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Sangue Mágico Livro 3

Autor
Laura B.L.
Leituras
18,9K
Capítulos
51
Autor
Laura B.L.
Leituras
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Capítulos
51
🐺Sobrenatural🧛🏻Vampiros🎭Drama🧚🏼‍♂️Fadas🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia👑Realeza e aristocracia

Num mundo onde os reinos das fadas, dos vampiros e dos demônios se entrelaçam, a fuga desesperada de Lady Breena para proteger seu filho ainda não nascido desencadeia uma série de eventos que mudarão o destino de muitos. Enquanto Roderick, o Príncipe da Morte, embarca numa perigosa jornada em busca de um artefato lendário, Tara, uma híbrida meio fada, meio humana, luta para quebrar a maldição que pesa sobre seu pai. Seus caminhos se cruzam numa terra repleta de magia negra, intrigas políticas e segredos ancestrais, onde sobreviver significa confrontar seus medos e desejos mais profundos.

Prólogo

Livro Três: O Príncipe da Morte

Durante séculos, Lorde Roderick caminhou nas sombras da noite, privado da luz do sol, porém temido por todos. Quando Roderick – um vampiro impiedoso e sedento de sangue – perde o amor de sua vida, ele se esconde, incapaz de enfrentar sua realidade nos Reinos. Agora o vampiro voltou e tem uma missão: encontrar um objeto mítico em troca do amor que ele pensava ter perdido para sempre. Mas, para ter sucesso, ele precisará da ajuda de uma mortal, alguém que tem seu próprio propósito e um passado secreto, que irá atrapalhar os planos do vampiro e despertar uma fome que ele nunca sentiu.
Andando pelo mesmo caminho de terra úmida, cercado pelas plantas mais verdes que ela já tinha visto, Lady Breena protegia sua barriga redonda com as mãos delicadas.
A luz do sol fluía brilhantemente através das árvores altas, envolvendo-a em seu calor e deixando traços rosados em suas bochechas.
E, embora ela preferisse o inverno frio da sua Corte, era grata a este lugar que a manteve escondida por esse tempo.
Ela riu, sentindo o movimento do seu bebê. Ela estava no fim da gravidez, a qualquer momento a criança estaria em seus braços. A sua criança...
Seu rosto, que estava brilhante por um momento, escureceu. O medo mais uma vez desempenhava seu papel – medo do futuro.
Um bebê chegaria a este Reino, fruto do amor puro dela e da sua alma gêmea. E, justamente por isso, representava uma desgraça para a sua família.
Breena não sabia como fazer seu terrível irmão entender naquele momento que o vínculo que ela compartilhava com o mortal era inquebrável.
Era impossível para eles pararem de sentir o que sentiam.
Mas Kieran, Senhor da Corte dela na terra dos Unseelie, recusava suas explicações, deixando claro que a criatura que Breena e o mortal conceberam não tinha lugar ali.
O temperamento de Kieran sempre a fazia estremecer, não que ele fosse malvado com ela, pelo menos não naquela época. Mas Kieran tinha aquele ar de domínio e orgulho, o mesmo de outros da sua categoria.
Sua presença deu lugar ao silêncio, sua voz, ao medo.
Não importava o quanto sua aparência pudesse cativar os outros, seu caráter se destacava acima de todos aqueles belos traços.
Ele era ferozmente protetor com aqueles mais próximos a ele, com Breena especialmente. Sua irmã era considerada a beleza perfeita das Cortes Unseelie.
Seu longo cabelo preto encaracolado, olhos verdes translúcidos e orelhas pontudas e longas a faziam ser cobiçada por muitos e invejada por tantos outros.
E Kieran sentia o dever de protegê-la. Mas bastou um erro dele. Breena desejava conhecer o mundo dos mortais.
Uma espécie sem classe, ignorante e servil. E, mesmo assim, ela tinha essa ânsia de ir para lá – a necessidade de conhecer o desconhecido, de encontrar o que precisava.
E, foi somente quando ela se deparou com um mortal em um território de vastos edifícios e ruídos, que sua busca acabou.
O mortal, o homem que roubou seu coração com um olhar e um sorriso e que permeou sua alma com um beijo, era o mais belo de todos.
Mas a felicidade absoluta acabou antes do que ela pensava quando os soldados de Kieran a encontraram. Depois de muitas tentativas fracassadas de trazê-la de volta ao reino das fadas,
Lady Breena foi levada à força para a sua Corte. Sua alma gêmea foi despojada de todas as memórias de sua existência.
Vivendo seus dias sem saber que daquela relação viria um bebê.
