
A Noiva Virgem
Capítulo 3
LUCA
Ele olhou para ela quando ela voltou. O vestido não caía bem nela. Era grande demais, mas pelo menos estava limpo.
Os sapatos que ela usava eram um par de tênis velhos. Ele precisaria comprar sapatos melhores para ela também. No geral, ela estava bonita. Roupas novas e um toque de maquiagem a deixariam ainda mais linda.
ROBIN
Robin ficou ali parada, sentindo que ele estava olhando para o corpo dela. O jeito como ele a olhava, seus lábios se curvando num sorriso e os olhos brilhando. Ela sentiu as bochechas esquentarem. Nenhum homem nunca me olhou desse jeito.
Ela não tinha experiência com homens, então não sabia ao certo o que ele estava pensando, mas aquilo mandou uma sensação quente e formigante por todo o seu corpo.
Seus sentimentos estavam confusos. Ela tinha medo desse estranho, mas também estava empolgada com ele. Ele ficava ótimo naquelas calças pretas caras e na camisa branca.
Ela sabia que as mulheres deviam correr atrás dele. Ele poderia ter qualquer mulher que quisesse, então por que me escolheu como esposa?
“Pronta para ir? Você já deve estar com fome” ele disse. Foi até a porta, abriu e esperou que ela passasse.
Ele parou. “Ande ao meu lado, não atrás de mim” disse. Sua voz soou um pouco irritada.
Assim que entraram na enorme sala de jantar e dois pares de olhos se voltaram para ela, Robin ficou muito nervosa.
A mulher sentada tinha cabelos muito pretos, iguais aos de Luca. Ela era alta e magra e seus olhos eram frios. Robin podia ver o nojo no rosto dela quando a examinou.
O homem, da idade de Luca, era baixo, com cabelo loiro. Ele era bonito, mas não tão bonito quanto Luca. Mas seus olhos eram calorosos, diferentes dos olhos da mulher.
Ele sorriu e se levantou. “Ora, quem temos aqui, Luca?” perguntou. Pegou a mão dela e beijou o dorso. Ela rapidamente puxou a mão de volta.
Luca se virou para eles. “Esta é Robin Potter.” Virou-se para ela. “Robin, este aqui é Filippo Russo, amigo e sócio. E minha prima Grazia Rossi” disse. Puxou uma cadeira e apontou para que ela se sentasse.
LUCA
“Por que, Luca? Você normalmente não traz suas putas para jantar conosco” disse Grazia. Seu nariz empinado enquanto encarava Robin com raiva.
“Eu não sou uma puta, sua vadia” Robin disse num sussurro raivoso. Mas rapidamente fechou a boca quando Luca lhe lançou um olhar furioso.
“Grazia, você vai controlar sua boca perto da Robin. Eu te garanto que ela não é uma puta.” Sua voz raivosa deixou claro que ele não aceitaria mais nenhuma palavra grosseira.
O rosto dela ficou vermelho quando olhou para ele. “Então quem é ela? Por que ela está aqui e vestida desse jeito?”
Luca sorriu. “A Robin vai morar aqui. Nós vamos nos casar.”
Ele queria ter uma câmera naquele momento. A forma como a boca de Grazia se abriu e a expressão de choque em seu rosto o fizeram querer rir alto. Mas ele se segurou.
Grazia se levantou de seu assento e segurou a borda da mesa. “Isso é algum tipo de piada de mau gosto?”
“Eu te garanto, querida prima, não é piada. Não foi você quem disse que eu deveria encontrar uma esposa? Pois bem, foi o que eu fiz, então você deveria estar feliz.”
“Meu Deus, Luca, você perdeu a cabeça? Sim, eu disse que você deveria se casar, mas com alguém da mesma classe que você. Não com alguém como essa garota.”
“Ela claramente vem do lixo, e olha como ela está! Essas roupas, esse cabelo. E também a idade dela. Ela é jovem demais para você.”
