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Estrela D'Alva Livro 2

Autor
Erin Swan
Leituras
19,9K
Capítulos
31
Autor
Erin Swan
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Capítulos
31
⚔️Ação & aventura🔺Triângulo amoroso🎭Drama💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪Mulheres fortes🧙‍♀️Magos & bruxas🐉Dragões😊Inocente🐉Fantasia

Num mundo onde dragões e magia moldam destinos, Andra, uma guerreira feroz, reencontra seu amor perdido, Talias, apenas para se ver envolvida numa rebelião contra os opressores Homens do Rei. Enquanto lida com seus sentimentos por Talias e com o crescente laço que forma com Kael, um rebelde companheiro, Andra descobre suas habilidades mágicas únicas e cria uma poderosa conexão com uma dragão chamada Tiri. Juntos, eles precisam enfrentar feitiçaria sombria, inimigos traiçoeiros e seus próprios demônios interiores para lutar pela liberdade e justiça.

Reunidos

Livro 2

ANDRA

Ela olhou para aqueles olhos castanhos que a cativaram por tanto tempo. Olhos que sorriram para ela, riram com ela, viram-na quando parecia que ninguém mais a via.
Olhos que ela amou com toda a sua alma, olhos que ela pensou que nunca mais veria.
E agora eles estavam olhando para ela com uma expressão de descrença atordoada.
"A-Andra?" Talias gaguejou. "Andra, é... você mesmo?"
Andra olhou brevemente para si mesma. Ela estava vestida com uma armadura de couro, restos de sangue seco ainda salpicados em suas botas e sua gola de couro havia desaparecido.
Claro que ele não a reconheceu. Ela de fato não parecia a mesma garota que era da última vez que ele a viu. Ela olhou para seu rosto familiar e sentiu um sorriso se formando em seus lábios.
"Sim," ela suspirou. "Talias, sou eu."
Uma risada irregular saiu de seus lábios e ele ficou de pé, o corpo cambaleando em direção a ela. Mas ele foi paralisado pela corrente que Egan ainda segurava, prendendo as mãos de Talias.
Andra correu para frente, diminuindo a distância entre eles, agarrando rapidamente as algemas com cada uma das mãos. Instintivamente, ela focou a magia morna no fundo de sua mente nas algemas, exigindo a liberdade de Talias.
O metal cedeu, abrindo-se com um clique e caindo aos pés de Talias, deixando apenas as mãos de Andra envolvendo seus pulsos.
Talias olhou para onde seus dedos repousavam contra sua pele. "Como você… Como você fez isso?"
Andra riu, um rubor de prazer invadindo seu rosto quando ele ergueu os olhos para ela novamente. "Muita coisa mudou, Talias," ela respondeu, surpresa pelo tremor em sua própria voz.
O rubor dela se aprofundou quando os olhos dele a observaram, desde as botas manchadas até o cabelo desgrenhado, agora mais comprido do que antes e manchado pela luz do sol.
Seus olhos pousaram nos dela novamente e ele lhe deu aquele sorriso torto que ela sempre amou. "É o que parece," disse ele.
Ele deslizou os pulsos de seu aperto gentil, colocando as mãos em volta das dela, apertando-as com força enquanto sorria para ela.
Andra tentou engolir o nó que se formou na garganta, mas sem sucesso. Um breve silêncio pairou entre eles antes que ela se lembrasse de algo.
Ela pulou ligeiramente, tirando as mãos de seu aperto e enfiando-as nos bolsos enquanto as palavras saíam de sua boca.
"Ah, ainda tenho… Onde está, onde está? Eu prometo, nunca tirei isso antes... nunca pensei…"
Finalmente, seus dedos se fecharam em torno da faixa de couro trançado e ela puxou-a do bolso, estendendo-a para ele com um sorriso orgulhoso nos lábios.
"Eu guardei," ela disse sem fôlego. "Na casa de Castigo. Através do deserto e do deserto. Aqui, com os Homens Livres. Todo esse tempo."
O sorriso que ele deu a ela roubou o fôlego de seus pulmões. Talias colocou a mão na dela, envolvendo a pulseira entre a pele. "Você guardou," ele confirmou.
Ela assentiu ansiosamente. Talias puxou de repente a mão dela, trazendo-a para ele, envolvendo-a firmemente em seus braços.
Andra sentiu um inchaço de alegria no peito quando sua cabeça pousou sobre o coração dele. Talias... Talias está aqui... Por mais que ela repetisse o pensamento em sua própria mente, ela mal conseguia acreditar que era verdade.
Depois de um longo momento em seu abraço, Talias se afastou, tirando a pulseira de couro de sua mão ao fazê-lo. Sem dizer uma palavra, ele enrolou a pulseira no pulso dela, exatamente como havia feito muito tempo atrás.
A lembrança daquele momento inundou a mente e o coração de Andra — o medo de nunca mais vê-lo, a dor de perder toda a esperança de um futuro com que sonhara. Mas aqui estava ele novamente, de volta para ela.
Ela sentiu o nó da pulseira se encaixar firmemente no lugar, e ele agarrou suas mãos novamente, banhando-a no brilho de seu sorriso.

