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Capturando seu Rouxinol

Autor
Jane Anne
Leituras
16,9K
Capítulos
49
Autor
Jane Anne
Leituras
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Capítulos
49
👩🏻‍🍼Mães💓Amigos que se apaixonam🏙️Contemporâneo

Wren nunca quis um bebê. Nem um namorado. Nem ver sua melhor amiga, Morgan, nua. Ops. Um em cada três não é nada mal.

Wren Lancaster tem sua vida sob controle perfeito — sem sentimentos complicados, sem envolvimentos românticos e absolutamente nenhum bebê. Isso até que sua melhor amiga, a irritantemente charmosa Morgan, sugere o impensável: ter um bebê juntas.

Não é como se elas já não tivessem cruzado algumas linhas. Tudo bem, várias linhas. Mas o que começa como um acordo completamente lógico e totalmente não sexual (com algumas exceções picantes, em nome da ciência) rapidamente se transforma em um turbilhão caótico de confissões tarde da noite, escapadas no chuveiro e sentimentos surpresa.

Agora existe um bebê. Possivelmente amor. E, com certeza, um monte de conversas constrangedoras pela frente.

Se Wren conseguir sobreviver ao seu passado, à lista não solicitada de nomes de bebês inspirados em pássaros de Morgan e à ex-namorada mais persistente do mundo, ela pode acabar tropeçando na única coisa que jurou que jamais desejaria... a felicidade.

Classificação de Pimenta: 🔥🔥🔥🔥 Nível de Caloria: Slow Burn a Escaldante

Este livro se desenvolve a partir da tensão emocional e da química não resolvida para cenas explícitas com detalhes picantes e conexão intensa. Espere:

•	- Antecipação slow-burn
•	- Exploração de friends-to-lovers
•	- Intimidade explícita
•	- Dirty talk e encontros carregados de emoção
•	- Muita caloria equilibrada com sentimentos reais

O Sonho Molhado de um Terapeuta

Wren: Trinta Anos de Idade.
Morgan: Trinta e Cinco Anos de Idade.
Status do Relacionamento: Complicado

