
War & Mayhem Livro 4: Skitzo
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Capítulo 1
Skitzo: Livro 4
ROWAN
OITO ANOS ATRÁS
“Você precisa falar com ele, Ro. Ele precisa saber — antes de você ir embora amanhã”, disse Claudia, apertando minha mão, seu polegar enxugando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
“Estou com medo, Dia...” Minha voz falhou enquanto eu tentava engolir os soluços que ameaçavam escapar de novo. “Não nos falamos há semanas. E agora isso? Ele vai me odiar...”
Claudia me puxou para seus braços, mas o conforto foi breve. Ela se afastou, pegou minha jaqueta na cadeira e me ajudou a vesti-la.
“Aonde você vai?” perguntei enquanto ela fechava o zíper da própria jaqueta.
“Não vamos ficar sentadas aqui a noite toda enquanto você chora por um garoto que deveria estar chorando por você. Você vai falar com ele. Hoje à noite.”
“Por quê?”
“Porque me mata ver você assim”, ela retrucou. “Ele é seu namorado, Ro. Se ele te amasse como você o ama, estaria aqui agora.”
As palavras dela doeram, mas ela tinha razão. Eu não podia ir embora sem falar com o Beau. Não desse jeito.
“Sei que está com medo”, ela disse mais suavemente, pegando minha mão e me puxando para o carro dela, “mas estarei com você a cada passo do caminho — mesmo quando eu for embora daqui a algumas semanas.”
O caminho até a casa de Beau foi silencioso. Minhas mãos tremiam no colo enquanto meus pensamentos saíam de controle.
Dois meses atrás, meu pai recebeu uma proposta de emprego no Reino Unido. No começo, eu disse para ele aceitar — não achei que fosse mesmo acontecer.
Eu achei que tínhamos tempo. Mas então se tornou realidade — nós íamos nos mudar.
Eu contei para o Beau... e tudo desmoronou. Uma briga. Uma discussão brutal e cheia de veneno.
Um silêncio devastador que se seguiu. Não nos falávamos desde então.
A mão de Claudia na minha me puxou dos meus pensamentos. Dei a ela um sorriso fraco, mas ela não se deixou enganar. Ela nunca se deixava.
Ao virarmos na rua de Beau, juntei as sobrancelhas. O meio-fio estava enfileirado de carros. Risadas ecoavam pela rua.
“...Ele está dando uma festa?” murmurei, saindo do carro. Garrafas de cerveja se espalhavam pela grama.
A batida da música vinha de dentro da casa. Luzes piscavam pelas janelas.
Alguém desceu os degraus cambaleando, bêbado e rindo. “Mas que droga...”, Claudia murmurou.
Nós passamos pela porta da frente. O grave da música bateu como um soco no peito.
O ar estava denso com fumaça, suor e o cheiro de cerveja derramada.
“Rowan?” George — o melhor amigo de Beau — piscou para mim, confuso, com uma garrafa de cerveja pendurada nos dedos. Seus olhos vagavam ao redor, como se ele estivesse escondendo alguma coisa.
“Onde está o Beau?” Claudia perguntou.
George hesitou. “Eu... eu não sei.”
Eu não esperei. Passei empurrando por ele, desviando de corpos e copos de plástico.
Na cozinha, Brody — o irmão gêmeo de Beau — estava servindo doses, sorrindo como se fosse o dono do mundo.
“Row!” ele disse animado. “E aí, garota?”
“Onde está o Beau?”
“Se ele não está aqui embaixo, tenta lá em cima.”
Eu não disse uma palavra. Apenas me virei e disparei escada acima, meu coração batendo mais forte a cada passo.
Algo parecia errado. O pavor se contorceu no meu estômago. A porta do quarto dele estava fechada.
Eu abri a porta. E o meu mundo desabou.
Beau. Na cama. Com ela.
A garota da aula de matemática. Eu não sabia o nome dela, mas já a tinha visto uma vez, sentada perto demais dele na biblioteca.
Lembrei do jeito que ela sorria para ele, como se não se importasse que ele tivesse namorada. Como se achasse que ia ganhar. E ela tinha ganhado.
Eles nem me notaram no começo. Estavam envolvidos demais um com o outro.
O quarto pareceu girar. Meu peito apertou. Eu não conseguia respirar.
