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Primeira Chance Livro 6

Autor
Andrea Wood
Leituras
16,8K
Capítulos
10
Autor
Andrea Wood
Leituras
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Capítulos
10
📸Celebridades💄Aventura de uma noite🎭Drama🏙️Contemporâneo🎸Rockstars

Zepp, um astro do rock atormentado pelo quase afogamento de sua irmã Rush, cruza o caminho de Radisyn, uma dedicada cuidadora domiciliar. Seus mundos colidem em um show, dando início a um relacionamento apaixonado, porém turbulento. Enquanto Zepp lida com a culpa familiar e Radisyn tenta compreender seus próprios sentimentos, eles precisam decidir se vale a pena lutar por essa conexão. Encontrarão harmonia em meio ao caos, ou seus passados ​​os separarão?

Capítulo 1

Livro 6

ZEPP

Cego pelo sol, coloco a mão na testa bloqueando os raios luminosos que brilham em meus olhos para que eu possa vê-la, minha irmã, Rush.
Meus pais nasceram no início dos anos 60, foram adolescentes nos anos 70, e compartilhavam a paixão pelo rock, e, ironicamente, se conheceram em um show e se apaixonaram.
E assim segue a história, que quando fui concebido, muitos, muitos anos depois, nos anos 90, era isso que meus pais ainda ouviam.
Embaraçosamente, uma vez eles me contaram como meu nome passou a ser Zeppelin, em homenagem a Led Zeppelin. "Stairway to Heaven" estava tocando ao fundo na noite em que provavelmente fui concebido, e "Tom Sawyer" na noite em que Rush provavelmente foi concebida.
Eles não foram criativos, poderiam ter escolhido um membro da banda para colocar o nome, mas não.
Rush era quatro anos mais nova do que eu quando aconteceu. Ela tinha oito anos e eu doze, quando, durante as férias com a família, fomos para Myrtle Beach, na Carolina do Sul.
Meus pais decidiram ficar na cama um pouco mais, e deram Rush e a mim permissão para caminhar ao longo do oceano que ficava atrás do nosso hotel.
Não era nem meio-dia e a umidade havia atingido seu pico, o oceano estava lotado de banhistas.
"Zepp, eu quero nadar," Rush vem correndo até mim gritando de animação.
"Mamãe disse que não podemos; lembra, essa é a única razão pela qual eles nos deixaram descer. Temos que esperar até eles virem para cá."
"Ah, para, não estraga toda a diversão, vai ser apenas um mergulhinho rapidinho. Está calor e estou começando a suar. Não vou contar, prometo, promessa de mindinho." Ela estende o dedo mindinho para o meu e faz biquinho.
Ela sabia que eu era louco pela cara de biquinho. Eu era o irmão mais velho, sempre protegia e mimava.
"Tudo bem, mas só uns minutinhos. Assim dá tempo de nos secar antes de voltar."
"Isso!" ela grita enquanto tira as sandálias.
Procuro um lugar para jogar minha camisa na areia, onde ninguém vai passar por cima. Rush coloca suas roupas junto e logo depois estamos tomando banho na água fria do oceano.
"Não podemos ir tão longe. Não deixe a água passar dos joelhos, Rush."
O que era para ser apenas alguns minutos se esticou, talvez uma hora.
Nós nos revezamos fugindo da onda direto para a areia da praia, vendo quem conseguia se esquivar melhor das ondas.
Eventualmente, ela me convence a deixar ela me enterrar na areia. Pegamos emprestada a pá de outra criança e ela começa a cavar.
Eu uso minhas mãos para ajudar a fazer um buraco raso, grande o suficiente para meu corpo.
"Ok, me ajudas a sair."
"Não. Sai você sozinho."
Rush se afasta para perto da beira do oceano, deixando a água se acumular aos seus pés. Grito para ela: "Rush, me ajuda a sair". Ela se vira para mim e ri, então foge rapidamente.
Eu tento torcer meus braços e chutar meus pés na areia que atualmente me tem como refém, e não quer ceder.
Eu aperto meus olhos e procuro por Rush sem sucesso. Com a quantidade de gente brincando na água, não consigo vê-la.
Uma criança passa por mim e eu peço ajuda. Enquanto ele me desenterra, a areia se solta o suficiente para eu mover meus membros e me libertar. É aí que eu ouço.
Um grito alto e dolorido de uma mulher. "Socorro! Socorro! Ela está se afogando!
Sigo a voz, dizendo a mim mesmo que não pode ser Rush. Ela sabe bem, ela sabe que não pode ir tão longe e que o oceano é perigoso e implacável.
