
Irmãos Siciliano
Author
Heather Teston
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35
Capítulo 1
Vinte e seis anos atrás, Anna Siciliano deu à luz dois meninos gêmeos.
Aconteceu tarde da noite, no quarto dela, com uma parteira presente e seu marido Ezio ao seu lado. O primeiro bebê nasceu rápido, um parto fácil para Anna. Transbordando de orgulho, Ezio ergueu o bebê e declarou que seu nome seria Michael.
Já o gêmeo, nascido uma hora depois, foi um parto mais difícil para Anna, que a essa altura já estava fraca e debilitada. Faltando um minuto para a meia-noite, a chuva começou a cair com força e um trovão ecoou, fazendo as janelas tremerem, e o segundo bebê nasceu.
Tudo ficou em silêncio quando o antigo relógio de pêndulo pôde ser ouvido do lado de fora do quarto, marcando a meia-noite. Nem mesmo o choro do segundo bebê foi ouvido quando Ezio olhou para a criança deitada nos braços de Anna. Os olhos do bebê se abriram, e ele parecia estar olhando de volta, fazendo Ezio estremecer.
Olhando nos olhos do segundo filho, sem querer segurá-lo, ele falou, sua voz soando alta no silêncio da noite. Michael e Lucifer tinham cabelos escuros e uma linda pele oliva. Ambos tinham olhos azuis escuros e eram idênticos, exceto pelo temperamento.
Michael era o filho modelo que todo pai sonha em ter. Era educado, obediente e ia bem na escola. Ezio o tratava com carinho e adoração, enquanto tratava Lucifer com indiferença, culpando o gêmeo mais novo pela morte de sua amada esposa, Anna.
Lucifer era o oposto do irmão: grosseiro e ofensivo. Desobedecia o pai sempre que podia e sentia prazer em atormentá-lo. No começo, os meninos se davam bem, mas conforme foram crescendo, as coisas pioraram.
Os dois competiam entre si o tempo todo, fosse nos esportes ou com o sexo oposto. Quando um tinha uma namorada, o outro a queria, e geralmente conseguia. Michael era o tipo mais sensível e cavalheiro.
Lucifer era mais bruto, um verdadeiro bad boy que estava sempre se metendo em brigas. Muitas vezes ele saía em defesa de Michael, protegendo-o dos valentões, e sempre assumia a culpa quando Michael fazia algo errado.
Lucifer recebia os castigos que o pai aplicava e que deveriam ter sido de Michael. Eles tinham acabado de fazer dezoito anos quando uma garota chamou a atenção dos dois: uma beleza de dezesseis anos chamada Iris Braxton.
Era magra, com cabelos loiros cor de areia, filha única de Steven Braxton, um investidor bilionário. Seus pais a mimavam, enchendo-a de presentes caros, e no aniversário de dezesseis anos compraram para ela um carro esportivo vermelho.
Ela conheceu os gêmeos em uma festa, e se não fosse pelo jeito de se vestir e de agir, não conseguiria diferenciá-los. Logo de cara, percebeu como os dois eram diferentes um do outro. Michael era doce, um cavalheiro.
Já Lucifer era áspero, grosseiro, com um ar de arrogância, vestindo uma jaqueta de couro preta e andando de moto. Iris ficou de lado, observando Lucifer se agarrando com a vadia da cidade. Sentiu algo crescendo dentro dela, uma pequena faísca de excitação ao ver como ele pressionava a garota contra a parede, seus lábios no pescoço dela enquanto acariciava seus seios, desejando ser ela no lugar da outra.
De olhos fechados, ela imaginou Lucifer beijando-a, a mão dele acariciando-a. Ao abrir os olhos, ofegou de susto ao vê-lo observando-a com um sorrisinho debochado.
Ao se virar, trombou de cara com Michael. Com o rosto vermelho, murmurou um pedido de desculpas. “Aonde vai com tanta pressa, Iris?” ele perguntou, os olhos azuis brilhando.
“Tomar um ar fresco,” ela respondeu. Olhando por cima do ombro, viu Lucifer observando-a, aquele sorrisinho ainda no rosto. Michael ofereceu-se para acompanhá-la, e ela aceitou de bom grado.
Iris o achou encantador; ele a fazia rir, e ela se sentia à vontade com ele. Depois daquele dia, começaram a passar tempo juntos. Mas sempre que Lucifer estava por perto, ela ficava inquieta. Ele vivia lançando aqueles olhares estranhos para ela, como se a estivesse imaginando nua.
