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A Rainha Perdida

Autor
Annie Whipple
Leituras
🔥45.7M
Capítulos
81
Autor
Annie Whipple
Leituras
🔥45.7M
Capítulos
81
😱Suspense🧛🏻Vampiros🙅Parceiro relutante🎭Drama💔Companheiro rejeitado😌Segundas chances🐺Lobisomens & mutantes👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido💪🏻Protetor🧚🏼‍♂️Fadas🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa⚔️Ação & aventura👑Realeza e aristocracia🔒Proximidade forçada🐺Sobrenatural

Depois de escapar de seu companheiro, que não apenas a marcou profundamente, mas também fez coisas indescritíveis com ela, Belle Dupree se estabelece na pequena cidade de Evergreen, Maine, para começar de novo. Mas Belle não consegue se concentrar em construir uma nova vida quando sua marca dói constantemente e sua cabeça lateja de Grayson tentando falar com ela através de seu elo mental que se recusa a diminuir apesar da distância. Grayson Stoll, agora um híbrido de lobo e vampiro, está determinado a encontrar Belle e explicar por que não foi ele quem a machucou e compartilhar um segredo sobre seu destino que mudará tudo entre eles. E ele deve protegê-la do rei vampiro, que também está determinado a encontrá-la, antes que seja tarde demais.