Dei um passo cambaleante para trás. Meu estômago se contorceu com náusea, luto, raiva e choque, tudo ao mesmo tempo.
Claudia surgiu de repente atrás de mim. Ela bateu a porta com força, me protegendo da visão agora gravada em minha memória.
George apareceu no topo da escada. Ele tinha pânico estampado no rosto.
“Row — não é o que—”
Meu punho voou. Osso encontrou osso. Um alto crack.
George deu um passo para trás. O sangue começou a escorrer do nariz dele. Eu não senti nada.
Nem a pontada na minha mão. Nem a dor no meu peito. Nem o jeito que Claudia engasgou atrás de mim, ou como George disse meu nome com a voz embargada, como se eu devesse alguma coisa a ele.
Eu estava vazia.
“Me leva para casa”, sussurrei. Minha voz não parecia minha. Estava mais fraca. Menor. Como se eu tivesse deixado metade de mim naquele quarto lá em cima.
Claudia não disse uma palavra. Não tentou argumentar comigo ou perguntar o que aconteceu. Apenas assentiu e me abraçou como sempre fazia — firme, sólida, o tipo de melhor amiga que não precisa de respostas para saber o quanto dói.
Ela passou um braço pelos meus ombros e me guiou escada abaixo, através da batida da música e da névoa de suor e álcool. Ninguém nos parou.
Ninguém notou. Para eles, éramos apenas parte do caos. Mas para mim, tudo havia parado.
A casa ficou borrada para trás. Risadas e vozes ecoavam da varanda, como fantasmas de outra versão da minha vida. Uma em que eu achava que Beau sempre seria meu.
Não chorei. Nem mesmo no carro. Apenas encarei a janela, dormente. Distante.
As luzes da rua riscavam o para-brisa como estrelas borradas. O calor da noite pressionava através do vidro, mas eu sentia frio. Não na pele — na alma.
“Vou matá-lo”, Claudia murmurou a certa altura, apertando o volante com força. “Juro por Deus, Ro, eu vou.”
Eu não respondi. Não conseguia.
Ela continuava me olhando. Eu podia sentir como ela queria intervir e consertar tudo de alguma forma, mas algumas coisas não têm curativos.
Tudo dentro de mim havia se despedaçado. E onde o amor costumava morar... havia silêncio.
***
De volta à minha casa, Claudia entrou comigo sem pedir. A casa estava quieta — meu pai já tinha feito as malas para a mudança, envolvido demais com a logística para notar a mina terrestre emocional passando pela porta da frente.
Chutei meus sapatos na porta e deixei a jaqueta cair no chão. O silêncio ecoou em meus ouvidos mais alto do que a festa jamais fizera.
“Você devia comer alguma coisa”, Claudia ofereceu. “Quer que eu faça uma torrada?”
Não respondi. Fui para o meu quarto e fechei a porta atrás de mim. Não para ser rude — mas porque a dor estava alta demais agora. Zumbia nos meus ouvidos, pressionava minha garganta.
Minha visão embaçou — não de lágrimas, mas do peso de emoção demais contida com força demais por muito tempo.
A cama rangeu quando desabei sobre ela. Meu travesseiro tinha o cheiro do meu shampoo.
As luzinhas piscavam fracas em cima da cômoda.
Deitei de lado, encolhida em posição fetal, encarando a parede. Estava coberta de fotos — eu e Beau, eu e Claudia, dias de praia, fogueiras, madrugadas sob as estrelas.
Tudo aquilo parecia pertencer a outra pessoa.
Não sei quanto tempo fiquei deitada ali antes de ouvir Claudia entrar de fininho no quarto com um prato de torradas com Vegemite. Ela não disse nada.
Ela simplesmente subiu na cama ao meu lado, totalmente vestida, e puxou o cobertor sobre nós duas.
“Eu vou estar aqui quando você acordar”, ela disse bem baixinho.
Por um momento, pensei que talvez eu pudesse falar. Talvez eu pudesse agradecê-la ou pedir para que ela fizesse a dor parar.
Mas as palavras nunca saíram.
Ela não precisava de palavras. Ela apenas segurou a minha mão.
















































