
Série Wellington Ranch, Livro 1: Tempestade de Poeira
Author
Riley I.
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Chapters
50
CAPÍTULO 1
DECLAN
Eu odeio o Jackson Ashwood pra caralho.
Eu quase nunca penso no meu vizinho. Mas ele é um puta pé no saco. A fazenda da família dele é pequena. Discreta. Insignificante.
Eles mal conseguem sobreviver. É isso que escuto a minha vida inteira.
Mas o que o Ashwood tem é uma propriedade linda. São quilômetros de terras planas escondidas entre montanhas verdes e exuberantes. Existem longas áreas de pasto que não são usadas. Há grandes lagos por toda parte. Eles são alimentados por um rio que desce da minha montanha e entra nas terras dele. Esse rio divide as nossas propriedades em duas.
É uma terra deslumbrante. Quando o sol se põe, a luz bate na grama em um ângulo perfeito. Isso faz as folhas brilharem nas estações secas. Parece até que a terra está cheia de ouro e riquezas.
Eu costumava olhar para lá quando era criança, do meu pequeno esconderijo nas montanhas. Eu imaginava como seria correr por aquelas planícies. Como a grama seria gostosa de sentir entre as minhas mãos e pernas. Eu me perguntava se ela brilharia tanto se eu estivesse bem perto.
Eu fantasiava sobre o quão rápido o meu cavalo poderia correr por ali.
Mas, tirando esses pensamentos de quando eu era mais novo, nunca pensei muito sobre os Ashwoods ou as terras deles. Não mesmo. O meu ódio absoluto por esse homem não apareceu até muito tempo depois.
Os Ashwoods são nossos vizinhos há décadas. O Jackson é alguns anos mais velho do que eu. Mas eu nunca o vi muito pela cidade enquanto crescia. Além disso, a fazenda dele não pode ser considerada uma concorrente ou uma aliada.
Eles conseguem se sustentar, mas só isso. A essa altura, eu acredito que ele sofre para atender às demandas dos poucos clientes que ele tem. Um ou dois, no máximo.
Em vez disso, ao longo dos anos, eu tive outras coisas para focar. Por exemplo, a minha própria fazenda da família. Eu precisei ficar de olho no gado. Tive que garantir que eles estivessem comendo, saudáveis e no lugar certo. E não correndo soltos por um pasto diferente.
Eu me encontrava com compradores junto com o meu pai. Ia aos leilões para comprar e vender o nosso gado. Eu colocava a mão na massa.
Fui aprendendo tudo sobre o negócio da família até o dia em que ele passou para as minhas mãos.
Não demorou muito para esse dia chegar. O meu pai era um cara muito forte fisicamente. Mas ele nunca teve um coração forte. Trabalhar demais o levou a uma morte precoce. Foi uma insuficiência cardíaca.
Eu chorei por ele durante um tempo. Mas o que me manteve são foi o trabalho. Eu queria garantir que tudo pelo que ele trabalhou valesse a pena após a sua partida.
Eu trabalho dia após dia. Acordo antes do sol nascer no céu limpo de South Springs. E fico acordado até tarde, quando as estrelas são a minha única companhia. A lua também vem me visitar de vez em quando.
O Wellington Ranch sempre esteve entre as melhores fazendas do setor. Nós temos gado orgânico alimentado no pasto. Lidamos com contratos de elite. Não somos tão grandes quanto muitas fazendas que focam em quantidade.
Nós focamos na qualidade. Se você quer o melhor, nós somos o lugar certo. Seja para produtos ou para comprar gado de elite para a sua própria fazenda engordar.
Apesar da fama, eu continuo me esforçando. Eu crio estratégias. E fico acordado até tarde, pensando, planejando, trabalhando. Até estarmos no topo.
Aos quarenta e cinco anos, eu achava que estaria no topo do mundo, alcançando o meu maior objetivo. Mas eu não estou.
Eu me sinto ameaçado pra caralho. Pelas novas fazendas que aparecem de vez em quando e ganham espaço no mercado. Pelas outras fazendas que se expandem muito. Elas atendem a demandas maiores, crescem mais rápido e se diversificam.
