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Entre o Apito e o Silêncio

Autor
Sophie Lee
Leituras
18.4K
Capítulos
27
Autor
Sophie Lee
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Capítulos
27
🏈Disputas esportivas👩🏼‍🦱Babás⚔️De inimigos a amantes🏃🏿‍♂️Atletas✌🏻Melhor amigo do irmão🏙️Contemporâneo💪🏻Protetor🔒Proximidade forçada🏒Jogadores de hóquei

Madison Hales sempre acreditou que o mundo é majoritariamente bom — ela é o próprio raio de sol em forma humana, mesmo quando isso a coloca em encrenca. Por isso, quando seu irmão Jaxon lhe pede um favor enorme, ela diz sim sem pensar.

Ser babá em tempo integral do filho de um colega de equipe dele.

Sem problemas... certo?

Exceto que o colega em questão é Luca Moretti — o taciturno central dos New York Reapers que já foi o jogador favorito de Madi muito antes de Jaxon se profissionalizar. O mesmo Luca Moretti que, pessoalmente, é mais frio do que o rinque de patinação que ele domina. O primeiro encontro dos dois termina em desastre, e Madi jura que manterá distância.

Mas Hamish, de sete anos, tem outros planos.

Conforme Madi se adapta ao novo cargo, as barreiras de Luca começam a rachar. Por trás do olhar intenso e da intimidação silenciosa está um homem ferozmente dedicado ao filho... e inesperadamente protetor da garota que continua trazendo luz para suas sombras.

Ela não deveria se apaixonar por ele. Ele não deveria notá-la. E deixá-la entrar pode ser o maior risco que Luca já correu.

