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Corações que Retornam

Autor
Alyson Linker
Leituras
16.2K
Capítulos
57
Autor
Alyson Linker
Leituras
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Capítulos
57
🏡Garota comum😌Segundas chances🔺Triângulo amoroso🏙️Contemporâneo💪🏻Protetor👩🏻‍🍼Mães

August volta para a vida de Jackson como uma faísca que ele fingia não sentir falta, e de repente o silêncio que ele construiu ao redor de seu coração começa a rachar. A antiga conexão entre eles ressurge rápido — doce, afiada e impossível de ignorar. Mas a confiança é algo delicado, e a dela parece envolta em sombras que ela se recusa a nomear. Jackson quer acreditar no "agora e para sempre" que um dia sussurraram, mas cada toque persistente o faz questionar o que ela está escondendo.

À medida que sentimentos antigos emergem e novas dúvidas se entrelaçam ao redor deles, ele precisa decidir se esta segunda chance é um presente... ou o lembrete de que o amor pode queimar com a mesma intensidade com que cura.

Capítulo 1: Aniversário Não Celebrado

JACKSON

Há algo de errado em comemorar um aniversário de cinco anos em um cemitério. Jackson sente isso a cada passo que dá.
A neblina é espessa. Ela se move perto do chão, ao redor das lápides e das árvores, cobrindo o mundo com um silêncio cinzento. Ela abafa os sons e apaga as cores — tudo, menos as rosas em suas mãos.
Sessenta rosas, com suas pétalas vermelhas e vivas contra a escuridão. Elas são brilhantes demais para um lugar como este. Ele as segura com força, como se soltá-las significasse perder algo além de flores.
Ele não hesita enquanto caminha. Ele nunca hesita. Ele sabe exatamente onde ela está.
Este é o segundo dia dez de março que ele passa neste cemitério. E ele pensou que seria mais fácil desta vez, mas não é.
A lápide em forma de coração aparece devagar no meio da neblina. Jackson para na frente dela. Seu peito se aperta daquela maneira conhecida e ruim. Ele olha para o relógio. São 10:42 da manhã.
Ele solta a respiração, tremendo, mesmo tentando se controlar. “Cheguei bem na hora, meu bebê.” Ele se ajoelha, apoiando-se em uma das pernas, e coloca as rosas ao lado da pedra com muito cuidado, como se o menor erro fosse um problema.
Ele estica a mão até as letras da lápide. Por um momento, seus dedos ficam parados contra a superfície fria. “Sinto sua falta todos os dias”, ele diz, com a voz começando a falhar. “A vida é muito difícil sem você.”
As palavras ficam no ar, frágeis e insuficientes.
Por um momento, ele se permite sentir a dor. Todo o peso esmagador da ausência dela aperta por todos os lados, tão pesado quanto a própria neblina.
O luto vem rápido, afiado e forte. Ele abaixa a cabeça. Seus ombros ficam tensos enquanto ele tenta se controlar, mas não consegue.
Ele só se força a parar quando algo se move na neblina. Uma figura escura, magra e conhecida está vindo de longe na direção dele. Alguém que ele não esperava ver.
Jackson passa a mão no rosto, limpando as marcas da sua dor, e se levanta devagar. Sua respiração se acalma com muito esforço. Ele beija rapidamente os próprios dedos antes de encostá-los no topo da lápide. “Feliz aniversário, meu bebê.”
Ele se vira para ir embora em silêncio, mas diminui os passos ao se aproximar da figura que agora está parada debaixo de uma árvore próxima. Mesmo sem olhar, ele sabe exatamente quem é. “Ela faria cinco anos hoje”, ele diz, parecendo mais corajoso do que realmente se sente.
Não há resposta.
