
Eu Te Ensino, Você Me Ensina
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Capítulo 1
AVERY
É sexta-feira, bem na hora do almoço, quando a clínica geralmente fecha por uma hora. Estou tão concentrada em um vídeo de uma antiga luta do UFC no YouTube que o sino acima da porta me tira a atenção do vídeo e da minha salada.
“Desculpe, estamos fechados para o almoço”, começo a dizer, levantando o olhar da tela do computador.
Um suspiro melancólico escapa de mim quando uma figura alta e familiar de cabelos pretos entra, segurando um filhote de Labrador preto debaixo do braço como uma bola de futebol americano. Eu o reconheço na mesma hora.
Reed Everett, o melhor amigo do meu irmão mais velho e a estrela de todas as minhas fantasias de adolescente, está parado bem na minha frente.
Sinto meu rosto esquentar. Sua aparência não mudou muito, e ele ainda é tão lindo quanto me lembro. Na verdade, ele está ainda mais gostoso desde a última vez que o vi pessoalmente, e seus anos como lutador de MMA ficam evidentes no seu corpo duro e esculpido.
Muito mais gostoso, penso enquanto olho para ele.
O reconhecimento inunda seu rosto, suavizando suas feições marcadas.
“Pequena Avery Morris?”
Um pingo de irritação passa por mim com o apelido. Ele sempre me chamou de Pequena Avery, mesmo eu sendo apenas três anos mais nova, e, sem surpresa, isso continua tão irritante quanto sempre foi.
Seus lábios se curvam naquele sorriso que eu lembro muito bem. Aquele sorriso despreocupado e absurdamente sexy que eu o via dar para todas as garotas que seguiam ele e o meu irmão. O sorriso que ele dava para todas as garotas, exceto para mim.
Meu estômago revira quando ele se aproxima da mesa. Tiro um momento para acalmar meu coração acelerado antes de falar de novo, abrindo um grande sorriso e esperando não me entregar. Eu mantive minha paixão por ele em segredo por todos esses anos e pretendo continuar assim.
“Reed Everett—”
“E o cara simplesmente não para de atacar!” a voz do locutor grita nos alto-falantes do computador. “Eu te digo, ninguém aguenta tanta pancada como o Ever—”
Me apresso para pausar o vídeo, com o rosto queimando, pois levo duas tentativas até conseguir silenciar o locutor esportivo. Limpo a garganta, voltando a olhar para cima com um sorriso tenso.
“Desculpe por isso, foi um anúncio. Enfim, o que você está fazendo em Nova York? Achei que estivesse morando em Seattle.”
O pequeno filhote no braço dele se mexe e choraminga, então Reed ajeita a forma como o segura até que eu possa ver o seu rostinho precioso. Meu coração derrete com seus grandes olhos cor de chocolate.
“Me mudei para cá faz quatro meses.”
Meu sorriso diminui um pouco.
Reed Everett está em Nova York há impressionantes quatro meses e o meu irmão nem se deu ao trabalho de me contar?! Eu falo com o Josh quase toda semana! Eu poderia ter mostrado Manhattan para ele, nós poderíamos ter passeado no Central Park juntos ou apreciado a vista do topo do Empire State Building.
Como se estivesse lendo a minha mente, Reed acrescenta: “Eu ia te ligar, mas o Josh disse que você estava muito ocupada com o trabalho para me mostrar a cidade.”
É claro que ele disse, penso. Eu vou matar ele.
“Ah, sim. Tudo bem.” Dou de ombros, tentando disfarçar a minha frustração ao me levantar. “Qual é o nome desse carinha?”
“Champ.”
“Oi, Champ”, sussurro carinhosamente enquanto pego a encantadora bolinha de pelo dele. “Você veio fazer um check-up?”
Ele passa a mão pelo cabelo escuro, agora que seus braços estão livres. “Sim. É a primeira vez dele, então pegue leve.”
Uma risadinha envergonhada escapa de mim antes que eu possa evitar.
“Na verdade, eu não faço nada além de registrar os animais e levá-los para o Dr. Collins”, digo baixinho, com o calor no meu rosto se intensificando dez vezes mais.
Ele franze a testa. “O Josh disse que você queria ir para a faculdade para ser veterinária.”
Assinto enquanto o filhote lambe meus dedos com sua língua pequena. “Eu quero. Estou correndo atrás disso, mas é bem caro, e arrumar tempo pode ser um pouco desafiador.”
“Eu te entendo”, ele diz. Ele se encosta no balcão, com os músculos dos braços saltando enquanto tenta espiar a tela do meu computador. “Então, você se interessa por MMA?”
Abaixo a cabeça, fingindo pegar alguns formulários para ele. “Uh, não muito. Vejo um vídeo ou outro de vez em quando... mais para... aprender golpes de defesa pessoal.”
Golpes de defesa pessoal? O que eu estou falando?!
As sobrancelhas dele se erguem, e eu tento não fazer careta ao lhe entregar uma prancheta e uma caneta, que ele pega e começa a bater no braço.
“Já viu alguma das minhas lutas?”
Sim. Todas elas.
Dou a ele um sorriso inocente. “Você luta MMA?”
Ele suspira. “Jesus, o seu irmão não te conta nada? Me aposentei no ano passado, mas eu era o segundo do mundo na minha categoria de peso. Até fiz alguns eventos de pay-per-view ao vivo, então estou surpreso que você ainda não tenha visto um vídeo de uma das minhas lutas.”
Não admito que assisti a cada uma delas, grudada na tela enquanto Reed dançava pelo octógono, com luvas nas mãos e fogo nos olhos ao enfrentar seu oponente.
“Ah”, digo suavemente, ajeitando o filhote nos braços e me permitindo dar uma boa olhada no homem diante de mim.
