
Viúva Negra
Author
Reads
76,6K
Chapters
19
Capítulo 1
Eram onze e meia da noite de sexta-feira. A maior parte da equipe já havia ido embora.
Bem, quase todo mundo — todos, exceto a âncora do jornal da KRZS, Stephanie Dawson. Naquele momento, ela estava mexendo loucamente em sua bolsa, procurando o telefone e as chaves. A falta desses dois itens importantes era a única coisa que a mantinha no trabalho.
Os únicos sons dentro do prédio eram o bater de seus saltos enquanto ela caminhava devagar pelo chão de cerâmica polida do saguão. Ela parava de vez em quando para focar em procurar as coisas dentro da bolsa. Ela ficava cada vez mais frustrada à medida que demorava para achá-las.
Havia também o som de um aspirador de pó funcionando, enquanto a equipe de limpeza arrumava os escritórios.
Era sempre assustador estar ali tarde da noite — uma grande diferença em relação à agitação durante o dia. A cidade estava viva do outro lado das grandes portas de vidro.
A maioria das pessoas estava com pressa para ir à balada com os amigos ou encontros, mas Stephanie só queria chegar em casa, ir para a sua cama e tomar uma boa taça de vinho.
Sua cabeça loira se ergueu rapidamente quando ouviu sirenes do lado de fora da emissora, esquecendo por um momento a sua busca. Não que isso fosse incomum — sirenes eram um som frequente em todas as grandes cidades, e em St. Louis isso acontecia quase sem parar o tempo todo.
No entanto, por ser uma âncora de jornal, a vida dela girava em torno dos acontecimentos da cidade. E as sirenes geralmente indicavam que algo estava acontecendo.
Stephanie estava começando a ficar irritada, com os lábios apertados enquanto procurava mais uma vez pelas chaves e pelo telefone difíceis de encontrar. Ela estava pensando em despejar tudo o que tinha na bolsa no chão do saguão da emissora. Foi então que sentiu um metal frio tocar sua mão — chaves, telefone.
Ela sorriu. Finalmente — ela poderia ir para casa.
Dois homens entraram.
Ela olhou e deu a eles um sorriso educado e distraído enquanto caminhavam em sua direção, sem querer se atrasar.
“Sra. Dawson?”, um dos homens perguntou enquanto os dois paravam na frente dela.
Stephanie sabia que não era uma pergunta. Como uma das principais âncoras da TV, a maioria das pessoas na cidade conhecia o seu rosto e o seu nome.
“Em que posso ajudar?”, ela perguntou. Ela endireitou a postura e olhou para os dois homens, mantendo uma distância segura.
Visitantes tão tarde da noite eram muito incomuns.
“Sra. Dawson, eu sou o Agente Especial Daniels, e este é o meu parceiro, Agente Especial Anderson.” O primeiro homem virou a cabeça para a esquerda, indicando o outro homem ao seu lado. Os dois colocaram as mãos nos bolsos internos de suas jaquetas. Eles pegaram seus distintivos e os abriram para ela ver.
Stephanie olhou para eles, sentindo um arrepio subir pela espinha. Ela observou a identidade com foto, vendo o distintivo dourado brilhar sob as luzes do teto.
“Você conhece o Dr. Robert Keller?”, o segundo homem perguntou enquanto ambos guardavam suas identidades. A voz dele era baixa e calma.
Stephanie engoliu em seco ao olhar para ele. O homem era bem mais alto que o parceiro, que já era um pouco mais alto que ela. Ele devia ter entre um metro e oitenta e cinco e um metro e oitenta e oito de altura, a julgar pela altura dela.
Ele tinha cabelos muito escuros, da cor da noite, e olhos azuis penetrantes. Eram quase da mesma cor do colar de safira que ela ganhou da mãe e do padrasto quando se formou na faculdade.
Sua mão foi por instinto até o pescoço, para tocar no colar que usava. Ela fazia isso sempre que estava nervosa. E aquele homem a deixava nervosa.
Stephanie percebeu que estava encarando o Agente Anderson por muito tempo, mais do que seria educado. Ela quase esqueceu qual tinha sido a pergunta. Então, a lembrança voltou de repente.
Eles queriam saber se ela conhecia o Bob. Ela sentiu um aperto no coração.
“S-sim, eu conheço o Bob”, ela gaguejou. “Ele é meu namorado. Bem, ele era — nós terminamos há algumas semanas”, ela acrescentou. Sua expressão facial ficou triste, combinando com a sensação de aperto no coração.
