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A Noiva de Kingsley

Autor
S. S. Sahoo
Leituras
268K
Capítulos
28
Autor
S. S. Sahoo
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268K
Capítulos
28
💕Romance💪Mulheres fortes🏙️Contemporâneo👑Realeza e aristocracia

Eu não conseguia respirar.

Aquela imagem, o rosto de Lord Kingsley sob o luar, o aço manchado de vermelho em sua mão e aqueles olhos frios e aterrorizantes, estava gravada em mim.

O que eu acabara de presenciar?

Quem era esse homem?

E que segredos a Propriedade Kingsley mantinha enterrados sob seus jardins impecáveis e seu lago sereno?

Scarlett nunca sonhou em se casar com um homem como Lord Darius — frio, indecifrável e carregando segredos mais sombrios que a meia-noite. Mas quando sua irmã desaparece e o abandona no altar, Scarlett deve assumir o lugar dela como noiva. Agora, presa em um casamento que nunca desejou, ela não consegue ignorar os mistérios que rondam a propriedade dos Kingsley — nem a noite arrepiante em que viu Darius com sangue em sua lâmina. Entre sussurros de traição, segredos de família há muito enterrados e uma irmã que pode não ter partido por vontade própria, Scarlett se vê enredada em um jogo perigoso. No entanto, quanto mais ela entra em conflito com seu marido intimidador, mais difícil se torna distinguir onde termina o medo e onde começa o desejo.

