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Tempestades e Sombras Livro 3: A Sombra do Demônio

Autor
Ember Lorelle
Leituras
52.1K
Capítulos
47
Autor
Ember Lorelle
Leituras
52.1K
Capítulos
47
😱Suspense💪🏻Protetor🧚🏼‍♂️Fadas🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪Mulheres fortes🥵Literatura erótica⚔️Ação & aventura👑Realeza e aristocracia🧑🏽‍🦳Diferença de idade🧙‍♀️Magos & bruxas😇Anjos & demônios🐉Dragões🐉Fantasia

Eu nunca deveria ter me aventurado tão longe. Não era o meu destino e, certamente, não era o meu caminho.

Mas as marés do destino mudaram de rumo, deixando apenas um futuro assombroso diante de mim. Minhas escolhas me trouxeram até aqui e, agora... não me resta mais nenhuma.

As nuvens se acumulam. A guerra dança no horizonte. Presa nas garras de um mal implacável, temo que a ira do demônio expulse até a última luz destas terras.

E a parte mais terrível? É tudo porque eu sobrevivi.

Aviso de Gatilho: Canibalismo, Tortura, Violência, Agressão Sexual, Morte, Depressão

Capítulo 1: Comer Poeira

NAZARIUS

A chuva cai forte do céu, com ventos fortes o suficiente para fazer as árvores estalarem, ameaçando quebrar. Corro pela floresta o mais rápido que posso, lutando contra o vento e me apressando em direção ao som das batidas do coração da minha coelhinha.
Tenho que me esforçar para ouvir, o mau tempo fazendo de tudo para abafá-lo. Mas, entre um passo e outro, as batidas fracas silenciam.
Não.
O peso do mundo atinge o meu peito com uma força que me faz tropeçar. Fica quase impossível respirar, o gelo congelando meus pulmões. O mundo fica assustadoramente quieto, o silêncio do coração dela refletido na falta repentina de vento.
As nuvens desaparecem, mas nem a luz do sol é forte o bastante para afastar a escuridão que se assenta pela floresta.
Eu chego na clareira, meus olhos confirmando o que meus ouvidos já descobriram.
Nero está agachado na frente de Azariah, os olhos verdes dela estão sem vida, olhando para o vazio sem piscar. O peito dela não se move, lágrimas recentes traçando suas bochechas muito pálidas. O sangue pinga do seu nariz, dos seus olhos, da sua boca; isso a pinta na morte.
Eu perco a voz, com mil palavras na ponta da língua. Mas as únicas palavras que importam são as que ela não pode mais ouvir.
“Bem, isso é um tanto decepcionante”, Nero reclama, levantando o corpo sem vida de Azariah e jogando-o sobre o ombro.
“O que você fez?”, eu pergunto com raiva, mesmo que o sangue no rosto dela já pinte um quadro claro. O poder tirou a vida dela, como fomos avisados que aconteceria. Eu não consegui ajudá-la, e prometi a ela que acharíamos uma saída.
Mesmo assim, não tenho dúvida de que a culpa é de Nero pelo uso final do poder que custou a vida dela. E por causa dele, ela morreu assustada e sozinha.
Nero dá de ombros, sem se importar com o corpo frágil que balança com o movimento. “Se isso faz você se sentir melhor, eu também não estou feliz com esse resultado.”
Não, isso não me faz sentir melhor. Arrancar a garganta dele talvez ajudasse.
Eu dou um passo para frente, mas Nero apenas dá um sorriso maldoso, me fazendo parar.
“Nero”, eu aviso, a minha voz ficando mais grave enquanto começo a ceder à escuridão e à violência. “Ela é a princesa de Tharvoria. Ela precisa ser devolvida numa tentativa de evitar uma guerra.” Mesmo que eu prefira não mandá-la para tão longe de mim.
“Era”, Nero corrige. “Agora ela não é nada.”
Eu ataco, mas Nero entra na sombra mais próxima instantes antes das minhas garras tocarem nele. O rosnado que escapa de mim começa em frustração, mas termina em angústia. Porque ninguém além dos Feéricos Sombrios consegue viajar pelas sombras, e se ele conseguiu levá-la com ele... então ela está realmente perdida.
As minhas garras arranham uma árvore enquanto caio de joelhos, a terra debaixo de mim com o cheiro dela. Canela e fogo, manchados com o cheiro forte de sangue.
“Onde ela está?”, Alastor exige saber enquanto entra na clareira aos tropeços. “Por que está com cheiro de sangue?”
