
Asas de Vidro: A Tempestade
Rose é a irmã do Rei Fae, mas sua coroa é uma jaula. Com a guerra devastando o reino, ela é obrigada a se casar com o herdeiro Fae das trevas, o mesmo que faz seu sangue gelar. A paz exige sua mão, mas seu coração? Esse é um campo de batalha completamente diferente. Suas escolhas são tão difíceis quanto a tempestade que ronda os céus: sacrificar sua liberdade ou arriscar a vida de seu povo. Cada passo em direção ao altar parece uma traição. Mas Rose não é boba, há força sob a tristeza. Enquanto poder, paixão e perigo giram ao seu redor, ela tem uma pergunta a responder: o destino é inevitável ou ainda dá tempo de escolher seu próprio final?
Capítulo 1
ROSE
Tinha que ser um erro. Rose tinha certeza de que seus ouvidos a enganavam — afinal, este era seu irmão. Ele não a mandaria para um lugar perigoso para ser machucada como um pedaço de carne.
Isto era Cetera, a corte Unseelie — um grupo inteiro de Fae conhecidos por serem cruéis e malvados. Seu irmão amoroso nunca a mandaria, sua única irmã, para o inimigo. Não por nenhum acordo, não importava o quão bom parecesse.
Rose se endireitou e deu sua resposta. “Não vou me casar com ele!”
“Você não tem escolha.”
O olhar furioso dela era muito forte quando ela olhou de volta para ele. Aqueles olhos verdes brilhavam com intensidade.
O sangue subiu sob sua pele pálida, fazendo suas bochechas ficarem vermelhas. Rose continuou olhando para ele sem desviar o olhar — sua mandíbula estava tensa e suas mãos estavam em punhos, tão apertados que seus nós dos dedos ficaram brancos.
“Por que você não se casa com a princesa?” Rose não se importou que sua voz ficasse mais alta. Não importava se os servos lá fora ouvissem cada palavra que ela dizia. Ela estava muito irritada!
“Deixe ela vir se casar com você, e eu fico aqui onde pertenço.”
Bran soltou os braços de seu trono e passou a mão pelo cabelo dourado bagunçado. Seus movimentos eram rígidos, como se estivesse esperando, procurando as palavras certas, mas não havia palavras certas nesta situação.
Ele se recostou e desviou o olhar. “Ela já está prometida para outra pessoa. Honestamente, não quero uma Fae de Cetera sentada em nosso trono.”
Rose sentiu muito frio de repente, como se água gelada tivesse sido jogada sobre ela. Seu peito subia e descia rapidamente com respirações rápidas.
Bran esfregou a testa, os cantos de sua boca virando para baixo. “Eles não podem te matar. Você é a irmã do rei. Se você morrer, quebra o acordo de paz, e voltamos à guerra.”
Lá fora, clarões brilhantes de relâmpagos cruzaram o céu, seguidos por um estrondo muito alto de trovão que sacudiu as janelas e o ar ao redor deles. A tempestade era como os sentimentos perturbados em seu coração.
Cada som de trovão combinava com os sentimentos confusos dentro dela. Rose ficou parada enquanto Bran sentava quieto no trono.
A sala grande, com suas decorações douradas e cortinas de veludo pesadas penduradas no teto alto, pesava sobre ela como algo empurrando para baixo. Seus olhos percorreram os desenhos dourados em espiral nas paredes.
Cada decoração, cada objeto brilhante, lembrava-a dos deveres pesados que vinham com suas coroas — um peso silencioso coberto de beleza.
“Existem outras formas de morrer, sabe”, Rose disse baixinho enquanto olhava para o chão de mármore sob ela.
Era tão limpo e brilhante que ela podia se ver nele, uma imagem bonita que fazia as pessoas se apaixonarem. Seu cabelo caía pelos lados como raios de sol.
Ela tremeu ao se lembrar de uma tradição muito dura da corte de Cetera. Nenhuma mulher usava cabelo comprido naquele Palácio da Lua no Leste. Ela provavelmente perderia todo esse cabelo bonito se casasse com aqueles Fae.
“O que você quer que eu faça?” A voz de Bran soava como se ele tivesse desistido enquanto olhava para ela parada tristemente na frente dele.
“Estamos em guerra há sete anos. O papai se foi — morto, Rose, morto em batalha! As pessoas estão com fome. Nossos soldados estão cansados. Precisamos de paz!”
Suas palavras a fizeram recuar. Ela tremeu, tendo tentado seu melhor para aceitar a perda de seu pai durante esses tempos difíceis.
Bran desviou o olhar novamente como se não pudesse encarar seu rosto suplicante. “Eles têm mais poder”, ele disse baixinho e apoiou a cabeça na mão. “A posição deles é mais forte, Rose. Eles fazem as regras. Anova não pode continuar lutando esta guerra. Mal estamos sobrevivendo como está. Se eles nos pressionarem por mais um mês... vamos cair, Rose. Vamos perder esta guerra.”
