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Série Azul Valley Livro 1: A Outra Metade

Autor
Rio Luna
Leituras
16.8K
Capítulos
86
Autor
Rio Luna
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Capítulos
86
😱Suspense🐺Lobisomens & mutantes🙅Parceiro relutante💔Companheiro rejeitado👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa💪Mulheres fortes⚔️Ação & aventura👩🏻‍🍼Mães🐺Sobrenatural

Blade passou um ano suportando a crueldade de seu companheiro antes de fazer a única escolha que lhe restava: fugir. Armada com os segredos de sua família e um bebê nos braços, ela desaparece na noite, determinada a sobreviver, mesmo que isso signifique viver sem um companheiro e no exílio.

A rejeição pública de Rex foi mais do que uma humilhação — ela estraçalhou sua identidade. Consumido pela vingança, ele se afoga em guerra e poder, abrindo caminho à força até o topo. Mas nenhuma vitória preenche o vazio em seu interior. Quando o dever exige que ele escolha uma nova companheira, Rex enfrenta uma verdade brutal: ninguém jamais estará à altura do vínculo que ele perdeu.

Capítulo 1: O Jantar de Aniversário

MATILHA NORTH BAXTER
Em princípio, envenenar alguém e drogar alguém para dormir são basicamente a mesma coisa. O avô de Blade ensinou a ela que ambos exigem o mesmo conjunto de habilidades e, mais importante, discrição. A diferença é que o seu alvo no fim vai acabar acordando ou morrendo.
Viu? Não tem muita diferença.
Blade tinha cerca de cinco anos quando seu avô, Felix Zamora, começou a treiná-la como espiã. Ele estava determinado a fazer com que Blade seguisse os seus passos como mestre espiã da matilha.
Agora, vários anos depois, Blade estava de pé em frente à pia da cozinha. Ela bateu levemente um pequeno envelope preto para deixar cair alguns cristais de pó branco e grosso dentro de uma taça de vinho vazia.
Em seguida, ela pingou uma gota de água da torneira na taça e esperou que os grânulos se dissolvessem. Depois, eles engrossaram e, finalmente, secaram formando uma substância transparente no fundo da taça, onde a haste se encontrava com o bojo.
Tudo isso levou apenas alguns segundos. Mas foi o suficiente para Blade continuar a se lembrar das palavras de seu avô. Como ela sentia falta dele! Ela sentia a falta dele todos os dias.
“Abuelo, por que a gente não pode usar um envelope rosa bonitinho em vez disso?”, Blade perguntou quando tinha uns nove anos. “Rosa em vez do preto, e lilás em vez do envelope branco, abuelo. Você não acha que ficaria fofo?”
“Você pode usar as cores que quiser quando tiver seus próprios kits e estiver fazendo os seus próprios envenenamentos”, ele disse com uma piscadela. “Só não confunda os envelopes, mija. Você entende por que isso seria ruim?”
Blade concordou rapidamente com a cabeça. “Eu não quero matar ninguém quando tudo o que eu quero é só fazer a pessoa desmaiar.”
Depois de todos esses anos, e não pela primeira vez, Blade se perguntou quantos avôs ensinavam suas netinhas a envenenar pessoas.
Blade afastou a lembrança e olhou para o relógio na parede. Eram 19h40. Dez minutos adiantada.
Nick chegaria em casa logo. Ele ficou ocupado o dia todo como o beta encarregado da matilha na ausência do alfa, e chegaria para o jantar por volta das oito. O mais importante é que o alfa e a família dele levaram Nadine, a irmã do alfa, na viagem de fim de semana deles.
A situação toda foi uma sorte, mas Blade apertou o maxilar até doer. Ela fez isso para não apertar a mão que segurava a taça de vinho. Só de pensar em Nadine, o estômago de Blade revirava de enjoo. Era culpa da Nadine que seu laço de acasalamento com Nick nunca tivesse florescido.
Nick e Blade nunca tiveram a chance de se tornarem um casal de verdade. O fim de semana passado tinha sido um grande exemplo das chances cada vez menores de Nick amá-la e marcá-la como sua companheira.
Ele invadiu o quarto de Blade no porão e acendeu a luz forte enquanto ainda estava escuro lá fora. Blade acordou imediatamente, confusa, e piscou rapidamente para a luz. Ela protegeu os olhos da claridade antes de soltar um único grito, quando uma água gelada foi derramada sobre a sua cabeça.