Ele se vira para olhá-la de frente. Por um momento, ele só consegue ficar olhando para ela.
Os conhecidos olhos verdes dela encontram os dele. Eles estão brilhando com as lágrimas que escorrem por suas bochechas. O cabelo castanho dela, que antes era comprido e solto, agora bate apenas nos ombros. O vestido preto que ela usa parece pesar o seu corpo. Isso faz com que ela pareça menor do que ele se lembra, mais frágil.
“Sentir a falta dela seria mais fácil de suportar se eu ainda tivesse você, Auggie.” Jackson olha bem nos olhos de August enquanto fala. “Sentir a falta de vocês duas está me matando.”
As palavras ficam no ar entre eles, pesadas e duras na sua verdade.
Ele dá um passo na direção dela antes de pensar direito.
“Jackson, não.” August abaixa o olhar para as simples flores brancas em suas mãos, como se elas pudessem protegê-la dele.
Mas ele precisa fazer a mesma pergunta sobre a qual tem pensado nos últimos dois anos. “Se divorciar de mim e ir embora acabou com a dor, como você esperava?”
Ela continua em silêncio, mas ele continua a falar. “Eu deixei você em paz, assinei os papéis do divórcio e fiz tudo o que você pediu.” Ele faz uma pausa. Sua voz fica tensa, mesmo sem ele querer. “Você encontrou a felicidade que estava procurando?”
Ela não responde. Ela nem sequer olha para ele.
“Auggie?”, ele tenta de novo, com uma voz mais suave desta vez.
Isso parece mexer com ela.
“Pare de me chamar assim.” Ela respira curto. Sua voz falha enquanto ela vira o rosto ainda mais para longe.
Jackson concorda com a cabeça uma vez. Ele lembra a si mesmo que ela não é mais dele. A felicidade dela não deveria mais ser problema dele.
Ele dá um passo mais perto, mas mantém uma certa distância entre eles. Sua mão escorrega para dentro do bolso, como se quisesse impedir a si mesmo de tocá-la. “August, me desculpe. Você veio ver a Zuri, não a mim.” Ele tira um lenço de papel do bolso e o oferece para ela. “Vou deixar você em paz.”
Ela hesita antes de pegar o lenço. Por um momento, ela olha para ele. Algo brilha no olhar dela, algo muito perto de falar algumas palavras, enquanto sua boca se abre um pouco.
Mas o momento passa, e os lábios dela se fecham com força. Depois, o olhar dela cai rápido para a lápide. “A Zuri teria adorado as rosas”, ela diz baixinho.
Jackson solta a respiração, que quase soa como uma risada, mas não há nenhuma graça nisso. “Eu sempre quis comprar uma bicicleta para o aniversário de cinco anos dela.” O olhar dele abaixa. “Uma bicicleta rosa. Com todas as fitinhas coloridas e adesivos da Barbie.”
Por um segundo rápido, ele jura que pode ouvir a Zuri rindo. Ele fecha os olhos com força, afastando a imagem da cabeça. Ele enfia as mãos no fundo dos bolsos, como se isso o ajudasse a se controlar.
O silêncio toma conta deles mais uma vez.
Depois de um momento, ele se vira para ir embora. Então ele para. Ele não consegue olhá-la de frente de novo. “Me desculpe”, ele diz, com a voz baixa e pesada. “Eu não consegui proteger nossa família.”
As palavras arrancam um som mais forte dela. É algo entre uma respiração funda e um soluço.
Ele quer abraçá-la, mas sabe que ela não vai deixar. Então, ele se força a ir embora, desaparecendo na neblina espessa.
O DIA ANTERIOR
“Bom dia, senhor Frame.” A nova secretária levanta rápido da sua mesa assim que Jackson passa pela porta de entrada. O sorriso dela é brilhante e animado. “Eu gosto da sua gravata.”
Jackson nem diminui os passos. Ele passa por ela sem olhar e vai direto para o elevador. É como se ele nunca tivesse ouvido a voz dela.