KAEL

Kael assistiu ao reencontro em silêncio, incrédulo, com uma sensação de vazio no peito.
Momentos antes ele segurou Andra em seus braços. Ele abriu seu coração para ela, ofereceu-lhe uma parte dele que nunca deu a ninguém.
E ele pensou, por um momento – por um momento glorioso, sem fôlego e esperançoso – que ela poderia aceitar.
E agora ela estava olhando para o rosto de outra pessoa, segurando as mãos de outra pessoa. E aquela maldita pulseira...
Quando ela o tirou antes da batalha, Kael pensou que era um sinal de que ela estava pronta para abandonar tudo o que ainda a prendia à sua antiga vida. Mas lá estava ela de novo, envolvendo sua pele tão seguramente quanto a coleira de sua escrava havia feito uma vez.
A mão do estranho – a mão de Talias – alcançou o rosto de Andra, segurando seu queixo enquanto ele se inclinava para mais perto dela...
"Egan," Kael retrucou, sua voz baixa, afiada e vazia. "Leve o prisioneiro às câmaras do conselho para interrogatório."
A cabeça de Andra virou-se para ele, surpresa, como se acabasse de lembrar que ele estava ali. Como se ela tivesse esquecido completamente dele.
"O que?" ela gaguejou. "Kael, o que— O que você está fazendo?" Ela deu um passo em direção a ele, mas seu corpo ainda estava inclinado em direção a Talias enquanto ela gesticulava para ele, ainda falando.
"Kael, é Talias. O garoto de quem te falei. Eu o conheço, você não precisa...
Kael fixou-a com um olhar, segurando as mãos firmemente atrás das costas, lutando desesperadamente contra o desejo de alcançá-la, puxá-la para ele, afastá-la desse outro homem.
"Ele estava com os Homens do Rei, Andra," respondeu ele, interrompendo-a. "Ele é um deles. Ele precisa ser questionado."
"Não, eu não sou!" Talias gritou, dando um passo em direção a Kael também. Egan agarrou seu ombro com firmeza, prendendo-o, e Talias não lutou contra o aperto. "Eu não sou um deles," ele continuou. "Eu estava-"
"Quieto!" Kael latiu, cortando a mão no ar. Uma onda de calor explodiu dele com o movimento, atingindo Talias, quase derrubando ele e Egan no chão.
Kael congelou. Ele não pretendia liberar nenhuma magia com o gesto.
"Acalme-se, meu Vento Oeste," Eithne sussurrou em sua mente, tentando pressionar sua própria firmeza em seus pensamentos. " Você está perdendo o controle."
Andra se colocou entre ele e Talias, os braços ligeiramente levantados como se quisesse proteger o homem atrás dela de sua visão. "Kael!" ela chorou. "Você não pode fazer isso!"
Seu olhar se estreitou para ela, seu sangue começou a ferver mais quente quando ela o encarou – tudo para proteger o soldado de cabelos cor de areia às suas costas.
