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No Rastro das Estrelas Livro 4

Autor
Tori R. Hayes
Leituras
18,7K
Capítulos
39
Autor
Tori R. Hayes
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18,7K
Capítulos
39
⚔️Ação & aventura🐺Lobisomens & mutantes🙅Parceiro relutante🎭Drama👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido🌛Deuses e deusas🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia🐺Sobrenatural

Diana, uma jovem loba alfa, é lançada em um mundo de segredos ancestrais e divindades poderosas quando sua família visita a enigmática Tribo Oculum durante a Temporada de Acasalamento. Enquanto lida com sua intensa atração por Taylen, um membro da tribo, Diana descobre uma profecia sombria envolvendo a deusa da lua e uma ameaça iminente vinda de Eris, a deusa da discórdia. Com a segurança de sua família e o destino de seu povo em jogo, Diana precisa navegar por alianças traiçoeiras e abraçar sua força interior para impedir que um mal ancestral desperte.

Capítulo 1: A Caverna dos Segredos

Entre o Alfa Prateado e o Senhor das Sombras

Livro 1: O Guardião Prateado

A floresta era sombria e densa. As árvores estavam a poucos metros de distância, mas os meus reflexos rápidos e o meu corpo ágil me permitiam correr entre os troncos e saltar por cima das raízes com facilidade.
Os ventos trouxeram uma tempestade impiedosa para a nossa pequena cidade. A maioria das pessoas iria preferir ficar no conforto de seus lares acolhedores, mas eu era uma alma perturbada e precisava desopilar.
Em cada inspiração eu sentia um cheiro persistente de ar fresco, lama e grama molhada. A chuva intensa tinha encharcado o meu pelo, mas era inútil voltar agora, já que eu estava tão perto do meu abrigo.
Virei à esquerda em direção a uma clareira, minhas patas afundaram no chão pantanoso da floresta e a lama manchou o meu pelo branco.
A familiar formação rochosa apareceu entre as árvores e forcei os meus pés a se moverem mais rápido.
Meus pulmões estavam queimando e as minhas pernas estavam duras e tensas, mas era apenas uma questão de segundos até que eu pudesse saborear o prazer de estar no meu lugar secreto.
O vento forte deu um tapa no meu rosto no momento em que eu saí da floresta que me protegia da ira da Mãe Natureza.
Lutei contra a força do vento até chegar à entrada de uma caverna grande o suficiente para abrigar o meu enorme corpo.
Um suspiro de alívio escapou da minha garganta quando entrei. A caverna não era tão quente quanto a nossa casa. Mas era melhor do que ficar para fora.
Sacudi o meu corpo para tirar o excesso de água dos meus pelos, jogando gotas nas paredes.
O sol estava escondido atrás das nuvens sombrias no céu, deixando o ambiente escuro e misterioso; mas a minha loba me deixava ver o que os olhos humanos normais não conseguiam.
Exausta, sentei-me no chão de pedra, curtindo o som da chuva e a solidão.
Fazia dias que eu não ouvia um silêncio desses. Na nossa casa estava rolando um conflito sem fim há quase uma semana.
Ou a mamãe e o papai ficavam discutindo os detalhes da nossa viagem de negócios amanhã, ou a mamãe estava brigando comigo ou com os meus irmãos.
Viajar a trabalho não era uma coisa rara para nós, já que somos uma das famílias alfa mais reconhecidas do mundo, mas em alguns dias começará a Temporada de Acasalamento.
Ficaremos fora por pelo menos uma semana, e eu não quero passar os primeiros dias da Temporada de Acasalamento com lobos estranhos, em terras desconhecidas.
Pior de tudo, ninguém se importou em me contar qual seria a matilha que iríamos visitar ou porque essa viagem era tão necessária justo nesse momento. Meus pais alegaram que era alguma coisa relacionada à segurança geral, mas eu não entendi direito.
Nenhuma matilha era mais importante que a nossa durante a Temporada de Acasalamento; foi isso o que meus irmãos e eu aprendemos desde o dia em que nós nascemos.
A temporada de acasalamento é uma época sagrada para todos os lobos – um momento em que nos rendemos aos nossos instintos animalescos e exploramos as nossas sexualidades até encontrarmos os nossos companheiros.
Talvez nada de importante aconteça na nossa viagem, mas eu tinha uma responsabilidade.... Algumas pessoas que contavam com o meu...
Um brilho vermelho piscou diante dos meus olhos, perto da entrada da caverna.
