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Offsides

Autor
JT Pines
Leituras
16.9K
Capítulos
28
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JT Pines
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28
🏈Disputas esportivas🏃🏿‍♂️Atletas💔Romance proibido🔺Triângulo amoroso🏙️Contemporâneo🏡Meio irmãos🏒Jogadores de hóquei

Noah Vaughn sempre seguiu as regras — até que amar Fallon, sua meia-irmã, as despedaçou por completo. Assombrado pela sombra do pai e por uma lesão que ameaça sua carreira, ele luta nas ligas menores, determinado a provar o seu valor. O destino o lança de volta à órbita de Fallon — agora noiva de seu companheiro de equipe — e faíscas antigas reacendem com uma intensidade perigosa. Dentro e fora do gelo, a paixão entra em conflito com a lealdade, a ambição batalha contra o desejo, e cada escolha carrega um risco. Noah precisa decidir o que mais importa: sua carreira, seu coração ou o frágil vínculo da família que ele nunca teve de verdade.

Capítulo 1: Voltando para Casa

NOAH

Noah já havia enfrentado defensores de um metro e noventa com menos medo do que sentia de ver a sua meia-irmã novamente.
Fallon Vaughn. A garota que costumava roubar seus moletons e ganhar dele no Mario Kart. A garota que pegava no sono com a cabeça no seu ombro durante os filmes de madrugada, como se isso não significasse nada. Aquela garota.
A trinta mil pés de altura sobre Lakefield, ela parecia uma lembrança que ele podia manter contida. A cidade se espalhava sob o avião em uma grade coberta de gelo. Era pequena. Previsível. Controlável. Vê-la novamente não seria nenhuma dessas coisas.
Ele encostou a testa na janela fria do avião. Essa viagem deveria ser simples. Jantar em família. Alguns dias tranquilos. Sorrir para as fotos. Parabenizá-la pelo noivado.
Blake Alexander. Só de pensar no nome já fazia seu estômago revirar.
Ele dizia a si mesmo que não importava. Que o que quer que ele quase tivesse dito, quase feito, quase se permitido querer, havia expirado no instante em que ela disse sim a outra pessoa.
As rodas tocaram a pista com um solavanco, e de repente a distância entre eles não era mais medida em quilômetros. Em poucos minutos, Noah se viu caminhando pela ponte de embarque, a bolsa pendurada no ombro, o ar frio de Lakefield já começando a entrar assim que as portas se abriram.
Ao virar a esquina para a esteira de bagagens, ele a viu, uma figura familiar de pé logo fora da multidão, acenando para ele com um pouco de empolgação demais.
Sua madrasta, Diane, sempre parecia vagamente deslocada em público: casaco vermelho abotoado até o queixo, cabelo preso de um jeito que havia sobrevivido a todas as fotos de família desde que Noah era adolescente, e um sorriso que ela guardava apenas para chegadas e feriados.
“Noah! Aí está você, querido”, ela disse, com a voz alegre.
Ele sentiu-se se preparando para a inevitável paparicação.
“Estacionei o mais perto que consegui, mas você sabe como são as noites de sábado. Despachou alguma mala? Precisa de um café? Você parece cansado, meu amor.”
Ele conteve um sorriso cansado, ajeitando a alça no ombro. “Oi, mãe. Eu estou bem.”
Ela apertou o braço dele. “Claro. Você sabe que estamos felizes por você estar aqui. Está com fome? Podemos parar e comprar um sanduíche, se quiser.”
Noah balançou a cabeça, os olhos se movendo para as portas e para o estacionamento além, a paisagem de Lakefield esperando do outro lado. Ele não tinha certeza se estava pronto para voltar àquilo, mas a presença de Diane tornava tudo um pouco mais fácil.
A minivan de Diane ainda cheirava vagamente a balas de hortelã e estofamento velho; o adesivo de hóquei na janela havia desbotado até quase ficar transparente.
Noah observou a paisagem familiar passar: a loja de carros usados com balões amarrados às antenas, o shopping a céu aberto, a imponente escola de ensino médio com as luzes do estádio apagadas para o fim de semana.
Diane manteve as mãos na posição de dez e duas horas no volante, olhando para ele apenas nos semáforos. Ela o encheu de perguntas, algumas práticas, outras fingindo não estar preocupada.
“Você se lembrou do terno? A casa pode estar uma bagunça; temos decorações em todos os cômodos. Fallon está nervosa, mas você a conhece.”