"Posso, Andra," ele retrucou. "Eu sou o líder dos Homens Livres, caso você tenha esquecido, então eu dou as ordens. E estou ordenando que este espião" —ele apontou um dedo por cima do ombro para Talias—"seja levado para interrogatório."
Andra baixou os braços lentamente e, por um momento, ele pensou que ela iria ceder. Mas mesmo quando seus braços desceram, seu queixo se ergueu mais alto, e uma determinação que ele raramente via na garota quieta brilhou em seus vibrantes olhos verdes.
Quando ela falou, sua voz era baixa, mas não havia tremor. Apenas convicção. "Eu não vou deixar você."
Kael olhou para ela por um longo momento, o silêncio entre eles crepitando de tensão. Era como se as palavras ditas entre eles minutos atrás nunca tivessem acontecido. Ela realmente já havia esquecido tudo?
Dor e raiva agitaram o peito de Kael, misturando-se com a profunda dor que já permanecia ali. Ele sentiu os olhos arderem e rangeu os dentes até o queixo doer.
Andra olhou para ele, sua expressão de determinação suavizando-se ligeiramente, transformando-se em um olhar de súplica.
"Kael," ela respirou, e o nome dele em seus lábios parecia uma adaga em seu peito. "Por favor, não faça isso."
Kael desviou o olhar dela. Se ele olhasse naqueles olhos por mais um momento, tinha certeza de que seu coração se partiria em dois.
Em vez disso, fixou os olhos em Egan e no pequeno grupo de Homens Livres que arrastaram Talias até ele.
"Leve-o às câmaras do conselho para interrogatório," repetiu ele, sua voz calma não admitindo argumentos contrários.
Andra se afastou dele, olhando agora para Egan e os outros.
"Não!" ela chorou. "Eu assumo a responsabilidade por ele! Eu irei protegê-lo. Eu falarei com ele. Vou descobrir a verdade e informar Kael e os outros membros do conselho. Você tem minha palavra!"
Egan e os outros soldados ficaram em silêncio, os olhares indo de Andra para Kael e vice-versa. Talias simplesmente olhou para Andra, com uma expressão de adoração atordoada no rosto. E Andra olhou de volta.
Kael olhou para o perfil dela por um longo momento, com o peito doendo. Por favor, seu coração parecia sussurrar. Por favor, me veja. Olhe para mim, Andra, não para ele. Por favor, apenas olhe para mim.
Mas ela não olhou. Seus olhos permaneceram fixos em Talias.
Finalmente, ele não aguentou mais. "Muito bem," ele murmurou rispidamente.
Sem outra palavra, Kael virou-se e saiu furioso, recusando-se a olhar para trás enquanto Andra corria de volta para os braços de Talias.

