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Centelha do Desejo Livro 2

Autor
Vera Harlow
Leituras
18,8K
Capítulos
38
Autor
Vera Harlow
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Capítulos
38
🐺Sobrenatural🐺Lobisomens & mutantes🔺Triângulo amoroso🎭Drama👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa

A vida de Adeline vira de cabeça para baixo quando ela é capturada por uma rebelião descontrolada, sendo separada de seu companheiro, Zach. Enquanto tenta se adaptar à sua nova realidade, ela precisa confrontar seus sentimentos, desvendar verdades ocultas sobre seu passado e decidir onde reside sua lealdade. Com o perigo à espreita a cada esquina e forças poderosas em jogo, a jornada de Adeline é uma busca por autodescoberta, sobrevivência e liberdade. Será que ela encontrará seu lugar em um mundo devastado pela guerra e pela traição?

Bem-vinda

Livro Dois

Sequestrada na noite anterior à sua marcação, Adeline finalmente pode conseguir respostas. Mas a rebelião está longe de ser o que ela imaginava, e a ameaça de guerra leva Adeline ao meio do conflito, com seus dois companheiros de cada lado. Quando seu passado volta a assombrá-la, Adeline descobre que a facção que você escolhe é menos importante do que os segredos que você guarda.

ADELINE

"Bem-vinda à rebelião dos selvagens."
Os minutos que se passaram desde que Brenden falou pareceram horas, mas eu sabia que tinham sido só alguns minutos. A mão dele estava na minha bochecha, acariciando-a com seu polegar áspero.
Meus olhos estavam fixos nos dele, tentando decifrar o homem à minha frente. Minha boca ficou seca, assim como minhas lágrimas, e minha garganta estava dolorida de tanto gritar.
Meus pensamentos circulavam incansavelmente pelo meu cérebro, atravessando a massa cinzenta enquanto disparavam.
Eu tinha a desagradável sensação de que, em vez de me libertar, Brenden tinha acabado de me arrastar para um problema maior do qual eu não queria fazer parte.
Eu não sabia muito sobre a rebelião, mas, pelo que ouvi, participar dela me traria o oposto do que eu sonhava. O que poderia acontecer comigo se eu fosse pega?
Eu não sabia, mas sabia que, no final, não me levaria ao meu objetivo principal.
E qual era mesmo? Voltar à minha vida solitária? Ser escrava da minha identidade secreta? Encontrar um lugar para ser eu mesma nas minhas próprias condições? Ter uma família, um companheiro?
O sorriso bobo de Zach passou diante dos meus olhos. Sua insistência em dizer que sabia onde eu pertencia e o que era melhor para mim deixou crateras na minha estrada de pensamentos racionais.
Meu punho fechado subiu ao peito quando uma dor aguda atravessou minha omoplata e chegou ao meu coração. Inspirei profundamente e pisquei os olhos enquanto rangia os dentes.
Eu precisava voltar. Voltar para onde eu pudesse ter um lar. "M-me deixe sair." Eu tremia enquanto falava.
Brenden estava me observando com a mesma atenção que eu o observava. "Sshhhhhhhhh, respire, Ade," ele me acalmou enquanto seus olhos se afogavam em preocupação. Seu toque elétrico invadiu meus sentidos e minha loba uivou, confusa.
Ele era meu companheiro, mas e o Zach? Eu tinha concordado em deixá-lo me marcar.
Ela queria ser marcada. Ela precisava se sentir completa.
As promessas que costumavam borbulhar das profundezas da minha alma, os sussurros que me prometiam realização, foram arrastados dos cantos escuros onde eu os havia enfiado.
Agora, na luz, os sussurros viraram um rugido abafado. Pensamentos e sentimentos vorazes me deixaram dolorosamente exposta. Com os punhos apoiados em minha cavidade torácica vazia, fui golpeada por dentro.
"Tenho que voltar," sussurrei entre respirações superficiais.
O toque de Brenden ainda era suave, mas seus olhos verdes se enrijeceram. Ao me puxar para ele, ele abaixou meu cobertor e rasgou a gola do lado esquerdo do meu ombro.
Seus olhos examinaram meu ombro e clavícula antes de parar na minha marca de nascença. Avançando, ele me empurrou contra seu peito e encostou seus lábios na marca. Meu corpo inteiro se arrepiou e um gemido involuntário escapou dos meus lábios.
Eu deveria ter ficado constrangida com essa intimidade, já que estávamos em uma van cheia de pessoas, mas não fiquei. Os lábios dele na minha clavícula fizeram com que o rugido se reduzisse a um gemido, e um impulso primitivo me fez entrelaçar meus dedos em suas mechas acobreadas.