Nick estava de pé, totalmente vestido, em cima dela com um balde de plástico vazio. “Levanta! Tá tarde! Por que você ainda tá na cama?! A Nadine e eu estamos com fome. Faz o café da manhã pra gente”, Nick disse de manhã cedo no último sábado.
“E faz caprichado também. Nada daquela merda de mingau que você chama de aveia. Ovos. Salsicha. Bacon. Torrada, de preferência não queimada dessa vez. E anda logo! Vai se vestir. Eu não quero ver esse seu corpo. A Nadine vai me comer vivo se você aparecer pelada desse jeito.” Ele deu uma risadinha. “Me comer. Como se ela já não fizesse isso.”
Blade se sentou na cama, enxugando a água dos olhos, com a garganta tão fechada que ardia. “A Nadine e eu vamos para a praia”, ele anunciou. “Prepara uma cesta de piquenique pra gente com todas as nossas comidas favoritas. Você sabe quais são. E coloca uma garrafa daquele seu vinho tinto. Aquele que o Felix te deu de Natal.”
“Aquele é o meu vinho de chocolate favorito”, Blade conseguiu dizer com a voz falha, a garganta apertando dolorosamente. “Foi um presente especial do meu avô.”
“Olha só pra você, tão egoísta logo de manhã! Ele te deu duas garrafas. Eu sei que você tem a outra escondida em algum lugar. Vê se deixa ela bem gelada”, Nick disse enquanto virava as costas para ela.
Blade concordou com a cabeça. Ela nunca contou ao avô que só tinha saboreado uma única taça do vinho caro que ele havia comprado para ela. Nick bebeu todo o resto da primeira garrafa. E agora seu avô tinha se ido. Todos eles tinham.
“Você nunca vai ser nada na vida, sua ômega estúpida”, Nadine rosnou para ela quando Blade lhe entregou a cesta de piquenique cheia de comida. “O Nick é um beta e merece uma loba de valor, uma que dê orgulho a ele. Você é um desperdício de espaço. Só mais uma empregada.”
A voz de Nadine ecoava em sua cabeça. No presente, Blade afastou a lembrança amarga e ergueu a taça de vinho de Nick contra a luz. Ela se concentrou no fundo da taça e viu uma gota transparente que se dissolveria imediatamente com o vinho.
Perfeito.
Ela colocou a taça no lugar de costume do Nick, na ponta da mesa. “Ele era um inútil como companheiro de qualquer jeito”, Talon disse na cabeça dela, “e é um inútil como beta também. A gente não precisa desse nível de incompetência nas nossas vidas.”
Blade sorriu com a lealdade inabalável de sua loba. Ela guardou os envelopes preto e branco em sua mochila cheia no quarto. Antes de fechar a porta, ela se certificou de que Andy ainda estava confortável, com uma chupeta na boca e dormindo na sua cadeirinha de bebê.
Ela checou a maquiagem no espelho e puxou o vestido novo bege com lantejoulas douradas que estava usando. Estava apertado demais no peito e muito chamativo para o seu gosto. Mesmo assim, era o vestido menos ofensivo que ela encontrou no armário do Nick.
Blade tinha percebido há vários meses que Nadine guardava roupas, incluindo roupas íntimas sensuais, no quarto principal do Nick, no segundo andar.
Enquanto isso, Blade era a moradora permanente do quarto de hóspedes no porão. Esse era um detalhe que Nadine nunca deixava de mencionar quando podia. “O lugar de uma ômega é na cozinha, no porão ou no celeiro”, Nadine tinha dito com um sorriso presunçoso. “Sorte a sua que a gente já tem cavalos demais no celeiro.”
Como resultado, Blade não sentiu nenhuma culpa em pegar emprestado um dos vestidos de luxo novinhos de Nadine e os sapatos combinando. Lantejoulas douradas sobre bege. Que nojo.
Exatamente às 20h10, Blade ouviu o carro de Nick na entrada de casa e foi para a cozinha. Aquele seria o último jantar deles juntos. Ela tinha pedido aos cozinheiros da casa da matilha para prepararem para o beta um jantar especial com os pratos favoritos dele: salmão grelhado, purê de batatas cremoso e vegetais assados.
Eles tinham entregado tudo quente havia mais de meia hora, e agora tudo já estava pronto.
A toalha de mesa vermelho-escura era perfeita para a ocasião. Ela até pegou as louças finas emprestadas da casa da matilha. Ela tomou um gole rápido de seu bom vinho Chardonnay da Califórnia e o escondeu atrás da cafeteira.
“Que merda é essa?”, Nick disse ao entrar na sala de jantar.
“Feliz aniversário, meu querido”, Blade disse com sua voz mais doce.
