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Mantenha-me Por Perto

Autor
Julie Mar
Leituras
19.3K
Capítulos
43
Autor
Julie Mar
Leituras
19.3K
Capítulos
43
🕵️‍♂️Mistério & suspense🎓New Adult & Faculdade👱🏽‍♀️Adolescentes💪🏻Protetor👩🏽‍🎓Estudantes🔒Proximidade forçada

Quem diria que conseguir um apartamento seria tão estressante? Callie acabou de terminar o ensino médio e precisa desesperadamente de um lugar para morar antes do início da faculdade. Felizmente, ela encontra o apartamento perfeito: perto do campus, acessível e surpreendentemente aconchegante. Só tem um porém — Adam, seu misterioso novo colega de quarto. À medida que Callie e Adam se aproximam, mensagens estranhas começam a aparecer no celular dela. Alguém está observando os dois. E quanto mais Callie se apaixona por Adam, mais perigosa se torna a verdade por trás do passado dele.

Capítulo 1: Eu Tenho um Problema

Você só pode estar de puta brincadeira comigo.
“Sinto muito, mocinha”, o homem me dizia, irritado. “Mas eu já falei várias vezes: não conheço nenhum Travis Olton e não há nenhum apartamento para alugar aqui.” Ele soltou um suspiro pesado. “Acho que você caiu em um golpe, querida.”
Até aquele exato momento, eu achava que tudo ficaria bem. O proprietário podia ter cometido um erro, ou talvez eu estivesse no endereço errado, ou talvez Travis tivesse se confundido e trocado um dos seus aluguéis por outro. Mas agora, ouvindo aquelas palavras, minhas esperanças despencaram por completo.
“Maravilha”, eu respondi, tentando segurar minhas lágrimas. “Simplesmente ótimo.”
“Espero que ele não tenha tirado muito dinheiro de você”, o proprietário me disse.
“Eu mandei o pagamento inicial para ele”, eu respondi, com a mente ainda girando. “Dois mil dólares.”
“Ah.” O homem coçou a parte de trás de sua cabeça careca, parecendo não fazer ideia do que dizer. “Poderia ser pior.”
Ah, mas era pior. Eu tinha começado meu verão como qualquer jovem de dezenove anos: feliz que o ensino médio tinha acabado, ainda aproveitando meu ano sabático, e animada para começar a faculdade e minha nova vida. Eu tinha me inscrito para morar no alojamento do campus, já que parecia a melhor opção, e fui aceita rapidamente.
Então, três semanas atrás, eles mandaram um e-mail para o campus inteiro dizendo que o prédio que me foi designado tinha inundado. Feio.
Eu esperava uma realocação. Em vez disso, vieram com um “lamentamos informar” e devolveram meu depósito. E foi isso.
A isso seguiram-se duas semanas investigando sem parar na internet — Craigslist, grupos do Facebook, sites de aluguel suspeitos. Qualquer coisa a uma hora de distância da USC. Eu não estava sendo exigente.
Eu só precisava de um teto, uma tranca na porta e um banheiro funcionando.
Finalmente, encontrei um. Um quartinho bonito, perto do campus, não muito caro. O cara parecia ser legítimo e nós tínhamos trocado e-mails durante a última semana.
Aí entra o som de womp-womp.
“Obrigada pela sua ajuda”, eu disse ao proprietário rapidamente, segurando o soluço na minha voz. Sem esperar por uma resposta, voltei pelo caminho de onde eu tinha vindo, rapidamente tirando meu celular do bolso e discando o número daquele babaca.
Nada. Eu liguei de novo. “Vamos, vamos, vamos, seu merdinha do caralho”, eu sussurrei para mim mesma, rezando para que qualquer divindade no céu fizesse o Travis atender.
Quando a ligação caiu na caixa postal de novo, eu tive vontade de gritar. Apertei meu celular com mais força e, quando as lágrimas vieram, as limpei com a mão e corri para o meu carro.
Bem, o carro da minha mãe. Ela me emprestou para visitar meu futuro apartamento e conhecer meu proprietário. Ha.