Puxei levemente, exigindo mais, e ele gemeu gostoso contra mim. Seu hálito quente fez com que minhas costas arqueassem. Seus lábios se separaram, ele roçou minha pele com os dentes, e meu núcleo se contraiu em agonia.
Eu queria que ele mordesse como nunca tinha desejado nada na minha vida.
Eu podia sentir sua necessidade por mim, seu desejo incondicional pelo meu corpo e tudo o que ele oferecia. Ele me queria, e esse desejo me fazia desejá-lo ainda mais.
Havia uma fera possessiva rosnando no fundo da minha mente, me dizendo que eu pertencia a ele. Eu tinha a sensação de que a fera era dele.
Nossa respiração estava acelerada e eu gemi quando seus lábios se fecharam sobre seus dentes e ele se afastou com um beijo.
Por mais que seu toque me acalmasse, também me assustava.
Seria esse o vínculo? Como eu poderia estar reagindo tão fortemente a alguém que mal conhecia? Por que agora? Eu estava loucamente atraída por Zach, mas não deveria ter me sentido assim antes?
Os olhos sem vida do coelho me encararam das profundezas do meu subconsciente. Será que eu tinha desbloqueado algo? Será que a minha loba finalmente estava livre dos limites que eu tinha colocado nela?
Quando ele se afastou, meu coração voltou a acelerar e meu corpo começou a tremer. Ondas de incerteza começaram a se abater sobre mim, atingindo meu corpo desgastado até o fundo escuro da minha mente.
Seus olhos se fixaram nos meus e espelharam a dor que eu estava sentindo. Ele aninhou a cabeça na curva do meu pescoço, e a turbulência diminuiu.
Pequenas lágrimas, os últimos vestígios das ondas, escorreram pela minha bochecha. O sabor salgado queimou meus lábios secos.
"O que ele fez com você?" Brenden sussurrou, me abraçando com mais força.
"Nada. Eu... não sei qual é o meu problema," respondi, apoiando minha cabeça em seu ombro.
Ele me puxou para cima, fazendo com que eu ficasse em cima dele. As pontas de seus dedos subiam e desciam lentamente pelas minhas costas, deixando pequenos rastros de prazer com suas unhas.
"Você tem que me levar de volta," reiterei.
"Por que você quer voltar para lá?," perguntou ele, com a mão nas minhas costas.
"Eu sei o que vai acontecer comigo se eu ficar lá. Eu não te conheço, não sei o que você quer, só me leva de volta," respondi, fechando os olhos.
Ao me endireitar, coloquei minhas mãos em seu peito e o empurrei. Eu precisava recuperar o controle de mim mesma, dessa situação. O problema é que quanto mais eu me afastava de Brenden, mais meu peito doía.
Estremeci ao me inclinar para longe dele.
"Você pode confiar em mim," disse Brenden suavemente, com as mãos ainda em volta da minha cintura.
"Você me sequestrou," respondi.
"Sim, mas é melhor assim." Ele sorriu.
Minhas sobrancelhas subiram até a linha do cabelo quando ele me puxou para mais perto.
"Melhor?" perguntei.
"Sim, assim não parece que você fugiu para se juntar à rebelião. Se eles te encontrarem de novo um dia, seu nome vai estar limpo," ele respondeu.
Fechando os olhos, segurei a camisa de Brenden e respirei fundo. "Isso vai piorar tudo, eu preciso..." Minha respiração ficou presa e minhas mãos começaram a tremer.
"Você vai ficar bem," disse ele, encostando a testa na minha enquanto eu tentava recuperar o fôlego.
Meu corpo rejeitou o que ele disse. Eu me sentia tão fora de controle. Nada estava garantido, nem mesmo a minha próxima respiração.
"Ela está em abstinência," disse a mulher sentada no lado oposto, ainda olhando pela janela. Brenden cerrou os punhos na minha blusa e rosnou.
"Abstinência?" Eu ofeguei, me virando para olhar para ela.
Seus olhos percorreram meu reflexo e pude ver sua careta antes de me encarar. Acenando com a cabeça, ela colocou o cabelo preto na altura do queixo atrás das orelhas.
"Sim, é como se a sua loba estivesse tendo um ataque de pânico por medo de deixar o seu companheiro. Ela anseia pela presença dele, está com medo," respondeu.
"Mas por que eu..." Meu rosto ficou vermelho enquanto eu pensava em uma maneira de formular minha pergunta.
