
Vegas Bad Boy
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Capítulo 1
SIDNEY
Vegas é a cidade dos sonhos, ou é o que dizem por aí. Mas não é assim para nós que a chamamos de lar.
“Você é surda? Eu disse para colocar duzentos no Preto!”
Abro os olhos para acordar e estremeço quando o torcicolo no pescoço envia uma pontada de dor até o meu ombro. A lateral do meu braço está vermelha de tanto esfregar no veludo verde no topo da mesa de roleta.
Droga, eu caí no sono de novo.
O toque estridente das máquinas caça-níqueis à minha direita está fazendo minha cabeça latejar, e a luz branca e brilhante do teto do cassino não me ajuda a entender que horas são.
Caramba, eu nem sei se o sol nasceu ou se já se pôs lá fora.
É de propósito, claro. O lugar todo é projetado para evitar que os clientes pensem em quanto dinheiro estão perdendo e por quanto tempo.
Como eles conseguem? Ter dinheiro para jogar fora assim? Eu tenho quatro empregos e mal consigo colocar comida na mesa para o meu pai e para mim.
Pai… Ele passou um número de horas nada saudável neste lugar, apostando e perdendo o dinheiro que eu ganho para nós.
Por instinto, dou uma olhada pelo salão do cassino para ter certeza de que ele não está à vista, fazendo a única coisa que prometeu não fazer mais.
As mesas de blackjack estão quase vazias, o que é bom e ruim. O meu pai não está perdendo mais dinheiro, mas também significa que ainda estou no início do meu turno.
Um movimento atrai o meu olhar para a enorme janela escurecida acima delas e no fundo do salão.
É a sala de segurança, onde o dono gosta de monitorar as câmeras para ter certeza de que ninguém está trapaceando nos jogos ou aprontando alguma gracinha.
Eu não consigo ver muita coisa, mas a luz pendurada no centro da sala lança uma silhueta sobre a vidraça, e eu sei que só pode ser o dono, o Vinny.
Ninguém mais chega nem perto de ser tão grande. Com certeza, o homem teria sido uma superestrela da NFL se não tivesse nascido na família Markizo.
A sombra está virada de frente para a minha direção. Ou ele está de costas para o salão, ou está olhando na minha direção.
Ai, meu Deus, será que ele me viu pegando no sono?
Não posso me dar ao luxo de perder este emprego, mas prefiro ser demitida a ficar cara a cara com o Vinny. Ele não é nada mau, mas se metade das histórias que ouvi for verdade…
“Jesus, moça, você vai aceitar alguma aposta hoje ou quer que eu cante uma canção de ninar para você?”
O homem na mesa é um clichê falante e ambulante: um chapéu de cowboy enorme, óculos de sol com armação dourada e uma camisa escura com botões que parecem prestes a estourar sob o peso de suas dobras de gordura.
“Qual é o problema aqui?”
Merda. Carlos…
“Aparentemente, estou entediando sua garota aqui”, o cowboy diz, movendo o palito de dente de um lado da boca para o outro. “Ela achou por bem tirar uma soneca no trabalho, em vez disso.”
“É mesmo?” Carlos vem parar do meu lado. Sua colônia forte tem um gosto rançoso na minha boca, e eu engulo em seco para não vomitar em cima das fichas à minha frente.
“Gostaria de se explicar, Sid?” Meu chefe desliza os dedos na diagonal subindo pelas minhas costas.
Eu foco na minha mão sobre a mesa. Ela treme, mas consigo me conter para não dar um tapa na cara de falsa preocupação do Carlos.
Dou um pequeno passo para a esquerda, apenas o suficiente para ficar fora de alcance. “Duzentos no Preto, certo?” Eu me inclino, pego as fichas do cowboy e as coloco no lugar certo.
“Não, não, qual é”, o cowboy diz. “O seu chefe lhe fez uma pergunta.”
“Já conversamos sobre isso, Sid. Você pode ter cem empregos se for o que precisa para pagar a porcaria do seu apartamento, mas se continuar vindo trabalhar cansada, sabe o que vou ter que fazer.”
O cowboy dá uma cotovelada na mulher no assento ao lado do dele. “Ha, observe isso. Nós vamos ver essa garota perder o emprego. Talvez eu ainda tenha um pouco de sorte, afinal.”
Carlos se aproxima de mim novamente. Tão perto que posso sentir a barba dele no meu lóbulo da orelha.
“Ou…”, ele sussurra, “você poderia vir à minha sala, como conversamos. Implorar pelo seu emprego deitada na minha mesa.”
Os dedos dele estão nas minhas costas de novo, deslizando sobre a base da minha coluna. Quando eles pousam na minha bunda, ele aperta. Com força.
Antes que eu possa me agarrar à mesa de roleta para me conter, minha mão voa e atinge o rosto de Carlos. “Tire as malditas mãos de mim, seu nojento!”
Droga, agora eu fiz besteira.
À medida que Carlos volta o olhar para mim, vejo que a falsa aparência de preocupação que ele exibia desapareceu verdadeira e completamente. Seus olhos escuros e sem piscar perfuram os meus.
“Ah, Sid, agora você passou de todos os limites.” Ele ergue a mão e agarra meu pulso com força, torcendo a pele. “Venha comigo!”
Mais uma vez, ele se empurra contra mim para sussurrar no meu ouvido. “Vou dar uma lição nessa bunda até ela ficar tão vermelha quanto o carpete deste cassino.”
Por um momento, sinto meus olhos se arregalarem de medo, mas a risada insuportável do cowboy me faz passar dos limites.
Piso no sapato polido de Carlos até ouvir um estalo. Quando ele chia por entre os dentes cerrados e agarra a perna, levanto a bandeja de fichas com as duas mãos e bato na cabeça dele.
