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Ponto de Virada Livro 5

Autor
Lyra Lawson
Leituras
122K
Capítulos
93
Autor
Lyra Lawson
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Capítulos
93
😱Suspense🌼Virgem🕯️Romances lentos🎭Drama🏡Garota comum👩🏽‍🎓Estudantes🔺Triângulo amoroso🏙️Contemporâneo💪🏻Protetor💪🏻Macho alfa⚔️Ação & aventura💓Amigos que se apaixonam👯Gêmeos🎓New Adult & Faculdade🔒Proximidade forçada

A vida de Isla Talbot dá uma guinada dramática quando ela reencontra seu amigo de infância, Parker Flaherty. Enquanto lidam com o romance reacendido, eles enfrentam uma série de desafios, incluindo traumas do passado, mal-entendidos e um perseguidor perigoso. A jornada deles de Nova York a um resort isolado testa o relacionamento e a determinação de ambos. Em meio ao caos, Isla e Parker precisam confrontar seus medos e inseguranças mais profundos para encontrar um caminho rumo à felicidade e à segurança.

Prólogo

Livro 5: Stream

Isla e Parker foram melhores amigos a vida inteira. Cada um tinha uma quedinha secreta pelo outro. Quando eles vão dividir um apartamento em Nova York durante um estágio de verão, as coisas finalmente começam a esquentar... mas será que os sentimentos de um pelo outro vão arruinar a amizade deles?

