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Fugindo do Vínculo de Companheiro Livro 3: Ember

Autor
Eleanor Moon
Leituras
1.3M
Capítulos
55
Autor
Eleanor Moon
Leituras
1.3M
Capítulos
55
🐺Sobrenatural🐺Lobisomens & mutantes🙅Parceiro relutante🎭Drama🕯️Romances lentos💔Companheiro rejeitado👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa🤨Namoro falso

— Bem, foi você quem se meteu na minha cama, lembra?

Forcei uma risada áspera. — Você mesmo disse, Logan. Eu era jovem e tola. Mas se você acha que eu te quero como meu companheiro agora, o tolo é você!

Ember achou que tinha escapado da vida na alcateia. Foram quatro anos de liberdade, vivendo sob seus próprios termos, até que seu companheiro Alpha a arrasta de volta para o mundo do qual ela fugiu. Ele planejou a maior fusão de alcateias da história dos lobisomens, construindo o futuro deles enquanto ela fingia que ele não existia. Agora, todos os muros que ela ergueu estão ruindo. Feridas antigas se reabrem, desejos ressurgem e Ember precisa decidir se recuperar a si mesma significa ir embora... ou ousar ficar.

A Lembrança

EMBER

Encarei meu reflexo, inclinando a cabeça enquanto aperfeiçoava meu delineado gatinho — afiado o bastante para matar. Depois de esfumar a sombra escura, admirei o resultado final.
Perfeito.
Exatamente como eu queria estar esta noite.
Lá embaixo, os graves das caixas de som vibravam pela casa — a festa já estava a todo vapor. Meus pais planejavam meu aniversário de dezenove anos havia semanas.
Minha mãe, praticamente brilhando de tanta empolgação, estava obcecada com a ideia de eu encontrar meu companheiro. Um ano inteiro havia se passado, e meus pais estavam ficando impacientes. Era por isso que estavam dando uma festa ainda maior do que a do ano passado, convidando todos os alfas solteiros que conheciam na esperança de que eu o encontrasse esta noite.
Revirei os olhos.
Eles mal podiam esperar para que eu fosse reivindicada.
Eu, por outro lado, mal podia esperar para ir embora. Havia passado um ano inteiro melhorando minhas notas e pegando créditos extras, o que me garantiu uma bolsa de estudos integral na Columbia.
Faculdade. Nova York. O sonho.
Tinha sido uma batalha convencê-los a me deixar ir — lobisomens normalmente não abandonavam a vida na matilha. Mas eu queria mais. Queria uma faculdade humana, as luzes da cidade e liberdade. E, com meu histórico de notas perfeitas, eu tinha garantido a bolsa integral.
Eu estava fora.
Não que eu tivesse muito espaço por aqui, de qualquer forma.
Meu pai, o Alfa Jayden, era poderoso e respeitado — o líder de uma das matilhas de nível médio mais bem consolidadas do país. A matilha prosperava sob seu comando. Mas, sem um herdeiro homem, a questão sobre quem assumiria o lugar dele sempre pairava no ar.
Não que isso importasse. Ele ainda era jovem, muito longe de se aposentar. E eu não tinha o menor interesse em assumir o controle. Mesmo que, tecnicamente, eu pudesse. Uma alfa fêmea. Não era algo inédito. Eu tinha a linhagem — a força.
Mas eu queria outra coisa.
A vida na matilha parecia sufocante. As regras, as expectativas, ser o centro das atenções o tempo todo…
Minha mãe tinha apenas dezoito anos quando conheceu meu pai, se tornou luna e abriu mão do sonho de ir para a faculdade, escolhendo o treinamento de curandeira e a maternidade em vez disso.
Nunca entendi por que eles não tiveram outro filhote. Eu não era exatamente a sucessora de que precisavam.
Soltando a respiração com força, deixei o delineador de lado.
Aquela não era a noite para pensar nisso — nem no passado.
Mesmo assim, as lembranças surgiam de qualquer forma.
Este aniversário — a música, as luzes, a atenção sufocante — tudo parecia muito com o ano passado.
Meu aniversário de dezoito anos.
A noite em que tudo mudou.
Mordi o lábio, reprimindo as emoções antes que pudessem me dominar.
Hoje não, Ember.
Por favor... hoje não.
Infelizmente, o passado tinha uma forma cruel de voltar, tocando em um ciclo do qual eu nunca conseguia escapar totalmente. E qualquer coisinha — a cor de um vestido, o jeito que eu fazia minha maquiagem, a batida da música — podia desencadear os flashbacks.
Fui tirada dos meus pensamentos com o som da minha porta se abrindo.
“Querida, você ainda não está pronta? Está todo mundo esperando lá embaixo!”
A voz da minha mãe estava alegre, seu sorriso era caloroso — completamente alheia à tempestade que se formava dentro de mim.
Forcei um sorriso de canto e, depois, um sorriso de verdade. Algo para tranquilizá-la — mas que não chegou aos meus olhos.
Se ela soubesse...
O que eu tinha feito. O que eu tinha passado. A humilhação, a decepção amorosa, a dor que eu havia enterrado no fundo do peito. Fechei os olhos com força por um momento.
