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A Maldição Livro 2

Autor
Silver Taurus
Leituras
15,0K
Capítulos
35
Autor
Silver Taurus
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Capítulos
35
👑Realeza e aristocracia🔺Triângulo amoroso🎭Drama💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia👯‍♂️Harém reverso🧙‍♀️Magos & bruxas🐉Dragões

A vida de Amari toma um rumo sombrio quando ela revela um segredo que a isola de seus amigos e desencadeia uma série de ataques sobrenaturais. Resgatada por Maximus, ela descobre sua linhagem amaldiçoada e os perigosos poderes que possui. Enquanto navega por um mundo de bruxas, vampiros e dragões, Amari precisa confrontar seu passado, controlar suas novas habilidades e decidir em quem confiar. Com sua vida e o destino de seu reino em jogo, Amari embarca em uma jornada perigosa para quebrar sua maldição e recuperar seu destino.

O Recomeço

Livro Dois: Sangue Amaldiçoado

AMARI

Eu só conseguia ouvir o som de gotas caindo. Com o cabelo úmido e encostada na banheira, olhei fixamente para a torneira. O céu sombrio tapava a única janela que deixava a luz entrar no banheiro.
Minha mente voltou ao dia de ontem. Os olhares de todos me fizeram sentir culpada. Mas será que era mesmo tão absurdo eu ter mantido esse segredo só para mim mesma?
Eu me senti julgada, como se eu fosse uma covarde. Mas isso nunca me passou pela cabeça antes. Tudo o que eu queria era não ser um fardo para ninguém. Então, por que era tão errado esconder o meu grande segredo deles?
Assim que revelei a verdade, todos foram embora. Os rostos deles estavam cheios de confusão, raiva, tristeza, dor – só sentimentos ruins.
O último a ficar perto de mim foi o Azriel, mas logo ele virou as costas e me deixou sozinha.
Suspirei e me virei na banheira. Olhei para o teto branco. O que eu deveria fazer agora? Eu deveria pedir perdão, esperar por uma solução? Ou chorar loucamente?
Que saco. Eu precisava ser forte e dar conta da minha vida. O que eu mais desejava era viver a minha vida plenamente, ou pelo menos o que me restava dela.
Levantei a minha mão e encarei a runa. Ele brilhava suavemente. Abaixando os olhos, segui as minhas cicatrizes. A minha pele pálida estava cheia de grossas cicatrizes vermelhas, eu me encolhi só de lembrar como elas foram feitas.
Ouvi uma batida e olhei para a porta. A água ainda escorria pelo meu braço enquanto eu franzia a testa ligeiramente.
"Quem é?" Eu perguntei, e minha voz estava rouca. Limpei a garganta enquanto eu perguntava mais uma vez quem era.
"Princesa, você tá no banheiro há uma hora. Você tá bem?" o Jonathan perguntou do outro lado da porta. Agarrei a borda da banheira.
"Sim", eu menti. Bom, eu não estava me sentindo nada bem. Mas eu tinha que esconder as minhas emoções se eu quisesse ir embora desse lugar. "Vou sair já, já."
Me levantei e olhei para o meu reflexo no espelho. Meu cabelo castanho chocolate estava grudado no meu corpo como se fosse uma camada extra de pele. Ele tinha crescido; estava na hora de cortar.
***
"Até que tá bom", murmurei enquanto olhava para o meu novo corte de cabelo.
Em um impulso, cortei metade do meu longo cabelo castanho. Agora, ele estava bem abaixo do meu ombro. Sorrindo para mim mesma, espanei os fios que caíram no meu ombro e comecei a limpar o banheiro.
Quando terminei, abri a porta do banheiro, mas parei quando vi a Lilith perto da porta. Com uma bandeja nas mãos, ela engasgou.
"O que é que você fez?" Lilith perguntou enquanto colocava a bandeja no chão e caminhou até mim. Então, me virando, ela engasgou novamente. Revirei os olhos quando ouvi os seus suspiros exagerados.
