
Universo Discrição: Coleção Sci-Fi do Steven
Author
Michael BN
Reads
20,7K
Chapters
11
Alternate Truth: A Missão
MASON
Estas três histórias são dedicadas a Isaac, o amor da minha vida. Sem você, elas nunca teriam sido escritas. Eu guardei a sua favorita para o final.
Steven
***
Eu caí no chão, segurando a cabeça, tentando acalmar a respiração. O mundo estava girando fora de controle, e não consegui evitar vomitar na calçada.
Após um momento para me recompor, fiquei de pé e recitei a primeira tarefa da minha lista. Depois, carreguei o cartucho no injetor com cuidado e o pressionei contra meu pescoço. Os produtos químicos correndo pelas minhas veias me reviveram na hora.
À medida que a névoa na minha mente começou a clarear, foquei na próxima tarefa. Encontrei o lugar que eu procurava sem muita dificuldade.
“Pode me ver uma pizza de pepperoni, um copo de água e a senha do Wi-Fi, por favor?” eu pedi, tentando me misturar o máximo possível.
O garçom digitou meu pedido no aparelho dele e me entregou a senha. Eu tinha escolhido um lugar quase vazio por uma questão de privacidade.
Peguei um celular moderno da minha pochete e conectei à internet. Isso não demoraria muito, mas eu precisava ter cuidado.
Qualquer deslize poderia me entregar.
Coloquei o telefone em cima do meu subverter, fazendo a tela piscar por um momento antes que a logo familiar aparecesse.
Primeira ordem do dia: uma identidade. Criar uma do zero daria mais trabalho do que valia a pena. Felizmente, eu tinha trazido as informações necessárias comigo.
Com alguns toques, eu estava no sistema. Lá estava ele!
Troquei a foto dele pela minha e alterei todos os seus detalhes pessoais, desde o peso até suas conquistas acadêmicas.
Em seguida, eu precisava de um rastro digital que combinasse com a minha história de disfarce. O subverter conseguiu retrodatar minha presença nas redes sociais. Ele até criou contas falsas de seguidores que supostamente teriam interagido com minhas postagens em várias plataformas.
Oficialmente, agora eu era Mason Ervine. Só faltava conseguir dinheiro para uma base e para o almoço.
***
Minha missão parecia simples, mas estava longe disso.
Fui encarregado de reunir informações sobre Elliott Prescott e relatar aos meus superiores. Fui escolhido especificamente para atrair meu alvo e recebi informações suficientes sobre ele para me infiltrar em seu círculo.
Nós sabíamos que Elliott era gay, embora ele não tivesse se assumido publicamente. Eu achava o termo limitante, mas minhas opiniões pessoais não eram relevantes aqui.
Eu também sabia que Elliott havia se formado em direito há três anos. Diferente da maioria de seus colegas, ele não havia nascido em berço de ouro. A educação de Elliott foi financiada por uma bolsa da prestigiada família Hayworth.
A bolsa cobria as mensalidades, despesas de subsistência e até fornecia um apartamento no centro da cidade. A maioria dos bolsistas Hayworth acabava trabalhando para o escritório de advocacia da família, e com Elliott não foi diferente.
Robert Hayworth havia se aposentado recentemente, deixando seu filho Joshua no comando. Joshua era ambicioso e ansioso para deixar sua marca na empresa que seu avô havia construído.
Joshua estava atualmente montando uma equipe de advogados jovens e determinados para consolidar sua autoridade.
Em pouco tempo, Joshua escolheu Elliott para representar a divisão de direitos humanos. Me disseram que Elliott estava contratando um assistente pessoal. Conseguir esse emprego era a maneira perfeita de concluir minha missão.
Eu estava preparado para usar todas as ferramentas à minha disposição para arrasar na entrevista, mesmo que isso significasse flertar sutilmente com ele.
Após a minha injeção noturna, revisei as informações mais uma vez. Eu já havia memorizado tudo há muito tempo, mas me concentrar naquilo era reconfortante.
Amanhã era o grande dia. Muita gente suou a camisa para me colocar aqui. Eu não podia estragar tudo.