"O Brenden também é seu companheiro, não é? A presença dele está acalmando você porque sua loba está procurando por segurança," ela me disse, sabendo o que eu ia perguntar.
Balancei a cabeça agressivamente. "Não estou em abstinência".
Ela sorriu para mim com tristeza.
"Como você sabe?" Eu disparei contra ela, odiando seu olhar de pena.
"Porque já passei pela mesma coisa." Ela deu de ombros.
"Tem certeza?" Brenden perguntou.
"Sai de perto dela," sugeriu ela.
Rosnando, ele se afastou de mim. Meu corpo ficou instantaneamente mais frio sem ele. Seus olhos se enrijeceram de dor e raiva quando comecei a tremer e a hiperventilar na frente dele.
Não conseguindo mais encarar seus olhos, desviei o olhar. "Desculpa," gritei, confusa. Por que eu estava pedindo desculpas a ele? Eu não sabia.
"Não, não se atreva a fazer isso." Ele gritou, me puxando de volta para seu peito e colocando os lábios na minha marca de nascença de novo.
Meu corpo se acalmou no mesmo segundo.
"Como?" Consegui dizer à mulher enquanto respirava freneticamente.
"Meu companheiro também era um alfa. Ele me perseguiu e, como eu continuava fugindo, ele me trancou em um porão e começou a usar wolfsbane para entorpecer minha loba. Ele descia para dormir comigo todas as noites para fortalecer o vínculo.
"Quando finalmente fui solta, não consegui dormir sem ele. Tive crises de abstinência por meses," explicou ela, com os olhos fixos no chão lamacento da van.
"Sinto muito," sussurrei.
"Não sinta," disse ela, olhando para baixo e examinando suas mãos. Ela não queria minha pena.
“O Zach nunca me machucou, não pode ser a mesma coisa," eu disse a ela. Sua experiência não era a minha, e ela precisava saber disso. Ela tinha que saber que Zach não era tão ruim quanto o companheiro dela.
"É, eu conheço esse olhar," disse ela antes de estender a mão e apertar meu braço.
"Ele não me machucou," repeti.
"Ele não precisou," respondeu ela antes de voltar para seu lugar.
Meus batimentos cardíacos aumentaram à medida que a mágoa, o medo e a confusão atravessavam minhas barreiras. "Eu só preciso voltar," sussurrei.
Brenden me apertou com mais força, como se estivesse com medo de que eu desaparecesse de seu colo.
"Sei que você está com medo, mas precisa pensar no que deixou para trás. Ele tirou você da sua casa, Ade. Ele estava te forçando a ficar com ele," ele sussurrou contra minha testa.
Eu sabia que deveria ouvi-lo. Zach me tirou de casa, me forçou a entrar no registro de selvagens e depois se recusou a me deixar ir embora. Ele começou a me incluir na matilha sem meu consentimento.
Ele tinha anunciado à matilha que eu era sua companheira antes que eu o aceitasse como tal. Ele disse que poderia me dar espaço, mas nunca poderia me dar liberdade total.
Era tóxico, era errado. O amor não deveria ser assim. Mas ele nunca tentou me machucar. Ele me protegeu. Nunca forçou nada comigo e tentou me fazer feliz de verdade.
No entanto, o fato de ele ser legal não significa que o que ele fazia era bom. Zach tinha feito muitas coisas erradas, mas, mesmo assim, eu não conseguia pensar nele como uma pessoa ruim.
Era o vínculo falando, ou era o conhecimento de que o destino tinha colocado nós dois em uma situação complicada? Nós estávamos presos, tentando fazer o que achávamos certo com a mão que a vida nos deu.
Era para essa situação que eu queria voltar?
"Você também me sequestrou," lembrei a ele, me sentindo repetitiva.
"Eu não queria que fosse assim. Eu queria conversar com você, queria que você escolhesse vir comigo, mas aqueles lobos apareceram e ficamos sem tempo.
"Como eu disse antes, assim é melhor para você," disse ele, afrouxando o aperto na minha cintura.
As palavras dele não acalmaram meu pânico. "Você não entende," insisti.
Brenden suspirou. "Não, você não entende, Ade. Você está lá com ele faz um mês. Durante esse tempo todo, o vínculo de vocês estava crescendo," respondeu ele.
Resmunguei minha frustração em seu peito. "Por que está falando do vínculo?" perguntei.
Ele se afastou de mim em resposta e observou como eu tremia.
Depois de ter provado seu ponto, ele voltou a me abraçar e o tremor se acalmou. A expressão de dor em seu rosto e a forma como suas mãos apertaram minha cintura o traíram.