As fichas se espalham pela mesa, quicando e rolando em todas as direções. Uma chega a atingir os óculos de sol do cowboy, cujo palito de dente caiu da boca aberta.
A mulher ao lado dele corre para embolsar o máximo de fichas que consegue antes de fugir apressada.
“Sua vadiazinha!” Carlos cuida da bochecha com uma mão enquanto tenta me agarrar com a outra. “Você vai pagar por—”
“O que está acontecendo aqui?”
Carlos fica imóvel, e eu também. Até o som das máquinas caça-níqueis parece se aquietar por respeito. Ou medo.
Olhando por cima do meu ombro para quem quer que esteja atrás de mim, vejo Carlos engolir em seco.
“Sr. Markizo, senhor”, diz Carlos, quase choramingando, “não é nada. Apenas uma pequena ação disciplinar. Esta crupiê estava dormindo no trabalho, agora ela perdeu a cabeça.” Ele zomba de mim. “E o emprego.”
Viro-me devagar, já sabendo que preciso me inclinar para trás e erguer os olhos para olhar para o imenso homem que, no entanto, conseguiu se esgueirar por trás de mim.
“Sr. Markizo, eu… sinto muito. Vou me trocar e sair imediatamente.”
Ele é inegavelmente bonito, com cabelos pretos como azeviche, olhos castanhos e um maxilar forte sombreado por uma barba por fazer. Seu porte físico musculoso é evidente, e posso ver tatuagens espiando por baixo de sua camisa.
Ele também é totalmente aterrorizante.
“Você é Sidney Collins, certo?” Sua voz profunda faz o ar vibrar ao nosso redor, enviando tremores ao meu peito, descendo pelo meu estômago e—
Fecho os olhos com força e concordo com a cabeça.
“O seu pai é Robert Collins?”
Droga, pai, o que você fez agora? Eu concordo de novo.
“Pegue as suas coisas, deixe o seu uniforme no vestiário e me encontre lá na frente em dez minutos.”
“S-sim, senhor.” Eu tenho vontade de dizer a ele e a todos os outros neste buraco infernal e ostentoso para enfiarem os punhos em seus próprios rabos, mas eu mordo a língua.
Las Vegas não é chamada de Cidade do Pecado apenas pelo brilho e glamour dos cassinos e pelos clubes de striptease decadentes. Há um lado mais sombrio em Vegas — um que está repleto de mafiosos e agiotas.
E Vinny Markizo e a sua família operam no seu coração sombrio e pulsante.
“Nunca deveria ter contratado você, em primeiro lugar”, Carlos murmura atrás de mim. “Foi inútil desde o primeiro dia. Mas não consegui resistir a dar uma olhada naqueles peitos na blusa que ela—”
“Você vai arrumar a sua mesa e ir embora também, Carlos.” Vinny me contorna antes de se posicionar entre Carlos e eu.
Será que ele está… me protegendo? Não, claro que não. Ele acabou de me demitir.
“S-senhor?” O sangue some do rosto de Carlos em um instante.
Vinny cerra os punhos ao lado do corpo até os nós dos dedos estalarem. O movimento faz os tendões em seus antebraços grossos se flexionarem. “A gerência é proibida de confraternizar com a equipe.”
Ele se inclina, elevando-se sobre Carlos, que tem que recuar. “E isso sem falar no assédio sexual.”
“As… assédio sexual?”
Vinny aponta por cima do ombro para a janela da sala de segurança. “Eu vejo tudo aqui dentro, Carlos. Tudo.
“Você desrespeitou a Sidney, desrespeitou este cassino e me desrespeitou, e eu não tolero desrespeito.
“Você tem vinte minutos para pegar suas coisas e ir embora. Caso contrário” — Vinny acena com a cabeça para o lado onde um de seus capangas habituais está colocando luvas escuras — “Angelo lhe mostrará o beco dos fundos.”
Os olhos de Carlos mudam de Vinny para Angelo, para mim e depois de volta para Vinny. “Mas ela… ela estava… Maldita, sua vadiazinha. Você vai pagar por isso.”
Carlos cospe no chão e começa a andar pelo cassino em direção às cortinas de veludo vermelho que protegem os olhos dos clientes da entrada dos funcionários.
Quando está longe o suficiente, Carlos se vira para trás e levanta os dedos do meio. “Eu vou te mostrar o que é falta de respeito, Markizo. Apenas espere!”
Angelo vai em direção a ele, e Carlos atravessa as cortinas apressado.
Mais uma vez, Vinny cerra os punhos, estala os nós dos dedos e depois os sacode até que seus dedos fiquem soltos.
Eu quase espero que ele tenha um sorriso em seu rosto jovem e duro, mas quando nossos olhares se encontram, vejo o quão enganada estou.
Ele não diz nada e apenas me olha de cima a baixo, sua expressão não revelando nada.
Por um momento, temo ter trocado um nojento por outro. Vinny pode ser mais agradável aos olhos, mas pelo menos com Carlos, eu teria uma chance de lutar contra ele e escapar.
Vinny é um homem do tamanho de uma montanha. Se ele quiser… fazer coisas comigo, não haverá como detê-lo.
“Lá fora em dez minutos, Srta. Collins. Eu estarei no carro.”
Ele dá um passo em minha direção. Eu quero recuar, mas estou enraizada no chão, o medo fazendo minhas pernas virarem pedra.
Vinny se inclina até que seus lábios estejam próximos à minha orelha. Ele inspira profundamente? Não posso ter certeza de nada agora. Não devo presumir nada. Não devo fazer nada para irritá-lo.
Sua respiração é quente… reconfortante…
“Não me faça esperar.”









