“Ela está morta.” Eu quase não reconheço a minha própria voz.
Alastor engole em seco ruidosamente. “Você tem certeza?” Ele quase sussurra as palavras, como se tivesse medo da resposta.
Me afastando da árvore, evito olhar para ele. “Sim, não há dúvida. Ele viajou pelas sombras com ela.”
Eu me pergunto, Nero acha que pode se esconder de mim? Não tem como saber exatamente para onde ele foi — mas eu sei para onde ele está indo. Se ele acha que há a menor chance de que eu não vá caçá-lo e despedaçá-lo, então ele não é tão inteligente quanto acha que é.
Com sangue ou não, sendo ele um rei demônio ou não, não existe força neste reino ou em qualquer outro que o mantenha longe das minhas garras.
“A guerra vai chegar”, Alastor respira de forma séria. “Eu preciso avisar Aurelius e a rainha dos Feéricos.”
“Eu vou fazer o meu melhor para evitar a guerra”, prometo, sabendo que as palavras são vazias. Se a criação de Azariah for qualquer indicação, o Reino dos Dragões vai atacar essas cortes com uma vingança incomparável.
“Nós dois sabemos que isso não é possível.” Alastor hesita antes de continuar. “Se você não contar para eles, ganharemos tempo para nos preparar.”
Balanço a cabeça em negação para ele, dando um olhar que mostra o que penso disso. “Eles não a veem há meses. Você não acha que eles merecem saber o que aconteceu com a filha deles? O futuro deles?”
Os olhos dele estão duros ao encontrar o meu olhar. “E o nosso futuro? O futuro daqueles que nós protegemos?”
Azariah estava sob os meus cuidados.
“Se nós temos alguma esperança de consertar essa paz tão fraca, nós não podemos enganá-los”, eu argumento.
“Não existe esperança!”, ele grita, dando alguns passos para frente. “Nunca houve paz, apenas tolerância. Se o Reino dos Dragões quiser queimar todo o reino dos Feéricos, eles podem muito bem conseguir.”
“Isso não significa que eles não mereçam saber a verdade”, declaro. O fato é que já me decidi. Eu disse a eles na carta que mandaria notícias sobre o bem-estar de Azariah. Essa não é a mensagem que eu gostaria de enviar, mas é necessária. A guerra vai chegar de qualquer forma, e eu que me dane se não fizer a coisa certa por ela.
“Condene todos nós então, Nox Aurelion. Vá se esconder no seu canto distante, sabendo que você provavelmente será o último lugar que eles vão visitar no seu caminho de guerra.” Fogo queima perto dos calcanhares dele enquanto ele sai pisando duro. Não vou atrás dele, não o corrijo.
Por um longo tempo, não faço nada, ficando parado na parte da floresta que tem o cheiro da mulher que eu amo.
Pergunto-me se ela já passou para o reino final ou se ainda está fazendo a sua última travessia no Reino dos Sonhos. Eu poderia visitar, descobrir, mas não tenho certeza se sobreviveria ao vê-la fazer a travessia.
E é perigoso chegar tão perto do Reino das Almas quando ainda se está vivo. Os Viajantes dos Sonhos perderam suas vidas porque pisaram onde os vivos nunca devem pisar.
As sombras nunca pareceram tão anestesiantes antes, o mundo passando rápido enquanto ando de um ponto a outro, fazendo a longa viagem em poucos minutos. A proteção mexe com a minha magia quando volto para o meu reino, sua beleza do final da primavera perdida para mim agora. O ar quente não consegue penetrar o gelo que criou raízes dentro de mim.
No momento em que ponho os pés no meu escritório, com Narayan e Ezekiel discutindo no canto, o mundo parece sair do eixo.
Os dois machos ficam quietos imediatamente, nenhum deles ousando falar enquanto um choro baixo escapa de Žydrūnas.
“Onde está Azariah?”, Ezekiel finalmente pergunta, a dor na voz dele sendo como uma faca no meu coração desmoronando.
“Ela está morta.” As palavras saem sem emoção, quase como se não fossem reais. “Preciso enviar uma carta. Depois, devemos nos preparar para a guerra.”
Os meus passos são pesados na madeira enquanto vou até a minha mesa. A tarefa de escrever uma carta nunca pareceu tão assustadora, tão difícil.
“E você?”, Narayan pressiona com cuidado, sentando-se em uma das cadeiras do outro lado da mesa. “Devemos nos preocupar com a sua alma?”