Noah respondia quando precisava, oferecendo pequenos detalhes em troca dos comentários constantes e reconfortantes de Diane, da forma como ela preenchia os silêncios sem pressioná-lo a falar. A cada quilômetro mais perto da casa, Noah sentia aquele velho aperto no peito.
Diane parou na entrada da garagem, os pneus esmagando o cascalho solto. A casa brilhava calorosamente no final do caminho, com a luz amarela da varanda refletindo nas janelas.
Era uma cena tão familiar que, por um momento, Noah pensou que talvez pudesse entrar e deixar o resto do último ano para trás.
Noah entrou, tirando a jaqueta, deixando a casa se assentar sobre seus ombros como uma velha camisa de treino. Por um momento, ele apenas escutou. Um cachorro latia no quintal, alguém batia talheres na cozinha, e a TV berrava na sala de estar.
Era ali que Noah certamente encontraria seu pai. Era a sala de estar mais decorada de Lakefield, as paredes forradas com fotos de times, flâmulas de campeonatos e tacos surrados e emoldurados de uma carreira que preenchera os vídeos de melhores momentos por uma década. Patrick Vaughn, uma lenda do hóquei profissional.
“O voo foi tranquilo?” seu pai perguntou, levantando os olhos da cerveja pela metade, tão casualmente como se estivessem discutindo o clima.
“Sim,” Noah disse, jogando a bolsa aos pés da poltrona reclinável. “Sem atrasos, como você disse.”
Seu pai assentiu, depois se recostou com um suspiro. “Que bom. Você viu o jogo dos Titans ontem à noite? A segunda linha finalmente está se entrosando.”
Noah abriu um pequeno sorriso. “Sim, vi os melhores momentos no aeroporto.”
Seu pai sorriu, uma expressão cheia de história compartilhada. “Eu acho que eles têm chance de repetir o feito este ano, algo que não é feito desde que eu estava lá.”
“Você acha que eles realmente vão conseguir de novo?” ele perguntou, em parte apenas para manter seu pai falando, em parte porque queria ouvir aquela certeza esperançosa novamente.
A resposta do pai veio rápida, tão segura como sempre. “Ah, com certeza. Se o Blake continuar armando jogadas assim, e o jovem central se mantiver saudável, eles darão trabalho. É só ficar fora da área de penalidade e finalizar as divididas.”
Noah tentou embarcar naquela conversa fácil com seu pai. A linguagem abreviada de sistemas e estatísticas, o conforto seguro de destrinchar um jogo que ambos conheciam de cor. Por um momento, sem nada esperado dele além dessas pequenas concordâncias e ecos, ele quase se sentiu relaxar.
“O treinador ainda te colocou na terceira linha?” seu pai perguntou.
“Sim,” Noah respondeu. “Você sabe como é. Tentando recuperar o meu ritmo.”
Seu pai assentiu, quase aprovando. “Você só precisa confiar nos seus instintos.” Por fim, o seu pai acenou com a cabeça em direção ao corredor. “O jantar ainda vai demorar um pouco. Vá se acomodar. Seu quarto está exatamente como você o deixou.”
Noah forçou um meio sorriso e saiu da sala. Ele seguiu pelo corredor estreito, subiu as escadas para o segundo andar e empurrou a porta de seu antigo quarto. Não havia mudado. Os pôsteres desbotados ainda estavam presos nas paredes, e o canto rachado da mesa guardava restos de projetos inacabados e meias descartadas.
Ele largou sua bolsa no chão e caminhou até a janela, espiando o quintal. As memórias vieram à tona. Noites de agosto, quando ele e Fallon ficavam acordados até tarde assistindo a filmes de terror no chão.
Em algum momento, a cabeça dela encontrava o seu ombro, sua risada suave contra o pescoço dele, e ele se pegava observando a forma como o cabelo dela se cacheava na mandíbula.
Ele quase alcançou a mão dela, mas o bom senso, ou talvez o medo, o impediu. Ele nunca disse nada. Paixões por meias-irmãs provavelmente eram normais. Agir sobre elas? Nem tanto.
Ele desabou em sua cama de infância, o velho colchão cedendo um pouco sob o seu peso, as molas familiares rangendo em protesto. Pela primeira vez em semanas, ele abaixou a guarda, com o rosto afundado no algodão amassado, deixando-se levar pelo sono.
Ele não sabia por quanto tempo tinha apagado quando uma batida suave sacudiu a porta. Uma voz cortou a névoa do sono. “Noah? O jantar está pronto. O pessoal está começando a chegar.”