Agentes de qualquer tipo nunca iam ao seu trabalho perguntar se você conhecia alguém, a menos que algo estivesse muito errado.
Ela sabia o que estava por vir e lutou muito para segurar as lágrimas. Ela já tinha passado por isso três vezes nos últimos seis anos.
Porém, normalmente era o departamento de polícia que vinha fazer perguntas. Eram sempre as mesmas perguntas: há quanto tempo ela os conhecia, como estava o relacionamento deles, onde ela estava em um certo horário.
“Sra. Dawson, precisamos que nos acompanhe até o nosso escritório. Temos algumas perguntas para fazer a você.” O Agente Anderson estendeu a mão, tocando de leve no braço dela. Ele a guiou para a rua movimentada, até o SUV preto que os esperava lá fora.
Stephanie virou e olhou para ele quando a mão dele tocou seu cotovelo nu, mandando um choque pelo seu braço. Ela sentiu como se tivesse sido queimada. Foi muito difícil para ela não afastar o braço.
No entanto, o rosto dele não mostrava que tinha sentido alguma coisa. Ou ela foi a única a sentir o choque, ou aquele homem era muito bom no pôquer.
Os dois homens caminharam com ela até o SUV estacionado perto da porta da frente e a ajudaram a entrar no banco de trás.
Stephanie se encostou no banco, sentindo o ar fresco do grande veículo. O couro estava gelado contra a parte de trás de suas pernas nuas. Era uma grande diferença em relação ao clima quente e fora de época que estava fazendo lá fora.
Ela observou o Agente Anderson fechar a porta dela. Depois, ele caminhou com calma pela frente do SUV, sentou ao volante e dirigiu por vários quarteirões até o prédio do FBI, no centro da cidade.
Ele dirigiu o grande SUV preto com muita habilidade pelo trânsito pesado da noite de sexta-feira.
***
Stephanie viu quando eles diminuíram a velocidade e pararam perto de uma cerca de ferro. Ela olhou pelo para-brisa para o prédio imponente na frente deles, através das grades de ferro.
Ela pôde ouvir bipes enquanto o Agente Anderson digitava um código no teclado. Ela viu o portão se abrir, permitindo que eles passassem e estacionassem no meio de um mar de SUVs pretos idênticos.
Stephanie soltou o cinto de segurança e abriu a porta. Ela sentiu o ar abafado da noite entrar, afastando o ar agradável e fresco do veículo. Ela virou no banco e colocou as pernas para fora do carro. Apoiou seus saltos pretos no asfalto e saiu do grande SUV preto.
Enquanto esperava pelos agentes, ela observou o local ao redor. Ela olhou para o outro lado da Market Street, vendo o grande Drury Hotel. A frente estava toda iluminada. Carros paravam enquanto os hóspedes desciam e passavam pelas portas com suas malas, fazendo o check-in para o fim de semana.
Ela sabia que a St. Louis University ficava no fim do quarteirão. Foi lá que ela estudou, formando-se em jornalismo e começando sua carreira como âncora de TV na emissora.
Ela seguiu os agentes para dentro do prédio limpo e fresco. Ela olhou em volta, surpresa com o quanto o lugar estava movimentado às onze e meia da noite. Era muito diferente do escritório dela naquele horário.
Ela imaginava que a delegacia de polícia estaria cheia, mas o FBI? Eles deviam estar trabalhando em algo grande para tantos agentes ainda estarem ali àquela hora da noite.
Os agentes estavam reunidos ao redor de mesas e quadros brancos. Eles discutiam seriamente e prestavam pouca atenção neles passando. Vários copos vazios de café estavam espalhados pelas mesas.
Ela notou que a lixeira estava cheia de embalagens sujas de comida e caixas de pizza. Eles deviam estar trabalhando há muito tempo sem fazer uma pausa.
Stephanie seguiu o Agente Anderson pelo corredor até um escritório. Ele parou do lado de fora da porta aberta e fez um sinal para ela entrar. Stephanie passou por ele, sentindo o cheiro suave de perfume.
Tinha um cheiro muito bom. Um perfume masculino cheiroso era algo que a excitava bastante. E isso só aumentava o charme dele, como se ele precisasse de alguma ajuda nessa área.
Ele já a deixava nervosa. A atração que sentia tornava as coisas ainda mais difíceis. Aquela seria a entrevista mais difícil que ela já tinha feito.
Ela tinha a esperança de que o outro agente fosse entrevistá-la. Pelo visto, ela não teve tanta sorte nesta noite.










