Capítulo 1

Ele parou na porta do meu quarto vestindo apenas um roupão.
Meu marido. O marido da minha irmã. O homem com quem me casei no lugar dela.
“Scarlett.” A voz dele soou baixa, rouca. “Precisamos conversar.”
“É o meio da noite, meu lorde.” Meus dedos roçaram no cabo do bisturi debaixo do travesseiro. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir.
“Eu sei.” Ele entrou no quarto. A luz da lua, que vinha das janelas altas, iluminou a linha forte de seu maxilar e a largura de seus ombros. A porta se fechou com um clique.
Três dias. Eu estava casada com este homem havia três dias, e ainda não sabia se deveria ter medo dele ou—
“Meu avô espera que este casamento seja consumado.” Seus olhos azuis fixaram-se nos meus, ilegíveis. “Ele deixou a posição dele bem clara. Se não mostrarmos provas de uma noite de núpcias, ele vai anular o casamento.”
Provas. A palavra fez o meu rosto ficar quente de vergonha.
“E o que o senhor espera, meu lorde?”
Ele se aproximou. O roupão se abriu um pouco no peito dele, mostrando um pedaço de pele nua. Eu não deveria ter olhado. Mas olhei mesmo assim.
“O que eu espero”, ele disse devagar, “é irrelevante. A questão é o que você quer.”
O que eu quero.
Eu queria encontrar a minha irmã. Eu queria respostas. Eu queria entender por que Cecilia tinha fugido, por que ela o tinha chamado de monstro, por que este homem frio e lindo tinha aceitado se casar com uma desconhecida em vez de enfrentar o escândalo de ser abandonado.
Apertei a minha mão no bisturi.
O que eu quero?
“Me diga, Scarlett.” Ele se abaixou, apoiando uma mão na cabeceira da cama. O rosto dele estava a poucos centímetros do meu. “O que você quer que eu faça?”
TRÊS DIAS ANTES
Os bancos da igreja estavam cheios de sussurros.
Eu estava sentada e muito tensa no meu lugar, com as mãos enluvadas cruzadas no colo, observando a porta da sacristia. Cecilia tinha entrado lá havia vinte minutos para terminar os preparativos. A cerimônia já deveria ter começado.
“Onde ela está?” Minha mãe sibilou ao meu lado, com o sorriso fixo, mas os olhos se movendo rápido. “As pessoas estão começando a falar.”
E estavam mesmo. Eu podia ouvir — o farfalhar da seda, os murmúrios de especulação, o jeito como os padrinhos de Lorde Kingsley continuavam a olhar para o Conde com um desconforto mal disfarçado.
O próprio Lorde Kingsley estava no altar como uma estátua. Paciente. Imóvel. Seus olhos azuis olharam para os convidados uma vez. Depois, eles pararam na porta da sacristia.
Esperando.
Mais cinco minutos se passaram. Os sussurros ficaram mais altos.
“Vou ver como ela está”, eu disse, levantando-me antes que a minha mãe pudesse reclamar.
Meus passos ecoaram no chão de pedra enquanto eu andava até a sacristia. A pesada porta de carvalho gemeu quando eu a empurrei.
“Cecilia? Estão todos esperando, você precisa—”
Vazio.
A sala estava vazia.
O vestido de noiva da minha irmã estava largado no chão como uma pele descartada. A porta dos fundos — a entrada de entregas usada pelos clérigos — estava aberta, deixando entrar um feixe de luz de verão.
E ali, na pequena mesa ao lado do espelho, havia um bilhete. Era a letra da Cecilia:
Eu não consigo. Me desculpe. Não com aquele monstro.
Meu sangue virou gelo.
Eu li as palavras de novo. E de novo. Minhas mãos tremiam tanto que o papel balançava.
O que eu faço?
Encostei as minhas costas na parede fria de pedra. Minha mente pensava muito rápido no que eu podia fazer.
Se eu anunciasse isso — escândalo. Ruína. O Conde de Hastings — pois esse era o título dos Kingsley — humilhado pela filha de um médico. O consultório do meu pai destruído. O futuro dos meus irmãos reduzido a cinzas.
Havia apenas um jeito de impedir que isso destruísse a minha família.
Meus olhos pararam no vestido de noiva.
Antes que eu pudesse pensar melhor, já estava tirando meu vestido de domingo. Afrouxando meu espartilho para dar espaço ao corte diferente. Puxando a seda bordada em prata pela cabeça, lutando com os fechos nas costas. O vestido era comprido demais — Cecilia sempre fora mais alta do que eu —, mas serviu bem o suficiente no corpete.
Olhei para mim mesma no espelho.
Uma noiva me encarava de volta. Uma noiva apavorada, furiosa e desesperada.
Isso é loucura.
Peguei o buquê de Cecilia. Respirei fundo. E saí para a igreja.
A congregação explodiu no momento em que apareci. A seda farfalhou enquanto todas as cabeças se viravam. Leques se abriram num estalo para esconder os sussurros escandalizados.
“Que enganação é essa?” Um dos padrinhos de Lorde Kingsley — um homem corpulento com um bigode impressionante — levantou-se de um salto, o rosto ficando roxo de indignação. “Essa não é a noiva!”
“Eu sou a noiva.” Minha voz saiu mais firme do que eu me sentia. “Eu sou Scarlett Ravenswood. E estou aqui para honrar o contrato de casamento entre as nossas famílias.”
“Onde está a Cecilia?” o padrinho exigiu saber. “Onde está a mulher que foi prometida ao Lorde Kingsley?”
Minha garganta apertou. “Foi embora.”
“Foi embora? Para onde?”
Eu forcei a palavra a sair. “Fugiu.”
Uma confusão total.