1: Memórias Assombrosas

Livro 2: Sua Rainha Perdida

GRAYSON

Minha cabeça estava girando.
Tudo estava embaçado, meus ouvidos zumbiam e meu estômago parecia que estava prestes a colocar as tripas para fora. Que diabos tinha acabado de acontecer?
Abri os olhos. Ainda desorientado, olhei ao redor do cômodo, tentando me situar, embora isso fosse muito difícil.
Em um segundo eu estava de pé no meu quarto com Kyle e três vampiros de olhos vermelhos, e no segundo seguinte, eu estava em uma floresta diante de centenas de vampiros recém-criados e Azazel, todos determinados a me matar junto com os membros da minha alcateia.
Fiquei aliviado quando percebi que estava de volta ao meu quarto, deitado no chão de madeira.
Apesar de meu corpo estar dolorido e fraco — efeito de algum tipo de magia, tenho certeza — a dor que me percorria não era minha preocupação principal. A guerra estava chegando. E em breve.
As palavras ameaçadoras de Azazel ainda estavam frescas na minha mente.
“Diga ao meu irmão para se preparar, Alfa Grayson. O tempo dele como rei acabou,” ele havia dito. “Nós estamos chegando.”
Percebi que havia outras pessoas no cômodo e, quando o zumbido nos meus ouvidos parou, consegui entender o que estavam dizendo.
Estavam discutindo. Uma pessoa, em particular, parecia muito irritada. Reconheci a voz dele.
“Faça alguma coisa!” o tom furioso de Kyle ecoou. “Por que estamos parados quando meu alfa acabou de desmaiar? Minnie—"
“Garanto que ele está bem, jovem beta,” alguém interrompeu. Zagan. O rei dos vampiros. Irmão de Azazel. “Eu imploro que tire suas mãos de mim antes que eu decida arrancá-las.”
“Ah, é? Quero ver tentar,” Kyle desafiou. “Você não é o único nesta sala com habilidades vampíricas.”
Gemi e rolei para o lado, sem querer ouvir mais nada daquela discussão interminável.
Todas as cabeças se viraram para mim. Kyle estava ao meu lado em menos de um segundo, usando sua recém-adquirida velocidade vampírica para se mover num borrão.
Ele se agachou ao meu lado. “Alfa,” sussurrou, “você está bem?”
Assenti e me forcei a sentar, mesmo com o corpo fraco. “Estou bem. Desorientado.” Olhei para Zagan, que tinha se aproximado e estava de pé ao lado de Kyle. “Que porra acabou de acontecer?”
“Você é quem deveria me dizer,” ele respondeu com a voz rouca. “O que você viu?”
Me levantei devagar, grunhindo com o esforço. Meu lobo rosnou. Ele não gostava de se sentir fraco, especialmente agora, quando havia tanto em jogo. “Azazel,” eu disse. “Ele está vindo.”
Ouvi Kyle prender a respiração. “Você viu Azazel?”
“Quando?” Zagan perguntou bruscamente, dando um passo à frente com interesse. “Quando ele está vindo?”
Balancei a cabeça. “Não há como ter certeza. Não sei a que velocidade o exército de vampiros recém-criados pode correr.” Cerrei os dentes. “Em breve, porém. Hoje à noite.”
Os olhos de Zagan se estreitaram. Minnie e Casimir, vampiros reais e dois dos filhos de Zagan, olharam para o pai em choque. A tensão e a ansiedade deles eram quase palpáveis no ar.
“O Clã de Azazel está de volta?” Minnie sussurrou. Sua voz já esganiçada e aguda pareceu subir mais um tom de medo. “Pai, você sabia disso?”
Zagan assentiu. “O beta me informou na carta dele. É por isso que não perdemos tempo em ajudar esta alcateia.”
“Temos que agir rápido,” eu disse a Kyle. “Prepare a alcateia para a batalha. Informe todos sobre o que aconteceu.”
Kyle já estava na metade do caminho até a porta. “Deixa comigo!” gritou enquanto corria pelo corredor.
Voltei minha atenção para os três vampiros, observando-os com olhos semicerrados. Era um pouco perturbador como todos eles eram parecidos, com seus cabelos pretos e lisos, corpos esguios e olhos vermelhos marcantes.
Eram menores que lobisomens e, por isso, não tão fortes. Mas isso não importava. O treinamento vampírico focava menos em força bruta e mais em estratégia e furtividade.
Era como se o lema deles fosse: “Trabalhe com inteligência, não com esforço.” E funcionava para eles.
Enquanto estudava aqueles olhos vermelhos impressionantes, não consegui evitar dar uma olhada no espelho ao meu lado, notando que meus próprios olhos, normalmente verdes, também estavam vermelhos naquele momento.
No entanto, diferente dos três Mortars, os meus eram mais escuros, nublados por uma escuridão causada pela presença do meu lobo. Eu conseguia sentir tanto o meu vampiro quanto o meu lobo pressionando minha consciência.
Não era invasivo, pois nenhum dos dois estava tentando assumir o controle. Estavam apenas agitados e prontos para a batalha, ansiosos por qualquer motivo para se libertar.
Desviei o olhar do meu reflexo rapidamente, ficando tenso de raiva. A última vez que tinha visto meus olhos nessa cor foi quando Azazel havia tomado controle do meu corpo, mostrando seus verdadeiros olhos enquanto olhava para o nosso reflexo.
Estremeci, sendo puxado de volta para as memórias do meu inferno pessoal. Minha mente, sem que eu quisesse, começou a reproduzir uma cena dos últimos meses.
Eu estava assistindo minha própria mão bater em Belle, minha companheira, o amor da minha vida, no seu rosto lindo, sem ter controle nenhum, vendo horrorizado quando ela voou para o lado pela força do golpe.
Mas a pior parte veio depois. Belle olhou para mim, seus olhos azuis e marejados arregalados de vergonha... e pediu desculpas.
Ela pediu desculpas para mim. Mesmo que tivesse sido a minha mão que havia marcado sua pele, ela achou que tinha sido ela quem tinha feito algo errado.
Duas vezes. Azazel bateu nela duas vezes, sentindo puro prazer no fato de que ela pensava que era eu quem estava fazendo aquilo. E todas as vezes, Belle pedia desculpas a ele.
