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Dominion

Autor
Albu Andreea
Leituras
19.4K
Capítulos
43
Autor
Albu Andreea
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43
🥵Literatura erótica💍Casamento arranjado⚔️De inimigos a amantes💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa💪Mulheres fortes⚔️Ação & aventura👑Realeza e aristocracia👩🏻‍🍼Mães🔒Proximidade forçada

Mura foi criada em um mundo onde alianças são seladas com sangue e filhas são trocadas por poder. Ela nunca buscou o controle, apenas a sobrevivência — até que o destino coloca o homem mais perigoso do sul à sua mercê.

Kazimir de Drakovia é um guerreiro temido e o herdeiro legítimo de um trono implacável. Quando ele é capturado por engano e entregue às mãos de Mura, nenhum dos dois espera o fogo que se acende entre eles. O que começa como poder e ressentimento rapidamente se transforma em algo muito mais perigoso.

Deveria haver apenas ódio entre eles. Em vez disso, há fome.

Quando Kaz escapa e retorna para reivindicar sua vingança, ele não volta apenas como um inimigo, mas como o homem que sabe exatamente como desvendá-la. E a vingança nunca é simples quando o desejo é mais forte que o ódio.

Um romance dark intenso e viciante, repleto de tensão enemies-to-lovers, proximidade forçada, personagens moralmente cinzentos e uma paixão que queima tão ferozmente quanto a própria guerra.