“Ah, querida, não gaste seu fôlego com ele”, outra mulher murmura enquanto passa rápido pela mesa. “Ele é bonito de se olhar, mas é duro como uma pedra por dentro.”
Duro como uma pedra. Se ao menos isso fosse verdade, ele pensa enquanto sobe no elevador. O escritório está cheio do barulho constante de telefones tocando e de conversas misturadas quando ele sai no décimo andar.
“Jackson!” Tommy aparece ao seu lado quase no mesmo instante, acompanhando seus passos com muita facilidade. Alto, moreno e animado demais para aquela hora da manhã. Ele sorri como se o dia fosse apenas uma promessa de coisas boas. “Fiz planos para nós neste fim de semana. Eu, você e duas das mulheres mais bonitas de Columbus.”
“Não, Tommy”, Jackson diz de forma direta, já se virando para sua sala.
“Qual é. Só uma bebida. No domingo à noite. Ou até mesmo um jantar.” Tommy o segue para dentro da sala sem ser convidado.
“Não.” Jackson coloca sua maleta na mesa e tira o casaco. O olhar dele sobe apenas o suficiente para encontrar o de Tommy.
“Mas essa garota é a mulher certa para você. Eu juro, ela tem olhos que vão fazer seu coração parar de bater. E o corpo de um anjo.” Tommy chega mais perto, com as mãos escondidas nos bolsos. Ele mal consegue esconder a sua animação.
“Eu já tive a mulher certa para mim, Tommy.” Os olhos de Jackson olham rapidinho para a janela que dá para a cidade, antes de voltar para ele. “Pare de tentar me arrumar alguém e se concentre no trabalho.”
O sorriso de Tommy desaparece, mas só um pouco. “A August era ótima, mas é hora de seguir em frente, Jax. Já se passaram dois anos.”
Jackson se senta na cadeira e balança a cabeça. “Faz apenas um ano e meio. De qualquer forma, eu estou ocupado neste fim de semana, Tommy.”
Tommy dá um passo na direção da porta, depois faz uma pausa e olha para trás. “O fim de semana todo? Ficar sentado sozinho no seu apartamento, bebendo e sendo depressivo, não conta, Jax.”
“Tchau, Tommy.” Jackson já virou o rosto para o seu computador.
“É.” Tommy fica por ali mais um instante, como se tivesse mais coisas para falar, mas Jackson balança a cabeça. Ele não precisa ouvir mais nenhuma palavra do Tommy.
Com isso, Tommy sai e volta para o barulho do escritório. A porta faz um clique ao se fechar atrás dele.
Por um tempo, Jackson se deixa sumir no trabalho. Números, e-mails, prazos. São coisas que não pedem nada dele, além de atenção. Então o interfone toca, quebrando o silêncio. “Senhor Frame, sua reunião da uma da tarde chegou.”
“Mande-o entrar, Josie.” Jackson se levanta, abotoando seu terno cinza enquanto vai até a porta.
A porta se abre quase na mesma hora.
“Oi, pai.” Jackson concorda de leve com a cabeça quando o pai entra, seguido de perto pela mãe. Ele sabia que ela viria junto, mas ainda se sente irritado com a presença dela. “Vejo que você trouxe a mãe.”
“Como é triste termos que ligar para sua secretária só para marcar uma reunião com você, que é nosso próprio filho.” Rachel o puxa para um abraço apertado, mas as palavras dela soam mais como uma bronca do que como carinho.
“Ah, não pegue no pé do garoto, Rachel.” Henry aperta a mão de Jackson com um sorriso leve. “Ele está ocupado sendo uma pessoa de sucesso.”
“Eu não estou pegando no pé dele, Henry. Eu estou sendo mãe. E um filho nunca deveria ser bem-sucedido demais para a sua mãe. Eu não me importo com a idade que ele tem.” Rachel ajeita o colarinho de Jackson enquanto fala. “Como você tem passado, querido?”