"Você cortou o cabelo, Amari! Por quê?"
"Por que eu tava entediada", eu disse, afastando as suas mãos. Então, caminhando para a cama, peguei a minha camisola e voltei para o banheiro.
"Por quê?" Lilith perguntou novamente.
"Qual é o problema?" Eu disse, irritada. A Lilith recuou quando viu o aborrecimento estampado no meu rosto. Eu não queria ser rude, mas eu não estava com disposição para discutir.
"Nenhum," Lilith sussurrou enquanto desviava os olhos.
Sem falar mais nada, fechei a porta do banheiro. Tirei o meu roupão e me troquei. Eu estava cansada e precisava descansar. Ajeitando a minha camisola, ouvi um trovão.
Meus olhos se moveram para olhar para fora da janela. Uma tremenda tempestade se aproximava rapidamente. Achando que esse era o clima perfeito para dormir, voltei para o quarto.
Lilith sentou perto da lareira enquanto eu olhava na direção dela. Ela estava segurando uma xícara de chocolate quente.
"Eu... eu trouxe pra você," Lilith murmurou.
"Vou tirar uma soneca," eu disse, indo para a cama. Eu sabia porque a Lilith estava aqui. Ela queria perguntar sobre a maldição.
"Você não come nada desde ontem, Amari," ela disse.
"Eu não tô com fome," eu disse, fechando os meus olhos.
Então, depois de alguns minutos de silêncio, abri os olhos. A Lilith ainda estava no quarto, mas ela estava quieta. Eu só podia ouvir o crepitar do fogo e a tempestade lá fora.
Eu estava de costas para ela. Mas eu podia sentir o seu olhar em mim. O que ela estava pensando? Eu não sabia. Me sentindo muito cansada, respirei fundo até que finalmente adormeci.
***
Ouvi trovões e abri os meus olhos. Estava escuro como breu. Dormi até a madrugada? Bocejando, sentei e olhei ao redor. O quarto estava escuro. Alguém apagou a lareira.
Ouvindo outro trovão, olhei para fora. Chovia bem forte.
Meus olhos se moveram para o relâmpago lá fora. Eu me senti estranha apenas olhando para ele. Então, quando me apoiei na cabeceira da cama, vi uma sombra passar.
Imediatamente, eu virei a minha cabeça em direção à janela. O que foi isso?
Franzindo a testa, eu dei de ombros e decidi ler alguma coisa. Estava bem confortável na cama, acendi a luz e peguei o livro que estava na mesa de cabeceira. Era um livro de maldições que encontrei na biblioteca do Lorcan.
Bom, o que aconteceu ontem à noite foi o seguinte: nós voltamos para casa. Todos, incluindo o Maximus, que estavam aqui no palácio do Lorcan. Mas desde que eu subi para o meu quarto, a única pessoa que eu tinha visto era a Lilith.
Virando para a última página que eu estava lendo antes, mergulhei no livro. Detalhes sobre várias maldições estavam diante de mim. Mas nenhuma delas mencionava amaldiçoar alguém através da morte.
Achei estranho porque se não existia precedentes ou isso nunca aconteceu antes, por que eu fui amaldiçoada dessa forma, então?
Mantendo os meus olhos abertos para ver se encontrava algum sinal da minha maldição, vi uma sombra se mover novamente, mas dessa vez foi dentro do quarto. Levantando a cabeça, coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha. Eu estava imaginando coisas?
Olhei ao redor várias vezes e percebi que eu estava sozinha. Parecia que a falta de sono estava me afetando.
Decidi que era melhor voltar a dormir, fechei o livro e o coloquei de volta onde ele estava antes. Desligando as luzes, deitei. Suspirei, fazendo força para dormir.
O trovão retumbou do lado de fora quando me virei na cama. Eu estava me sentindo desconfortável. Gemi, abri os meus olhos e olhei para as cortinas azuis e douradas que pendiam da cama de dossel.