Capítulo 1: Diga Sim ou Morra

O grande salão da fortaleza de Velmora era frio de um jeito que tinha pouco a ver com a pedra de suas paredes e tudo a ver com o ar pesado que oprimia todos ali dentro. O fogo queimava fundo nas lareiras, lançando faíscas avermelhadas pelos antigos tapetes onde batalhas sangrentas haviam sido costuradas com fios gastos, mas o frio continuava.
O Lorde Boris de Velmora nunca fora um homem paciente, e, naquele momento, parecia que a própria impaciência fervia debaixo da sua pele.
O golpe veio sem aviso, cortando o ar com uma rapidez que não permitiu defesa. A mão dele — grande, pesada e enfeitada com um enorme anel de ouro virado para dentro — bateu no rosto de Mura com um estalo curto e forte. A cabeça dela virou para o lado com tanta força que, por um instante, o salão inteiro girou ao seu redor.
O gosto metálico de sangue inundou sua boca quase na mesma hora, seguido pelo calor úmido se juntando em sua língua e pela dura e brutal certeza de que sua pele havia rasgado. Uma linha fina e vermelha escorreu do canto da sua boca e traçou um caminho teimoso pelo seu queixo.
Os dois guardas que seguravam seus braços apertaram mais forte por instinto, como se temessem que ela caísse no chão. Mas ela continuou de pé, com os ombros para trás e os joelhos firmes, negando a ele a satisfação de vê-la cair.
“Você ousa me desafiar?” Boris rugiu, sua voz subindo até o teto alto e voltando como um eco furioso. “Você ousa me dizer não?”
Mura levantou o olhar devagar, sem pressa, como se cada movimento fosse um ato de vontade. Ela não chorou, embora seus olhos ardessem. Ela não tremeu, embora seus braços estivessem torcidos com crueldade para trás.
Ela olhou direto para ele, envolta em um silêncio tão teimoso que beirava o desafio. E esse silêncio o enfureceu mais do que qualquer protesto ou apelo jamais poderia.
“Fale!” ele explodiu, segurando o queixo dela e apertando até o sangue escorrer pelos dedos dele. “Você esqueceu quem a criou? Esqueceu que só respira porque eu permiti?”
Mura se endireitou o máximo que conseguiu, apesar da dor latejante no rosto e dos guardas forçando seus braços para trás, e em seus olhos não havia a menor sombra de submissão — apenas uma determinação fria e sem palavras. “Eu não esqueci nada”, ela disse de forma baixa e clara, sem abaixar o olhar.
O golpe seguinte veio quase na mesma hora — mais forte que o primeiro — e a cabeça dela foi jogada para o lado de novo. Desta vez, seu lábio rasgou por completo, e o sangue encheu sua boca tão rápido que ela teve que cuspir no chão, bem nos pés dele.
Um murmúrio de nervosismo passou pelo salão, mas ninguém ousou intervir. Lorde Boris ficou parado por um momento. Então seus olhos — frios, de um tom cinza sujo — escureceram ainda mais, como se o silêncio dela o ofendesse mais profundamente do que qualquer ato de resistência poderia ofender.
“Se você não aceitar, você está morta para mim, Mura”, ele disse pausadamente, chegando tão perto que ela podia sentir a respiração dele em seu rosto. “Morta. Você não terá nome, título, nem família. Você não terá nada.”
Família. Que palavra estranha para Mura, que nunca soube de verdade o que isso significava. Desde que se lembrava, sua única família havia sido o monstro parado à sua frente agora, batendo nela sem hesitar.
O pai dela tinha morrido antes de ela nascer, caído em um campo de batalha numa guerra que não lhe trouxe glória nem vitória — deixou apenas uma jovem viúva grávida sozinha num mundo que não perdoava a fraqueza.
A mãe dela, frágil e assustada, havia confiado no companheiro mais próximo do marido quando ele jurou protegê-las e cuidar do bebê que ela carregava. Por medo — talvez também por não ter saída —, ela o aceitou como seu novo marido, nunca imaginando a vida que a esperava.
No começo, Boris fez o papel de protetor. Mas logo ele revelou sua verdadeira natureza, e a casa que deveria ter sido um refúgio virou uma prisão. A mãe de Mura engravidava quase todo ano, mas nenhum filho viveu para ver a luz do dia.
Seus golpes e ataques de fúria frequentes causaram um aborto atrás do outro, até que, uma noite, o corpo fraco dela não aguentou mais, e ela morreu junto com o bebê que talvez pudesse ter sido o único a escapar de uma vida de tormento ao lado dele.
Mura ficou sozinha no mundo, sem defesa contra o carrasco que era seu padrasto. Mas, quando criança, ela era quase invisível para ele, pois não tinha valor aos seus olhos. Ela cresceu principalmente no meio do povo do castelo, sustentada pela pena de cozinheiros, servos e velhos soldados que davam a ela um pedaço de pão, uma palavra amiga ou um casaco mais pesado no inverno.
Os anos se passaram com Boris mal dirigindo um olhar a ela. Só quando ela se tornou mulher — quando sua beleza começou a chamar atenção e ele percebeu que poderia usá-la como moeda de troca — ele se lembrou de que ela existia. A partir daquele momento, Mura deixou de ser uma sombra vagando pelos corredores, tornando-se uma peça valiosa em um jogo que ele vinha preparando há muito tempo.
Boris começou a andar de um lado para o outro na frente dela, com passos largos e inquietos, fazendo gestos bruscos enquanto falava como um homem que já via seus planos entrarem em ação. “O Lorde Dimitri de Avaran precisa de uma esposa”, ele continuou, aumentando a voz. “Sete filhos e uma esposa morreram em poucos dias por causa da maldita Febre Vermelha, e nenhum deles deixou sequer um neto para trás. Você sabe o que isso significa? Significa que ele está desesperado por um herdeiro — e daria qualquer coisa por um. Ele tem ouro, tem exércitos, tem celeiros cheios e terras até onde a vista alcança.”
