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A Noiva do Berserker

Autor
Gina O’Connor
Leituras
17,0K
Capítulos
46
Autor
Gina O’Connor
Leituras
17,0K
Capítulos
46
💕Romance⚓Vikings💍Casamento arranjado🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪Mulheres fortes⚔️Ação & aventura👑Realeza e aristocracia🧙‍♀️Magos & bruxas🐉Fantasia

A Princesa Sylviara é enviada de Hrafnhall para o Norte gelado como uma "noiva da paz", vinculada ao temido guerreiro Kaelthar de Vargfjord em um juramento de sangue destinado a encerrar uma disputa brutal. No entanto, à medida que aprende as regras rígidas de seu novo lar — e vislumbra o homem por trás da lenda vestida em peles de urso — ela percebe que a aliança pode ter sido construída sobre mentiras. Longe dali, alguém já planeja transformar seu casamento na faísca para uma guerra.

Capítulo 1: O Juramento que Sangra

Sylviara sabia. Ela sabia muito antes de o corvo chegar das fortalezas do norte, muito antes de seu irmão convocá-la ao grande salão.
Os deuses vinham sussurrando por semanas de maneiras tanto sutis quanto insistentes: nos padrões mutáveis da neve nas árvores, na forma como os corvos circulavam sem grasnar, no silêncio inquietante dos escaldos enquanto hesitavam no meio da canção. Até o próprio ar parecia errado, tenso como a corda puxada de um arco. A mudança estava chegando, e não esperaria.
A neve caía como segredos sussurrados, abafando as altas torres e ameias da Fortaleza de Hrafnhall sob uma espessa mortalha branca. Cada floco flutuava sem som, acumulando-se nas muralhas, na pedra congelada e no forro de pele do manto de Sylviara.
A fumaça subia das chaminés em espirais lentas, manchando o céu cinza com o aroma de pinheiro e turfa. O vento rasgava o fiorde lá embaixo, afiado o suficiente para morder até as peles mais pesadas.
Sylviara estava no topo dos parapeitos, as mãos enluvadas descansando na pedra orlada de gelo, os olhos escuros fixos no horizonte onde o fiorde sangrava no mar distante. O frio ardia em suas bochechas, mas ela mal o sentia. O que a gelava corria mais fundo que o inverno. Por fim, ela se virou e desceu para a fortaleza.
Suas botas batiam nos pisos de pedra em um ritmo deliberado enquanto ela se movia pelos corredores gelados de Hrafnhall. Servos faziam reverências quando ela passava, com os olhos baixos, movimentos tensos de inquietação. Até os pajens, garotos que mal tinham dez invernos, endireitavam-se bruscamente à sua aproximação.
Não era apenas o medo que a seguia. Era o reconhecimento: a sensação de uma mulher já reivindicada pelo destino, ainda assim determinada a enfrentá-lo inquebrável.
No pátio, um único corvo pousou no braço de uma estátua gasta pelo tempo, suas penas nítidas contra a neve. Sylviara parou, inclinando a cabeça. Do bolso, ela tirou uma tira de carne de veado seca e jogou para o alto.
O pássaro a pegou no ar e lançou-se no céu pesado de nuvens, batendo as asas silenciosamente em direção ao cinza. Um presságio dado. Um presságio aceito.
Sua respiração virou névoa quando ela se aproximou das portas reforçadas com ferro do grande salão. O gelo traçava padrões delicados pela madeira. Ela descansou a palma enluvada contra a superfície fria e puxou uma respiração lenta e estabilizadora antes de empurrar para entrar. O calor a banhou, mas não trouxe conforto.
A luz do fogo rugia na lareira central, dividindo o salão em faixas mutáveis de ouro e sombra. Lustres de ferro brilhavam no alto, seu brilho engolido pelos confins do salão. O ar estava espesso com fumaça, ferro e lã úmida.
Jarls e membros mais velhos do conselho alinhavam-se nas mesas compridas, envoltos em peles de lobo, silenciosos como figuras esculpidas. A tensão esticava-se entre eles como gelo sobre águas profundas.
No fundo do salão estava seu irmão Ulfar, debaixo da bandeira de sua casa, um corvo negro sobre azul profundo. Ele se virou quando ela entrou, sua expressão já endurecida em comando.
“Você demorou”, ele disse.
“Eu estava na torre do santuário”, ela respondeu com calma. “Você me convocou.”
“Um corvo chegou de Vargfjord esta manhã.” A voz dele ecoou pelo salão. “O líder deles concorda com a paz. Mas apenas se for selada com sangue.”
Sylviara sentiu algo dentro de si se acomodar em uma certeza fria. “Um casamento”, ela disse baixo.
“Um vínculo”, ele corrigiu.
“E você me escolheu.”
“Você é maior de idade. Você tem valor.”
O sorriso dela foi fino e amargo. “Então sou uma moeda agora? Algo a ser trocado?”