Levantei-me, expondo os meus dentes mortíferos e empurrando as minhas orelhas para a frente, para expressar autoridade.
A tempestade ainda estava forte, então o que quer que estivesse lá fora deveria ser perigoso.
"Diana?"
A voz na minha cabeça era inconfundível, mas só quando uma loba de pelo ruivo ficou totalmente visível na entrada da caverna é que baixei a guarda.
"Tia Everly?" perguntei, usando o link mental que nos conecta. "O que você tá fazendo aqui, no meio dessa tempestade?"~
A loba ruiva lambeu o seu focinho molhado e sacudiu o corpo antes de entrar na caverna. "Eu poderia perguntar a mesma coisa pra você," ela disse e lambeu a minha bochecha. "A sua mãe não tá preocupada?"
A loba começou a se transformar. Seu pelo se retraiu e seu corpo ficou menor até que uma forma humana surgiu no lugar da loba ruiva.
Cachos vermelhos derramaram-se sobre os seus ombros enquanto ela se aproximava do canto onde havia uma pilha de cobertores grossos.
"Duvido que ela tenha percebido que eu saí," ~eu disse antes de retornar à minha forma humana também.
A dor dos meus ossos quebrando e se reorganizando foi rápida e eu já estou acostumada com ela, depois de mais de dois anos com a minha loba.
A Everly suspirou enquanto me entregava um cobertor para cobrir o meu corpo nu. "O que ela fez agora?"
Sentei e enrolei as pontas do meu cabelo branco nos dedos. "Você não tá sabendo da nossa viagem amanhã?" Eu perguntei, revirando os olhos para expressar a minha opinião sobre o assunto.
A Everly sacudiu os ombros e inclinou a cabeça para a direita. "Acho que todo mundo tá sabendo dessa viagem. Foi bem inesperada, já que a Temporada de Acasalamento tá chegando.
Mesmo assim, a sua mãe enfatizou pro conselho que era de extrema importância que toda a família Loucrious fosse nessa viagem."
"E é isso que eu não entendo," eu disse, cruzando os braços. "O que poderia ser mais importante do que estar com a nossa matilha durante o início da Temporada de Acasalamento? Eu..."
Eu me contive antes de falar demais. Eu amava a tia Everly como se ela fosse da família, mas na verdade ela era a amiga mais antiga da minha mãe. Ela provavelmente ficaria do lado da mamãe e tentaria me convencer de que eu estava errada — assim como a minha mãe tinha tentado fazer
"Diana," ela disse e se sentou ao meu lado. "Isso não é apenas sobre a viagem e sobre a sua mãe, né?"
Eu não respondi. Em vez disso, desviei o olhar e fingi que não tinha ouvido a pergunta. Não que eu tivesse esperanças de que ela iria me deixar em paz; ela me conhecia bem demais.
"É sobre o Henri?"
A imagem de um homem de pele morena passou pela minha mente. A lembrança daquele cabelo preto e das covinhas dele me fez sorrir.
O Henri não era o lobo mais atraente da nossa matilha, mas ele era gentil e apaixonado pelo seu trabalho artístico. Ele também era um amante bem decente.
Eu adorava ouvir o que inspirava as pinturas dele e, embora a gente tenha se conhecido na temporada passada, eu pretendia pedir permissão a ele para marcá-lo quando a Temporada de Acasalamento desse ano começasse.
"Não é só sobre o Henri," eu disse, suspirando ao pensar na Temporada de Acasalamento. "Eu também fiz uma promessa e eu..."
O gosto metálico de sangue tocou a minha língua quando mordi o interior da bochecha.
"Escuta aqui, Diana," a Everly disse, e colocou um braço em volta dos meus ombros. "Eu sei que a Temporada de Acasalamento é o único momento pra um lobo alfa explorar um vínculo de acasalamento potencial, mas você é forte.
Aguentar só alguns dias de desconforto indo contra a sua natureza de loba não vai ser nada demais pra uma das maiores guerreiras da matilha Loucrious.
Não tenho dúvidas de que o Henri vai esperar você voltar."
"E se eu não conseguir?" Eu perguntei, cravando as unhas nos meus braços.
"E se eu não conseguir controlar a minha loba? O instinto de um alfa é procriar, Everly. Foi tão difícil durante a minha primeira temporada, eu mal consegui me conter."
Eu já havia passado por duas Temporadas de Acasalamento sem marcar ninguém, mas a ideia de ficar presa em outro lugar, longe da minha família e dos meus amigos, por uma temporada inteira, me apavorava.
