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Série Acampamento Livro 1: Camp Starry Nights

Autor
Sophie Jones
Leituras
16,6K
Capítulos
51
Autor
Sophie Jones
Leituras
16,6K
Capítulos
51
💕Romance💓Amigos que se apaixonam🎭Drama🏙️Contemporâneo🏳️‍🌈LGBTQ+

Lake St. James retorna ao Camp Starry Nights esperando um rompimento definitivo com a decepção amorosa, o drama e tudo o que o deixou questionando quem ele é. O acampamento já pareceu um lar, um lugar repleto de risadas, conversas tarde da noite e o tipo de lembranças que brilham muito depois do fim do verão. Mas este retorno é tudo menos simples. Caminhos familiares levam a rostos conhecidos, incluindo uma pessoa que Lake nunca esperou ver novamente. Antigos sentimentos despertam sob olhares silenciosos e espaços compartilhados, transformando a nostalgia em algo mais profundo e difícil de ignorar. Enquanto o verão se desenrola, Lake se vê navegando por feridas do passado, tensões do presente e a frágil esperança de que talvez algumas histórias mereçam uma segunda chance.

Prólogo

Livro 1: Camp Starry Night

LAKE

A última vez que vi Spencer Anderson, estávamos enchendo nossas malas com moletons e fotos, rindo tanto que mal conseguíamos fechá-las.
O cabelo ruivo dele espetava para todos os lados, e seus óculos redondos viviam escorregando pelo nariz. Ele tinha bochechas rosadas e uma risadinha que fazia todo mundo rir também.
Lembro de pensar: Mal posso esperar até o próximo verão. Só mais um ano e estaremos de volta aqui juntos.
Spencer era meu melhor amigo. Nós nos conhecemos no Camp Starry Nights quando tínhamos sete anos, e todo verão depois disso, nós contávamos os dias até podermos nos ver de novo.
Mesmo aos doze anos, isso nunca perdia a graça. O acampamento era a melhor parte do meu ano.
“Ah, Lake, vou sentir sua falta, cara!” Spencer sorriu, com as mãos inquietas ao lado do corpo.
Ele tentou fingir que estava tranquilo, mas eu percebia que ele estava tão triste quanto eu. Ir embora sempre era uma merda.
“Também vou sentir sua falta, Spence.”
Eu o puxei para um abraço, sentindo aquele cheiro familiar de sabão em pó e algo doce. Era o cheiro de casa, ou, pelo menos, da casa que criamos juntos no acampamento.
“Até o ano que vem!” ele gritou, entrando no carro dos pais.
Ele acenou pela janela enquanto iam embora, com o sorriso dele gravado na minha memória. Toda vez que eu fechava os olhos, eu conseguia vê-lo. Conseguia ouvir sua risadinha, e sua imitação perfeita do Johnathan, o monitor do acampamento que nós dois amávamos odiar.
Essas lembranças me ajudaram a passar o resto do ano. Eu começava a contar os dias para o verão assim que chegava em casa, com meu estômago revirando de empolgação toda vez que eu pensava em ver o Spencer de novo.
Mas no verão em que fiz treze anos, tudo mudou.
Eu mal me despedi dos meus pais antes de pegar minha mochila enorme e correr para falar com o Johnathan.
“Bom dia, Lake,” Johnathan disse, com a voz tão fina que quase me fez rir.
Eu já conseguia ouvir a imitação do Spencer na minha cabeça, e sorri, pensando em como iríamos brincar com isso o verão inteiro.
“Bom dia, Johnathan. O Spence já chegou?” Tentei espiar a prancheta dele para procurar o nome do Spencer, mas o Johnathan a puxou contra o peito.
Ele olhou para mim, e o rosto dele estava estranhamente sério.
“O que foi?”
“O Spencer não vem este ano,” ele disse, com a boca formando uma linha reta.
Eu tive a sensação de que ele estava um pouco aliviado — sem Spencer significava sem problemas para ele. Mas, para mim, foi como se meu coração despencasse no estômago.
“Por quê?” Tentei não chorar.
Minhas unhas afundaram nas palmas das minhas mãos, e eu mordi a língua com força.
“Não tenho certeza, parceiro. Os pais dele não o inscreveram este ano. Tenho certeza de que há um motivo. Mas ei, você pode usar este verão para fazer novos amigos. Seu novo colega de chalé é o Matty. Vá dar um oi!”
Johnathan se virou, já conversando com outra criança, me deixando ali parado sozinho.
Spencer e eu sempre chegávamos cedo ao acampamento para podermos conversar antes de todo mundo chegar. Nós sentávamos nas nossas camas — sempre um do lado do outro — e mostrávamos as coisas que tínhamos trazido de casa.