Eu quase rio. “A ligação estava incompleta”, murmuro. “Então não, não há risco.”
Ezekiel ainda está em pé no meio da sala. Ele não se moveu desde que eu cheguei.
“Eu não me despedi dela”, ele percebe, seus olhos vidrados olhando para mim.
“Nem eu”, admito. “Nero a pegou; ela morreu sozinha.” Sozinha é bondade; ela morreu com Nero, o que é pior do que sozinha.
“O corpo dela?”, Narayan pergunta de forma gentil. “Você já o devolveu?”
Balanço a cabeça em negação, pegando um pedaço de pergaminho. “Nero o levou. Depois que eu escrever esta carta, vou matá-lo.”
Ezekiel desperta ao ouvir isso, andando rápido até a mesa. “Eu vou com você.”
“Não.” Não explico o motivo, fazendo um sinal com a mão para que os dois saiam. Narayan, sempre obediente, obedece, sumindo na sombra mais próxima. Mas Ezekiel, teimoso como é, senta na cadeira que acabou de ficar vazia.
“Ezekiel”, eu aviso com a voz baixa. As minhas garras apertam a madeira da mesa.
“Eu não vou a lugar nenhum”, ele declara, cruzando os braços no peito. “Você também não iria se estivesse no meu lugar.”
Ele pode estar certo, mas eu prefiro ficar sozinho para o que vai acontecer. Feéricos não são capazes de criar ligações com mortais — até pouco tempo atrás, eu não sabia que algo pudesse se ligar a um mortal. Mas a parte demônio em mim mudou as regras, colocando os olhos no que não podíamos ter.
O que agora perdemos. Não, a ligação não estava completa, então não vou perder a minha alma por causa disso, mesmo que pareça que alguém arrancou o meu coração. Mas o demônio dentro de mim ainda precisa sofrer, e os demônios sofrem da mesma forma que vivem. Ferozmente.
De preferência, serei capaz de canalizar essa energia para arrancar o coração de Nero. Você conhece o ditado: olho por olho, coração por coração.
Os meus dedos passam pelas cicatrizes no meu peito, a memória do dia em que ele tentou fazer o mesmo comigo passando na minha mente. A dor que me corta agora me faz sentir como se ele tivesse tentado arrancar o meu coração do peito mais uma vez, e desta vez, ele conseguiu.
Eu disse naquela época, mesmo quase não sobrevivendo ao ataque dele, que nunca faria o mesmo com ele.
Mas isso foi antes de ele tirar Azariah de mim.
Narvaz, ela era teimosa, violenta, e teve a audácia de mentir para mim repetidamente não importava quantas vezes eu a confrontasse sobre isso. Mas, além disso, ela era feroz. Ela era esperta. Ela era minha.
“O demônio em mim precisa sofrer”, digo entredentes, mergulhando uma pena no pote de tinta.
“O Feérico também precisa”, Ezekiel argumenta, estendendo a mão para parar a minha. “O demônio não é o único que se importava com ela.”
Empurro a mão dele, começando a escrever a carta. Não existe um jeito de dizer a alguém que a sua filha morreu. Que a esperança e o futuro deles acabaram. Que eles nunca vão saber de verdade o que aconteceu com ela, que nunca terão o corpo mortal dela de volta.
Mas eu tento de qualquer jeito.
Com a carta terminada, eu a selo e a envio. Duvido que algum dia vá receber uma resposta, a não ser que eles vejam me atravessar com uma espada como uma resposta.
Eu me levanto, quase entrando nas sombras, quando Ezekiel me para.
“Você sabe que Nero vai estar pronto, Naz.” Seus olhos azuis e frios imploram para mim. “Ele vai estar em vantagem e, na sua raiva, pode te pegar de surpresa.”
Žydrūnas bufa no canto, sua concordância clara. “Se você morrer, eu também morro. Se for para ser assim, pelo menos me deixe voar até lá e lutar ao seu lado.”
Isso levaria dias, eu respondo através da nossa ligação mental. Eu pretendo matá-lo agora.
Mas o que ele poderia fazer nesses poucos dias? Ele levou Azariah por um motivo, e ele não deveria tirar nada dela, usá-la para nada — viva ou morta.
Ezekiel olha para a manticora e depois para mim. “Ele está concordando comigo?”
“Não”, eu respondo, continuando o meu caminho para a sombra mais próxima. “Ele quer vir comigo, mas me recuso a esperar. Reúna o conselho de guerra. Volto logo.”

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