Os padrinhos explodiram em gritos. O Conde levantou-se do seu banco reservado, com o rosto carregado como uma tempestade. Minha mãe soltou um som entre o choro e o grito. Meu pai ficou de pé com as mãos levantadas, tentando acalmar a tempestade—
“Isso é um grande absurdo!” O padrinho de bigode avançou na minha direção. “Uma grande mentira! O Conde deveria jogar a sua família na prisão por devedores por causa deste insulto—”
“O contrato pedia uma filha da família Ravenswood.” A voz do meu pai falhou de tanto desespero. “Scarlett é uma filha dos Ravenswood—”
“Isso é crime! Uma farsa! Nós vamos destruir vocês por causa disso—”
No meio de tudo isso, Lorde Kingsley não se moveu.
Eu me vi olhando para ele — este ponto imóvel no caos, este olho do furacão que estava destruindo o meu mundo. Seus padrinhos esbravejavam. Seu avô espumava de raiva. Minha família corria de forma desesperada para controlar os danos.
Mas Darius Kingsley simplesmente… me observava.
O olhar dele era assustador. Frio e avaliador, como um predador medindo sua presa. Eu deveria estar com medo. Eu deveria ter fugido, como a minha irmã.
Mas, em vez disso, eu não conseguia desviar o meu olhar. Algo naqueles olhos tão azuis me prendia no lugar.
No que você está pensando? O que você está planejando? Que tipo de homem aceita se casar com uma mulher que nunca viu?
Ele levantou uma mão.
O silêncio caiu como a lâmina de uma guilhotina.
“Continue.”
Uma única palavra. Foi só o que ele precisou dizer. Os padrinhos congelaram no meio da discussão. A boca do Conde se fechou rápido. Até o choro da minha mãe parou de repente.
O padre limpou a garganta de um jeito muito nervoso. “Meu lorde, o senhor tem… certeza de que é isso que deseja?”
Os olhos de Lorde Kingsley não saíram dos meus. “Eu acredito que fui claro.”
O padre fez um sinal para que eu me aproximasse do altar.
Meus pés se moveram sem a minha permissão. A barra do vestido comprido demais de Cecilia arrastou no chão de pedra enquanto eu caminhava pelo corredor — passando pelos rostos chocados dos convidados, pelos meus pais de rostos pálidos, pelos padrinhos furiosos de Lorde Kingsley.
E passei pelo Conde.
O avô de Darius me acompanhou com os olhos enquanto eu passava pelo seu banco. Frio. Desdenhoso. O olhar que um homem dá para algo nojento em que acabou de pisar. Eu não era a noiva que ele tinha escolhido. Não era a bela, não era o prêmio. Eu era a irmã inferior — a reserva — e seu nojo estava escrito claramente em seu rosto enrugado.
Este homem nunca vai me aceitar.
Eu cheguei ao altar. Eu me virei para ficar de frente para o Lorde Kingsley.
De perto, ele era ainda mais lindo. Ainda mais assustador. As linhas fortes do seu rosto pareciam ter sido esculpidas em pedra por um artista.
Eu tinha ouvido boatos sobre a tragédia que havia se abatido sobre a família dele — seu pai, seu irmão, seus primos homens, todos assassinados dois anos antes. Olhando para ele agora, eu podia acreditar que ele tinha sobrevivido a algo terrível. Havia uma frieza nele que chegava até os ossos.
“Meu lorde”, o padrinho de bigode tentou de novo, com a voz tensa. “Com certeza o senhor não quer—tem certeza de que esta… mulher… é aceitável?”
“Eu a acho suficiente.”
As palavras doeram como um tapa no meu rosto.
Suficiente.
Minha raiva se acendeu, superando o terror. “Isso é para ser um elogio?”
Algo brilhou rápido nos olhos dele — surpresa? Diversão? Sumiu antes que eu pudesse identificar.
“Você prefere insuficiente?”
“Eu preferia não estar nesta situação de jeito nenhum.”
“Eu também.” A voz dele era baixa, feita apenas para eu ouvir. “E, no entanto, aqui estamos nós. Sua irmã fez a escolha dela. Agora faça a sua.”
Ele estendeu a mão.
Eu encarei a mão dele. Dedos longos. Um anel com o leão dos Kingsley. A mão de um homem do qual a minha irmã tinha fugido.
Não faça isso. Fuja. Encontre a Cecilia. Descubra o que ela sabe—
Mas a minha família estava assistindo. O Conde estava assistindo. E se eu fugisse também, tudo o que o meu pai havia construído seria destruído.
Eu peguei a mão dele.
Seus dedos se fecharam ao redor dos meus — quentes onde eu esperava frio, firmes onde eu esperava crueldade. O padre começou a ler o Livro de Oração Comum, mas eu mal ouvi as palavras. Eu estava presa naquele aperto, naquele olhar, na certeza de que eu tinha acabado de tomar a decisão mais corajosa ou a mais tola da minha vida.
“Com este anel”, Lorde Kingsley disse, sua voz profunda e forte enquanto ele colocava a aliança de ouro no meu dedo, “eu me caso com você.”
“Pode beijar a noiva.”
Ele se inclinou. Seus lábios tocaram os meus — rápidos, quase um sopro, mas que enviaram eletricidade pela minha espinha. O calor inundou meu rosto. Minha respiração falhou.
Quando ele se afastou, seus olhos azuis mostravam algo que eu não conseguia entender.
A igreja estava em silêncio. Sem aplausos. Sem parabéns. Apenas o peso de cem olhares sobre nós.
Eu era a Lady Kingsley agora.
E eu não fazia ideia se o meu marido era um homem — ou o monstro que a minha irmã dissera ser.

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