TALIAS

O lago refletia a luz do sol do fim da tarde enquanto Talias se abaixava na grama.
Ele mal conseguia acreditar que, horas antes, estava lutando pela vida, certo de que morreria, com medo de ter que matar outra pessoa só para se poupar.
Tudo parecia pacífico agora. Mesmo com a agitação dos Homens Livres em seu acampamento do outro lado do campo, a margem do lago estava silenciosa, e o único som era o barulho de um dragão verde lavando a poeira e o sangue de suas escamas.
Ainda assim, sua descrença diante do silêncio repentino ao seu redor empalideceu em comparação com a descrença na jovem sentada ao lado dele agora.
Ele olhou para ela, observando a armadura de couro onde um dia estivera um vestido marrom esfarrapado, as botas robustas que substituíram seus chinelos finos, a faixa de pele pálida ao redor de seu pescoço, onde o colarinho repousara durante todos os anos que ele a conhecia.
Poderia ser Andra de fato?
Então ela desviou os olhos do dragão banhado e olhou para ele, sorrindo. E ele sabia com certeza que devia ser ela. Só Andra tinha olhos assim. Só ela sorriu para ele daquele jeito.
"Ainda não consigo acreditar que você está aqui," ela murmurou, balançando a cabeça levemente.
"Nem eu," respondeu ele, inclinando-se para a frente para descansar os braços sobre os joelhos enquanto seus dedos cutucavam a grama. "Eu nem sabia" – ele hesitou, a mão circulando vagamente no ar – "tudo isso," ele finalmente concluiu.
"Então, como você chegou aqui?" ela perguntou, inclinando-se para frente também, seu olhar intenso no rosto dele.
Ele deu a ela um sorriso torto. "Então o interrogatório começou, não é?"
Andra riu baixinho. "Eu prometi conseguir respostas," disse ela. Então, após uma pausa, acrescentou: "Mas eu também só quero saber. O que aconteceu com você, Talias?"
O ajudante da cozinha suspirou profundamente, olhando novamente para o lago.
"Fui... convocado ao palácio de Castigo," disse ele lentamente. "Muitos de nós estávamos. Servos do Salão, de todos os lugares, na verdade. Não sabíamos para quê, mas recebemos ordem de nos reportar ao Juiz Chefe."
Seus olhos dispararam de lado para ela, um pequeno sorriso aparecendo no canto de sua boca novamente. "Fiquei muito animado," confessou. "Achei que poderia encontrar uma maneira de ver você enquanto estivesse lá."
Ele fez uma pausa, respirou fundo e depois continuou. "Mas assim que pisamos nos terrenos do palácio, armaduras e armas foram atiradas contra nós.
"Disseram que agora éramos soldados, que deveríamos lutar contra os homens que tentaram matar o filho de Castigo.
"Eles fizeram tudo parecer muito nobre," ele rosnou baixinho, a amargura rastejando em sua voz enquanto se lembrava dos grandes discursos sobre como proteger o império de rebeldes assassinos.
Uma pressão quente em seu joelho o fez olhar para baixo e encontrou a mão de Andra apoiada ali. Ele sorriu levemente, cobrindo os dedos dela com os seus antes de continuar.
"Recebemos um pouco de treinamento. Não muito, mas alguma coisa. Então eles nos levaram para esses túneis – coisas escuras, estreitas e horríveis. Marchamos na escuridão quase total por... Deuses, nem sei quanto tempo.
Durante todo esse tempo, continuei ouvindo os capitães falando sobre Homens do Rei e Homens Livres. Eles nos chamaram de Homens do Rei. Eu não tinha ideia do que eles queriam dizer. Achei que íamos apenas... tentar pegar alguns assassinos.
Quando dei por mim estávamos sendo lançados à luz do sol novamente, instruídos a marchar, a matar qualquer pessoa que não estivesse usando o uniforme dos Homens do Rei.
Eu... entrei em pânico, Andra," ele confessou, com a voz embargada, os dedos apertando os dela com força. Ela os agarrou de volta.
As pessoas começaram a morrer. Os gritos... O sangue... Eu-eu não sabia o que fazer. Então eu me escondi. Corri para a floresta e me escondi até tudo acabar. E então continuei me escondendo.