Será que era a chuva que não me deixava dormir? Lentamente, fechei os olhos e suspirei. Então, sentindo uma coisa fria no meu braço, abri os meus olhos.
Inalando bruscamente, tentei gritar, mas a figura cobriu a minha boca.
Uma sombra negra pairou sobre o meu corpo. Com os olhos arregalados e cheios de lágrimas, observei a figura sem rosto. Enquanto eu tentava me mover, senti a sua mão gelada cobrir o meu rosto.
Um arrepio percorreu a minha espinha enquanto eu olhava para essa pessoa. Ela estava tentando me sufocar?
Chutando, tentei gritar, mas não consegui. Quando fechei os olhos e usei toda a minha força, ouvi a porta do quarto bater contra as paredes.
Eu bufei quando ouvi uma voz familiar dizer alguma coisa. Abri os olhos e me arrastei contra a cabeceira da cama, soltando um grito.
Eu estava me sentindo apavorada e alguém me abraçou. Tentei empurrar a pessoa, mas o seu abraço só ficou mais apertado.
"Calma, Amari, você tá bem agora," o Maximus disse, fazendo pequenos círculos nas minhas costas. Eu chorei contra o seu peito quando a sensação de frio deixada no meu rosto me deu arrepios.
De longe, ouvi passos.
"Amari?" Azriel disse quando o senti se aproximar. "O que você fez?" ele perguntou para o Maximus.
"Nada, eu acabei de salvá-la!" Maximus disse de volta, rosnando.
"Salvá-la? De quê?" perguntou a Lilith enquanto todos esperavam que ele respondesse.
"De um Daevas," Maximus sussurrou enquanto eu ficava tensa.
Os Daevas são demônios selvagens e animalescos controlados por magia negra. Eles são invisíveis, exceto pelas suas sombras.
No entanto, eles tinham garras longas, uma super força e o poder de se teletransportar. E eles poderiam atacar quando alguém os convocasse e lhes dissesse quem era o seu alvo.
"Um Daevas?" a Lilith repetiu, franzindo a testa. "Impossível."
"Não," Azriel disse enquanto segurava o meu queixo. Ele estava me fazendo enfrentá-lo. "Olha," ele disse, fazendo todos focarem no meu rosto. Confusa, olhei para ele.
"O que tem no meu rosto?" Eu perguntei, com os lábios trêmulos.
"Uma marca. Da mão do Daevas," Azriel sussurrou, franzindo a testa. Olhando por cima do ombro, notei o Lorcan franzindo a testa. Ele se virou e saiu, me deixando confusa.
"Vou trazer um pouco de chá," Lilith disse enquanto também saía. Ofegante, eu engoli em seco. Eu não sabia que estava apoiando nas coxas do Maximus. Sentindo a sua mão nas minhas costas, olhei para cima.
"Você vai ficar bem, ok?" ele me disse, sorrindo. Eu balancei a cabeça enquanto suspirei. Então, sentindo o Azriel ao meu lado, olhei em sua direção.
Ele parecia perdido em pensamentos quando se levantou e caminhou em direção à varanda. Abrindo a porta, ele olhou do lado de fora.
"Você tá bem? Se sentindo melhor?" Maximus sussurrou enquanto eu olhava para cima. Ele estava acariciando o meu rosto suavemente. Respirando fundo, eu assenti. Então, apoiando a minha cabeça em seu peito nu, tentei me acalmar.
Tê-lo por perto estava me fazendo relaxar. Soltei outro suspiro e acalmei o meu corpo. Meus olhos começaram a ficar pesados quando ele beijou a minha cabeça, e eu adormeci em seus braços quentes.
***
"Ela ainda tá dormindo?" uma voz familiar perguntou enquanto eu me movia na cama. Senti algo duro e quente ao meu lado. Cansada, me movi e o abracei. Eu me senti tranquila dormindo.