Rose pressionou as mãos com força contra o rosto, sentindo o calor e a umidade das lágrimas através dos dedos enquanto seus ombros tremiam com choro silencioso. Cada respiração era áspera e irregular, como se pudesse expulsar o medo se retorcendo em seu peito.
“Então você vai me mandar para minha morte”, ela disse baixinho, seus joelhos ficando fracos até que sentiu que poderia cair. “Provavelmente vou morrer como prisioneira de Cetera. Por causa da sua guerra estúpida.”
“Nossa guerra”, Bran a lembrou, embora não olhasse para ela. “Você é nossa única esperança.”
Como isso podia acontecer? Eles estavam realmente em apuros tão grandes que seu sacrifício era a única coisa entre eles e a morte?
Ela não queria deixar seu mundo para trás. Sua família, seus amigos — só porque ela era a peça perfeita para trocar por paz.
Ela observou enquanto Bran deixou sua cabeça afundar nas mãos. Mesmo que seu próprio interior se retorcesse ao pensar no que aconteceria com ela, ela viu que o peso de ser rei pressionava forte em seus ombros.
Ele sentava naquele trono dourado, coberto com opalas e jade — parecendo grandioso, mas era um lugar amargo e solitário para sentar. As joias capturavam a luz em movimento em explosões duras.
Mas a coroa era muito pesada sobre os irmãos — mais ainda sobre Bran, esmagando-o sob seu peso constante. Embora lágrimas continuassem correndo pelo rosto dela, Rose tinha visto como a responsabilidade tinha aos poucos esmagado seu irmão nas últimas duas semanas.
Cada joia parecia tão pesada quanto um tijolo em seus ombros, sempre lembrando-o das enormes expectativas que ameaçavam afogá-lo. Seus pensamentos foram para o que aconteceu após a morte súbita de seu amado pai.
Bran se tornando rei tinha deixado toda Anova dividida — alguns abençoando o novo rei, outros tristes pela perda do antigo. Quando tinha dezoito anos, Rose já tinha sentido a dor de perder ambos os pais.
Ela ainda era tão jovem, mas se via como uma mulher em vez de uma menina. O pensamento de deixar a segurança de seu castelo para se casar com um príncipe Fae cinco anos mais velho que ela a fazia tremer.
O resto da corte real realmente acreditava que este era o único jeito de salvar seu povo? O jovem rei deixou seus braços caírem cansados aos lados e soltou o ar.
Rose deu um passo à frente, observando a coroa em sua cabeça deslizar sobre sua testa.
“Se você não se casar com ele, Anova está condenada”, ele disse.
O silêncio que veio a seguir era pesado, pressionando sobre eles até que parecia que até sua respiração era alta contra o silêncio. Rose só podia olhar em silêncio enquanto seu mundo desmoronava como fumaça.
“Você está me pedindo para deixar milhares sofrerem, para sacrificar uma nação inteira por uma pessoa”, Bran disse, cada palavra pesando no ar. “Como rei, não posso fazer isso.”
Ela congelou. As palavras de Bran machucavam com verdade, mas saber disso dava pouco conforto a Rose.
Seu coração se retorceu dolorosamente enquanto o choro vinha novamente. Os Fae de Cetera eram conhecidos por serem cruéis, por fazer planos para machucar outros, e por não se importarem em tratar pessoas com respeito.
Histórias de sua crueldade enchiam seus pensamentos; histórias de seus jeitos duros e sua falta de misericórdia.
Uma vez chamados de corte Unseelie por toda a terra, eles agora queriam ser conhecidos pela terra onde viviam — Cetera. Uma terra de florestas densas e rios sinuosos onde a escuridão se escondia em muitas sombras.
Seu lábio tremeu; ela não achava que conseguia fazer isso. Ela não podia...
“É nossa responsabilidade”, Bran continuou, sua voz soando muito cansada. “Como a família real, assumimos a maior parte do fardo.”
Ela levantou a cabeça, seus olhos vermelhos olhando para o rosto de seu irmão, onde as marcas de responsabilidades extras permaneciam. Desde que se tornou rei, ele tinha envelhecido diante de seus olhos; linhas de preocupação e uma testa enrugada tinham se marcado profundamente em sua pele.
A aparência jovem e feliz que ela se lembrava tinha desaparecido, substituída por um rosto cansado que mostrava decisões difíceis e noites sem dormir. Mas mesmo com a tempestade ao redor deles, ele ainda estava aqui, ainda em casa.
Mas ela — ela seria mandada embora, levada para um lugar desconhecido.
A viagem à frente encheu sua mente. Era uma viagem assustadora de três dias através da aterrorizante Floresta Wanola.
Ela tremeu ao pensar em um dia ver os muros altos da cidade feitos de pedra tirada das profundezas do famoso Oceano Obsidian. Era uma visão que ela só tinha imaginado em livros de histórias, imagens brilhantes saltando das páginas.