A viagem para casa foi tranquila, se você não contar a infinidade de palavrões que ecoaram pela minha cabeça. E o desespero que estava arranhando minha garganta. Aquilo tinha sido a cereja do bolo, não é?
O que eu deveria fazer agora? As aulas da faculdade começavam em uma semana, e eu não podia exatamente dirigir quatro horas de ida e volta todos os dias. Encontrar um apartamento tão perto do começo do semestre ia ser impossível.
Minha vida na faculdade ia acabar antes mesmo de começar?
***
Foi um milagre eu não ter chegado na entrada de casa em lágrimas. Eu saí do carro, me sentindo completamente esgotada, e fui em direção à porta da frente. Minha mãe ficaria arrasada; ela estava muito animada com essa chance para eu—
“Parabéns pelo seu novo apartamento, querida!” minha mãe gritou quando passei pela porta. Ela segurava um bolo, com as velas acesas e brilhando. “O resto da sua vida está virando a esquina agora.”
De repente, a emoção entalou na minha garganta. Eu não conseguia falar, mas minha expressão deve ter sido clara o suficiente, porque o rosto da minha mãe caiu.
“Está tudo bem, meu bebê?”
“Não”, eu consegui dizer. “Foi um golpe.”
“O que?” minha mãe exclamou, colocando o bolo na bancada e correndo até mim. “O que aconteceu?”
“Foi um golpe”, eu repeti. “Não tinha nenhum apartamento. Travis pegou o pagamento inicial e sumiu. Eu tentei ligar para ele, mas…” Eu não consegui terminar a frase.
“Ah, Callie.” Os braços dela se enrolaram ao meu redor, me abraçando bem forte. “Sinto muito que isso tenha acontecido com você. Ser vítima de um golpe assim é horrível e injusto.” Uma pausa. “Se serve de consolo, esse tipo de coisa acontece com quase todo mundo em algum momento. Na verdade, é meio que um marco — significa que você é oficialmente uma adulta.”
“Isso é uma merda”, eu respondi com tristeza.
“É, bem, bem-vinda ao resto da sua vida”, minha mãe brincou. Então, ela deu tapinhas nas minhas costas com cuidado. “Vamos lá, você vai ficar bem. Nós vamos dar um jeito nisso.”
“Como?” eu perguntei, sentindo a frustração crescer de novo. “As aulas começam em uma semana, mãe. Não tenho onde ficar. E não posso usar o seu carro para ir até lá, já que você precisa dele para trabalhar, então…” Minha voz soava pouco acima de um sussurro. “O que eu deveria fazer?”
“Eu vou perguntar por aí”, minha mãe disse gentilmente. “Tenho alguns amigos na cidade. Talvez eles possam te hospedar por algumas semanas? Só enquanto você procura o seu próprio lugar?”
Eu funguei. “Eu acho que sim.”
“Viu? Já está resolvido”, minha mãe disse, me soltando do abraço. “Agora, vamos comemorar que você virou adulta com o maior pedaço de bolo legalmente aceitável. O que acha?”
Ouvir isso me deu vontade de sorrir. “Parece incrível, mãe.”
***
Eu estava olhando para a mesma página por pelo menos meia hora. A xícara de chá já estava fria nas minhas mãos, e o cobertor que eu tinha pegado caiu de qualquer jeito no chão, mas eu não me importei.
Minha mente não conseguia focar em nada — era como se, não importasse o que eu fizesse ou pensasse, eu imediatamente voltasse para aquele golpista e no quanto eu fui burra por acreditar em uma única palavra dele.
Depois do desastre de ontem que poderia ter estragado meu primeiro ano na faculdade — nada de mais —, passei a manhã colada no meu computador, me recusando a parar até encontrar outro lugar adequado para morar. Foi só às duas da tarde que minha mãe foi me ver antes de sair para o turno dela, e me encontrou curvada sobre a mesa, de olhos vermelhos.