Por um segundo, ele não conseguiu se mover. Era ridículo. Ele tinha cruzado o país voando, entrado pela porta da frente e jogado conversa fora com seu pai.
Mas o som da voz de Fallon do outro lado da porta do seu quarto pareceu a verdadeira chegada. Seu pulso bateu forte contra as costelas, em partes iguais de antecipação e de algo perigosamente próximo do arrependimento.
Ele piscou para acordar, com os membros pesados e desorientado por um instante, antes que as vozes e o tilintar dos talheres no andar de baixo o trouxessem de volta a Lakefield.
Por meio segundo, ele considerou fingir que ainda estava dormindo. Isso seria infantil. Covarde, mas tentador.
Ele passou a mão pelo cabelo e cruzou o quarto, pausando com os dedos enrolados na maçaneta.
Ele abriu a porta. Fallon estava alguns passos para trás no corredor, como se lhe tivesse dado espaço de propósito. Por um momento, nenhum dos dois falou.
Ela parecia quase a mesma. Seu cabelo caía em ondas soltas ao redor dos ombros, um pouco mais comprido do que ele se lembrava. Havia uma suavidade em seu rosto que não existia antes, ou talvez ele apenas nunca tivesse se permitido estudá-lo tão de perto.
Os olhos cor de avelã dela encontraram os dele primeiro, calorosos e incertos ao mesmo tempo. O peito dele se apertou.
Um ano atrás, ele havia deixado Lakefield meio quebrado e teimoso a respeito disso. Seu orgulho doía mais do que a lesão. Ele não queria que ela o visse daquele jeito: hesitante, com raiva, inseguro de quem ele era sem que o jogo viesse com facilidade. E agora aqui estava ela.
“Oi,” ela disse baixinho, como se não tivesse certeza de que versão dele iria encontrar.
Ele engoliu em seco. “Oi.”
Era uma palavra tão pequena para tudo o que estava alojado por trás dela. O alívio piscou primeiro, agudo e inesperado. Ela estava aqui. Real. Não apenas uma memória que ele pudesse editar ou suavizar.
Então veio a segunda onda: o lembrete. O anel que ele sabia que estava na mão dela, mesmo que ainda não o tivesse procurado. O futuro com o qual ela havia concordado não o incluía. Ele se forçou a respirar normalmente.
Ela mudou o peso do corpo, oferecendo um sorriso hesitante que puxou a covinha na sua bochecha. “Você veio.”
“Sim,” ele disse, conseguindo algo próximo de firmeza. “Não perderia por nada.”
“É?” Suas sobrancelhas se ergueram levemente. “Porque você fez um ato de desaparecimento bem impressionante ultimamente.”
Ele ficou parado.
“Então... eu...” Ela hesitou, corrigindo-se. “Nós não tínhamos certeza.”
A palavra pairou no ar. Nós. Ele não tinha certeza de qual parte daquilo o atingia mais forte, e não conseguiu encontrar palavras para responder.
Os olhos dela o percorreram, sutis mas avaliadores. “Então, como está a perna?”
“Funciona,” ele disse. “Na maior parte do tempo.”
Um lampejo cruzou seu rosto. “Eu estive preocupada com você, sabia?”
“Eu estou indo bem.”
O olhar dela sustentou o dele, quieto e não convencido. “Eu não saberia. Um ano é muito tempo para sumir do mapa, Noah.”
Ele soltou o ar devagar. “A reabilitação—”
“Você não ligou,” ela o interrompeu, não soando dura, apenas firme. “Você não respondeu às minhas mensagens. Nada.”
Aquilo acertou em cheio. “Eu imaginei que você estivesse ocupada,” ele disse, odiando como aquilo soava fraco.
A boca dela se comprimiu. “Eu teria aparecido.”
Ele olhou para ela então. Olhou de verdade para ela. “Eu sei,” ele disse. O que era precisamente o problema. A mentira se instalou entre eles, mais pesada agora.
Por um segundo, pareceu que o corredor havia encolhido, como se tivessem dezessete anos de novo, parados próximos demais, ousando algo que nenhum dos dois jamais dissera em voz alta.
Só que, desta vez, havia um anel na mão dela. O jantar estava esperando no andar de baixo. Um noivo em algum lugar da casa. E Noah não fazia ideia de qual parte daquilo ele estava menos preparado para enfrentar.
O momento se esticou, denso com tudo o que não fora dito. Então ela finalmente quebrou o silêncio exalando o ar suavemente. “Nós deveríamos descer,” ela disse, com a voz baixa, mas firme. “As pessoas estão esperando.”

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