Ela viveu os primeiros meses de gravidez na sombra da frieza do irmão, que a lembrava constantemente de que seu bebê jamais seria bem-vindo.
Mas ela ainda ansiava pela mudança de opinião do Kieran. Ela sabia que sussurros maliciosos chegavam a ele como veneno.
Ela se lembrou daquela noite, quando andava pelo caminho habitual perto do mar gelado e ouviu a voz de Airdan, um dos amigos mais queridos do seu irmão.
"Kieran, você já decidiu o que vai fazer com sua irmã?"
Lady Breena se escondeu atrás de uma parede de videiras secas usando um feitiço de ilusão.
Raramente seu irmão mostrava preocupação. "Eu sei que muitos falam em segredo. Como Lorde da Corte, tenho um dever, mas Breena também é minha irmã. Não posso bani-la.
"Riathan ousou sugerir que, uma vez que o bebê nascesse, ele deveria ser banido para a terra dos mortais. Ele ainda está perseguindo a ideia de desposá-la."
Eles querem tirar o bebê dela. As mãos de Breena começam a tremer.
"Achei que a obsessão dele acabaria assim que soubesse da gravidez dela."
"Estávamos errados sobre ele. A união dos dois seria o primeiro passo para uma trégua entre nós e eles."
"Eu sei, mas a ideia de Breena ligada a ele... ele não vai querer seu bebê."
Breena sabia muito bem de quem eles estavam falando: Riathan, Senhor da Corte das Lágrimas. Durante anos, o homem foi obcecado por ela.
Ela decidiu naquele momento, por medo pelo seu bebê, ir embora. E saiu de lá sem ouvir as palavras seguintes do seu irmão.
Naquela noite, ela e sua fiel serva, Reeona, conseguiram escapar usando o cristal dourado.
Durante meses, Kieran as procurou incansavelmente. E ele não conseguiu impedir que Riathan soubesse do desaparecimento delas.
Ciente da obsessão apaixonada de Riathan por sua irmã, Kieran havia tomado sua decisão: anularia qualquer negociação com ele.
Durante esses meses, elas viveram em um território dentro do Reino Fae que nunca havia sido reivindicado nem pelos Seelie e nem pelos Unseelie.
Agora, ela vagava naquele atalho úmido cercado de verde, onde os raios do sol penetravam em sua pele macia.
Ela protegeria seu bebê, nascendo ele mortal ou não. Antes de tudo, ele era dela, seu sangue, parte de sua alma.
O feitiço que as impedia de serem rastreadas serviu para escondê-las.
Decidindo voltar, Breena caminhou com cuidado para não tropeçar. Cercada por flores silvestres, uma modesta casa de madeira abrigava Reeona.
"Eu estava começando a me preocupar, minha senhora," disse Reeona enquanto terminava de tricotar minúsculas meias verdes com sua magia. Ela era a única serva e amiga leal de Breena.
Com seu cabelo liso na altura do pescoço, um símbolo de identificação de sua raça, Reeona parecia tão jovem quanto uma mulher na casa dos trinta.
"Não tem com o que se preocupar." Breena massageou suas costas.
"Venha, sente aqui." Reeona se levantou, oferecendo a cadeira acolchoada. "Na sua condição, você não deveria ficar de pé por tanto tempo. Muito menos lá fora, sozinha."
"Deixa eu ver as meias."
Reeona entregou as meias a ela, feitas para um par de pés minúsculos. Breena sorriu. "Verde?" ela perguntou.
"A garota terá os seus olhos."
"Você viu o rosto dela?" O rosto de Breena se iluminou. Embora Reeona não fosse uma vidente, ela possuía o raro dom de ver os rostos dos que ainda não nasceram. "Conta mais."
Reeona deu um tapinha na sua mão, um gesto maternal. "Por que estragar a surpresa? Você vai saber em breve.
Lady Breena acariciou sua barriga de novo. Sua filha teria os seus olhos. Ela também teria o cabelo igual ao do pai? Escuro e ondulado? Ou seu sorriso? Ou sua paixão pela música?
Ao pensar nele, que não conseguia se lembrar dela agora, seu coração se contraiu. Não havia um dia, uma noite, um momento em que ela não sentisse sua falta.
Muitas vezes ela se arrependeu de não ter procurado por ele, mas tinha medo de que algo terrível acontecesse a ele. Ela temia a raiva do seu irmão e a crueldade de Riathan.
Depois da noite tranquila, as duas foram dormir. A brisa estava um pouco fria. Os feitiços de guarda foram protegidos mais uma vez, escondendo-as daqueles que a procuravam.
Horas se passaram desde que Breena fechou os olhos. Nas profundezas do sono, uma dor dominou todo o seu corpo.
Gradualmente, a dor física se concentrou em sua barriga, acordando-a com um sobressalto quando o desconforto se tornou tão real que ela começou a gritar.
Reeona, alarmada, a encontrou em sua cama. "Ela está chegando," Breena anunciou. Seu rosto enrugado era a expressão de uma dor poderosa: a dor dos seus ossos se movendo, abrindo o caminho para o nascimento.