Mas as histórias reais sussurravam sombriamente sobre o Palácio da Lua que esperava por ela além daqueles muros escuros. Das sombras de sua infância, ela se lembrava de contos assustadores — cada um descrevendo o palácio como um lugar de escuridão, cheio de segredos e traição, onde punhaladas pelas costas e morte seguiam os corredores como um fantasma constante.
Ela não tinha desejo de fazer parte de histórias tão sombrias.
“Você pelo menos tentou negociar?”, ela perguntou com voz áspera enquanto seu mundo continuava a se quebrar em pedaços.
Bran soltou uma respiração pesada, sua têmpora se movendo enquanto suas sobrancelhas se juntavam. Ele finalmente olhou para ela.
“Não, eu só te entreguei de bandeja”, ele disse em voz irritada. “Esses foram os melhores termos que eles ofereceram.”
“O que mais era possível?” Rose fungou, curiosa.
Bran esfregou a nuca, um movimento cheio de cansaço. “Havia a opção de dar a eles metade da terra de Anova”, ele disse asperamente, o olhar em seus olhos quase estranho.
“Eles já tomaram um quarto de nossa terra no sul. As vilas na fronteira foram destruídas. Nossos generais mal estão mantendo o controle... os soldados estão desanimados. É incrível que eu consegui recuperar qualquer parte de nossa terra.”
“Por que se casar comigo é melhor do que perder metade de Anova?”, Rose perguntou, confusa.
Bran pareceu com dor enquanto segurava os braços de seu trono com força. “Talvez não seja só sobre se casar com você”, ele parou “mas sobre seus filhos.”
O sangue deixou seu rosto, fazendo-a sentir fria e vazia.
“Bem então.” Rose limpou sob seus olhos com a mão. “Por que eles não querem nossa tia? Ela tem apenas trinta e sete... muito tempo para ter um filho.”
Fauna era a irmã de seu pai — uma mulher Fae bonita com cabelo como neve fresca e olhos tão claros quanto o céu mais brilhante. Na opinião dela, Fauna seria uma escolha muito melhor para os Fae de Cetera.
“Não sei”, Bran admitiu, balançando a cabeça. “Eles nomearam você especificamente.”
Um baque repentino na porta rompeu através de seu silêncio compartilhado, enviando uma sensação aguda de consciência através deles. Ambos os irmãos se viraram para olhar um para o outro com olhares conhecedores.
Um entendimento silencioso nascido de memórias compartilhadas — de dias passados ouvindo secretamente conversas sussurradas atrás de portas pesadas, juntando pedaços de informação como espiões recém-treinados.
“Quando vou ter que partir?” Rose não se importou que Bran ouvisse sua voz tremendo. Ela estava assustada e irritada por estar sendo forçada a esta situação.
Bran baixou os olhos para o chão decorado, incapaz de olhar para ela. “Amanhã de manhã”, ele disse baixinho.
Seus olhos se arregalaram com alarme. Ela ofegou, seus joelhos quase cedendo sob ela enquanto uma onda de pânico a lavava.
“A-amanhã? Tão cedo?”
“É quando o mensageiro parte”, Bran respondeu, a seriedade de sua voz combinando com o barulho da tempestade lá fora. “Posso tentar empurrar para a tarde, mas não acho que seja inteligente. Partir cedo é mais seguro.”
“Entendo.” Ela pressionou uma mão no peito como se estivesse tentando acalmar a batida rápida de seu coração.
A sensação rapidamente mudou para uma dor aguda e penetrante — como se alguém tivesse pegado uma agulha longa e enfiado em seu peito. Perfurou seu peito de novo e de novo, tornando difícil respirar.
Bran se levantou e se moveu em direção a ela. Seus braços se enrolaram ao redor dela em um abraço caloroso, dando-lhe força como o toque de uma mãe.
“Não quero que você vá... mas não posso me dar ao luxo de você ficar”, ele disse baixinho em seu cabelo.
Rose inspirou uma respiração lenta e áspera, reunindo cada pedaço de força para se manter inteira. Ela encheu seus pulmões com o cheiro familiar de hortelã fresca e pinho que ficava nele.
Memórias de risadas e dias felizes nos jardins vieram à sua mente, agora cobertas pelo peso de ter que partir em breve.
Seus braços pendiam frouxos aos lados. O próprio pensamento de estender a mão para abraçá-lo de volta ameaçava quebrar seu controle frágil completamente.
“Não quero me casar com ele”, ela disse baixinho e olhou para ele. As palavras saíram como um fio fraco de fumaça.
Bran fechou os olhos, seu rosto se contorcendo em dor. A dor se mostrou em seu rosto, e os músculos em sua mandíbula ficaram tensos.
“Você não tem escolha.”










