A Febre Vermelha tinha sido um pesadelo para todo o Norte — uma doença que começava com febre alta e manchas vermelhas na pele, passava para o delírio e quase sempre terminava em morte em poucos dias, deixando para trás aldeias vazias e famílias apagadas em um único suspiro.
“Ele é velho, sim”, Boris disse com um sorriso torto, “mas ele ainda é capaz. E ele ainda tem desejos. E ele quer você — porque você é jovem, bonita e saudável o bastante para dar um filho a ele.” O olhar dele deslizou sem vergonha pelo corpo dela. Mura sentiu o maxilar ficar tenso, mas não se mexeu.
“Você vai dar um filho a ele. E, quando essa criança nascer, tudo o que pertence a ele virá, de um jeito ou de outro, para mim.”
Aí estava — a verdade. Aquilo não era apenas uma aliança. Não era simplesmente um casamento arranjado para garantir um território ou encher mais alguns celeiros. Era seu velho sonho — teimoso, quase febril —, um sonho que ele carregava desde que era jovem e ambicioso.
Boris sonhava com Drakovia desde os anos em que usava sua armadura com orgulho e acreditava que o mundo poderia ser conquistado com fogo e espada. Ele sonhava com acesso ao mar, com portos abertos onde navios pesados de especiarias e ouro atracavam sem medo; com montanhas ricas em ferro e prata que poderiam abastecer um exército inteiro; com florestas sem fim e rios profundos cortando as terras. Mas, acima de tudo, ele sonhava com aquelas planícies — terras negras e férteis que rendiam uma abundância sem fim e faziam de Drakovia um reino cobiçado por todos.
“Este casamento é uma aliança estratégica”, ele disse com mais calma agora, chegando perto de Mura de novo, como se explicasse algo simples e razoável. “Você vai dar um filho a Dimitri e, depois disso, as coisas se resolverão sozinhas. Homens velhos morrem. Acidentes acontecem. E eu sei como garantir que certas coisas aconteçam na hora certa. Você vai voltar para minha guarda e, se for preciso, eu a casarei de novo onde meus interesses exigirem.”
Os olhos dele se fixaram nela com uma intensidade sufocante — não como quem olha para uma filha, mas como quem avalia uma posse cuidadosamente pesada. “Você é valiosa demais para ser desperdiçada.”
Naquele momento, Mura entendeu — com uma clareza dolorosa e aguda — que ela nunca fora uma filha para ele. Ela sempre fora apenas algo para ser usado quando a necessidade surgisse. Um bem de troca. Uma peça no tabuleiro dele. Uma lâmina tirada da bainha apenas quando servisse ao seu propósito.
“Diga sim”, ele sussurrou, chegando tão perto que a respiração dele roçou o rosto dela, misturando o cheiro de vinho com o de sangue. “Ou eu juro que até o pôr do sol você vai deixar de existir, e ninguém vai se lembrar de que você esteve aqui.”
Os guardas apertaram os braços dela de novo, com a dor subindo até seus ombros. Mas sua mente continuou clara. Enquanto ele olhava para ela, esperando submissão, Mura já calculava em silêncio, pesando todas as possibilidades com uma lucidez fria.
Se ela aceitasse, ela viveria. E se vivesse, ainda haveria uma chance de fugir — mesmo que isso significasse perder seu título, sua riqueza e tudo o que a ensinaram a ser. Ela iria fugir. Era melhor ser livre e não ter nada do que ficar presa para sempre na casa onde fora criada como um bicho enjaulado.
Ela lambeu o sangue dos lábios sem pressa e olhou direto em seus olhos. “Sim”, ela disse, e sua voz soou tão fria que até Boris piscou em uma breve confusão.
“Mais alto”, ele exigiu, insatisfeito.
“Sim, pai”, ela repetiu com firmeza.
Um sorriso satisfeito curvou os lábios dele, e aquela luz fria apareceu em seus olhos — o olhar de um homem que acreditava ter vencido. “Assim está melhor. E você será alegre”, ele acrescentou. “Dimitri precisa achar que é desejado, não que está levando uma noiva à força.”
Mura segurou o olhar dele sem piscar. “Eu vou fazer o meu papel”, ela disse com calma, pois sabia que às vezes a sobrevivência começa com um papel bem interpretado.
Então, ela se inclinou levemente para a frente e, com o lábio ainda sangrando, cuspiu direto no rosto dele sem hesitar. “Um dia eu vou matar você”, ela acrescentou.
E as palavras não soaram como uma ameaça lançada com raiva — elas soaram como uma promessa.
O salão ficou em silêncio, e até os fogos nas lareiras pareciam estalar mais baixo. Boris começou a rir — um som grosso e cheio de desprezo. “Se você viver o bastante”, ele respondeu, com a certeza de que o próprio tempo estava a seu favor.
Ele esfregou as mãos, satisfeito. “Você parte ao nascer do sol”, disse rispidamente.
***
Ao amanhecer, quando a névoa ainda passava pelas paredes da fortaleza e os cavalos apenas sacudiam o vapor frio das narinas, a caravana partiu para Avaran. As rodas das carroças rangiam contra a pedra úmida, levando-a para longe do lugar onde ela havia crescido.
Mura não olhou para trás.
Ela sabia que lá atrás ficavam as paredes que haviam sido tanto lar quanto prisão, mas se recusou a deixar que até mesmo a menor faísca de fraqueza tocasse sua alma.
Embaixo de sua capa grossa, os dedos estavam cerrados com tanta força que suas unhas cortavam as palmas das mãos. Ela não sentia a dor.
Seu corpo inteiro era guiado pela determinação fria que mantinha sua coluna ereta. Ela não chorava, e nem tinha a intenção de fazer isso.
As lágrimas não trariam de volta o que ela havia perdido, nem mudariam o destino que a esperava. A promessa que fizera queimava dentro dela mais forte do que qualquer Febre Vermelha, mais fundo do que qualquer ferida.
Esse pensamento manteve sua mente clara. Ela iria fugir — não importava quanto tempo levasse, não importava o que tivesse que aguentar até lá.
E um dia, quando ninguém estivesse esperando, Velmora queimaria. E aquele fogo não pertenceria apenas às paredes de pedra.
Ele pertenceria a toda injustiça que a havia criado nas sombras.

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