“É assim que se faz a paz”, Ulfar disse. “Não com lâminas, mas com alianças.”
“E o que você sabe do homem que devo desposar?”
O maxilar dele ficou tenso. Por um momento, ele não disse nada. E aquele silêncio disse tudo a ela.
“Você nem sabe o nome dele”, ela disse suavemente.
“Isso não importa. A casa dele é forte. Isso é o que importa. Que tenhamos comida no próximo inverno. Que não sejamos atacados na primavera.”
Ela olhou além dele, para os anciãos. “Todos vocês concordam que eu seja enviada às cegas para um covil de lobos?”
Nenhum deles encontrou seu olhar.
Um senhor mais velho limpou a garganta. “Os homens do Norte são implacáveis. Se recusarmos, eles tomarão o que querem com aço.”
“Então eu sou o escudo”, ela murmurou. “O preço para manter este castelo seguro.”
Ulfar deu um passo à frente, com os olhos frios como ferro forjado. “Você é a resposta, Sylviara. A chave para mantermos nossas terras.”
A espinha dela se endireitou. “Quando?”
“Você parte no fim da semana.”
Ela abaixou a cabeça uma vez, majestosa, composta. A aceitação de uma rainha, não de uma irmã. Então ela virou e saiu sem dizer mais uma palavra.
Naquela noite, ela não dormiu. Envolta em peles ao lado de sua janela coberta de gelo, Sylviara escreveu à luz fraca do fogo. A tinta fluía pelas páginas de seu diário: constelações mapeadas em linhas cuidadosas, receitas para poções de cura, runas de proteção e aprisionamento.
Os deuses não falam claramente, ela escreveu. Eles testam com o silêncio.
O medo não era o seu inimigo. A impotência era.
Ela pensou no homem esperando no norte, sem nome, invisível, incognoscível, e o peso no peito dela apertou. Mesmo assim, sua mão nunca tremeu. Ela escreveu até o fogo quase apagar, sua mente acelerada através de contingências e sobrevivência.
Os dias que se seguiram moveram-se com um propósito solene. Ela disse suas despedidas em silêncio, gravando na memória cada som de Hrafnhall: os sinos dobrando na torre, o choque de espadas de treino no pátio, as risadas das garotas da cozinha e dos ajudantes de copa.
Na câmara dos deuses, ela acendeu velas para Frigg, deixou moedas para Tyr e ofereceu sangue para os deuses mais antigos cujos nomes há muito haviam sumido da memória.
Com o curandeiro, ela preparou trouxas de ervas: valeriana para dormir, sálvia para feridas, flor de sabugueiro para febre. Suas mãos trabalhavam com uma calma praticada enquanto seus pensamentos vagavam para o norte, rumo às sombras.
No berçário, ela contou histórias de mulheres espertas que enganaram monstros e de guerreiros que triunfaram sem erguer uma lâmina. Uma garotinha pequena agarrou-se a ela, as bochechas rachadas de vermelho pelo inverno.
“Eles vão machucá-la”, a criança sussurrou. “Não vá.”
Sylviara a puxou para perto. “Eu não quebrarei.” Ela falou gentilmente. “O fogo não quebra. Ele queima.”
Ela treinou diariamente no pátio, praticando ataques e defesas com lâminas de madeira. Cada movimento era controlado, deliberado, não por orgulho, mas pela sobrevivência. Servos paravam para assistir, reconhecendo a força silenciosa que um dia fizera seu pai favorecê-la acima de todos os seus filhos.
Na véspera de sua partida, ela inspecionou seus pertences: runas esculpidas em osso, o pingente de sua avó, potes de ervas, raízes embrulhadas, um pente de madeira trazida pelo mar, pederneira e um frasco de hidromel. Sem joias. Sem sedas. Apenas o que uma mulher de propósito carregaria.
A manhã chegou cortante e cinzenta. A neve cobria espessa as pedras do pátio. Guardas esperavam ao lado do trenó, preparados para a jornada ao norte. Seu corcel, branco como osso, estava calmo debaixo dos flocos caindo.
Ulfar esperava na escada, conselheiros flanqueando-o como sombras. Ela encontrou o olhar dele. Por um batimento cardíaco, ela viu o menino que ele já fora, a criança que havia se escondido atrás de suas saias naqueles salões.
“Quando eu retornar”, ela disse, sua voz cortando limpa através do frio, “será nos meus próprios termos.”
Ulfar desviou o olhar primeiro.
Ela não. Nem olhou para trás para o castelo quando montou no trenó. As rédeas estalaram tensas. Os patins saltaram para frente, esculpindo um caminho pela neve intocada. O vento engoliu os sons do pátio, do lar, de tudo que ela já havia conhecido.
Sylviara voltou-se para o norte. Em direção ao desconhecido. Em direção ao homem com quem se casaria. Em direção a um destino ainda não escrito.

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