Se eu quiser continuar no topo, preciso me expandir. Preciso de espaço. Preciso de mais terras.
E é aí que Jackson Ashwood e suas terras douradas me vêm à cabeça. Os preços estão subindo. Os custos das terras estão ficando insuportáveis. E ele tem muita terra sem uso.
Ele não vai conseguir manter a fazenda dele a longo prazo.
Parece uma solução lógica. Uma situação vantajosa para nós dois. O homem precisa de dinheiro para continuar, e eu preciso do terreno.
No entanto, o Jackson Ashwood se recusa a me vender a porra de um pedaço de terra. Tentei me aproximar dele nos últimos anos sem nenhum sucesso. Para começar, é difícil encontrar o homem.
Com o passar dos anos, ele se tornou muito recluso. Ele fica na dele, em casa com a esposa e a filha.
Nas poucas vezes em que consegui encontrá-lo na cidade, fazendo tarefas, ele não cedeu. Ele apenas diz que não tem nada à venda.
Não importa que os boatos na cidade sobre ele estar falindo estejam cada vez mais altos. Ele não muda a sua resposta. Isso está me deixando louco.
Estou desesperado pelas terras. E o homem está sendo um babaca teimoso do caralho. Ele prefere perder tudo um dia em vez de abrir mão de um pouco de terra.
No entanto, eu nunca desisti de um plano. E não vou começar a fazer isso agora.
Fecho os meus punhos enquanto fico em pé na varanda da frente dele. A madeira é barata e está gasta pelo uso e pelo sol forte. Respiro fundo. O meu peito enche até sufocar antes de bater na porta.
Espero sem paciência para o idiota do vizinho abrir a porra da porta.
Não tem como ele me recusar desta vez. Eu garanti que a situação dele fosse terrível. Fui pelas costas dele e sabotei os seus negócios. Paguei compradores para desistirem das negociações com ele. Em vez disso, ofereci preços melhores em outros lugares.
Não foi difícil, já que ele estava passando por dificuldades.
O Ashwood foi encurralado contra a parede. Enquanto isso, eu contei os minutos até o Ashwood encarar a realidade de que está fodido.
Ele ainda não apareceu na minha casa para pedir a oferta. E eu cansei de esperar. Então aqui estou eu, exigindo ver o homem.
Demora mais alguns segundos para ele aparecer na porta.
Apesar de estar dentro de casa, ele ainda usa um chapéu de caubói marrom. O chapéu cobre o seu cabelo branco. Passar dos cinquenta anos não foi gentil com ele. Toda vez que encontro o homem, ele parece mais velho.
Provavelmente por causa de todo o estresse que ele tem carregado ultimamente.
Embora a culpa seja minha, não sinto um pingo de peso na consciência enquanto olho para ele. Afinal, sou um homem desesperado. Farei de tudo para manter o Wellington Ranch no topo. Meu pai não se matou de tanto trabalhar por nada.
O Ashwood franze a testa confuso ao me ver na propriedade dele. É um evento raro. Esta deve ser a primeira vez que piso nas terras dele.
“Wellington?” ele pergunta. A voz dele é baixa e rouca. “O que você está fazendo aqui?”
Forço um sorriso no rosto. As minhas bochechas parecem duras por falta de uso. “Ashwood.” Inclino a minha cabeça para a frente como um cumprimento. “Uma palavrinha?”
O Ashwood fica na porta por um segundo. Ele hesita se me deixa entrar ou me deixa de fora. Espero que ele não seja um idiota, pelo menos uma vez. Para o meu grande alívio, ele concorda com a cabeça. Em seguida, ele se afasta e me deixa entrar.
A casa é pequena e velha. É sufocante. Há enfeites antigos amontoados no lugar minúsculo.
Enquanto eu sigo o Ashwood, olho para as escadas de madeira à direita. Elas levam para o segundo andar. À esquerda, fica a sala de estar e uma mesa de jantar simples para quatro pessoas. Os móveis são básicos e estão caindo aos pedaços.
Não estou surpreso que o Ashwood não tenha dinheiro para comprar coisas novas e reformar a casa.