"Por que você quer voltar?," perguntou ele.
Seus olhos se encontraram com os meus enquanto eu tentava expressar meus sentimentos em palavras. Quando um minuto se passou e eu não respondi, ele reformulou a pergunta.
"Ade, você não podia nem sair da casa dele sem um guarda. O que te fez ficar?," ele perguntou com os lábios franzidos. Seu peito subia e descia rapidamente, me levando junto com ele enquanto vivenciávamos suas emoções.
"Eu não tinha nada. Não tinha para onde ir, nem dinheiro. Achei que, se conseguisse fazer com que eles confiassem em mim, veriam que eu não era uma ameaça e me deixariam ir para casa," respondi.
"Ade, ele nunca deixaria você ir. Não sem marcar você primeiro. Não sem ter certeza de que você não conseguiria ir embora. Você tinha que saber disso."
Ele se afastou, olhando para o meu rosto em busca de confirmação. A vergonha se espalhou pelo meu peito. Eu sabia disso.
"Eu tinha tudo sob controle," gaguejei, com os punhos cerrados.
"Tão sob controle que você ia deixar ele te marcar amanhã à noite?," ele meio que gritou enquanto sacudia meus ombros gentilmente.
"Sim," eu disse, olhando-o nos olhos com a maior frieza possível enquanto tremia.
"Por quê? Por que você concordaria com isso?," perguntou ele, examinando meu rosto.
Havia um medo em seus olhos que eu reconheci muito bem. Era o mesmo olhar que Zach tinha quando pensou que eu gostaria de ir embora com Brenden.
"Fui eu que sugeri. É claro que eu concordaria," respondi.
Dor. Uma dor e um choque inimagináveis estamparam seu rosto antes que ele disfarçasse as emoções com uma respiração profunda e purificadora.
"Por que, Ade?," perguntou ele, fechando os olhos e abaixando a cabeça, se preparando para ouvir algo que não queria. Instintivamente, querendo curar sua dor, minha mão foi até sua bochecha.
"Porque era inevitável, e eu estava cansada. Eu não queria mais lutar contra o vínculo. Eu sabia que, quando aceitasse a marca, poderia começar a seguir em frente e ser feliz com ele," respondi.
Ele levantou a cabeça para olhar para mim, com seus olhos oscilando entre o verde e o dourado.
"E porque salvaria você. Eu sabia que ele nunca deixaria você ir sem saber que não me perderia. Achei que devia a você sua liberdade.
"Já que um dia eu seria marcada de qualquer maneira, achei que seria bom servir para alguma coisa," continuei.
"Eu nunca estive em perigo. Você acha que eu não poderia ter acabado com seu alfa se eu quisesse? Nunca mais se sacrifique por mim," ele estufou o peito com raiva.
Meu tremor ficou mais violento quando levantei as mãos para esfregar as têmporas. Suspirando, Brenden me abraçou de novo, tentando acalmar os tremores que meu coração tinha causado.
"Você o amava?," perguntou a mulher, inclinando a cabeça para o lado em sinal de interesse.
"Amar? Não sei. Eu o amava—bem, parte de mim—amava. Eu estava começando a amar," respondi honestamente. Minha mão foi ao peito involuntariamente. Eu nunca tinha dito isso em voz alta antes e minha resposta me surpreendeu.
Brenden olhou para baixo e minhas mãos agarraram seus ombros como um colete salva-vidas em um mar agitado. Eu estava com medo de como ele se sentiria com essa confissão, embora soubesse que ele não tinha espaço para ficar chateado comigo.
Ele me deixou por minha conta. Não poderia ficar bravo se eu começasse a sentir algo por outra pessoa.
Fechando os olhos, tentei suprimir os tremores que ainda estavam se manifestando em mim. Eu provavelmente parecia uma viciada em crack em abstinência para essas pessoas. Ou uma vítima de sequestro com um caso de síndrome de Estocolmo.
"Se ele nunca te machucou e você estava se apaixonando por ele, então do que tem tanto medo?," perguntou a mulher.
"Acabei de ser arrastada para dentro de uma van por um grupo de... estranhos mascarados." Eu me impedi de dizer "homens" por causa dela. "Por que eu não estaria com medo?" Continuei.
Ela riu e balançou a cabeça. "É, esse não era o resgate que planejávamos. O que eu quis dizer foi..." Ela fez uma pausa e mordiscou o lábio.
"Quando eu tinha crises de abstinência, um amigo me disse que, para lidar com elas, eu precisava descobrir o que eu achava que não poderia ter sem meu companheiro. Que eu precisava perceber meu medo e considerá-lo irracional.