Mas também havia algo naquele bad boy que fazia seu coração disparar e um formigamento percorrer todo o seu corpo. Sendo virgem, ela não tinha certeza do que seu corpo estava dizendo. Michael sempre era doce com ela.
Os beijos dele eram suaves e delicados, e ele nunca tentou fazer sexo com ela. Iris tinha uma amiga, Jackie. Ela tinha cabelos pretos como asa de corvo e tinha se desenvolvido na área dos seios mais rápido que as outras garotas do grupo.
Lucifer começou a sair com Jackie, e os quatro passaram a fazer encontros duplos. Depois de uma noite no cinema drive-in ou em uma festa da escola, os quatro iam à lanchonete local comer hambúrgueres e batatas fritas.
Iris tinha que ficar ali sentada vendo Lucifer mordiscando o pescoço de Jackie com a mão subindo por baixo da blusa dela, enquanto tudo que Michael fazia era segurar sua mão e assistir o irmão se agarrando com Jackie do outro lado da mesa. A mão de Jackie foi para debaixo da mesa, e Lucifer gemeu.
Era óbvio o que ela estava fazendo, e nenhum dos dois parecia se importar que estavam em um lugar público. “Preciso ir para casa,” Jackie gritou com voz fina.
“Tudo bem, boneca,” Lucifer murmurou no pescoço dela. “Vamos embora.”
“Não, se meu pai ouvir sua moto, ele me mata, e vou ficar de castigo por uma semana. Além disso, estou de saia.” Ela olhou para Michael. “Você me leva de carro para casa? O Lucifer pode levar a Iris na moto, já que ela está de jeans.”
Iris ficou chocada; não queria ficar sozinha com Lucifer. “Não, o Michael e eu podemos levar—"
“Você mora do outro lado da cidade, e já está tarde. Meu irmão te leva para casa,” ele disse. Deu um beijo na bochecha dela. “Te ligo amanhã.”
Eles não lhe deram escolha, já que ela tinha deixado o carro em casa. Quando saíram, ela hesitou quando Lucifer lhe entregou o capacete. “Qual é o problema? Precisa de ajuda para colocar?” ele perguntou, observando-a com diversão.
“Não, eu consigo, é só que... é que eu nunca andei de moto antes,” ela gaguejou. Tirando o capacete da mão dela, ele riu enquanto o colocava na cabeça dela, ajustando a tira sob o queixo.
“Não se preocupe, é só se segurar firme em mim e você não vai cair.” Subindo na moto, ele deu a partida e acenou com a cabeça para Iris subir. Iris não conseguiu conter a excitação que corria em suas veias enquanto Lucifer acelerava pela estrada. Ela se agarrou a ele, com os braços ao redor da cintura dele.
Era assustador e ao mesmo tempo emocionante, com o vento batendo no rosto. Ela gostou de sentir o corpo firme dele, e ficou triste quando tudo acabou ao pararem em frente à casa dela e ela desceu.
“Boa noite, Iris. Nos vemos em breve,” ele disse enquanto arrancava. Uma semana depois, ela e Michael foram a uma festa com barril de cerveja que acontecia à noite debaixo da ponte.
Era um lugar onde todos os jovens iam para festejar e se agarrar. Barracas foram montadas, e uma fogueira foi acesa.
Lucifer estava lá com Jackie, que estava ficando bem bêbada e flertando com Michael descaradamente, mas Lucifer não parecia se importar.
Depois de uma cerveja, Iris quis ir embora. Estava cansada de ver Michael flertando com Jackie.
Percebendo que ele não iria levá-la para casa, ficou com raiva e decidiu ir a pé.
Pouco depois, o som de uma moto se aproximando a fez virar. Era Lucifer.
“Aonde você vai?” ele perguntou.
“Para casa,” ela respondeu rispidamente.
“Sobe aí, eu te dou uma carona.” Estava escuro, e a caminhada até em casa levaria uma eternidade, então ela subiu na garupa.
No meio do caminho, começou a chover, deixando as estradas escorregadias, então Lucifer dirigiu até um celeiro próximo. A porta estava aberta, e ele entrou com a moto.
A chuva agora caía forte, e trovões e relâmpagos rasgavam o céu da noite.
“Vamos ter que esperar a tempestade passar,” ele disse, virando-se para Iris.
Ele sorriu, deixando os olhos percorrerem o corpo dela. Ela tinha seios pequenos e bonitos, mas ele sabia que cresceriam com o tempo, e tinha uma cintura fininha.