ROBIN
Robin estava sentada torcendo as mãos debaixo da mesa. Sentia-se muito desconfortável enquanto falavam sobre ela como se não estivesse ali com eles. Tudo o que podia fazer era ficar quieta enquanto discutiam.
“Grazia, com quem eu me caso é escolha minha. Dez anos de diferença não é nada demais. Vou levá-la para comprar roupas e o que mais ela precisar.”
Pararam de falar quando os funcionários trouxeram a comida e colocaram na frente deles.
Robin olhou para os pratos de comida, e sua boca começou a salivar. Só o cheiro já estava fazendo seu estômago roncar.
Ela nunca tinha visto tanta comida boa em toda a sua vida. Não comia há mais de um dia, então não conseguiu resistir ao cheiro do assado. Usou os dedos para pegar uma fatia e enfiou na boca.
Ouviu Grazia fazer um som chocado. Levantou os olhos e viu todos olhando para ela.
“Olhe só para ela, Luca, comendo com as mãos feito um bicho. É essa que você quer casar e apresentar aos seus parceiros de negócios?”
“As pessoas em Roma vão rir de você. Ninguém vai querer comprar seu vinho ou fazer negócios com você.”
Luca tamborilou os dedos na mesa. Seus olhos permaneceram em Robin.
“Ora, ora, Grazia, Luca sempre pode pagar alguém para ensinar boas maneiras à Robin” disse Filippo com um sorriso gentil.
Luca assentiu. “Sim, essa é uma ótima ideia, Filippo. Agora, vamos comer antes que a comida esfrie.”
Ele olhou para Robin e pegou a faca e o garfo. Ergueu uma sobrancelha para mostrar que ela deveria fazer o mesmo.
Robin fez o que ele fez, observando-o e copiando-o. Ela nunca tinha sido autorizada a usar garfos e facas na casa do tio. Era obrigada a comer com as mãos, feito um bicho no chão da cozinha.
Vinho foi servido em seu copo, e ela balançou a cabeça.
“Você não quer vinho?” Luca perguntou.
“Não, só água” ela disse, olhando para baixo.
Mesmo usando o garfo e a faca, ainda comia muito rápido. Quando estendeu a mão para pegar outro pãozinho, viu a expressão de nojo no rosto de Grazia e puxou a mão de volta.
Luca pegou o prato e o empurrou em direção a ela para que pegasse um.
Filippo aliviou a tensão fazendo algumas perguntas fáceis a Robin. “Então, de onde você é?”
Quando ela respondeu, Grazia riu de forma maldosa. “Eu devia imaginar. Aquele lugar é tão pobre. Só as piores pessoas moram lá. Não é à toa que a garota não tem modos. Ela não pertence a este lugar. Leve-a de volta para onde ela veio.”
Luca bateu o punho na mesa com força. Robin pulou, e recuou quando ele levantou da cadeira. Ele foi até lá e agarrou a prima pelo braço, puxando-a da cadeira.
“Já tive o suficiente do seu comportamento grosseiro. Vá para o seu quarto. Vou mandar alguém levar o jantar para você.”
Grazia encarou Robin com ódio completo nos olhos. “Tudo bem para mim. Não vou comer perto de gente pobre que come feito um bicho.” Ela se virou e saiu correndo da sala.
“Peço desculpas pelo comportamento da minha prima” disse Luca, olhando para ela enquanto se sentava e continuava comendo.
“Vou falar com Grazia” disse Filippo. “Vou tentar fazê-la entender.”
“É melhor você deixar claro que, se ela não mudar o jeito de agir, será removida da minha casa. Não vou permitir mais grosserias com Robin.”
Luca se virou para Robin. “Venha até mim se alguém for grosseiro com você, e eu vou cuidar disso.”
Ela olhou para baixo e não conseguiu encará-lo. Nunca iria querer causar problemas para ninguém, especialmente entre a família.
Estava claro que Grazia a odiava, e ela sabia que a mulher sempre a trataria como lixo.