Ela ficou tão brava por eu ter me negligenciado que me forçou a sair de perto da mesa. E, quando mencionei que ainda não tinha comido, ela trancou meu computador no armário e me mandou relaxar. Então, ela foi embora.
Sinceramente, ela deveria estar feliz por eu ainda não ter quebrado a porta do armário.
De qualquer forma, eu tentei relaxar. Eu tentei mesmo. Mas eu não conseguia relaxar.
Não quando outros calouros — aqueles que não tinham o diabo brincando com a vida deles — estavam se mudando para os dormitórios naquele exato momento, ficando animados para as aulas e conhecendo pessoas novas. Bem, eu não ligava muito para conhecer pessoas novas, mas mesmo assim.
Eu já estava atrasada e queria muito fazer alguma coisa a respeito. Bem nessa hora, a porta da frente se destrancou e olhei para cima para ver minha mãe entrar, ainda de uniforme.
“Oi, querida”, ela chamou.
“Oi, mãe”, eu respondi. “Como foi o trabalho hoje?”
“Ah, o de sempre”, ela riu. “Você diz para uma criança ficar com a boca aberta para eu poder fazer a limpeza, e assim que eu pego o explorador dentário, ela morde.”
“Essa é uma reação perfeita”, eu disse. “Aquela criança sabe que limpar os dentes pode doer.”
“Ha ha”, ela riu, colocando a bolsa no chão. “Você já comeu?”
“Não”, eu disse. “Mas posso cozinhar alguma coisa enquanto você toma banho?”
“Isso seria ótimo, Callie”, minha mãe disse. Então, com um brilho suspeito no olhar, ela sorriu. “E faça algo bom para acompanhar a novidade.”
“Novidade?” eu perguntei. Fiquei confusa. “Que novidade?”
“Ah-ah.” Ela balançou um dedo no ar. “Não vou contar. É uma novidade muito boa, mas só vou contar enquanto estivermos comendo.” Com uma piscadela, ela subiu as escadas para se lavar.
Vinte minutos depois, a mesa estava arrumada, o macarrão estava sendo coberto com parmesão e nós nos sentamos à mesa.
“Isso parece maravilhoso, Callie”, minha mãe cantarolou, dando a primeira mordida rapidamente. “Mm, realmente está tão bom quanto parece.”
“Obrigada, mãe”, eu respondi, começando a comer também. “Então, qual é a novidade?”
“Tão impaciente”, minha mãe provocou. Ela engoliu antes de continuar. “Acho que encontrei um lugar para você ficar.”
“O que?” eu perguntei, esquecendo a comida na mesma hora.
Minha mãe assentiu. “Sabe a Clara? Da aula de Pilates que eu fiz três anos atrás?”
“Não faço a menor ideia.”
Ela revirou os olhos. “Não importa. Ela tem uma sobrinha, cuja mãe do namorado é amiga dessa mulher, e o filho dessa mulher tem um lugar.”
Eu pisquei os olhos. “Hã?”
“Essa mulher tem um filho que também estuda na USC,” ela repetiu claramente. “Ele tem um apartamento perto da faculdade, e parece que o colega de quarto dele se mudou há um tempo.” Minha mãe limpou a garganta. “Eu sei que não é o ideal e que você queria um estúdio... mas isso é real. Você só precisaria conversar com esse garoto e ver se vocês se dão bem. Eu tenho o número dele bem aqui.”
“Isso parece… suspeito”, eu disse a ela. “Como você sabe que isso não é outro golpe?”
“Porque eu conheço essas pessoas!” minha mãe exclamou, parecendo quase ofendida.
“Você conhece, tipo, a quinta pessoa dessa fila”, eu rebati. “Você tem certeza de que isso é real?”
Minha mãe me olhou com carinho e depois colocou a mão sobre a minha. “Você nunca vai chegar a lugar nenhum se não tentar, querida. E tenho certeza de que o seu pai diria a mesma coisa se ele ainda estivesse aqui.”
Eu sustentei o olhar dela por mais um momento antes de soltar um suspiro pesado. Ela tinha razão.
O meu pai me incentivaria a fazer esse tipo de coisa. A tentar.
“Tudo bem. Me dê o número dele. Eu vou ligar para ele.”

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