Nos fundos da casa, ele tem o escritório dele. A porta range quando ele a empurra e vai em direção à mesa. O quarto é uma bagunça, com livros espalhados por todo lado.
Tem papéis empilhados na mesa dele. E o cheiro de charutos incomoda o meu nariz. Há apenas uma janela. Parece que ela nunca é aberta.
Uma pena. O cômodo precisava de ar fresco.
Decido me sentar em um dos sofás de couro. Mas eu sei que essa reunião não vai demorar muito.
“Aceita algo para beber?” ele pergunta. Mas eu balanço a cabeça negando.
“Estou bem.”
Ele acena com a cabeça. “Tudo bem. O que foi, Wellington?”
“Você já pensou em me vender um pedaço de terra?” Eu vou direto ao ponto. Os meus olhos ficam fixos nele. Eu espero encontrar uma rendição.
Errado.
Ele suspira e solta os ombros. Parece que ele está cansado da mesma coisa de sempre. De me rejeitar em todas as minhas tentativas. “Sinto muito, Wellington,” ele começa.
É preciso um grande esforço para não ranger os dentes e gritar. Você só pode estar de porra de brincadeira comigo. Esse homem não tem cérebro.
Ele vai à falência se não fizer algo a respeito das finanças dele. E mesmo assim, aqui está ele, recusando a minha oferta. É uma oferta muito generosa. Um valor acima do mercado.
“Eu não posso fazer isso,” ele finaliza.
Pela primeira vez, eu perco a cabeça. “Por quê?” O meu tom sai mais duro do que o esperado. Eu limpo a garganta para liberar a tensão no meu rosto. “Eu não entendo. Estou propondo uma das fronteiras entre as nossas propriedades. A parte que você não usa para a produção.” Não que tenha muita produção acontecendo nessa terra.
O Ashwood passa a mão na barba. Em seguida, ele fica olhando para mim por um longo tempo, em silêncio. Os pelos das minhas costas se arrepiam. Mas eu continuo imóvel, esperando.
“Eu acho que você entende,” ele conclui.
Levanto uma sobrancelha. “Na verdade, não. Estou disposto a pagar muito bem.”
Eu jogo a isca. Nada. O meu vizinho balança a cabeça negando.
“São as terras da minha família. Tem sido assim há décadas. Gerações. Eu não posso vender. Elas não têm preço. Eu acho que você sentiria o mesmo sobre o Wellington Ranch. Você tentaria fazer de tudo para mantê-lo sob o seu controle. É o nosso legado.”
O homem não está errado. Eu lutaria sem piedade para manter o Wellington Ranch nas minhas mãos. Eu tenho feito isso nos últimos vinte anos. Mas a frase dele me irrita.
Respiro fundo. Fico pensando em como convencê-lo. Porque, se ele for à falência, vai levar anos até eu poder comprar as terras. E, mesmo assim, pode haver uma pequena chance de outra pessoa comprar primeiro.
Imperdoável.
Eu não tenho o luxo do tempo. Também não tenho paciência. Eu já esperei tempo suficiente.
E é aí que a ficha cai. Família. O Ashwood e eu podemos ser completamente diferentes.
Mas nós damos valor à família. A família vem em primeiro lugar. Precisamos manter o nosso legado intacto. E garantir que as próximas gerações possam aproveitar as nossas terras.
O Ashwood não vai vender... Mas, e se nós unirmos as famílias...
A ideia acaba de me ocorrer. Eu deveria perguntar ao Weston primeiro sobre a posição dele. Sobre a vontade dele de participar do plano. Mas decido propor isso ao Ashwood primeiro. A ideia é boa.
A chance de perguntar ao Ashwood está aqui. Quem sabe quando poderei me encontrar com o homem de novo. Além disso, eu conheço o meu filho. É bem provável que o Weston aceite o plano.
Ele é como eu. Faria qualquer coisa pela fazenda. Pela família.
“E que tal isto, então?” Eu me inclino para a frente e apoio os cotovelos nos braços da cadeira. “Uma aliança diferente entre os Ashwoods e os Wellingtons.”










