Encontro a mulher que ainda está gritando. Ela está se abraçando, chorando de medo. Medo pela vítima que está se afogando.
Há três homens tentando alcançar a vítima a tempo, antes que o oceano tire outra vida.
Só vejo mãos batendo na água com força, desaparecendo e reaparecendo conforme as ondas rolam, até que não vejo mais as mãos.
E tudo que consigo pensar é que não pode ser Rush.
As mãos desaparecem por alguns minutos, mas um dos caras as encontra e as leva de volta à praia.
É Rush.
***
Eu pulo, graças a Deus, sendo acordado pelo meu alarme. Lágrimas se acumulam em meus olhos. Eu as seco antes de jogar meu cobertor para fora da cama.
Me levantando, vou até o banheiro e acendo a luz. Leva um momento para meus olhos se ajustarem à claridade, mas quando isso acontece, eu me encaro no espelho.
Sempre me pergunto se os outros podem ver a dor escondida nas profundezas do meu ser, se sou facilmente lido.
Esse sonho, um pesadelo na realidade, acontece todos os anos, bem nessa época. Nas semanas, nos dias seguintes à data do evento quando aconteceu de verdade.
O dia em que Rush se afogou, o dia em que não pude ajudá-la, o dia em que a deixei ir para longe de mim.
O dia que esmagou meus pais e roubou seus sonhos, para nunca mais serem encontrados. O dia em que estava cuidando da minha irmã mais nova e deixei que ela nadasse no oceano.
Tudo por causa de um biquinho e uma promessa de mindinho, algo tão infantil até para mim aos doze anos.
Olhos castanhos franzidos de tristeza, lábios rosados franzidos em um beicinho, um olhar que ela fazia o tempo todo, me segurando na palma de sua mão. Um olhar que nunca a verei fazer.
Rush não morreu naquele dia, não. Ela foi salva por um estranho que mais tarde se tornaria um herói aos meus olhos.
Joguei a culpa em mim e nele, até mesmo em meus pais, por nos deixar sair sem eles naquele dia. Eu nos responsabilizei pelo que aconteceu com Rush.
Você sabe o que acontece com as pessoas que não recebem oxigênio por certo tempo? Anoxia Cerebral, é como os médicos chamam, diminuição da passagem de oxigênio para o cérebro.
Apenas três minutos são o suficiente para causar dano cerebral. O médico assumiu que, com Rush, o oxigênio foi inexistente por sete minutos.
Rush está viva, mas não é mais a pessoa que era ou poderia ter se tornado.
Sem oxigênio, os neurônios morrem, e foi isso que aconteceu com ela. Ela sofreu danos cerebrais massivos e ficou em coma por seis semanas depois disso.
Durante quatro dessas seis semanas, ficamos na Carolina do Sul até que fosse seguro o suficiente ela ser levada para casa de helicóptero.
Quando ela finalmente acordou, duas semanas depois, estava em estado vegetativo, e minhas esperanças de sua sobrevivência se reduziram a nada. Os olhos de meus pais estavam cheios de arrependimento e raiva direcionado a mim.
Nada menos que um milagre, ela saiu do estado vegetativo uma semana depois, mas não era a mesma.
Quando ela acordou, fizeram ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas para monitorar seu cérebro e seu processo de cura.
Rush teve perda de memória de longo prazo, ela teve que aprender a falar e a andar novamente. Ela teve que aprender a fazer tudo o que uma criança de oito anos deveria saber fazer, embora não conseguisse pegar algumas coisas de imediato.
Ela fala devagar e ainda tem dificuldade para andar. Ela nunca vai poder viver sozinha, não pode cuidar de si mesma, nem tem a possibilidade de viver independentemente.
Ela perdeu tudo; em minutos, ela perdeu seu futuro.
Hoje foi o dia, quatorze anos atrás, que o futuro de Rush foi destruído por causa de uma decisão que tomei.
O pesadelo sempre volta, a realidade do que aconteceu e o que eu poderia ter feito para que o resultado fosse diferente.
A música é minha fuga; minha fuga de todas as situações com as quais tive que lidar, fugir da própria Rush, dos meus pais. Escapar da culpa de não ter sido eu quem se afogou.
***
"A única coisa que uma pessoa pode realmente fazer é seguir em frente. Dar esse grande salto à frente sem hesitar, sem olhar para trás. Simplesmente esquecer o passado e seguir em direção ao futuro."~
– Alysson Noel

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