sapatos confortáveis, calcei saltos pretos.
“Muito bem, Srta. Lyla Peterson, acho que você está pronta. E eu vou cobrar esse nosso acordo, viu.” A Sara fez uma cara séria de brincadeira e estendeu a mão como se fosse apertar a minha.
Estiquei a mão e entrei na brincadeira. “Srta. Sara Davis, eu aceito os seus termos e condições.” Dei um aceno rápido de cabeça. “Mas agora eu preciso tomar café. Te mando mensagem depois das palestras de hoje de manhã.”
Desligamos, mas antes de sair do quarto, dei a mim mesma uma última conferida no espelho. Meu cabelo alisado caía perfeitamente na altura do queixo, e tanto a minha maquiagem quanto a roupa me davam um ar de profissionalismo com um toque sedutor — sem exagerar para nenhum dos dois lados.
Fiquei com a postura até mais reta, maravilhada por nunca ter percebido que dava para achar um meio-termo assim. Como é que eu tinha coragem de ir trabalhar parecendo uma desleixada se eu podia estar com esse visual o tempo todo?
Talvez eu não estivesse acomodada só na vida sexual, mas em várias outras coisas também.
Com uma nova confiança, saí do quarto e fui tomar o café da manhã, meus passos abafados pelo carpete macio do corredor. Quando não havia ninguém por perto, tirei fotos para a Sara das muitas características extravagantes dos espaços interiores do hotel.
Samambaias imensas em vasos contornavam os corredores, e obras de arte de bom gosto adicionavam mais toques de sofisticação. Depois de atravessar o saguão central, onde um lustre de cristal impressionante iluminava o piso de mármore com reflexos brilhantes, cheguei à área do restaurante.
O recepcionista conferiu o meu nome antes de eu preparar um prato no enorme buffet e me sentar em uma mesa de canto. O restaurante estava com apenas um quarto da capacidade ocupada, e a preocupação de que o hotel inteiro estivesse apenas um quarto cheio também passou pela minha mente.
Surpreendentemente, a tristeza então se insinuou com o pensamento de que talvez não houvesse homens ali que não estivessem participando da minha conferência. Mas afastei as dúvidas e terminei o meu café da manhã, agradecendo à garçonete depois que ela recolheu o meu prato e encheu minha xícara de café de novo.
Eu estava quase dando um gole quando um vulto escuro chamou a minha atenção.
Um cara andou devagarzinho até o balcão do café, de perfil para mim e com os seus ombros largos ajustados num terno preto. O cabelo escuro dele era um pouco mais comprido do que a roupa social pediria, um pouco desgrenhado e bagunçado, com umas mechas caindo por cima dos olhos.
Mas, quando ele virou o rosto para olhar as mesas, vi que não tinha nada de desgrenhado nele. A pele dele tinha um brilho que dava vontade de passar os dedos por aquelas bochechas sem barba, e aqueles lábios úmidos pareciam estar pedindo para eu...
Para de encarar! uma vozinha gritou na minha cabeça, e eu pisquei rápido.
Antes que eu conseguisse desviar o olhar, ele virou para mim, olhou na minha direção e paralisou. Se não fosse por aqueles olhos azuis marcantes me prendendo no lugar, eu até teria olhado para trás para ter certeza de que ele estava olhando para mim mesma.
Não tinha a menor chance de um cara lindo daquele se interessar por mim.
Depois do que pareceram horas, mas que provavelmente foram apenas dois segundos, testei seu olhar com um sorriso, e ele sorriu de volta. Isso pareceu fazê-lo voltar à realidade, e ele caminhou até uma mesa vazia, pegou um guardanapo e escreveu algo nele.
Enquanto ele caminhava na minha direção, com o lábio se curvando em um sorriso malicioso, eu impus a mim mesma não corar ou entrar em pânico. No entanto, quanto mais ele se aproximava, mais o calor subia pelo meu pescoço.
Quando ele chegou a menos de dois metros de mim, meu coração palpitante exigiu que eu quebrasse o contato visual, e encarei minha xícara de café para me recompor.
Fica calma, eu dei bronca em mim mesma. Você já tem vinte e oito anos na cara e está aí vermelha igual a uma adolescente. Pelo canto do olho, vi alguma coisa se mexer e levantei a cabeça.
Seu sorriso caloroso e olhos suaves me cumprimentaram, mas ele não disse nada. Em vez disso, ele colocou o guardanapo na minha mesa e o empurrou na minha direção. “Se estiver interessada”, foi tudo o que ele disse antes de se afastar a passos largos.
O meu coração disparou, o meu rosto estava pegando fogo e a minha Sara interior estava berrando comigo, mandando eu fazer alguma coisa. Mas eu não precisava que ela me dissesse uma coisa que eu já sabia.
Para um cara desses, eu diria sim para praticamente qualquer coisa.










