"Você tá esquecendo das outras coisas que um lobo alfa é capaz de fazer, Diana," a Everly disse. Olhei para cima e vi que ela estava sorrindo.
"O lobo alfa tem mais controle das emoções, e é por isso que ele precisa da marca e da Temporada de Acasalamento, em primeiro lugar."
A Everly riu e beijou o meu cabelo. "Você deveria ter visto a sua mãe quando ela tinha a sua idade. Ela deu muito trabalho pro seu pai."
Eu bufei, rindo. "O pior é que eu acredito..."
"Você sabe," disse a Everly, se inclinando para trás. "Eu tava lá no dia em que ela acabou com o Ícaro."
Meus olhos se arregalaram de surpresa. "Você tava lá? Ela era mesmo tão poderosa quanto o papai diz?"
A linhagem dos Loucrious não era famosa apenas por ser a primeira a virar as costas aos nossos antigos hábitos selvagens de lobisomem.
Um dos meus ancestrais, o Ícaro, gostava de massacrar inocentes, incluindo a sua própria irmã – eu fui nomeada em homenagem a ela – e os seus filhos.
Toda essa matança aconteceu há centenas de anos, mas um caçador vingativo que se dizia ser marido da Diana pediu ajuda a uma bruxa que tornou os dois imortais.
Desde então, o Ícaro estava sendo mantido prisioneiro até que o caçador convenceu a mamãe e o papai a libertar o Ícaro das suas correntes eternas para que eles pudessem ajudar o caçador a purificar o mundo desse mal.
Mas o Ícaro não estava tão fraco quanto eles esperavam.
De acordo com o meu pai, eles só o derrotaram porque a mamãe tinha uns poderes misteriosos que foram acionados quando ela tocou na alma perversa do Ícaro.
Tudo indica que eu também nasci com esses poderes, com base na brancura natural do meu cabelo, mas nunca estive perto o suficiente de uma alma tão sombria como a do Ícaro para descobrir.
Eu também nunca quis estar em uma situação dessas.
"Eu não vi diretamente a luta entre a Rieka e o Ícaro, mas senti a força do Ícaro no meu próprio corpo," disse a Everly, apertando o tecido em volta do peito enquanto olhava para o nada.
"Ele era tão poderoso e tão..."
Ela fez uma pausa e os pelos do meu corpo se arrepiaram. "A sua mãe passou por muita coisa, Diana, e eu sei que ela só quer se dar bem com você.
Mas se ela tá convencida de que essa reunião é tão urgente assim, eu não questionaria."
Suspirei e enterrei a cabeça nos joelhos. A Everly sempre fica ao lado da minha mãe nos bons e nos maus momentos; Eu já sabia.
A Everly cutucou o meu ombro. "Como os seus irmãos estão lidando com isso?"
Um bufo retumbante escapou da minha garganta, o som ecoou pelas paredes da caverna. "O Aspen não quer demonstrar, mas acho que ele tá bastante estressado com a viagem.
Não pelas mesmas razões que eu, mas como ele vai herdar o título de alfa da matilha Loucrious daqui alguns anos, ele tem que provar que tá pronto."
O Aspen era só quinze minutos mais velho que eu, e eu era só dez minutos mais velha que o nosso outro irmão, o Cassian.
Mas isso fez do Aspen o herdeiro natural do nosso legado alfa, a menos que ele renuncie ao título. Então, caberia a mim, mas eu não quero liderar a matilha. Essa era a especialidade do Aspen, não minha.
Eu sou uma guerreira, treinada pelo meu pai desde o dia em que comecei a andar.
"E o Cassian?" a Everly perguntou.
Dei de ombros. "Sei lá, a nossa casa parece um hospício. Todo mundo tava irritando todo mundo por causa da viagem de amanhã, e eu não aguentei. Eu tive que fugir."
"Ah, sim," a Everly disse, se mexendo. "Pra começar, foi por isso mesmo que eu te mostrei essa caverna."
Eu ri, lembrando do dia em que ela me trouxe aqui pela primeira vez.
Eu devia ter uns treze anos. A Everly me trouxe aqui logo depois da minha primeira briga séria com a mamãe porque ela achava que eu não deveria dedicar todo o meu tempo ao treinamento de guerreira.
Eu sou uma Loucrious, o que significa que desde aquela época eu já tinha outras responsabilidades a cumprir.