"Parece que ela não tá planejando te soltar, rei."
Franzindo a testa, eu lentamente abri os meus olhos. A tempestade havia passado e o sol banhava o meu quarto.
"Bom dia, querida," Lilith disse enquanto eu franzia a testa para ela. Ela estava de pé ao lado da cama e eu fiz uma careta quando vi um corpo ao meu lado.
Então, eu olhei para mim mesma. Os meus braços estavam enrolados em volta da cintura dele, e eu tinha babado na camisa dele. Com os olhos arregalados, soltei as mãos e olhei para a pobre vítima da minha saliva.
"Maximus?" Fiquei chocada. Ele começou a rir enquanto eu olhava para ele e para a Lilith. Confusa, pensando que talvez eu estivesse no quarto de outra pessoa, entrei em pânico e olhei ao redor.
"Esse é o seu quarto", Maximus disse enquanto olhava para mim, com um sorriso no rosto.
"O-o que aconteceu?" Eu estava confusa com toda essa situação.
"Ontem à noite, você dormiu nos meus braços", explicou Maximus.
"E você não deixou o pobre homem ir embora," Lilith disse, rindo. "Ele teve que ficar aqui."
"Eu... me desculpa," eu disse, envergonhada. Senti o meu rosto queimar de vergonha.
Maximus olhou para mim, sorridente. Então, bagunçando o próprio cabelo, ele se sentou e se espreguiçou.
"Eu deveria deixar vocês conversarem a sós", Maximus disse, levantando e indo embora. Eu observei as suas costas. Seus quadris balançaram quando ele se endireitou e penteou o cabelo com os dedos. Engoli em seco enquanto olhava para as suas costas tonificadas.
"Olhos aqui, gata" Lilith retrucou, me fazendo pular. "Você quer ir com ele?"
"Não!" Eu disse, olhando para as minhas mãos. Então, sentindo que ela se sentou ao meu lado, ela agarrou a minha mão e a apertou.
"Você se lembra do que aconteceu ontem à noite?" Lilith perguntou, de repente.
Lembrando, estremeci — o Daeva.
"Olha, você tem que manter a calma, ok? É incomum que algo assim aconteça, mas os meus irmãos estão investigando."
"Investigando?" Eu perguntei, franzindo a testa para ela.
"Sim," disse Lilith, apertando o nariz. "Um Daevas é um ser bem atípico. Eles não aparecem por aqui há quase um século.
"Então, o Lorcan e o Azriel acharam estranho, especialmente porque todo o palácio está sob proteção. Nenhum demônio deveria ser capaz de pisar aqui dentro."
"Então, como ele entrou?" Eu perguntei a ela.
Lilith se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Eu observei o seu cabelo preto se mover com cada passo que ela dava.
"Eu honestamente não sei," Lilith sussurrou. "Se eles quebraram a barreira, o Lorcan deveria ter sentido. Mas quem sentiu que você estava em perigo foi o Rei Maximus."
"Entendi," eu murmurei enquanto desviava os meus olhos.
"Eu não quero que você fique pensando nisso. Vamos trocar de roupa e tomar o café da manhã, pode ser?" Lilith disse, sorrindo. Sorri para ela e comecei a sair da cama.
***
"Por favor, me diz outra vez, por que eu tenho que me vestir assim?" Eu perguntei para a Lilith enquanto ela me arrastava pelo corredor.
Depois de uma longa hora olhando o que eu usaria, Lilith finalmente decidiu me colocar em uma roupa bem sexy. Ajeitei a parte de cima do vestido enquanto o espartilho apertava o meu peito. "Isso é ridículo!"
"Para de choramingar, minha querida," Lilith disse, olhando por cima do ombro. Então, abanando o rosto, ela caminhou apressadamente para a sala de jantar. Os dois guardas que estavam na entrada nos cumprimentaram.