Capítulo 1: Você O Odeia Com Todas As Forças

MADISON

Fecho a cara para o meu irmão, Jaxon, com nojo quando ele entra na nossa cozinha usando apenas cueca e coçando as bolas. Uma visão adorável, de verdade.
“Bom dia”, ele diz.
“São duas da tarde”, eu rebato. “Ficou na rua até tarde?”
“Você me conhece depois de uma vitória, Madi”, o Jaxon diz. Ele abre a geladeira e pega algumas uvas. “Eu comemorei muito.”
Meu irmão Jaxon joga hóquei pelo New York Reapers. Eles tiveram um jogo de pré-temporada contra o Ottawa Kodiaks, mas o Jaxon vê uma vitória como uma vitória. Sim, ele é um grande jogador da NHL. Ele joga na primeira linha como ponta-direita, na verdade. Sou uma irmã muito orgulhosa.
“Tenho certeza de que a Shayla vai ter que lidar com as consequências”, eu digo num tom seco.
“Eu me esqueço de que vocês duas são amigas”, ele diz e se senta ao meu lado no outro banco. “Como isso aconteceu mesmo?”
Somos seis garotas no total. Eu tomei a iniciativa de começar um grupo de apoio para todas nós depois que fomos estupradas pelo Jonathan. O número da sorte do Jonathan era doze. É por isso que, por algum motivo, ele abusava de meninas de doze anos. A Teagan se lembra dele dizendo isso para ela.
Ele nunca atacou a mesma pessoa mais de uma vez. Mas deixou marcas em todas nós. Fui a última a ser abusada porque o genro dele pegou o Jonathan em cima de mim e o espancou até a morte.
O Grant na verdade participa das nossas reuniões agora porque ele passou por uma experiência parecida. O Jaxon pode até saber do meu estupro, mas a Shayla é minha amiga, e ela pode contar para as pessoas quando estiver pronta. Foi uma grande coincidência o meu irmão jogar no time onde ela é a chefe do RH.
“Amiga de uma amiga”, eu minto.
Ele murmura em concordância. “Como está a busca por emprego?”
Eu fui morar com o Jaxon para ficar mais perto dele, mas procurar um emprego está difícil. O Jaxon é quatro anos mais velho do que eu, mas nós sempre fomos muito unidos, exceto pelos sete anos em que escondi o fato de que fui abusada. Isso acabou com ele pra caralho.
“Não muito bem”, eu murmuro. “O mercado está difícil.”
“Eu posso ter algo para você”, o Jaxon diz.
Eu me animo no meu banco e sorrio docemente para o meu irmão. “Já mencionei o quanto eu amo você?”
Ele dá uma risada. “Anotado”, ele diz. “Um dos meus colegas de time precisa de uma babá.”
“Ele não consegue cuidar de si mesmo?” eu brinco.
O Jaxon revira os olhos. “Não, para o filho dele, o Hamish.”
“Quem é?” eu pergunto. Eu conheço todos os colegas de time do Jaxon e, tirando o Malcolm, não conheço mais ninguém que tenha filhos.
“Olha, ele vai ficar bravo por eu estar falando alguma coisa, mas, a essa altura, ele está desesperado”, o Jaxon diz. “É o Luca.”
Fecho a cara para o meu irmão. “Não.”
“Madi!”, ele resmunga.
“O Luca é um babaca comigo”, eu argumento. “Você já viu isso com os seus próprios olhos.”
“Ele tem dificuldade em se abrir com os outros”, o Jaxon diz na defensiva. “Mads, eu não estaria pedindo se isso não fosse importante.”
Fico em silêncio, e o Jaxon entende isso como uma deixa para continuar. “Ele nunca consegue arrumar uma babá nova porque qualquer pessoa que ele contrata só quer foder com ele”, o Jaxon explica. “Você seria perfeita porque o odeia com todas as forças.”
“Eu não o odeio”, eu murmuro.
Na verdade, antes do Jaxon fazer sucesso, o Luca era o meu jogador favorito. Ele fazia parecer muito fácil estar naquele gelo e nunca deixava ninguém abalá-lo. Na semana em que o Jaxon foi selecionado no draft, o time fez uma pequena festa para ele, e o Jaxon me convidou. Ele me apresentou para todo mundo, e então chegou a vez do Luca, e a minha boca ficou seca.
O Luca Moretti tinha essa mistura fatal de perigo natural e um silêncio do tipo não-chegue-perto-de-mim que fazia com que qualquer pessoa em sã consciência mantivesse uma boa distância. E ainda assim, de alguma forma, quando ele se virou para mim naquela noite na festa, perdi a capacidade de respirar como uma pessoa normal. Eu me lembro muito bem disso — o momento em que o vi de perto pela primeira vez.
O Luca estava ao lado do bar, apoiando um ombro na parede como se o mundo o cansasse. A camiseta preta dele estava colada em um peitoral esculpido pela genética e pelos truques favoritos de Deus. Calça jeans escura, jaqueta de couro gasta, uma corrente de prata no pescoço — ele parecia alguém que tinha sido criado pelas sombras e recebido a ordem de jogar hóquei para controlar a raiva.
O cabelo preto dele estava um pouco bagunçado, como se ele tivesse passado as mãos por ele um milhão de vezes por irritação. A pele dele tinha um tom moreno quente que fazia a corrente de prata brilhar. Ele tinha um nariz romano forte e uma barba bem rala que só somava àquela estética toda de eu não durmo, eu fico de cara fechada.
Mas os olhos dele... Meu Deus, os olhos dele. Eram cor de âmbar. Impressionantes. Afiados. A cor exata de uísque iluminado pela luz do fogo.
Eles passaram por mim uma vez — rápidos, avaliadores, impossíveis de ler — e eu senti um arrepio descer por toda a minha espinha. Não foi um olhar de flerte. Nem impressionado. Apenas... ciente. E então ele falou.
“A irmã do Jaxon?”, ele murmurou, com a voz grave.
Consegui concordar com a cabeça. Por pouco.
O olhar dele demorou um pouco mais em mim. Não foi um olhar caloroso, nem frio, apenas intenso. Então ele desviou o rosto, já dando a interação por encerrada. Já tinha terminado comigo.
Eu deveria ter ficado ofendida. Não, eu fiquei ofendida. Mas, em vez de enfrentá-lo, fiquei ali parada como uma idiota, com o coração batendo forte na garganta, me perguntando como alguém poderia ser, ao mesmo tempo, um babaca completo e a pessoa mais atraente que eu já tinha visto.
Para ser justa, quando nos conhecemos, eu tinha apenas dezesseis anos. Toda interação foi igual desde então. Apenas uma palavra ou um aceno de cabeça. O que me fez perder a paciência de vez foi no ano passado.
Fui ao estádio para fazer uma surpresa para o Jaxon com um almoço caseiro. Lá, ouvi o Luca conversando com o Ethan, um dos defensores. “Ela tem que parar de ser tão carente”, o Luca resmungou. “O Jaxon precisa se concentrar no jogo dele, não na irmãzinha chorona.”
Eu não era chorona. Eu sou uma pessoa feliz e, claro, tenho dias em que sento na minha cama e choro, mas eu não levo essas coisas para o Jaxon. Eu tenho sorvete do Ben and Jerry’s para me ajudar com isso.
“O Hamish tem sete anos”, o Jaxon diz. “Ele tem mutismo seletivo — não consegue falar em certos lugares — e os médicos não sabem dizer ao Luca o motivo.”
“Jax...”
“Você não vai mais precisar morar comigo”, o Jaxon murmura. “Eu sei que você odeia o quanto eu sou bagunceiro.”
“Eu me mudei para ficar mais perto de você”, eu afirmo.
“E nós ainda podemos ficar perto um do outro”, o Jaxon argumenta. “Mas Madi, este é um apartamento de solteiro, e eu não tenho feito muitas coisas de solteiro.”
“O Luca sabe que você está me pedindo isso?” eu murmuro.
“Bem, não”, o Jaxon diz. “Mas ele também não pode me dizer não. Vocês dois têm isso em comum.”
“Eu vou pensar no assunto”, eu resmungo.
“Vou dar o seu número para o Luca”, o Jaxon diz, entendendo minha resposta como um sim.
Eu realmente não consigo dizer não para ele.

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