"Você realmente me salvou naquele dia," eu disse com um sorriso, "e provavelmente também salvou os meus irmãos de muitas costelas quebradas.
Se eu não tivesse esse lugar, onde eu sabia que eles não me encontrariam, provavelmente teria deixado a raiva tomar conta de mim."
"Você tem o gênio forte igual a sua mãe, pode crer, mas a caverna tem mesmo esse efeito," disse a Everly, inspirando o ar da caverna como se fosse o cheiro do seu companheiro. "Ela te acalma."
"Então, porque você veio aqui?" Eu perguntei, obtendo a reação exata que eu esperava.
A Everly ficou sem palavras e dura que nem uma estátua.
Eu ri. "Você não precisa contar, se não quiser."
"Não," ela disse, esfregando o pescoço. "O Noah acabou de voltar pra casa falando de mais um projeto maluco da faculdade.
Eu amo o meu filho, mas eu vou me matar se ouvir ele falar de outra equação não linear que vai levar à salvação do nosso mundo."
Não era legal rir quando eu estava vendo que a frustração dela era sincera, mas não consegui evitar. "Então você tá exausta por causa de matemática?"
A Everly riu junto comigo. "Você tá rindo agora, mas eu lembro que ele passou dias e noites na sua casa pra te ajudar a passar na prova de matemática."
O Noah era apenas alguns dias mais velho que nós três. Ele era tratado como se fosse da família desde que me conheço por gente, então às vezes parecia que nós éramos quádruplos em vez de trigêmeos.
Ou pelo menos isso costumava acontecer até completarmos dezesseis anos e nos unirmos aos nossos lobos.
"Então, você deixou o seu pobre companheiro lidar com isso?"
A Everly acenou com a mão no ar. "O Caleb lida com o Noah muito melhor do que eu hoje em dia. Na verdade, é um alívio eu não estar lá."
"Eu..."
"Diana Loucrious!"
A voz da minha mãe rugiu na minha cabeça como se ela fosse um comandante em um navio afundando.
Essa caverna pode ser o meu lugar secreto - e da tia Everly - mas ela não impede a mamãe de me procurar usando esse maldito link mental.
"Mocinha! Em que mundo você acha que é aceitável sair escondida na noite anterior à nossa viagem? Volta aqui imediatamente ou eu vou pedir pros Rastreadores procurarem você até te acharem!
Engoli em seco e senti a minha boca ficar seca. Ela estava furiosa.
"É a Rieka?" a Everly perguntou quando viu o meu rosto ficar branco.
Balancei a cabeça silenciosamente, incapaz de pensar direito. "Eu... hum..." Levantei do chão e olhei em volta, como um cachorrinho perdido. "Acho que a mamãe finalmente descobriu que eu fugi."
Só consegui forçar um sorriso amarelo. Eu estava tremendo de medo de enfrentar a mamãe sozinha.
Com certeza ela estaria com muita raiva. Ela já estava estressada, mas esse tipo de fúria era algo que eu só tinha visto algumas vezes antes.
"Eu tenho que ir, tia. Manda um abraço pro Noah e pro tio Caleb e deseja boa sorte pro Noah na faculdade."
Meus ossos já tinham começado a se quebrar antes de eu me livrar do cobertor. Não demorei mais do que alguns segundos para voltar a ser a loba gigante que aterrorizaria qualquer humano ignorante.
"Diana," disse a Everly antes que eu pudesse pular para fora da caverna. Olhei para trás e encontrei as suas sobrancelhas levantadas e havia uma expressão de preocupação pintada em seu rosto.
"Fica de boa com a sua mãe e dá uma folga pra ela. Ela tá lindando com muita coisa."
Balancei a cabeça, com relutância.
Não era o funeral da mamãe que eles teriam que preparar se eu não conseguisse me conter; era o meu.
A chuva havia diminuído um pouco, então eu não precisava mais gastar tanta energia tentando ficar de pé. Em vez disso, passei o tempo tentando ultrapassar os limites possíveis da velocidade de um lobo.
Diminuí a velocidade quando vi a nossa casa aparecer atrás das árvores.
Não fazia nem quinze minutos desde que a mamãe me disse para voltar para casa, mas ela poderia facilmente estar ocupada fazendo outra coisa, além de ficar esperando por mim.
As minhas patas enlameadas me levaram para o outro lado do jardim enquanto os meus olhos vasculhavam a casa, em busca de uma janela aberta.