Tive medo de tentar fugir, porque não sabia para onde ir. Tive medo de sair porque não sabia quem poderia tentar me matar.
Foi quando seus soldados me encontraram. Ainda tremendo como um cachorro assustado perto do riacho."
Andra ficou em silêncio por um longo momento, e Talias continuou a olhar para a grama à sua frente, com medo de olhar para ela, com medo de que os olhos dela o condenassem como covarde, traidor ou ambos. Os dedos dela apertaram os dele e ele se forçou a olhar para ela.
Seus olhos verdes eram suaves e compreensivos em seu rosto. "Você fez a coisa certa, Talias," ela sussurrou.
Uma pequena quantidade de alívio borbulhou dentro dele, e ele forçou um sorriso tenso para ela.
Uma expressão pensativa tomou conta de seu rosto – agora marcado por sardas que ela não tinha antes – e ela olhou para baixo, franzindo a testa.
"Mas isso significa..." ela disse lentamente. "Os homens que matamos... não eram todos Homens do Rei. Na verdade. Eles... eles morreram por algo em que não acreditavam. Algo que eles não... nem sabiam que existia.
"Castigo forçou-os a lutar e morrer para tentar se tornar rei!" A voz dela ficou mais tensa de fúria, e ele viu seus olhos verdes ficarem mais brilhantes com as lágrimas.
"Tornar-se rei?" Talias repetiu incrédulo. "Era isso que ele estava tentando fazer? É isso que esses Homens do Rei estão tentando fazer?"
Andra puxou os dedos dos dele, pressionando as palmas das duas mãos nos olhos enquanto soltava um gemido baixo.
"Você nem sabia... Eles não sabiam. Eles eram inocentes," ela murmurou. "Eles morreram por nada…"
Talias se aproximou dela, colocando uma mão gentil em seu ombro. Ele não sabia o que dizer. Ele nem mesmo entendia verdadeiramente o que estava acontecendo.
Tudo o que sabia era que Andra estava aqui novamente, e isso era tudo o que realmente importava.
"Como você chegou aqui?" ele perguntou, tentando distraí-la de sua dor, para fazê-la pensar em qualquer outra coisa além do fato de que ela poderia ter matado um servo não treinado que teve uma espada colocada em sua mão.
"Quando eu estava com os Homens do Rei, eles nos contaram sobre o ataque à mansão. Eu perguntei de você. Disseram que uma criada desapareceu naquela noite e não foi vista novamente. Fiquei com medo de que eles tivessem levado você... com medo de que eles tivessem matado você."
Ela ergueu o rosto das mãos e deu-lhe um sorriso aguado. "Bem, sim," disse ela, rindo baixinho de alguma piada particular que ele ainda não entendia. "Suponho que tecnicamente fui levada. Mas-"
Sua explicação foi interrompida por uma rajada de vento que arrasou a grama ao redor deles enquanto uma enorme sombra passava sobre suas cabeças.
Ambos olharam para cima e viram um dragão violeta – menor que os outros que ele tinha visto aqui, mas ainda assim enorme – voando sobre eles.
Talias ficou de pé, afastando-se rapidamente do dragão quando ele pousou ao lado deles com um baque pesado.
Andra também se levantou, embora com muito mais calma, e sorriu um pouco para ele antes de se virar para a grande fera violeta.
O dragão abaixou a cabeça, emitindo um som baixo e forte na garganta. O sorriso de Andra se iluminou e ela pegou o focinho da criatura entre as mãos, acariciando as lindas escamas.
Algo pareceu passar entre eles no silêncio que se seguiu – algo que Talias tinha visto passar entre dragão e Cavaleiro muitas, muitas vezes em seus anos no Salão dos Cavaleiros.
Talias começou. De todas as coisas inacreditáveis que aconteceram nas últimas vinte e quatro horas, esta foi de longe a menos crível de todas. Mas não havia como negar.
Havia um vínculo entre Andra e o dragão. O vínculo de um dragão e Cavaleiro.
"A-Andra?" ele gaguejou. "É aquele…? Como foi...?
Ela riu baixinho de suas perguntas inacabadas, ainda acariciando as escamas do dragão enquanto olhava para ele e dizia: "É uma longa história…"