SOPHIE

A campainha toca, mas quando olho pelo olho mágico, não há ninguém lá.
“Mamãe! Tem alguém lá fora!” Parker grita. A cortina da janela balança para frente e para trás enquanto ele tenta subir no parapeito, deixando apenas suas perninhas chutando o ar visíveis.
A moradora de Boston dentro de mim diz para ignorar o segundo toque da campainha; se não consigo ver quem está na minha porta, deve ser um predador escondido nos arbustos, pronto para matar a mim e à minha família.
A parte racional do meu cérebro, que ainda está se acostumando ao subúrbio de Nova Jersey, manda meu lado esquentadinho de Boston calar a boca. Com um suspiro fundo, abro a porta para encarar meu destino.
“Oii!”
Uma pequena cabeça loira mal chega à altura da minha cintura. A garota balança o corpo de um lado para o outro, sorrindo para mim. Assassinos raramente são tão fofos, e nunca tão jovens assim, então acho que estou a salvo.
“Olá!” eu exclamo. “Quem seria você?”
“Isla Marie Talbot”, ela responde toda orgulhosa.
É um nome lindo. Eu coloco a mão no peito. “Meu nome do meio também é Marie”, eu conto para ela.
Isla Marie suspira surpresa. “Você é bonita.”
Eu gostei muito dessa criança. “Obrigada, Isla. Você também é muito bonita.”
“Eu moro ali”, ela diz, apontando para a casa ao lado da nossa. “Tem crianças aqui?”
Ah, com certeza tem crianças aqui. Dou uma olhada para o Parker, mas ele ainda está no parapeito da janela, assistindo à nossa conversa do pior ângulo possível.
“Parker e James são meus filhos, e o papai deles, Evan, é como uma criança grande”, eu digo a ela.
Isla dá uma risadinha escondendo a boca com sua mãozinha gordinha.
“A sua mamãe ou o seu papai sabem que você está aqui?” eu pergunto.
Por mais que eu adorasse convidá-la para entrar e apresentá-la aos meninos, prefiro manter meu nome fora dos registros da polícia.
Um caso acidental de sequestro não vai ajudar a reputação da minha família na nova vizinhança.
“Ah, eu não sei. Talvez.” Ela levanta as mãos e os ombros num dar de ombros exagerado e adorável.
“Que tal eu levar você para casa e conhecer sua mamãe e seu papai?”
“Tá bom.” Os lábios de Isla tremem e se curvam para baixo, formando uma carinha triste.
A reação dela dispara um alarme na minha cabeça, aquele que ainda é traumatizado por tudo que passei antes de trocar meu sobrenome de Callahan para Flaherty. “Você quer ir para casa?” eu pergunto com jeito.
Isla balança a cabeça dizendo que não.
Sendo assim, eu não posso mandar essa criança de volta. “Que tal você brincar com o Parker e o James lá fora enquanto eu vou conhecer sua mamãe e seu papai?”, eu sugiro.
As cortinas se mexem quando Parker escuta o nome dele e a palavra “brincar” na mesma frase.
Isla acompanha a animação dele com um gritinho fino: “Sim, por favor!”
“Evan!” eu grito chamando meu marido.
Ele freia bruscamente no corredor da entrada, quase tropeçando no escudo do Capitão América que Parker tinha jogado no chão quando a campainha chamou sua atenção. “Olá!” Evan exclama para Isla.
“Oii!”
“A Isla mora na casa ao lado, mas não quer ir para casa. Eu vou dar um pulo lá e avisar aos pais dela que ela está aqui. Você pode esperar lá fora com ela?” eu pergunto ao Ev.
“Deixa comigo”, ele responde. “PJ! James! Venham conhecer a vizinha!”
Duas bolinhas de energia idênticas quase se trombam quando Parker pula do parapeito da janela e James vem saltitando pelo corredor.
Eu ouço as vozinhas finas deles se apresentando enquanto atravesso nosso gramado em direção à pequena casa ao lado.
A tinta vermelha descascada da casa revela um revestimento amarelado que combina com as venezianas tortas. Ervas daninhas e mato crescem por cima dos degraus de cimento que levam até uma porta da frente meio encardida.
Um sentimento ruim aperta meu estômago. Eu quero acreditar que o motivo seja a aparência mal cuidada da casa, mas, no fundo, eu sei que é algo pior.
O jeito que o rosto de Isla murchou quando falei em levá-la para casa já disse tudo.
A porta se abre depois de três batidas. Um homem barrigudo, meio careca, mas com gel no cabelo e dentes amarelos, me analisa com olhos pequenos e irritados. “Posso ajudar?” ele pergunta seco.
“Oi. Eu sou a Sophie Flaherty. Acabei de me mudar para a casa ao lado.” Eu dou a ele um sorriso amigável que ele decide não retribuir. “Você é o pai da Isla?”
“Sou. Por quê?”
“Ela veio aqui em casa se apresentar. Eu só queria te avisar”, eu explico com minha voz de mãe.
“Tá, e aí?”
“Ela pode ficar brincando lá em casa, a menos que você precise dela para algo agora. Nós temos filhos gêmeos que—”
“Tá. Só traz ela de volta depois.”
Ele bate a porta na minha cara. Babaca do caralho.
Balançando a cabeça, eu volto para a nossa casa em estilo colonial.
O Ev e eu queríamos criar nossa família na cidade grande, mas nosso apartamento parecia encolher a cada centímetro que os meninos cresciam.
Quando eles completaram quatro anos, nosso apartamento de dois quartos parecia uma quitinete.
Nossos sonhos de aventuras na cidade viraram uma vontade de ter nosso próprio quintal quando Parker tentou tomar banho no chafariz do parque e James se meteu com um gato de rua, o que lhe rendeu uma série de injeções contra raiva.
Isla, Evan e os meninos estão sentados em roda debaixo da árvore, todos rindo sem parar.
Uma sensação boa e quentinha se espalha pelo meu peito. Eu sinto falta da energia da cidade, mas esse é aquele tipo de momento perfeito em família que faz meu coração doer menos de saudade de Hoboken e Nova York.
“Mamãe! A Isla tem cinco anos”, James grita todo empolgado.
“Igualzinho a você!” eu exclamo, sentando-me na grama entre o Ev e o Parker.
Isla estica o bracinho e abre a mão para mostrar os cinco dedos. James e Parker copiam o gesto dela como um par de clones.
Um sorriso grande e travesso se espalha pelas bochechas sardentas de Parker, que pula de pé e cutuca o braço de Isla, anunciando: “Tá com você!”
Isla desata a rir, dando uns ronroninhos e gritinhos engraçados enquanto sai correndo atrás dos meninos.
Com um olho nas três crianças correndo umas atrás das outras pelo quintal e outro no meu marido, conto para o Ev sobre o encontro esquisito que tive na casa ao lado.
Ele me dá um beijo suave na bochecha, sabendo como me dói ver pais que não estão nem aí. “Nós vamos deixar a nossa porta aberta para ela”, ele murmura.
“Eu amo—” eu começo a suspirar.
“Isla! Para casa!” uma voz grossa berra.
Quando levanto a cabeça do ombro de Evan, a porta já está batendo atrás do pai de Isla.
“Tenho que ir”, ela diz. “Tchau, tchau.”
Nós damos tchau com a mão. James corre para dentro de casa, seguido por Ev, enquanto Parker fica para trás no quintal, me encarando.
“Mamãe, eu posso me casar?” ele pergunta, com tom sério.
“Um dia”, eu respondo.
“Eu quero casar com a Isla”, ele me avisa.
Ai, meu Deus. “Se a Isla quiser casar com você também, vocês podem se casar um dia”, eu digo a ele.
E eu aqui, preocupada de que a nossa nova vida no subúrbio fosse ser chata.

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