A porta da sala estava entreaberta, e eu entrei sem ninguém perceber.
Poderia ser uma armadilha, então me aproximei cautelosamente, me escondendo atrás de cada planta e estátua que encontrei.
A sala estava escura. Não havia sinais de vida e nenhum movimento detectável.
Eu silenciosamente empurrei a porta para permitir que meu enorme corpo entrasse sem alarmar ninguém.
Meu pelo ainda estava molhado e as minhas patas estavam cobertas de lama. Não era o ideal, mas eu não poderia me transformar agora. A mamãe sem dúvida me ouviria.
"Então, você finalmente decidiu aparecer, Di."
Eu enrijeci quando todos os pelos do meu corpo se arrepiaram.
O Cassian estava sentado em uma cadeira com as costas voltadas para as janelas. Eu não poderia tê-lo visto de fora, mesmo que tivesse vasculhado cada centímetro da sala.
Ele brincou com o telefone enquanto seus olhos estreitos repousavam sobre a minha loba paralisada.
"Eu adoraria ouvir o que a mamãe tem a dizer sobre você entrar aqui desse jeito."
"Não se atreva, Cass," ~Eu rugi mentalmente e mostrei os meus dentes, mas ele pareceu achar isso mais divertido do que assustador. Minha voz de alfa não funcionava com ele, mas eu estava disposta a tentar fazer qualquer coisa no momento.
O Cassian deveria ter deixado o comportamento infantil para trás, mas ele parecia viver preso a isso, tornando a minha vida um inferno.
Nenhuma palavra o convenceria a não chamar a mamãe. No entanto, eu garantiria que ele se lembrasse de pensar duas vezes na próxima vez que pensasse em me delatar.
Dei um passo na direção dele e abaixei a cabeça como se estivesse perseguindo uma presa indefesa. O Cass compreendeu imediatamente o que eu estava tentando fazer, mas já era tarde demais.
As minúsculas pernas humanas do Cassian não iriam levá-lo muito longe antes que eu o pegasse.
"MÃE!" o Cassian gritou antes que as minhas patas pousassem em seu peito, tirando todo o ar dos pulmões dele.
Ainda bem que ele também tem os genes dos lobos; caso contrário, o peso do meu corpo sobre o dele teria esmagado os seus pulmões.
Passos ecoaram atrás de nós, e eu sabia que não demoraria muito para que o caos causasse estragos nessa sala. Mas eu não iria deixar o Cassian escapar tão facilmente.
Ele se mexeu como um verme debaixo das minhas patas. Foi quase satisfatório vê-lo assim – indefeso e fraco.
"Sai fora, Diana!" ele gritou, batendo nas minhas pernas em uma tentativa inútil de me jogar longe.
"Eu sou mais forte que você e sempre vou ser. Você precisa entender isso de uma vez por todas," ~eu disse, rosnando para ele.
Então seus olhos encontraram os meus, e eu sabia que tinha levado a minha vingança longe demais. Suas íris estavam brilhantes e seus lábios curvados, revelando os seus caninos em crescimento.
O Cassian estava prestes a se transformar.
"Diana! Cassian! Parem com isso, vocês dois!"
A voz da mamãe rasgou o ar, fazendo o Cassian e eu congelarmos no lugar. Nenhum de nós se moveu enquanto os passos dela ecoavam pela, e ela se aproximou de nós.
Eu mal conseguia respirar até que ela parou na nossa frente.
"Levantem," ela disse, gesticulando para que nos separássemos.
Eu instantaneamente soltei o Cassian e levantei a minha cabeça como a loba guerreira que eu era. Ela me aterrorizava, mas eu não deixaria o Cassian perceber isso. Ele nunca seria capaz de me deixar em paz se ele notasse.
Os anos que ela passou sendo a Luna da matilha Loucrious se apresentava vagamente como leves rugas ao redor de seus olhos.
Alguns fios do seu cabelo branco e selvagem já estavam escapando da perfeição, mas ela continuava tão assustadora quanto ela deve ter sido quando derrotou o Ícaro, se não mais.
"Cassian." A mamãe suspirou, esfregando a ponta do nariz. "Vai se limpar, querido, e me espera no escritório."
Minhas pegadas enlameadas deixaram a camisa do Cassian parecendo uma obra de arte sofisticada. Eu estaria sorrindo se a mamãe não estivesse bem na minha frente.
Os cachos loiros do Cassian saltaram quando ele acenou com a cabeça para obedecer a ordem da nossa mãe. Esperamos em silêncio até que o Cassian saísse da sala e fechasse a porta atrás de si.