Quando terminaram de comer, Robin se levantou e começou a recolher os pratos, mas Luca a impediu. Ele parecia um pouco irritado. “Não, tenho pessoas para fazer isso. Você não vai cozinhar nem limpar. Estou sendo claro?”
“Sim” ela respondeu, assentindo.
Seguiu os homens até a sala de estar principal, onde se serviram de uísque e lhe ofereceram algo. Ela recusou e apenas ficou sentada em silêncio, ouvindo enquanto falavam sobre negócios.
Seus olhos estavam ficando pesados, e ela realmente queria dormir, mas tinha medo de dizer alguma coisa caso Luca ficasse bravo.
Filippo foi quem notou como seus olhos continuavam se fechando. “Ah, Luca, estamos entediando esta jovem senhora, e ela parece estar prestes a cair de sono. Devo acompanhá-la até o quarto?”
Ele terminou a bebida e Luca se levantou. “Não precisa. Vou acompanhá-la, pois também estou indo dormir. Boa noite, Filippo.”
Ele pegou o braço dela, e saíram. Continuou segurando seu braço até chegarem ao quarto dela.
“Novamente, peço desculpas pela forma como Grazia está te tratando.”
“Tudo bem. Eu entendo por que ela se sente assim. Ela está certa sobre mim. Não tenho classe, e não sou nada além de gente pobre.” Ela olhou para baixo enquanto lágrimas enchiam seus olhos. “Você precisa encontrar outra pessoa.”
Ele usou o dedo para levantar o queixo dela. “Nunca mais quero ouvir você falar assim. Você tem tanta classe quanto qualquer outra pessoa. Só precisamos trazer isso à tona em você.”
“Além disso, não quero mais ninguém como esposa. Eu quero você, e não é melhor aqui do que viver com seu tio? Tenho a impressão de que você foi muito machucada por ele.”
“Você me disse que não espera sexo de mim” ela disse, afastando o queixo do dedo dele.
“É verdade, não espero” ele disse.
“Se isso é verdade, então por que temos que nos casar? Qual é o sentido?”
“Já te disse, Robin. As pessoas estão me pressionando para casar para manter as aparências. Pense nisso como se estivéssemos nos ajudando.”
“Eu te salvei de uma vida terrível, e você está me dando uma saída para não ser forçado a casar com alguém que esperaria mais de mim do que meu nome.”
“Então, você vai ter casos?”
Luca passou o dedo ao longo da maçã do rosto dela. “Isso te incomodaria?”
“Não é da minha conta o que você faz” ela respondeu.
Mas, por algum motivo, sentiu-se um pouco triste pensando em Luca na cama com outra mulher. Mesmo que ele tivesse deixado claro que não a queria, principalmente porque ela era virgem, isso a incomodava.
Além disso, tinha certeza de que ele não a achava atraente, e não podia culpá-lo. Ela era pobre e não era o tipo dele.
“Então por que você parece tão triste?”
“Estou apenas cansada” ela disse, não querendo contar o verdadeiro motivo.
“Então vou deixar você ir dormir. Amanhã vamos fazer compras, arrumar seu cabelo e unhas. Vamos parar para almoçar na cidade. Boa noite, doce Robin.”
Ele se inclinou e roçou os lábios suavemente contra os dela. Foi um beijo tão suave que mal podia ser chamado de beijo.
Ela fechou a porta atrás de si e tocou os dedos nos lábios onde ele tinha tocado os dela com os dele.
Depois de se despir, entrou na cama. Sonhou com Luca naquela noite, sonhando que ele estava ao lado dela enquanto suas mãos se moviam sobre ela e seus lábios a beijavam.
Acordou de repente. O sonho pareceu tão real. Deitou-se novamente e tentou tirá-lo da cabeça, mas quanto mais tentava, mais inquieta ficava.
Sentimentos que nunca tinha sentido antes preencheram seu corpo, e uma dor entre as pernas começou a incomodar. Umidade encharcou sua calcinha.
Esse novo sentimento a assustou. Não sabia ao certo o que tudo aquilo significava.
Continue to the next chapter of A Noiva Virgem