Talon engasgou no fundo da mente dela e fingiu vomitar. “Seu pedaço de merda inútil”, Talon murmurou na privacidade da mente de Blade. “Você é um companheiro horrível. Você nem ao menos nos marcou, muito menos completou o laço de acasalamento. Eu espero que o seu pau caia e os ratos o comam! Mas é bem provável que os ratos morram se comerem.”
“Aniversário? De quem?”, Nick perguntou, confuso. “E pra que esse vestido barato e esses sapatos baratos?”
A garganta de Blade se contraiu dolorosamente. Ela piscou rápido até que as lágrimas que ameaçavam se formar desaparecessem. É claro que ele não se lembrava. Por que ele se lembraria? E ela tinha certeza de que o vestido horrível e os sapatos seriam elegantes se fosse a Nadine quem estivesse usando.
“Claro, meu querido”, ela disse com um sorriso paciente. “Nós nos conhecemos há exatamente um ano hoje, lembra? No Festival de Acasalamento. Por favor, pega o vinho na geladeira enquanto eu acendo as velas?”
Nick zombou. “Onde tá aquele pirralho de merda?”
Blade sentiu um frio na espinha de repente, mas conseguiu dar um sorriso gentil. “O Andy está dormindo. Ele não vai te incomodar.”
Nick deu de ombros e deu meia volta em direção à cozinha. “Tem mais daquele vinho de chocolate?”
Blade se encolheu, sentindo a pontada no peito. “Não, querido. Meu avô me deu só duas garrafas.”
“Que pena. O melhor vinho de todos. Qual vinho eu pego? O que combina com salmão?”
“Qualquer um que você quiser vai servir”, Blade disse. Ela sentia que já tinha ensinado o bastante a ele sobre vinhos finos para que a pergunta não merecesse nenhuma outra resposta.
Nick logo voltou com uma garrafa de vinho e um saca-rolhas. Blade ficou olhando enquanto ele abria uma garrafa de vinho do Porto. Ela estava chocada por ele ter escolhido um vinho de sobremesa tão pesado para acompanhar um prato gorduroso como o salmão.
Ela queria dizer alguma coisa, mas apenas o observou se servir com meia taça de vinho do Porto. Ele caminhou até o lado dela da mesa e colocou a garrafa ao lado da taça dela.
Nick não olhou para ela. Seus olhos verde-claros estavam fixos na taça à sua frente, o que era bem melhor assim. Ele se sentou e ergueu a taça. “A que devemos brindar?” A voz trêmula o traiu. Ele engoliu em seco e ergueu a taça de vinho com as mãos tremendo.
Blade suspirou pesadamente. Mesmo no último dia deles, ele queria estar em qualquer lugar, menos com ela. “À nossa longa e feliz vida juntos. Claro.” Blade ergueu a taça de forma solene. Nick fez o mesmo, com os lábios apertados.
“Claro”, ele disse, olhando para baixo e alisando a toalha de mesa com a mão.
“Talvez nessa mesma época no ano que vem, a gente já esteja devidamente marcados e acasalados”, ela disse, fazendo um último esforço.
“Blade”, ele disse, com a voz carregada de aviso. “Eu já te disse. Eu ainda não tô pronto pra ser o seu companheiro. Ser parceiro de uma ômega é como pedir a um homem que desista do próprio pau.”
Ele riu da própria piada.
Blade apertou os lábios e serviu-se de um quarto de taça de vinho do Porto. Ela deu um pequeno gole no vinho tinto doce demais, enquanto Nick bebeu tudo de uma vez. Ela deu uma olhada pela sala. As cortinas estavam fechadas, e o resto da casa estava no escuro.
Sem testemunhas. Ela ouviu a voz do avô na sua cabeça. Muito bem, mija. Ele não vai saber o que aconteceu até que seja tarde demais. Você aprendeu direitinho. Estou orgulhoso de você…
Blade começou a comer. Ela até aproveitou o salmão que já estava frio e o purê de batatas, mas não tocou mais no vinho pavoroso de tão doce. Um alívio tomou conta dela quando ouviu um baque forte na mesa, e ela soltou um suspiro que nem tinha percebido que estava segurando.
Nick estava caído sobre a mesa. O rosto dele tinha afundado direto no prato de comida.
Blade ficou olhando com os olhos arregalados para a cabeça de seu companheiro caída na mesa. Ela já tinha visto inúmeras pessoas — ladrões, mercenários, espiões, todos inimigos de seu avô — caírem com os seus venenos. Mas Blade nunca imaginou que os usaria no próprio companheiro.
Então ela desviou o olhar para o seu relógio — quase nove horas. Era hora de ir embora.
Ela se levantou.

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