
A Máfia Irlandesa: Desejos Perversos
"Você sempre foi minha."
Mina nunca esperou reencontrar o meio-irmão, muito menos assim. Mas quando entra em um clube secreto, ela cai direto nos braços do único homem que a observava nas sombras… e esperava torná-la sua. Ronan, o implacável chefe do sindicato do crime de Boston, não apenas a deseja, ele agora a possui. Anos de obsessão silenciosa levaram a este momento, e ele não deixará nada (nem ninguém) ficar entre eles. Enquanto os inimigos cercam e o sindicato balança à beira do abismo, uma coisa é certa: ele não vai deixá-la ir, não importa o quanto as coisas fiquem sombrias.
Capítulo 1
MINA
Brincando com a gravata de seda da máscara, Mina Fitzpatrick caminhou por um corredor luxuoso no clube de sexo subterrâneo. Tecido macio vermelho-escuro cobria as paredes. As bordas pretas combinavam perfeitamente com o piso preto brilhante sob seus saltos altos.
Ela não deveria estar ali.
Deveria estar sentada numa banheira quente e gostosa no quarto do hotel, descansando da longa viagem de avião que fizera mais cedo naquele dia. Em vez disso, entrou numa sala cheia de gente rica de Boston usando pouca ou nenhuma roupa.
Máscaras de tamanhos variados cobriam os rostos deles, escondendo suas identidades. Atos sexuais obscenos aconteciam abertamente ao redor dela. Algumas pessoas estendiam as mãos para agarrar seus braços nus, tentando puxá-la para algo sexual.
Mina ignorou as mãos que a agarravam. Olhou ao redor da sala procurando a amiga. Não sabia para onde Lucy tinha ido. Depois de menos de uma hora, já queria deixar aquele lugar.
Por que tinha vindo ali?
Aquele lugar... não era para ela.
Mina não tinha medo de sexo, mas queria intimidade com os parceiros sexuais. Uma conexão. Ela não encontraria isso ali.
Ela gostava de uma noite de garotas em casa ou ir ao teatro quando precisava relaxar, não ir a um clube de sexo no meio de Boston.
Mas Lucille Hankins, sua melhor amiga, era diferente de Mina. Era ousada e livre, tanto quanto podia ser no mundo em que viviam.
Tinha convencido Mina a vir naquela noite, prometendo que seria divertido e que ninguém saberia quem elas eram.
Essa última parte tinha interessado Mina mais do que qualquer outra coisa.
Se a mãe soubesse onde ela estava agora, ficaria furiosa. Contaria ao padrasto, e então ele contaria a Ronan…
Não pense nisso. Apenas encontre Lucy e diga que está indo embora.
Mina olhou a multidão de pessoas uma segunda vez, esperando ver o cabelo preto e longo de Lucy ou o conjunto de lingerie que ela estava usando quando se separaram.
Nada.
Não reconheceu ninguém. Cada máscara sofisticada parecia igual à outra.
Pelo menos Mina não teria que se preocupar em ser reconhecida também. Tinha passado os últimos cinco anos na Irlanda, primeiro num colégio interno, e depois na faculdade.
Nem sequer queria voltar para casa. Mas pouco antes de terminar a faculdade, o padrasto, Dougal, tinha ligado e dito que ela precisava retornar. Como ele era o chefe da máfia irlandesa em Boston, ela não podia dizer não a ele.
Aceitando o destino, tinha comprado uma passagem só de ida.
A vida que tinha vivido por cinco anos não era realmente dela de qualquer forma.
Mesmo na Irlanda, ainda tinha seguranças vigiando tudo o que fazia. Tinha estado longe de casa, mas nunca tinha sido livre.
O diploma universitário também era inútil. Mulheres que pertenciam à máfia não conseguiam empregos. Casavam-se jovens e tinham filhos, criando a próxima geração de homens da máfia que mais tarde assumiriam o grupo.
Era incrível que ela tivesse sido autorizada a ir para a faculdade. Lucy não tinha sido autorizada. Uma surpresa ainda maior era que nenhuma das duas estava casada, embora ambas tivessem idade suficiente.
Mina tinha um pressentimento ruim de que o meio-irmão tinha algo a ver com isso.
Não posso acreditar que faz cinco anos desde que o vi.
O peito dela ficou apertado. Uma velha dor familiar voltou enquanto memórias enchiam a mente.
Tinha conhecido Ronan pela primeira vez depois que a mãe lhe contou que estava se casando com o pai dele, Dougal.
Mina tinha quinze anos e Ronan era um bonito e forte rapaz de vinte e dois. Tinha algo nele que ela achava impossível resistir. Era perigoso, cruel e protetor, todas coisas que a atraíam fortemente.
Tinha gostado dele desde o início, sempre o seguindo pela casa grande do pai dele, sempre fazendo perguntas bobas. Quando fez dezesseis anos, as perguntas tinham se transformado em flertes, não que ele tivesse retribuído.