Ela parecia assustada, como um cervo acuado, quando viu que ele estava encarando-a. Ciente de que estava ali sozinha com ele, Iris ficou nervosa.
Os olhos dele a despiam, e antes que ela pudesse impedi-lo, ele a puxou para os braços dele. Ela tentou empurrá-lo, mas ele não se mexeu.
“Me solta,” ela gritou.
“Por que você está com o Michael quando é comigo que você quer estar?” Sem lhe dar chance de responder, ele tomou sua boca com a dele.
Lábios pressionados, ele deslizou a língua para dentro da boca dela, explorando. Os lábios dela eram macios contra os dele.
O perfume dela o deixava louco de desejo, e quando ela colocou os braços ao redor do pescoço dele, correspondendo ao beijo, ele a deitou sobre uma cama de palha.
Iris não tinha forças para pará-lo, nem queria.
E quando ele abriu a blusa dela e sua boca desceu até o colo dos seios, ela gemeu, arqueando as costas.
A boca dele era quente enquanto beijava seus seios por cima do tecido fino do sutiã. A mão dele se movia com delicadeza, acariciando a pele dela, descendo até o zíper do jeans, que ele abriu, deslizando a mão para dentro da calcinha e começando a acariciar entre suas dobras íntimas e macias.
Tirando a calça dele, puxou a dela para baixo, enfiou a mão no bolso e tirou uma camisinha.
Depois de se proteger, ficou por cima e começou a beijar o pescoço dela enquanto se guiava lentamente para dentro. Ela estava molhada e pronta para ele, e ele nunca desejou uma garota tanto quanto desejava Iris.
Ele sentiu como ela era apertada, e quando a penetrou, percebeu que ela era virgem. Estava dominado demais pelo desejo e pela luxúria para parar, mas fez o possível para não machucá-la, dando-lhe tempo para se acostumar com ele.
Ele sabia que doeria por um instante e jurou tornar aquilo o mais prazeroso possível para ela. Iris soltou um pequeno gemido quando Lucifer tirou sua virgindade.
Doeu por um segundo, mas logo ela estava se contorcendo e se remexendo debaixo dele com um prazer intenso, gemendo enquanto cravava os dedos nas costas dele.
Quando Lucifer terminou, rolou para o lado, puxando-a para perto. Beijando-a, acariciou suas costas e murmurou contra a boca dela.
“Agora você é minha, me pertence, e ninguém mais vai tocar em você além de mim.” Afastando-se, ela começou a se vestir.
O peso do que tinham feito a atingiu: ela tinha traído o namorado e se sentiu péssima.
“E o Michael?”
“O que tem ele?”
“Ele é seu irmão, como pudemos fazer isso com ele?” ela chorou. Levantando-se, Lucifer vestiu a calça e, tomando Iris nos braços, a beijou.
“Não precisa se preocupar com ele; ele já está transando com a Jackie faz tempo.”
“Mentiroso!” ela gritou, empurrando-o.
“Não seja tão ingênua, Iris. Por que você acha que ele ficou tão ansioso para levá-la de carro para casa, tipo semana passada? Sinto muito se isso te machuca, mas é comigo que você queria estar.”
Iris se derreteu nos braços dele. Ela sabia que ele tinha razão, mas precisavam contar a Michael que agora estavam juntos. Só esperava que ele entendesse.
E Michael pareceu entender. Foi bastante elegante sobre o assunto, desejando-lhes felicidades com um sorriso.
Um dia depois, o mundo desabou quando o pai de Iris invadiu a mansão dos Siciliano, jurando que processaria Lucifer por estupro se algo não fosse feito.
Iris foi mandada para um colégio interno na Suíça; ela não conseguia entrar em contato com Lucifer.
Ezio e seu filho brigaram, e Lucifer mais uma vez ouviu como era uma decepção, como não era amado, e como não era mais bem-vindo na casa do pai.
Foi mandado para morar com o tio Fino e a tia Nadia na Itália.
Raiva e ressentimento foram a força motriz por trás da determinação de Lucifer em se tornar alguém na vida, para um dia poder voltar à América e esfregar seu sucesso na cara do pai.
Por oito anos, não houve nenhum contato entre eles ou com o irmão. Nem uma carta, nem sequer um telefonema.
Até o dia em que recebeu um convite de casamento de Michael, que ia se casar com Iris Braxton.
Amassando o convite até formar uma bola, jogou-o na lata de lixo.










