Reeona espiou entre as pernas. "Quando eu disser, você começa a empurrar."
Ela agarrou a mão da amiga com força. "As defesas...," um grito saiu de sua garganta. Entre suspiros, ela disse novamente: "As defesas vão enfraquecer."
"Isso não é importante agora." Reeona convocou uma panela de água quente e lenços de algodão limpos. "Empurre agora." E então Breena começou a fazer força.
Sua fiel serva ordenou que ela respirasse, empurrasse, respirasse novamente e assim por diante. O bebê estava demorando muito para sair.
"Eu não consigo…," Breena disse, soluçando.
"Não desista. Pense na sua filha. Ela está sofrendo dentro de você."
"Eu não consigo, Reeona." Lágrimas escorriam por seu rosto. Com toda aquela dor, ela sentiu sua magia protetora enfraquecer.
"Respire, Breena." Era a primeira vez que sua criada a chamava pelo primeiro nome. "A criança precisa sair. Agora. Eu posso senti-la. Ela está ficando fraca."
Ao ouvi-la, Lady Breena fez a maior força que conseguiu, empurrando com a ajuda dos seus gritos. Sua voz sacudiu as folhas das árvores, abalou a terra, deixando-as desprotegidas.
"Um pouco mais. Estou a vendo!," Reona exclamou. E, em meio ao desespero, dor e lágrimas, um pequeno e estridente grito finalmente irrompeu o ar.
"Ela é linda." Reeona sorriu, enxugando o corpinho da pequena criatura e então colocando-a nos braços de sua mãe. Um sorriso feliz iluminou o rosto de Breena enquanto ela olhava com adoração para cada detalhe da sua filha.
Seus olhos fechados, sua boca tão pequena, sua expressão calma absorvendo o cheiro de sua mãe. Ela parou em seus ouvidos. Arredondado, não pontiagudo como o dela. A adorável criança tinha as feições de um mortal.
Uma pressão escura cercou a sala. Reeona, que tinha acabado de limpar Breena, fez uma pausa, olhando ao redor. Então ela olhou para sua senhora.
Seus arredores escureceram, deixando o ar frio. E de um redemoinho de fumaça negra, emergiu aquele que ela mais temia.
Reeona estava ao lado de sua senhora. O rosto carrancudo de Riathan estava apontado para o pequeno pacote dormindo pacificamente nos braços da mãe.
"Riathan...," Breena disse.
Mas ele não falou. Não quando viu o resultado de um relacionamento corrupto entre um mortal e uma Fae.
A mulher, que carregava a filha, fora durante todos esses anos seu desejo mais profundo, e ele rezava para que, algum dia, a afeição dela por ele mudasse.
Mas seus planos foram destruídos quando ela conheceu sua alma gêmea. Riathan se sentiu traído por ela e, acima de tudo, por Kieran, que havia prometido sua irmã a ele.
Riathan aproximou-se lentamente deles.
"Não, por favor, não," Breena implorou.
Em uma tentativa de proteger sua senhora, Reeona estava prestes a atacá-lo, mas foi interrompida com apenas um aceno de suas mãos. Riathan a deixou experimentar o sofrimento.
Imagens horríveis começaram a encher sua mente. Deitada no chão, Reeona chorava inconsolavelmente.
Breena, embora fraca, tentou atacá-lo, mas em vão. Riathan pegou a menina de suas mãos, puxando-a para longe dela.
"Por favor, não." Breena resistiu até que ele, com um pouco mais de força, a arrebatou.
Com o desprezo se formando em seu rosto, ele observou o bebê adormecido. Tocando suas orelhinhas. Seus olhos endureceram ainda mais, a criança... ela... carregava...
"Neste mundo, não há lugar para você." Sua voz fez o coração de Breena pular uma batida.
"Riathan, por favor, não a machuque. Ela não tem culpa de nada."
Seus olhos cinzentos estavam olhando para ela agora. Riathan estava prestes a destruir a impureza que nascera através das lágrimas sem fim que causaria no rosto inocente.
E vendo o que ele estava prestes a fazer, Breena, em uma única tentativa, entrou na mente de Reeona, fazendo-a acordar de seu sofrimento e fazendo-a parar de chorar. Um medo profundo dominava seu corpo.
Breena atacou Riathan, tentando fazê-lo enfrentar seus medos mais profundos. Mas ele não era um Senhor à toa.
E ela sabia que não poderia lutar contra ele, mas, naquele instante em que o Lorde cambaleou, Reeona mergulhou, resgatando a garotinha, que, após o movimento repentino, começou a chorar.
"Leve ela embora!" Breena jogou o cristal nela. E Reeona, sem pensar de novo, escapou de lá.
Nunca sabendo o destino que sua senhora enfrentaria.

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