"Qual é o seu medo, Adeline?," ela me perguntou.
Meu medo?
Meu coração parou em meu peito. Engoli em seco enquanto meus olhos ficavam embaçados. As palavras se aglomeravam na ponta da minha língua, prontas e esperando para serem ditas. Palavras que não eram apenas minhas, mas nossas. Minha loba queria falar.
Aquele meu lado primitivo e simples, que eu sempre reprimia, tinha algo a dizer.
Respirando fundo, abandonei a noção de controle que eu achava que tinha. Acolhi essa parte de mim em vez de temê-la e, em troca, não me senti assustada ou reprimida.
Senti que estava intuitivamente em sincronia comigo mesma. Senti que estava com uma mão amarrada atrás das costas e, de repente, estava livre para usar as duas.
"Tenho medo de que, se eu voltar para ele agora, ele nunca vai confiar em mim o suficiente para me deixar tomar minha própria decisão. Tenho medo de que, sem ele, sem a minha chance de estar em uma matilha, eu nunca consiga ser eu mesma perto de alguém.
"Que eu passe o resto da minha vida sozinha, me escondendo e fingindo ser algo que não sou," respondi.
"É isso, Adeline," disse a mulher com firmeza. "É isso que você tem que superar."
Acenando com a cabeça, percebi que não fazia ideia de qual era o nome dela. Eu não tinha certeza de tudo o que ela disse, mas ela tentou ajudar.
"Obrigada. Desculpe por não ter perguntado antes, mas qual é o seu nome?" perguntei.
"É Gabriella, mas você pode me chamar de Gabby." Ela sorriu e estendeu a mão para mim.
O homem no banco do passageiro da frente riu quando apertamos as mãos. "É Gabby porque ela nunca cala a boca."
Gabby se inclinou para a frente e deu um tapa na parte de trás da cabeça do homem, que riu enquanto se esquivava de outro golpe.
Nesse momento, me dei conta de onde estava e de quem estava ouvindo. Colocando minha cabeça no peito de Brenden, esperei que ninguém notasse o rubor de raiva que estava se espalhando nas minhas bochechas.
Acabei de confessar a uma van cheia de estranhos o quanto eu estava emocionalmente ferrada. Eu tinha certeza de que Brenden estava tão envergonhado quanto eu. Todos devem estar sentindo pena dele.
Pensar que ele poderia estar bravo me deixou ainda mais incomodada do que eu já estava. Como eu poderia dar tanto valor a ele desse jeito?
Por que eu me importava tanto?
"Desculpe, pode ter sido constrangedor," sussurrei, encontrando seus olhos.
Ele balançou a cabeça e segurou meu rosto. "Não, Ade, eu é que deveria estar me desculpando."
Eu podia sentir seu arrependimento pulsando em mim como um farol brilhando em meio a uma tempestade.
"Você pode ter tudo isso sem ele, sem uma matilha. A culpa é minha por ter deixado você sozinha," disse ele, baixando o olhar para os meus lábios.
Ele encostou sua cabeça na minha e, por um momento, ficamos assim. Fiquei surpresa com nossa dor compartilhada. Por que eu conseguia sentir agora e antes não?
Não existiam dúvidas agora: eu tinha liberado algo, e o vínculo tinha se fortalecido por causa disso. Tinha que ser isso. Por qual outro motivo eu estaria montada em um homem que mal conhecia?
Quando nossas cabeças se separaram, apoiei minha cabeça em seu ombro. Bocejei e ele se ajustou no assento, inclinando-se para trás enquanto eu me deitava contra ele.
Eu tinha tantas perguntas para ele, mas não queria fazê-las aqui, desse jeito.
Precisava organizar meus pensamentos primeiro e depois perguntar quando estivéssemos sozinhos. Eu precisava entender completamente o que ele esperava de mim. Será que eu tinha acabado de cair em outra armadilha? Outra situação em que eu seria forçada a entrar?
Eu precisava saber onde estávamos antes de decidir o que fazer. Bocejei de novo e, dessa vez, quando meus olhos se fecharam, tive que abri-los.
Um ruído leve embaixo de mim indicava que Brenden tinha pegado no sono. Virando a cabeça para olhar pela janela, observei as gotas de água escorrendo pelo vidro.
Era reconfortante ver as gotas abrirem caminho pelo vidro liso. Pensei em uma metáfora obscura sobre a vida e a liberdade, mas antes que eu pudesse analisá-la completamente, meus olhos se fecharam.
A consciência me deixou, e todas as coisas sábias que eu achava que tinha entendido foram embora com ela.

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