Eram pedidos de desculpa genuínos, que deixavam evidente o arrependimento dela. Eu não sabia do que ela tinha vergonha, mas, Deus, eu conseguia sentir. Eu conseguia sentir a humilhação dela crescendo a cada dia que passava.
Ela era tão dura consigo mesma, se culpando e quebrando a cabeça tentando entender o que tinha feito de errado. Ela queria consertar o que quer que fosse, sem saber que não tinha absolutamente nada a ver com ela.
Eu estava gritando dentro da minha própria cabeça o tempo todo, socando as amarras que me prendiam. Era como se eu estivesse me afogando.
Lutei tanto tentando romper o controle que Azazel tinha sobre mim para poder ir até a minha companheira.
Eu sabia que ela não estava comendo nem dormindo. Sabia que ela estava sendo praticamente tratada como lixo por todos os membros da alcateia. Eu conseguia sentir como ela estava ficando fraca. Mas não podia fazer nada.
Todos os dias, eu torcia para que ela fosse embora e fugisse para longe. Mas cada dia que eu ainda a sentia nesta casa me deixava completamente furioso com Azazel por fazer isso com ela.
Eu queria dizer para ela ir embora, falar com Kyle ou Elijah ou qualquer pessoa, qualquer um, e sair daqui. Eu não conseguia entender por que ela ficava. Por que, caramba, ela não fugia?
Claro, Azazel tinha dito a ela que a queria pelo poder que ela poderia lhe dar, exigindo que ficasse por causa disso. Mas, na realidade, ele nem teria notado se ela tivesse ido embora.
E era isso que me matava. Se ela estava ficando por medo de ser punida caso fosse pega, esse medo era desnecessário. A mente de Azazel estava ocupada com outros problemas.
Eu sabia disso porque tinha passado mais de dois meses ouvindo os pensamentos dele. Eu basicamente conhecia cada detalhe sobre o antigo rei dos vampiros.
Ele não se impressionava com o fato de ela ser humana e, embora a achasse atraente — e adorasse me lembrar disso —, não estava realmente interessado em tê-la por perto.
Ele só tentava dormir com ela para me provocar e me enfraquecer. Mas, surpresa, tentar se acasalar com a fêmea de um alfa não o enfraquece.
Não, o efeito foi o oposto — me deixou furioso. Fiquei tão cego de raiva cada vez que ele colocava a mão nela que, finalmente, meu lobo conseguiu romper a possessão e assumir o controle para cuidar da nossa companheira.
Azazel aprendeu com essa experiência. Ver minha companheira sendo machucada me deixava furioso o suficiente para romper o controle que ele tinha sobre mim.
Ele entendeu então que a melhor maneira de realmente me enfraquecer era se afastar de Belle. E foi exatamente o que ele fez. Ele deixou o vínculo de companheiros definhar. E enquanto eu sentia minha companheira desaparecer aos poucos, eu desaparecia junto com ela.
Foi apenas duas noites atrás que Azazel tentou se acasalar com Belle novamente. Só que, desta vez, não era para me provocar ou me irritar — embora definitivamente tenha feito as duas coisas.
Azazel percebeu que alguém tinha mexido na escrivaninha dele, o que significava que um dos membros da minha alcateia sabia sobre as cartas que ele havia enviado ao Clã de Azazel.
Foi a primeira vez que eu o senti experimentar verdadeiro medo.
Sabendo que a guerra poderia acontecer antes do que ele previa, decidiu que queria completar o vínculo de acasalamento com Belle para ficar o mais forte possível durante a batalha.
Quando Belle recusou — para meu absoluto alívio — ele não hesitou em chutá-la para o lado e escolher outra.
Azazel não sabia que aquela decisão finalmente tinha libertado Belle. Ela estava com o coração partido, mas ao achar que eu não a queria, finalmente conseguiu se forçar a ir embora.
E embora eu tivesse ficado orgulhoso na hora, me causava dor física pensar em quanto tempo ela tinha demorado.
Por que ela não tinha ido embora antes? A porta estava escancarada. Deus, por que ela ficou nesta maldita casa da alcateia, onde era maltratada e tratada como nada mais do que a sujeira debaixo do sapato de alguém?
Será que ela achava que merecia aquilo? Será que ela esperava que aquela fosse sua nova vida?
Ela valia muito mais do que tudo aquilo, e eu pensava que ela soubesse disso — porque, caramba, ela é muito mais forte do que qualquer um poderia imaginar.
Ela tinha passado por tanta coisa. E, mesmo assim, toda vez que sua vida desmoronava, ela ainda conseguia se levantar das cinzas.
Mas agora eu entendia.
A cada dia que Belle continuava suportando os meus abusos sem reagir, ficava mais claro que talvez ela tivesse enfrentado incêndios demais, que sua vida tinha desmoronado vezes demais.
Ela passou a acreditar que, a partir de certo ponto, os incêndios deixam de ser coincidências ou acidentes. Quando os incêndios seguem a mesma pessoa aonde quer que ela vá, fica evidente que essa pessoa tem uma tendência a iniciá-los.
E assim, Belle se deixou queimar. Minha companheira forte assistiu, derrotada, enquanto o fogo a consumia mais uma vez.
Porque, para ela, não importava o que fizesse, os incêndios a seguiam para todos os lugares. Ela só fugiu quando a dor ficou grande demais, quando as queimaduras se tornaram insuportáveis.
Quando ela pensou que eu a havia rejeitado para ficar com outra.
Eu não tinha dúvida de que as queimaduras que ela suportou deixariam cicatrizes. Não seria fácil reconquistar sua confiança, mas eu estava mais do que pronto para o desafio.
Eu não desistiria até tê-la de volta nos meus braços. Nunca mais a deixaria ir. Juntos, nós a reconstruiríamos até que ela se lembrasse de quão forte ela realmente era.

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