Olhando para trás agora, o comportamento dela era tão constrangedor.
Pelo menos ele nunca zombou dela por isso.
Não, ele sempre a tinha tratado como uma princesa da máfia, alguém para cuidar e proteger, o que só a fez se apaixonar ainda mais por ele.
Não tinha amado mais ninguém desde então.
Mina afastou essas memórias, recusando-se a pensar em Ronan por mais tempo. Contornou um casal nu transando no chão. Os gemidos e sons de pele batendo fizeram pequenas ondas de desejo surgirem dentro dela.
Mesmo tendo dúvidas sobre aquele lugar, havia algo tão sexual em ver demonstrações tão cruas de sexo. Fazia o clitóris dela doer e o rosto esquentar.
Talvez devesse encontrar um estranho qualquer e simplesmente fazer o que quisesse com ele. Ser tão ousada quanto Lucy, por uma vez.
Como seria jogar a preocupação fora e apenas viver por algumas horas?
Não era esse o objetivo de vir ali?
Um pequeno arrepio passou por ela, mas duvidava que seria corajosa o suficiente para pedir sexo a um estranho.
Mina entrou em outra sala. Esta era mais escura que a anterior.
Alguns homens sentavam num sofá longo sem encosto e algumas poltronas de aparência sofisticada, assistindo uma mulher nua num pequeno palco rebolando no colo de um homem nu enquanto ele gemia embaixo dela.
A mulher provavelmente também estaria gemendo, se o pau de outro homem não estivesse enfiado na boca dela. Ainda assim, os sons que conseguia fazer eram de pura luxúria enquanto ela quicava numa ereção e acariciava a base da outra.
O show fez a respiração de Mina falhar.
Ela rapidamente desviou o olhar, procurando ao redor da nova sala por Lucy.
Um homem deitado num dos sofás a viu. Levantou-se do sofá e ajeitou o paletó. A máscara prateada dele brilhou na iluminação baixa enquanto caminhava em direção a ela.
“Tá perdida, querida? Ou talvez saiba exatamente quem eu esperava entreter esta noite?” O homem falou com um sotaque irlandês carregado, não incomum em Boston, mas as tatuagens nas mãos e no pescoço dele não combinavam com uma festa como esta.
Entre a elite de Boston, tatuagem visível assim tornaria alguém um pária, não importa quanto dinheiro tivesse.
As palavras dele afundaram, e levou toda a força de Mina para não revirar os olhos diante do enorme ego dele.
Ele realmente achava que ela tinha vindo ali para seduzi-lo? Mesmo se estivesse procurando sexo, ele definitivamente não era o tipo dela. Não, o tipo dela eram irlandeses quietos e poderosos que não queriam nada com ela.
Mina balançou a cabeça. Uma mecha do cabelo ruivo dela ficou presa no canto da máscara.
“Eu estava procurando por…“
“Eu sei quem você tava procurando” ele interrompeu. “Você entrou aqui vestida com essa coisinha de seda pra chamar a atenção dele.”
Ele a olhou de cima a baixo. O olhar dele se concentrou principalmente no volume dos seios dela.
Quem esse babaca pensava que era? E de quem ele continuava falando?
“Não estou interessada” Mina respondeu diretamente.
Ele riu. A voz dele se elevou acima dos sons de sexo no palco.
“Ouviram isso, rapazes?” ele gritou por cima do ombro. “Parece que a pequena tentadora é boa demais para nós.”
Todos os olhos se voltaram para ela então, incluindo as pessoas no palco.
Mina deu um passo cuidadoso para trás antes de se endireitar. Não permitiria que ninguém ali a assustasse. Ela era uma maldita Fitzpatrick, mesmo que não fosse por sangue.
“Traga-a, Finan” uma voz irlandesa profunda chamou da poltrona tipo trono mais próxima do palco.
Ela olhou naquela direção, tentando enxergar na escuridão para distinguir a figura sentada confortavelmente no assento. Ele soava levemente familiar, mas ela tinha certeza de que se lembraria de uma voz tão profunda e sensual.
O homem que ela supôs ser Finan agarrou o braço dela, puxando-a bruscamente em direção à figura.
“Ei! Tira as mãos de mim, idiota!” Mina lutou um pouco, não acostumada a ter que se defender de tarados.
Normalmente havia seguranças fornecidos a ela, homens treinados para garantir que ninguém a tocasse, mas ela tinha escapado deles porque queria uma noite fora.
Agora se arrependia.
“Solta!” ela disse com raiva.
Fazendo o que ela pediu, Finan a empurrou para frente ao soltá-la.
Mina caiu no chão, aterrissando com força nos joelhos. O peito dela bateu na borda da poltrona. Ela sibilou de dor. Os joelhos doíam.