Eu continuei parada, e ela passou por mim. Só quando senti um cobertor sendo jogado nas minhas costas é que olhei para trás e vi o seu rosto desapontado.
"Você pode se transformar, por favor, Diana?" a minha mãe disse, suspirando enquanto ela se sentava no sofá.
A dor ainda estava lá quando mudei para a minha forma humana, mas não era nada comparado à sensação do meu peito ficando apertado demais para eu respirar.
Meus dedos humanos agarraram as pontas do cobertor antes de eu me sentar ao lado dela.
Nenhuma de nós disse nada até que o silêncio se tornou insuportável demais para eu suportar.
"Desculpa, mãe," sussurrei, enrolando as franjas do cobertor nos meus dedos enlameados. "Eu só precisava de um pouco de ar fresco pra refrescar a minha mente, e com a Temporada de Acasalamento chegando... eu só..."
"Por que hoje, Diana?" a mamãe sussurrou, ainda incapaz de olhar para mim.
A sensação pungente de decepção na voz dela perfurou a minha pele como se fossem agulhas. Seus gritos enfurecidos eram horríveis, mas essa voz me deixou à beira das lágrimas.
Esse era o som dela a ponto de desistir de mim e esse sentimento doía ainda mais do que enfrentar a fera furiosa que residia dentro dela.
Eu nem sempre facilitei a vida dela, mas nunca foi minha intenção magoá-la de verdade.
"Eu entendo que você não quer visitar outra matilha tão perto da Temporada de Acasalamento, mas a Matilha Oculum nos convocou por um bom motivo. Devíamos ter ido no dia em que a carta chegou.
A única razão pela qual não fomos foi porque tínhamos assuntos importantes pra terminar aqui primeiro," ela explicou.
"Por favor, tenta entender que nós não estamos fazendo isso pra incomodar você ou os seus irmãos."
A minha boca se transformou em uma linha reta quando me lembrei das últimas palavras da tia Everly antes de sair da caverna.
A mamãe pegou na minha mão e esperou que os meus olhos encontrassem os dela.
"Vocês são todos membros da família Loucrious, e essa reunião tem o potencial de moldar o futuro da nossa matilha. Então é importante irmos em família."
Ela suspirou que eu continuei em silêncio. "Eu preciso que você faça isso, Diana, mas se você não consegue fazer por mim, eu te imploro que pelo menos você faça pelos seus irmãos e pela matilha."
A mão dela tremia enquanto ela esperava pacientemente pela minha resposta.
Eu ainda queria saber mais sobre essa tal matilha Oculum e porque ela era tão importante que não podíamos esperar mais uma semana para visitá-los.
No entanto, o eco da história da tia Everly sobre a força da mamãe e seu apelo para eu ficar de boa me fez concordar sem pensar direito.
"Obrigada, querida," disse a mamãe, com o rosto aliviado.
"Você se importa se eu roubar a sua mãe um pouco, Diana?"
Olhei para trás e vi o papai se aproximando de nós. Não sei há quanto tempo ele estava ali ou o quanto ele ouviu. A minha mãe sorriu quando as mãos dele tocaram em seus ombros.
"O chuveiro é grátis, viu," disse o meu pai, massageando os ombros da mamãe.
"Não fica acordada até tarde. Vamos passar a maior parte do dia voando, mas a noite será longa, então descansa um pouco enquanto puder."
O meu pai sorriu e beijou o meu cabelo antes de agarrar a mão da mamãe e guiá-la para fora do quarto até que fiquei completamente sozinha na escuridão.
Me apoiei no tecido macio do sofá, saboreando a calma do silêncio enquanto pensava na extensão da minha promessa.
Iríamos partir amanhã, quer eu gostasse ou não, e não retornaríamos até que a Temporada de Acasalamento começasse oficialmente.
Talvez, se eu conseguisse me comportar durante a semana, a mamãe finalmente começaria a aceitar os meus desejos; entretanto, se eu não conseguisse me livrar dos meus maus hábitos, ela poderia nunca mais confiar em mim.
Meu corpo ficou tenso quando um arrepio percorreu a minha espinha.
Os primeiros dias da Temporada de Acasalamento eram sempre os mais difíceis de encarar, mas contanto que a minha loba não achasse um lobo não acasalado atraente o suficiente para eu perder o controle, eu ficaria bem.
Logo eu já vou estar de volta.

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