Eu não podia deixar meus pensamentos afundarem de volta na escuridão. Era coisa demais. Eu não queria pensar naquilo... nunca mais.
Respirei fundo e devagar para me acalmar e abri os olhos, encontrando minha mãe me observando de perto.
“Você está bem, querida?”
Forcei um sorriso pequeno e radiante até demais. “Estou bem.”
Ela pareceu satisfeita, assentindo enquanto segurava minha mão.
“Vamos lá, está todo mundo esperando por você! Muitos alfas solteiros de outras matilhas vieram visitar hoje também. Estão todos alvoroçados — esperando para ver se você será a companheira deles!”
Ela piscou de brincadeira, como se fosse uma notícia empolgante.
Soltei um suspiro, balançando a cabeça. “Ah, mãe.”
Eu sabia que era possível — mas não estava procurando por isso. Não precisava de um homem na minha vida agora. E com certeza eu não queria um companheiro. Eu estava determinada a fazer algo da minha vida. Iria me aventurar no mundo humano e construir uma carreira. Queria ter sucesso, ser... livre.
Quanto a esta matilha?
As paredes que guardavam todas as lembranças dolorosas?
Eu estava pronta para deixar tudo isso para trás.
Estava pronta para voltar a respirar.
Reunindo um pouco de energia, dei um giro nos calcanhares, meu vestido rodopiando ao meu redor e fazendo minha mãe dar uma risadinha baixa.
“Como estou?” perguntei, abrindo meu sorriso mais confiante para ela.
O rosto dela suavizou. “Linda. Simplesmente perfeita, querida.”
Dei um sorriso largo. “Bem, eu tenho os seus genes, mãe.”
Dei um tapinha rápido e brincalhão em sua bochecha antes de entrelaçar meu braço no dela.
“Vamos lá.”
E com isso, dei um passo à frente — deixando os fantasmas do meu passado onde pertenciam — e forçando outro sorriso radiante até demais.
Descemos as escadas e fomos recebidas por rostos sorridentes, tanto de amigos quanto de familiares. Minha mãe estava certa. Muitos alfas estavam ali naquela noite — claramente torcendo por uma chance de formar um vínculo de companheiros com uma das linhagens mais antigas do país.
Dei uma risadinha fraca e divertida, balançando a cabeça. “Como se eu fosse um prêmio a ser conquistado”, murmurei.
“É claro que você é, querida”, minha mãe respondeu, sorrindo de orelha a orelha. “Qualquer um teria sorte em ter você como companheira.”
“E você sabe como deixaria o seu pai feliz se encontrasse o seu companheiro. Ele mal pode esperar para planejar uma união de matilhas.”
Lancei um olhar para ela. “Uma união? Sério, mãe?”
Ela apenas piscou com malícia. “Ou talvez você encontre alguém para governar ao seu lado. Você mesma poderia ser a grande alfa fêmea.”
Isso me fez dar uma boa risada. “Ah, você é romântica demais, mãe.” Balançando a cabeça, caminhei até o meu pai e dei um beijo rápido no rosto dele.
“Você está linda, Docinho”, ele disse, com a voz carinhosa.
Dei uma risada, revirando os olhos com carinho para aquele velho apelido.
“Quando foi que a minha garotinha se transformou em uma jovem tão linda?” ele murmurou, com um olhar suave e orgulhoso, enquanto puxava a minha mãe para perto dele.
Sorri para ele, sentindo aquele calor familiar de pertencimento — mesmo que aquela noite fosse apenas mais um passo rumo à minha partida.
Mas antes, bebidas.
Vasculhando o salão com os olhos, notei alguns caras bonitos me secando, erguendo seus copos em um brinde silencioso.
Pisquei de volta, dando um sorriso de canto ao pegar uma bebida em uma bandeja próxima. Eu não estava em busca de amor — mas gostava de me divertir. Era mais fácil assim. Se eu me mantivesse ocupada — flertando, bebendo, dançando —, minha mente não vagaria por lugares onde não deveria ir.
“Acho que vou me enturmar”, eu disse à minha mãe, abrindo um sorriso para ela.
Ela murmurou pensativa, colocando uma mecha solta de cabelo atrás da minha orelha. “Tudo bem, querida. Mas só para você saber: eu convidei o Logan.”
Quase engasguei com a bebida. “Você fez o quê?!”
Ela piscou de forma inocente. “Bom, eu acho um absurdo que vocês dois não se falem mais. E como você se recusa a me contar o motivo, a Ella e eu concluímos que é hora de resolver isso de uma vez por todas. Vocês não podem ficar se evitando para sempre.”
Meu estômago embrulhou. Apoiei o copo na mesa e respirei fundo. Eu já devia imaginar. “E por que, exatamente, nós não podemos continuar nos evitando?” perguntei, erguendo uma sobrancelha.
Ela deu um sorrisinho, ignorando a minha irritação. “Eu só tenho um pressentimento.”
Soltei um suspiro exasperado. “Mãe, vocês duas precisam cair na real. As chances de eu e o Logan sermos companheiros são literalmente zero.”
Ela não pareceu convencida, mas eu não podia dizer a ela por que tinha quase certeza de que ele não era o meu companheiro. Ela nunca poderia saber o que havia acontecido.
Bufei de irritação e dei as costas. “Esqueça isso, mãe.”
E com isso, desapareci no meio da multidão.