WREN

A pessoa que decidiu que a gente deve se sentar em um consultório aconchegante, com almofadas macias e velas com cheiro de canela, para falar sobre nossos problemas secretos com um estranho, bom, essa pessoa deve ter sido um gênio.
Fazer terapia era ótimo.
A terapia era a melhor coisa do mundo.
Isso era ainda mais verdade para uma garota como Wren Lancaster.
Ela era o sonho de consumo de qualquer terapeuta.
Problemas de controle? Confere.
Problemas de intimidade? Confere.
Trabalhava demais? Confere.
Incapaz de manter um relacionamento amoroso por mais de alguns meses? Confere, confere e confere.
E agora ela estava ali — grávida de nove meses e mil e um dias —, sozinha e sem ideia do que fazer com um bebê em sua vida.
Mara, terapeuta de Wren há dez anos, devia estar contando os cifrões na cabeça com uma alegria incontrolável. Ou estaria, se Wren não tivesse o hábito de desaparecer por meses entre as sessões, cada falha em manter a agenda sendo resultado de sua crença inabalável de que poderia finalmente viver uma vida normal sem a interferência de outra pessoa.
Não que Mara interferisse. Era só que Wren tinha se acostumado a depender dela. E Wren não gostava de depender de ninguém; isso estava enraizado nela como aqueles anúncios irritantes no feed de notícias que não sumiam, por mais que você clicasse no botão de fechar.
Não existia botão de fechar na vida real, então Wren fugia e se enterrava no trabalho e nos exercícios até que algum grande acontecimento na vida a forçasse a voltar.
Um grande acontecimento na vida, como engravidar quando queria qualquer coisa menos estar grávida, certamente se encaixava nos critérios para voltar à terapia.
Então agora Wren estava de volta, e já se arrependia de ter evitado suas sessões de terapia ultimamente. Ela se lembrou mais uma vez de como costumava amar o tempo com Mara — um alívio de uma hora do turbilhão em que sua vida havia se tornado. As sessões a acalmavam, consertavam tudo que estava errado em seu mundo, e ela nunca deixava de sair se sentindo melhor do que quando chegou.
Até mesmo suas decisões mais imprudentes, a mais visível agora sendo sua enorme barriga de grávida, não pareciam tão ruins depois que Mara falava sobre elas no tom calmo e gentil que sempre usava.
Afinal, Mara era a terapeuta de Wren desde que ela tinha vinte anos, e agora Wren não era mais aquela jovem assustada; elas eram mais amigas do que médica e paciente. Mara havia acompanhado Wren em seus piores momentos e, com sorte, continuaria a fazê-lo.
Mas hoje Wren sentiu que a sessão delas — uma decisão de última hora tomada apenas ontem — não ia terminar com afirmações positivas e um abraço caloroso e reconfortante.
Wren se mexeu, desconfortável, no sofá e tentou expirar através de um aperto agudo na barriga. Ela colocou uma mão no ventre redondo e fez uma careta. Ela nem deveria estar ali, conversando com Mara enquanto fingia que aquele era um dia normal ou mesmo uma sessão de terapia normal.
Afinal de contas, ela estava em trabalho de parto.
“Faz tempo que não te vejo”, Mara afirmou, olhando para Wren com algo parecido com decepção.
Wren tirou a mão da barriga quando a contração passou. “Eu estive um pouco ocupada.”
“Estou vendo.” Mais uma vez, a decepção brigou com a preocupação no rosto da outra mulher. “Como está indo isso?”
“Por ‘isso’ você quer dizer o feto-humano-barra-alienígena que estou cultivando?”
A boca de Mara quase deu um sorriso. “Sim.”
“O que você acha? Eu nem contei para o pai que estou grávida, fugi que nem uma covarde.”
“Sim, mas você tinha bons motivos na época. Ou pelo menos achava que tinha.”
Wren deixou de lado a culpa e o arrependimento pela forma como tinha lidado com tudo para focar no presente. “Eu não vim aqui para falar do bebê. Eu preciso falar sobre a outra coisa.”
“Agora?” Mara olhou para a barriga enorme de Wren, e para como ela ainda se ajeitava, incomodada, no sofá. “Você acha que agora é a melhor hora para discutir isso?”
“Você é a terapeuta. Nós falamos sobre o que eu quiser. E eu quero falar sobre Fred.”
Mara não ligou para o tom irritado de Wren. “Tudo bem. Vá em frente.”
Wren fez uma pausa, esquecendo suas próximas palavras enquanto outra contração vinha de repente.
Ela franziu a testa; realmente deveria estar marcando o tempo dessas dores. Era isso que alguém em trabalho de parto faria, não era? As ondas de dor com certeza estavam ficando perto demais umas das outras.
“Wren?” Mara chamou.
Wren se forçou a prestar atenção, com os olhos pousando no quadro de natureza atrás da cabeça de Mara. “Essa pintura é nova? Eu gostei. Deve ter sido difícil de achar, conheço o artista e ele não vende muitas—”
“Esqueça a pintura”, Mara disse firme. “Você está se distraindo com detalhes inúteis de novo.”
“Detalhes não são inúteis. Os detalhes são tudo o que importa.”
“Qual é o intervalo das suas contrações, então?”
Wren ficou tensa de surpresa. “Isso não é—”
“Você obviamente está em trabalho de parto. Eu não sou idiota, Wren; tive três filhos e conheço os sinais. Qual o intervalo entre as contrações?”
Wren recuou um pouco. “Eu não sei. Eu perdi a conta.”
“Você, que tem obsessão por cada detalhe da sua existência cuidadosamente construída, não sabe em que ponto do trabalho de parto está?”
Wren se endireitou, na defensiva. “Sim.”
Mara estreitou os olhos. “Você ainda se recusa a se conectar com esse bebê, não quer nem admitir que ele pode nascer hoje.”
“Só porque eu não fiquei marcando o tempo das—”
“Você tem pelo menos um berço pronto? Uma bolsa de maternidade arrumada? Alguém para te dar algum apoio?”
“Não”, Wren admitiu com um suspiro. “Eu achei que meus pais fossem ajudar, mas nós não estamos nos entendendo sobre o bebê...” Ela deixou a frase morrer naquele ponto de discussão particularmente constrangedor.
Mara suspirou também. “E em vez de ir para o hospital como deveria, como qualquer mulher normal faria na hora do parto, você está aqui tentando revisitar um passado que não importa mais.”
“Por favor, nunca fale comigo sobre ser normal. E o passado importa sim. Antes de ter este bebê, eu quero enfrentar o passado.”
“Você já falou com a Winifred nove meses atrás.”
Wren sorriu. “Ela odeia ser chamada assim. Seus pais chiques e aristocratas realmente não pensaram direito naquele nome; é claro que Winifred seria encurtado para Fred.”
“Detalhes, Wren.”
“Certo.” Ela se mexeu de novo. “Eu consigo focar. Eu consigo. Mas eu não tive a chance de resolver os nossos problemas, foi muita coisa. Eu preciso finalmente superar tudo de uma vez por todas.”
“Isso é louvável. Mas se você quer fazer isso, não pode ser aqui, na segurança desta sala; você precisa fazer isso pessoalmente. Você precisa confrontar Fred diretamente.”
Wren estremeceu. “Eu não posso. Fred está com... ele.”
Mara levantou uma sobrancelha. “Ele?”
“O pai do bebê.”
“Entendi.” Mara ficou quieta por um momento. “E isso te assusta? Se você confrontar Fred pessoalmente, tem medo de arriscar a chance de ele descobrir que você está esperando um filho dele?”
“Eu vou contar para ele. Eu prometi que contaria. Mas vai ser do meu jeito, depois que o bebê nascer.”
“E como você acha que isso vai ser?”
Wren não conseguiu responder àquela pergunta capciosa, pois naquele exato momento, houve uma confusão além da porta fechada do consultório de Mara. O barulho invadiu através de ondas de passos apressados e vozes altas em uma discussão tensa.
Mara se virou um pouco, tendo tempo apenas para um perplexo “Mas o que é isso?” antes de a porta se abrir com tudo e alguém invadir a sala.

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