Ele com certeza tem o visual de um lutador experiente, com o corpo esculpido como uma arma letal. Os ombros largos preenchem sua camiseta preta, alargados por músculos que devem ter levado anos para serem construídos, e seus bíceps saltados espiam por cada manga, fazendo o tecido esticar sobre seus braços grossos.
Deus, penso. Como seria sentir esses braços musculosos me abraçando apertado? Ter esse corpo duro me prensando no colchão?
Um sorriso brincalhão surge no canto dos seus lábios quando encaro por tempo demais, então afasto a imagem da cabeça e me curvo para olhar o computador, clicando na agenda.
“Vamos ver se o doutor tem tempo para atender um encaixe hoje.”
Ele se aproxima, olhando por cima do balcão, e seu olhar recai sobre um pedaço de papel com vários desenhos rabiscados. Suas sobrancelhas disparam para cima.
“Que porra é essa?” ele pergunta com uma risadinha.
Olho para baixo e noto o pênis mal desenhado que a minha melhor amiga e colega de quarto, Olive, deixou na última vez que esteve aqui. Ofego, escondendo rapidamente o desenho proibido debaixo de uma revista de fofocas.
“Ah! I-isso não é nada”, gaguejo.
“Isso é o que eu acho que é?” ele pergunta, com o sorriso alcançando seus olhos.
“E-eu não sei o que você quer dizer”, respondo, limpando a garganta e tentando em vão controlar a minha vergonha.
Mas ele dá uma risada grave, inclinando-se para arrastar a revista e ver a imagem melhor. “Isso é um pau, Avery?”
O filhote quase pula dos meus braços.
“Não fui eu que desenhei”, digo bruscamente.
“Bem, isso é bom, eu acho.” Ele dá de ombros, segurando outra risada. “Esse é um pau bem pequeno, então espero que você tenha tido referências melhores do que essa.”
Minha mente fica em branco, pois ele nunca brincou comigo desse jeito antes. Na verdade, não acho que ele já tenha mencionado a palavra pau ou qualquer outra frase sexual na minha presença, especialmente sob o olhar atento do meu irmão superprotetor.
A sobrancelha erguida dele me avisa que está esperando uma resposta, e eu quero dizer algo fofo e espirituoso de volta, mas o Dr. Collins entra na clínica antes que eu tenha a chance. O sorriso animado no rosto do Reed vacila enquanto ele dá um passo para trás, e eu volto a minha atenção para o meu chefe.
“Como foi o almoço, Dr. Collins?”
“Já discutimos isso, Avery. Por favor, me chame de Matt.”
Ele para no cabideiro perto da porta para vestir o jaleco, guardando uma caneta no bolso do peito.
“Certo, desculpe. Imagino que não tenha tempo para encaixar este filhote hoje, tem?” pergunto esperançosa, dando a ele o meu melhor sorriso para ajudar a pedir o favor.
Sei pela sua agenda que ele está lotado até a hora de fechar, mas quero poder ajudar o Reed.
O Dr. Collins olha para mim e depois para Reed, antes de fixar o olhar em mim de novo.
“Fazer exames completos não seria exatamente um simples encaixe”, ele diz, dando a volta para fazer um carinho no filhote entre as orelhas.
Eu sei disso, mas isso não anula o quanto quero dar a Reed o que ele pediu.
Reed dá de ombros. “Tudo bem. Posso voltar na segunda-feira, se tiver algum horário disponível.”
Ele pisca para mim de um jeito brincalhão enquanto clico na agenda e encontro um horário livre na segunda-feira de manhã.
“Temos um horário vago às nove e meia.”
“Perfeito. Nós vamos querer esse.”
Me movo para devolver o filhote a ele, e o seu perfume dança ao meu redor em uma névoa inebriante quando ele se aproxima, de braços estendidos para pegar o inquieto Champ.
“Foi muito bom ver você de novo, Avery.”
Fico imóvel quando ele esbarra em mim ao tirar o cachorro das minhas mãos. “Sim, você também, Reed.”
Ele acena enquanto sai pela porta, e meu coração afunda quando ele desaparece de vista. Quero chamá-lo de volta, porque faz muito tempo que não nos víamos, e quero perguntar o que ele esteve fazendo nos últimos seis anos.
Quero ouvi-lo falar sobre as lutas de MMA, perguntar se finalmente comprou o Mustang que sempre sonhou, ou se está saindo com alguém. Quero fazer a ele um milhão de perguntas, mas ele vai embora antes que eu tenha a chance.
É um clichê completo que eu fosse apaixonada pelo melhor amigo do meu irmão enquanto crescia, mas eu era. Ele estava sempre com o Josh, e quanto mais tempo passava na minha casa, mais a minha mente viajava para lugares que não devia.
Toda noite, eu sonhava em beijá-lo, em sentir seus músculos sob os meus dedos, imaginando como seria se ele fosse o meu primeiro. Eu ficava rondando a porta do meu quarto só para ter um vislumbre dele saindo do banheiro depois do treino de futebol, com a toalha enrolada na cintura e o corpo ainda molhado do banho.
Me recosto na cadeira, distraída demais com o reaparecimento repentino de Reed para focar em qualquer outra coisa, e nem percebo que é hora de ir embora até que o Dr. Collins bate de leve no topo da tela do meu computador.
“Vejo você na segunda-feira, Avery.”
Pisco algumas vezes para limpar a minha mente dos pensamentos sobre Reed, forçando um pequeno sorriso.
“Vejo você na segunda-feira, Dr. Collins.”












