Quando as portas se abriram, soltei o braço da Lilith e arrumei as minhas roupas incômodas. Eu estava vestindo uma longa saia verde com um top branco e um espartilho marrom na cintura.
Resmungando, puxei o espartilho um pouco para cima. Então, sem olhar ao redor, puxei uma cadeira. Eu estava fazendo tanta força para me concentrar na minha roupa, que não percebi os olhares de todos.
"Você cortou o cabelo?" disse uma voz.
"Sim", eu murmurei enquanto continuava tentando arrumar o espartilho. "Que inferno de espartilho!"
"Você pode tirar", disse a mesma voz.
"Claro", eu murmurei, acenando para a pessoa. Eu não prestei muita atenção por causa da distração. Me levantei, puxei as cordas e senti o espartilho afrouxar.
Suspirando de alívio, eu finalmente olhei para cima e vi todos com os olhos arregalados e as bocas abertas, olhando de volta. "O que foi?"
Olhando em volta, vi o Alastair sorrindo. Franzi a testa, olhei para cada um deles e parei quando vi o rosto chocado da Lilith.
"Por que vocês estão me encarando?" Eu perguntei enquanto eu franzia a testa. Então, sentei, peguei a minha xícara de chá quente e comecei a beber. Ninguém disse mais nada enquanto todos tomamos o café da manhã em silêncio.
Quando senti que já estava cheia, pedi licença e me levantei.
"Onde você tá indo?" perguntou Lorcan.
Todo esse tempo, ninguém tinha pronunciado nem uma palavra. Eles estavam agindo de forma estranha em relação a mim.
"Vou dar uma voltinha", eu disse, olhando para ele. Seus olhos cinzas me encararam. Eu sabia que ele se sentia incomodado com o segredo que eu tinha escondido dele, mas eu não pediria perdão a eles.
"Não", disse Lorcan com o queixo sobre as mãos, "fica aqui dentro."
"Não", eu respondi.
"Amari!" Lorcan sibilou. Qual é o problema dele?
"Deixa ela ir", disse Maximus, intervindo. Lorcan olhou para ele, com raiva.
"Não, porque um Daevas pode estar vagando por aí," Lorcan disse, levantando-se. Mas, então, a sua cadeira rangeu contra o chão de mármore. "Ela fica aqui dentro, e ponto final."
"Lorcan!" Eu disse, fechando as minhas mãos. "Eu vou dar uma volta. Não vai acontecer nada demais."
"Nunca se sabe!" Lorcan respondeu de volta. Zombando, eu me virei e saí da sala. "VOLTA AQUI!"
Pisando para fora da sala, eu corri pelo corredor. Por que ele estava tão bravo? Nada aconteceria se eu saísse para dar uma caminhada. Os Daevas só atacam durante a noite.
"Amari, eu disse pra voltar!" Lorcan disse enquanto puxava o meu braço. Com raiva, eu agarrei a sua mão e comecei a puxá-la, cravando as minhas unhas.
"Me solta, Lorcan!" Eu berrei.
"Você tá sendo infantil agora, Amari!" Lorcan sibilou enquanto segurava o meu braço. "Para de se comportar como a porra de uma criança! Você não percebe que está causando problemas?"
Com os olhos arregalados, apertei os dentes. Então, dei um tapa no rosto de Lorcan e ofeguei.
"Me chama de infantil, mas você não precisa cuidar de mim! É por isso que eu nunca quis contar pra você e nem pra qualquer outra pessoa sobre os meus problemas. Vocês só me veem como um peso!" Eu rebati.
Lorcan estava com o rosto virado para o lado, segurando a bochecha esquerda, toda vermelha.
"Você não tem nenhum motivo pra se preocupar comigo! Apenas me deixa em paz!"
"Chega!" disse uma voz irritada. Eu levantei a minha cabeça e olhei para trás do Lorcan. A Lilith estava olhando para mim com raiva. "A única coisa que estamos tentando fazer é te manter segura, Amari! Você não consegue entender?"