ANDRA

Era hora dos Homens Livres seguirem em frente.
Não havia dúvida de que os Homens do Rei sabiam a sua localização, e menos ainda de que atacariam novamente — e era pouco provável que subestimassem os rebeldes uma segunda vez.
Com o sangue ainda manchando o solo e o monumento de vidro tremeluzindo com a chama de Tiri na beira da areia, os Homens Livres começaram a empacotar o que podiam.
Eles ainda não sabiam para onde estavam indo. Eles não sabiam o que fariam a seguir.
Apesar de terem vencido esta batalha, os Homens Livres sofreram gravemente. O seu acampamento destruído, um grande número dos seus apoiantes mortos, a sua base comprometida.
Para Andra, foi como se estivessem recomeçando, e ela percebeu pela queda dos muitos pares de ombros abaixo dela que o resto dos Homens Livres sentia o mesmo.
Ela sentou-se nas costas de Tiri enquanto o dragão transportava caixas de suprimentos para as carroças que esperavam ao longo da orla do deserto.
Enquanto o dragão baixava cuidadosamente seu último lote de carga para uma carroça vazia, os soldados abaixo olharam para Andra e sorriram, erguendo as mãos em gratidão.
"Obrigado, Cavaleira!" uma voz gritou para ela.
Andra se encolheu com a palavra. Os Homens Livres a chamavam assim desde o fim da batalha. Ela pediu que não o fizessem, mas o título ainda a seguiu pelo acampamento enquanto ela e Tiri ajudavam nos preparativos.
Por mais querida que Tiri fosse para ela, por mais que desejasse nunca se separar do dragão, a palavra a irritava como uma armadura mal ajustada. Ela não era Cavaleira. De verdade.
Talias, por sua vez, parecia entender o que ninguém mais entendia – ela não estava verdadeiramente ligada a Tiri, ela não tinha a marca de Cavaleira, então ela não era uma Cavaleira.
Como alguém que viveu sua vida entre os Cavaleiros, ele entendia a importância desse vínculo, assim como ela.
Mas o resto dos Homens Livres... Eles persistiram.
Tiri e Andra voaram de volta para o acampamento, e ela se inclinou para frente no pescoço do dragão, olhando para os soldados que corriam para frente e para trás abaixo dela.
Seus olhos encontraram Kael quase imediatamente, embrulhando espadas e desamarrando arcos para transporte enquanto ele simultaneamente dava ordens, sua voz clara e nítida acima do barulho.
Ele não tinha falado com ela desde a chegada de Talias no dia anterior, mas ela supôs que não poderia culpá-lo. Afinal, ele era o líder dos Homens Livres. Eles precisavam dele agora.
Mas mesmo quando a voz dele soou agudamente abaixo dela, ela podia ouvir a mesma voz falando em sua cabeça, o tom mais suave, as palavras cheias de emoção. Eu te amo, Andra.
A chegada de Talias a tirou tão rapidamente daquele momento com Kael que dificilmente parecia real – como ser arrancada repentinamente de um sonho, com apenas algumas imagens preciosas permanecendo em sua memória.
Mas a dor que essas palavras deixaram em seu peito parecia bastante real. Kael a amava...
E Talias...
Ela desviou o olhar do cabelo escuro de Kael e examinou a multidão, finalmente encontrando o cabelo loiro que procurava.
Ele não estava entre os Homens Livres, mas sozinho, ao lado das brasas da fogueira, virando vários jarretes de carne no espeto.
Os outros pareciam contorná-lo, deixando-o bem afastado, exceto por um elfo que permanecia por perto, observando-o com cautela.
Andra sentiu uma necessidade instintiva de ir até ele, de trabalhar ao lado dele como vinha fazendo há tantos anos. Talias foi o garoto que entendeu o significado de suas palavras não ditas, que a protegeu sempre que pôde.
Ele foi o garoto que disse a ela para espionar o Emparelhamento – a razão pela qual ela tinha qualquer tipo de conexão com Tiri. Talias fazia parte dela há anos.
"Irmã," a voz de Tiri ecoou em sua mente, "você está pensativa."
"Não estou," Andra respondeu rapidamente. "Estou… pensando…"
"Sobre esses dois conjuntos de problemas em duas pernas?"
Andra soltou uma risada bufante. "Não. Bem, mais ou menos, eu suponho.
"Que deliciosamente obscuro." O dragão riu.
"Talias é simplesmente… tudo que eu sempre acreditei que queria," Andra respondeu. "Ele me faz sentir segura. Ele sempre me fez feliz, não importa o quão infeliz eu me sentisse.
"Eu o amo desde que me lembro. Ele é todas as partes boas da minha antiga vida…"
"Mas essa não é mais a sua vida, irmã," Tiri respondeu gentilmente.
"Eu… eu sei…" Mesmo em sua mente, as palavras de Andra pareciam fracas. "Achei que estava pronta para abandonar aquela velha vida. Tudo isso. Até as coisas boas nela. Mas…"
Olhando para Talias, seus dedos vagaram pelo couro que circundava seu pulso mais uma vez.
"Mas talvez eu estivesse errada…"

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