LOGAN

Olhei pelo espelho retrovisor, encarando a casa da matilha ao longe.
Eu estava estacionado do lado de fora da Matilha Lua Nova fazia um bom tempo, pensando se devia mesmo entrar.
Eu sabia que precisava. Mas estava com pavor disso.
Com um suspiro frustrado, passei a mão pelo cabelo, apertando a nuca antes de expirar devagar.
Eu lidei com tudo mal pra caralho no ano passado.
Com a Ember.
A culpa havia permanecido no fundo da minha mente, me corroendo. É claro que meus pais tinham notado, e minha mãe vinha me pressionando desde então, perguntando por que eu estava evitando a matilha deles, por que nunca mais ia visitá-los.
Não tinha sido tão difícil desconversar enquanto eu estava fora, na faculdade. Mas agora que eu tinha voltado, estava ficando cada vez mais difícil explicar para eles por que eu continuava fugindo da Matilha Lua Nova como o diabo foge da cruz.
Esfreguei o rosto com a mão, puxando o ar com força. A Ember claramente estava me evitando também e, sinceramente?
Eu não a culpava.
Mas agora que eu estava de volta — agora que eu realmente estava ali —, não tinha escolha a não ser encará-la.
Nossas famílias sempre foram muito próximas, nossas matilhas eram aliadas, e eu sabia que sempre houve uma esperança silenciosa — a esperança de que um dia a Ember e eu nos tornaríamos companheiros e nossas matilhas se uniriam.
Embora eu sempre tivesse tido um carinho especial pela Ember — protegendo-a dos valentões quando éramos crianças —, ela tinha sido apenas isso. Uma criança que eu protegia. Nada mais.
Ainda que eu não pudesse negar... ela tinha um corpo gostoso pra caralho. Mesmo assim, era estranho pensar naquilo. Nunca tinha olhado para ela daquele jeito — não enquanto eu estava ocupado curtindo festas, cercado por universitárias e pelas luzes da cidade.
Eu sabia que precisaria de uma luna ao meu lado mais cedo ou mais tarde. Mas não tinha pensado muito no assunto. Imaginei que iria acontecer na hora certa.
Sinceramente? Eu estava me divertindo demais no mundo humano para me preocupar com assuntos de lobisomens.
Mas essa parte da minha vida havia acabado agora...
Eu tinha conseguido o meu mestrado em Finanças e Gestão e estava de volta. Pronto para assumir a matilha do meu pai. Para assumir o papel para o qual eu nasci.
Era hora de focar.
Hora de assumir a responsabilidade.
E, para isso, eu precisava manter bons relacionamentos com as matilhas vizinhas — incluindo a Matilha Lua Nova.
Suspirei, girando os ombros para trás numa tentativa de me livrar da tensão. Então, respirando fundo, abri a porta do carro e saí.
Eu ia entrar, gostando ou não.

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