***
Nada do que eu tinha estudado sobre Elliott Prescott poderia ter me preparado para o seu charme e carisma genuínos.
Desde o momento em que ele apertou minha mão, senti uma familiaridade inexplicável. Isso era um absurdo, considerando de onde eu vinha.
Observei-o interagir com várias pessoas desde a recepção até o escritório. Ele exalava uma energia quase tangível que parecia deixar um impacto positivo em todos que encontrava.
“Então… Mason, por que você decidiu se candidatar a esta vaga?” ele perguntou, com uma confiança natural.
Os olhos dele me distraíram por um instante.
“Sou um profissional multitarefas que tem prazer em ajudar os outros,” respondi, tentando soar o mais natural possível.
Os olhos dele brilharam enquanto ele esperava eu continuar.
“Mesmo que eu não tenha exatamente o perfil para o seu trabalho, Sr. Prescott, acho que ainda posso fazer a diferença no seu sucesso.”
Ele riu calorosamente das minhas palavras e respondeu: “Essa é provavelmente a resposta mais polida que eu já ouvi.”
Droga! Fui avisado de que ele não gostava de respostas que o colocassem em um pedestal. Eles estavam claramente errados.
“Por que você não tenta de novo, mas desta vez, deixe as formalidades de lado. Por que você realmente quer trabalhar para a Hayward & Co?” Elliott perguntou, alisando o queixo recém-barbeado como se tivesse uma barba.
Eu estava totalmente fora do roteiro agora. Isso não deveria acontecer, mas, pensando bem, eu nem deveria estar aqui em primeiro lugar.
Travei os olhos nos de Elliott, reunindo minha coragem para lhe dar a resposta mais sincera que eu conseguisse. Seu sorriso era uma distração.
“Sr. Prescott, eu tenho contas a pagar e um empréstimo estudantil que está ameaçando me afogar.”
Ele se inclinou para frente na mesa, indicando que era todo ouvidos.
“O salário e os benefícios que vêm com este emprego dariam a sensação de ganhar na loteria,” continuei. “Além disso, você parece ser um cara muito bom de se trabalhar.”
Respirei fundo e terminei, “Se você me der uma chance, eu prometo dar o meu melhor.”
Elliott alisou a barba imaginária de novo, refletindo sobre a minha resposta.
“Eu entrevistei onze pessoas para essa vaga,” ele disse. “Mas ninguém teve a coragem de ser tão honesto quanto você.”
Isso foi um elogio?
“Sou de acordar cedo,” ele disse, levantando-se e abotoando o paletó. “Espero você aqui às sete e meia em ponto.”
Isso queria dizer que eu consegui o emprego?
“Obrigado, Sr. Prescott, você não vai se arrepender!” eu disse, apertando a mão que ele estendeu.
“Eu tenho a sensação de que não vou,” ele respondeu com um sorriso. “E, por favor, me chame de Elliott.”
Puta merda, eu consegui!
***
Eu já estava na minha mesa às sete e quinze.
Esse era o meu primeiro dia e eu estava determinado a causar uma boa impressão. Treinei para isso por anos e agora eu finalmente podia colocar minhas habilidades em prática.
Mesmo que a minha tarefa principal fosse reunir informações, eu estava animado com essa vida temporária que não envolvia uma sobrevivência constante.
Elliott chegou às sete e vinte e ficou surpreso ao me ver já lá.
“Bom dia, Elliott,” cumprimentei, dando meu melhor sorriso. “Seu café está na sua mesa, e eu peguei o seu terno azul listrado favorito na lavanderia para a sua reunião com o Sr. Sanchez ao meio-dia.”
Meu novo chefe olhou para mim em choque e gaguejou: “Como?”
“Eu perguntei por aí,” eu menti. Eu tinha olhado meu banco de dados na noite anterior e achado tudo que precisava para impressioná-lo.
Eu o ouvi murmurar um “Puta merda” baixinho, antes de apontar para mim e dizer: “Eu pago o seu almoço hoje.”