Eu dava chocolate escondido para ele, porque os pais dele nunca deixavam ele comer doce, e ele me dava desenhos. O Spencer era um artista. Ele parava no meio de uma caminhada só para desenhar uma árvore ou tentar me desenhar.
A cada ano, ele ficava melhor. Eu mal podia esperar para ver o que ele tinha feito dessa vez. Mas eu nunca cheguei a ver.
Aquele verão foi uma merda. Passei a maior parte do tempo em silêncio, esperando que o Spencer pulasse de trás de uma árvore e gritasse: “Desculpe o atraso!” Mas ele nunca fez isso.
Em vez disso, fiquei preso com o Matty, que era tão empolgante quanto uma maçaneta. Ele falava sem parar sobre trens, golfe e filmes dos quais eu nunca tinha ouvido falar. Quanto mais ele falava, mais falta eu sentia do Spencer.
***
“Existe algum número de telefone do Spencer, Johnathan?” perguntei depois da primeira semana. “Eu só quero ver se ele está bem.”
“Você nem tinha o número dele para começo de conversa?” Os olhos do Johnathan se arregalaram. Eu balancei a cabeça, me sentindo um pouco envergonhado.
Nós nunca pensamos em trocar números. Nenhuma vez sequer. Mesmo querendo conversar o tempo todo, isso simplesmente nunca aconteceu.
Lembrei do Spencer dizendo que a mãe dele não gostava que ele desse o número da casa para qualquer um. Então deixamos para lá e nunca mais tocamos no assunto.
“Deixe comigo, Lake. Vou tentar ver se consigo entrar em contato com eles, está bem?” ele disse, com uma voz suave.
Então eu esperei. Eu esperei enquanto fazíamos artes no refeitório, com a chuva batendo no telhado tão forte que parecia que o céu estava caindo.
Eu esperei enquanto os monitores transformavam o campo de lama em uma pista de obstáculos, e as crianças escorregavam, choravam e riam. Eu esperei todas as noites, encarando a cama vazia do Spencer — agora a cama do Matty — tentando não chorar.
Certa manhã, antes mesmo de o sol nascer, Johnathan sussurrou: “Lake? Lake, o Spencer está no telefone!”
Só de ouvir o nome dele, eu despertei na hora. Pulei da cama, com o chão do chalé congelando os meus pés, mas eu não me importei. Eu estava prestes a falar com o Spencer.
Enfiei os pés nos chinelos e corri direto para a sala dos monitores.
“Spence!” eu gritei no telefone, me jogando na cadeira do Johnathan.
A sala era apenas um lugar apertado com cinco mesas, cada uma delas cheia de computadores velhos e fios de telefone enrolados. Toda mesa tinha um crachá. O do Johnathan era feito de papelão, com letras douradas e glitter por toda parte. Dava para ver que ele tinha feito aquilo durante as aulas de artes.
“Lake.” A voz do Spencer estava muito baixa, e eu podia ouvir a tristeza nela.
“Por que você não está aqui?” perguntei, com a voz bem baixinha.
Eu sabia que parecia uma criancinha, mas não me importei. Meu melhor amigo tinha ido embora.
Achei ter ouvido alguém conversando ao fundo, mas talvez fosse só o telefone falhando. Isso acontecia muito no acampamento.
“Eu... eu não posso mais ir para o acampamento. Eu, hum, cresci demais para isso.”
As palavras dele soaram forçadas, como se ele estivesse lendo um roteiro. Eu sabia que não era escolha dele. Tinham que ser os pais dele. Mas por quê? Ele sempre amou o acampamento.
“Claro que você não cresceu demais para isso! Sinto sua falta, Spence. Eu queria te ver. Não tem nenhum outro jeito de a gente se ver de novo?” Minha voz falhou.
A ideia de esperar mais um ano parecia impossível. Meus amigos na minha cidade simplesmente não eram a mesma coisa.
Houve um longo silêncio. Tentei segurar as lágrimas, mas foi inútil. Então, o Spencer disse algo que me partiu ao meio.
“Nós nunca mais vamos nos ver, Lake. Não somos mais amigos. Adeus.”
O sinal de telefone zumbiu no meu ouvido, afiado e frio. Mas, sinceramente, qualquer coisa era melhor do que ouvir aquelas palavras.
Eu chorei o resto do dia. Chorei tanto que tiveram que me mandar para casa mais cedo.
E foi só quando o Spencer disse aquelas palavras que eu percebi — eu estava apaixonado por ele. Eu estava apaixonado pelo Spencer Anderson, e eu nunca mais ia vê-lo de novo.

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