Ofegante, eu olhei para eles.
"Eu nunca precisei de ninguém pra me proteger ou me manter segura. Eu sempre lutei as minhas próprias batalhas sem ninguém do meu lado. E só porque eu contei o meu segredo pra vocês não significa que vou precisar de ajuda.
Eu tinha tudo sob controle", eu disse enquanto os dois olhavam para mim. Seus olhares frios estavam me deixando com mais raiva. "Apenas me deixem em paz!"
Virando-me, eu me afastei.
"Sob controle?" Lorcan murmurou. Parei e olhei por cima do meu ombro. "Morrer é a sua maneira de manter as coisas sob controle?"
"Acredite ou não, pra mim é", murmurei. "Você nunca vai entender."
"Sim, talvez eu nunca entenda, mas esse não é o jeito certo de resolver a sua situação. Você não quer mais viver?" Lorcan perguntou.
Eu me encolhi com a sua pergunta. Olhando para trás, encontrei o Alastair parado ao lado. Meus olhos se moveram e pararam quando vi o Maximus ainda sentado à mesa de jantar.
"Responde, Amari!" Lorcan rosnou. Olhei para o lado.
"Eu sempre me pergunto a mesma coisa", eu sussurrei, "mas não se preocupa."
"O quê?" Lilith perguntou, confusa.
"Eu disse pra não se preocupar," eu repeti.
"Por quê?" Lilith perguntou, dessa vez se aproximando de nós.
"Eu estou indo embora", eu murmurei. Os olhos de Lorcan se arregalaram quando o pânico começou a aparecer em seu rosto.
"Indo embora?" Lorcan mal sussurrou. Eu balancei a cabeça enquanto mantive os meus olhos nele. Ele tentou me tocar, mas eu me afastei.
Ele mordeu os lábios enquanto olhava para o chão. Seu cabelo fazia uma cortina ao redor de seu rosto. "Pra onde você vai?"
"Eu vou voltar com o Maximus," eu disse enquanto movia os meus olhos e o vi tenso.
"O que você disse?" Lorcan sibilou enquanto eu mantive os meus olhos no Maximus.
"Eu disse que vou voltar com o Maximus. Eu vou voltar com ele," eu repeti. Então, agarrando os meus ombros, Lorcan começou a me sacudir.
"Você não pode ir!" Lorcan rosnou. Seus dedos estavam apertando a minha pele.
"Para com isso!" Eu disse, empurrando-o. "Você tá me machucando, Lorcan!"
"Irmão, para com isso!" a Lilith disse, preocupada, enquanto agarrava os ombros dele. "Irmão!"
Uma figura ficou entre nós, e ele agarrou o braço do Lorcan e o parou.
"Lorcan!" Maximus disse, fazendo-o assobiar de dor. Seus dentes se alongaram quando ele empurrou o Maximus.
"Se é isso que você quer, então tudo bem, vai embora," Lorcan cuspiu, "mas depois, não volta correndo pra mim."
Olhando para o Maximus uma última vez, ele se virou e saiu. Eu me abracei enquanto os meus braços doíam. Lilith olhou para mim se desculpando, e saiu deixando o Maximus e eu sozinhos.
"Deixa eu ver", Maximus pediu enquanto olhava os meus braços. As marcas vermelhas estavam se tornando visíveis.
"Eu tô bem," eu murmurei. Maximus levantou o meu queixo enquanto os seus olhos vermelhos olhavam nos meus olhos azuis. Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
"Você tava falando sério?" Maximus perguntou depois de um momento de silêncio. Eu podia ver esperança em seus olhos enquanto ele esperava pacientemente pela minha resposta.
Pode ter sido o pior erro, mas eu me sentiria mais calma se fugisse de lá. E seria fácil desaparecer assim que chegasse na casa dele.
"Sim", eu sussurrei, "eu quero voltar."

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