A dor aguda foi provavelmente o motivo de ter levado um segundo a mais para perceber que estava aos pés do estranho atraente. As pernas grossas e fortes dele estavam de cada lado dela.
Mina levantou a cabeça. Os olhos dela percorreram cada centímetro dele enquanto o resto do mundo desaparecia de vista. Ele usava uma calça preta. As mangas da camisa branca social dele estavam enroladas até os cotovelos, mostrando muitas tatuagens cobrindo os antebraços.
Ele a observava por trás de uma máscara preta que cobria o rosto dele exceto pelos lábios e queixo com barba por fazer. Olhos verdes a encaravam com uma intensidade tão forte que a respiração dela ficou presa na garganta.
Pelo mais breve momento, uma imagem de Ronan passou pela mente dela.
Esse cara a lembrava dele, mas o Ronan que ela conhecia não era tão forte, e não tinha tatuagens como essas. O sotaque dele também não era tão carregado. Era sutil, como o leve gosto de baunilha numa boa taça de vinho.
Ele esfregou a mão sobre o queixo. Anéis grossos de prata capturaram as luzes do palco.
O estranho era atraente e bonito, embora o ar ao redor dele fosse maligno. Sombrio.
Mina não pôde deixar de se sentir como uma mosca presa numa teia de aranha enquanto ele a olhava.
Pior ainda, o corpo dela respondeu à inspeção dele. O pulso dela batia pesadamente nos ouvidos. As coxas dela se apertaram enquanto o desejo se acumulava baixo no ventre. Ela esqueceu toda a dor nos joelhos enquanto se encaravam.
Não sabia por que tinha uma reação tão forte a ele, tinha visto muitos homens bonitos antes, mas uma grande parte dela esperava que ele não a achasse inadequada. Queria que ele a desejasse, e o sentimento era tão confuso quanto real.
Talvez fosse aquele lugar, o sexo acontecendo em cada sala, especialmente no palco. Tinha sentido a luxúria se infiltrando desde que chegara, e embora tivesse ignorado no início, agora tinha focado essa energia no estranho.
A sala lentamente voltou ao foco. Todos os olhos estavam nela e no homem diante do qual se ajoelhava. O silêncio repentino era tão grande que ela poderia ter ouvido um alfinete cair.
Ele se inclinou para frente, passando um dedo sobre o volume dos seios dela, fazendo-a muito consciente do vestido fino que usava. O toque dele viajou até o pescoço dela, e então ele agarrou o colar de ouro ao redor da garganta dela, usando-o para puxá-la para mais perto.
Mina fez como ele comandou silenciosamente, não querendo que ele quebrasse a corrente. Era importante para ela. As mãos dela descansaram nas coxas dele. Ela notou como os músculos dele flexionaram sob as palmas dela.
“Enfeite bonito pra uma mulher linda. Caro…” ele disse baixinho. “Ganhou do seu amante?”
“Não.”
Os olhos dele se estreitaram perigosamente.
“De alguém sem importância, então?” Havia uma borda afiada na voz dele, e Mina sentiu, não pela primeira vez, que tinha se metido em mais problemas do que podia lidar.
“Do meu meio-irmão.”
“Isso não responde à minha pergunta, garota.”
“Claro que ele é importante pra mim. É da família.”
“Um homem não compra um colar como este para alguém da família. Uma esmeralda tão grande quanto essa entre dois seios bonitos? Esse é um presente de um homem reivindicando você como dele.”
Mina corou, lembrando muito bem a última vez em que viu o Ronan.
“Você tá errado.” Embora Ronan nunca tivesse agido como irmão dela de forma alguma, ele nunca a tinha reivindicado.
Em vez disso, tinha a mandado para o colégio interno na primeira vez que ela o deixara com raiva. Não o tinha visto desde então, e realmente acreditava que ele a odiava, embora lhe enviasse presentes como este colar em ocasiões especiais.
O estranho inclinou a cabeça para o lado, estudando-a de perto.
“Estou?”
Mina lambeu os lábios repentinamente secos, nervosa por ter ultrapassado os limites.
“Sim.”
Ele sorriu, e o estômago dela se contraiu em antecipação. Ele olhou por cima do ombro dela.
“Saiam.”
Mina ouviu várias pessoas saindo da sala. Quando virou a cabeça, o estranho agarrou o queixo dela, mantendo-a imóvel enquanto falava com o homem atrás dela.
“Finan. Você vai assistir, mas sem tocar.”
O quê…
Os olhos de Mina se arregalaram quando lentamente percebeu as intenções do estranho. Raiva, misturada com uma forte onda de desejo, passou por ela.
“Finan não vai assistir nada. Se você acha que vou fazer sexo com você…“
Os dedos dele apertaram o queixo dela, efetivamente a cortando.
“Você veio aqui pra transar, anjo, e vai ser comigo.”








