Parecendo um pouco irritado, Jackson responde: “Eu estou bem, mãe. Vocês gostariam de sentar?”
O pai dele se senta no sofá para ficar confortável. Já Rachel parece não notar a oferta do filho.
“Você está tão bonito, querido. O Brock disse que você está fazendo academia. Isso tem ajudado a distrair a sua cabeça?” Ela olha para Jackson com compreensão.
“Mãe. Eu disse que eu estava bem.” Jackson revira os olhos e olha para o pai. “Mas sim, o Brock e eu vamos malhar juntos algumas noites por semana.”
“Bem, acho que pelo menos você arranja tempo para um dos membros da sua família. Falando em família, bem, como amanhã é o dia dez de março, nós achamos que você gostaria de fazer algo em família. Você, o Brock e nós?” Rachel vai até o sofá para se sentar com Henry e coloca a mão no joelho do marido.
Jackson se mexe um pouco, mostrando estar desconfortável. “É sobre isso que vocês vieram falar?”
“Bom, a sua mãe achou que seria bom se nós todos nos reuníssemos e fizéssemos uma festa de aniversário.” O tom de voz de Henry deixa claro que ele não concorda com a ideia.
“Seria bom?” Jackson balança a cabeça enquanto vai até a janela. Ele olha para a rua movimentada lá embaixo. Ele faz uma pausa antes de responder. “Festa. De quê?” Ele se vira de volta para os pais. “Ela não ficou um ano mais velha.”
“Uma festa para a vida dela, querido. Apenas um dia para lembrar dela.” Rachel levanta rápido do sofá e vai na direção do filho, mas ele dá um passo para longe.
“Mãe, eu vejo o rosto dela e escuto a voz dela todos os dias. Eu não preciso de mais nenhuma lembrança.”
“Tudo bem. Me desculpe. Eu só queria fazer algo legal para lembrar dela no dia do seu aniversário. Eu não queria deixar você chateado”, Rachel disse, claramente triste.
Jackson solta um suspiro pesado. Ele faz uma massagem na lateral da cabeça enquanto se senta, tentando se acalmar. “Eu não estou chateado. Obrigado pela oferta, mas eu prefiro passar o dia sozinho, se estiver tudo bem para vocês.”
“Se é disso que você precisa, então nós vamos respeitar isso.” Henry se levanta do sofá. “Mas você sabe onde nos encontrar, caso precise da gente.”
“Nós vamos estar na Pizzaria do Mike perto do meio-dia, caso você mude de ideia.” A voz de Rachel fica mais mansa e com esperança, enquanto ela se aproxima de Henry.
Jackson fica sentado em silêncio, com os olhos fixos no chão.
“Bem, é melhor deixarmos ele voltar ao trabalho. Rachel, vamos lá.” Henry guia Rachel na direção da porta.
Jackson faz um sinal de sim com a cabeça, como se tivesse tomado uma decisão. “Então, vocês já almoçaram?”
“Não, nós esperávamos que você fosse almoçar com a gente.” Rachel arruma a bolsa no braço, parecendo ter esperança.
“Eu ia adorar, mãe.” Jackson se levanta e pega seu casaco. “Aonde devemos ir?”
“Aquela casa de massas local é sempre uma boa escolha, e eu sei que é a sua favorita.” Rachel dá um sorriso caloroso. Ela pega no braço de Henry e vai mostrando o caminho para fora da sala de Jackson.
A última coisa que ele quer é passar um tempo com a família dele amanhã. Ele sabe bem como isso vai ser. Os olhares de cuidado. As vozes baixinhas. As mesmas palavras, ditas várias vezes como se repeti-las pudesse torná-las verdade.
A culpa não foi sua.
Já faz um ano e meio desde que ele perdeu tudo. Sua filha. Sua esposa.
E não importa quantas vezes as pessoas digam o contrário, Jackson sabe a verdade. A morte da Zuri é culpa dele.

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