***
Elliott brincou com a salada Caesar, mas não comeu muito. Ele parecia preocupado; talvez sua reunião não tivesse sido boa.
Eu estava preparado para vários tipos de perguntas, mas, no meio do almoço, Elliott fez aquela que eu estava esperando.
“Me conte um pouco sobre você, Mason. De onde você é?”
Por que eu queria poder contar a verdade para ele?
“Eu nasci em Pittsburgh, mas depois que minha mãe largou meu pai, acabamos em Port Morris, no Bronx.”
Minha resposta teve a reação que eu esperava.
“Você está brincando!” ele exclamou, deixando o garfo cair. “Eu também sou do Bronx!”
“Não brinca!” eu disse, fingindo não acreditar.
“Eu juro!” ele disse, levantando as mãos. “Se não fosse pela bolsa Hayward, eu provavelmente ainda estaria lá.”
E ali estava a minha brecha.
Passamos o resto do almoço conversando sobre as nossas infâncias. As memórias dele eram reais; as minhas eram histórias inventadas baseadas em lugares e fatos reais. Eu as tinha ensaiado tanto que as sabia de cor.
Quanto mais eu falava, mais ele se abria. Quando ele pediu a conta, eu já tinha sido convidado para almoçar no dia seguinte.
***
Nas três semanas seguintes, eu trabalhava, voltava para casa, jantava e escrevia meu relatório diário. Depois da injeção da noite, eu preparava o meu aparelho e enviava minhas informações detalhadas de volta aos meus superiores.
A única resposta deles era confirmar que tinham recebido a minha mensagem.
A monotonia da minha nova vida podia entediar alguns, mas eu encontrava conforto em sua previsibilidade. Eu não me permitia o luxo da diversão, temendo que isso desviasse meu foco da tarefa em questão.
Na verdade, a melhor parte do meu dia era o tempo que eu passava com Elliott.
Eu precisava continuar me lembrando de não ficar confortável demais. Afinal, toda a minha presença aqui era baseada numa mentira. Elliott nunca poderia descobrir; o que estava em jogo era alto demais.
Minha rotina saiu dos trilhos em uma quinta-feira sem intercorrências. Uma das reuniões de Elliott havia sido adiantada em três dias, e ele precisava de toda a ajuda possível para a preparação.
Eu me ofereci para ficar. Só não sabia que íamos trabalhar até bem depois da meia-noite. Acabei perdendo a minha injeção noturna e, em poucas horas, os sintomas da minha condição começaram a aparecer.
“Você está bem?” Elliott perguntou, me observando com preocupação.
“Por que eu não estaria?” respondi.
Minha mão esquerda havia começado a tremer de leve. Tecnicamente, eu podia pular uma das minhas duas injeções diárias, mas não era aconselhável.
“Mason, o seu nariz!” Elliott exclamou, levantando-se da mesa e me oferecendo uma caixa de lenços.
Peguei alguns e limpei meu nariz de forma discreta. Não achei que o sangramento fosse começar tão cedo.
Elliott me observou em silêncio por um momento antes de dizer: “Eu já vi isso antes. Não estou aqui para te julgar, Mason, mas sugiro fortemente que você pare.”
As palavras dele me deixaram muito confuso.
“Não é por causa do estresse do trabalho, né?” ele perguntou. “Sei que alguns novatos usam isso para ficar acordados a noite toda.”
De repente, entendi o que ele estava insinuando.
“Elliott, eu não uso cocaína. Estou fazendo um tratamento médico que às vezes tem efeitos colaterais desagradáveis,” expliquei, inventando a única desculpa razoável na hora.
Ele sentou de novo, apoiando-se na mesa. “Me desculpe mesmo! Espero que não seja nada grave.”
“Eu vou ficar bem! Só prefiro não misturar a vida pessoal com o trabalho,” eu disse.
“Por favor, vá para casa descansar,” Elliott pediu gentilmente. “Eu termino as coisas por aqui e vejo você de manhã.”
Essa foi por pouco!














































