
Alfa, me Ajude: O Final
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Capítulo 1
Livro 3
HAYLEY
“Como assim ela sumiu!” eu digo para Jax, com a voz bem baixinha.
Jax me solta, mas não diz nada.
A ansiedade de Axton irradia do fundo do seu ser. Eu consigo sentir o cheiro dela.
Eu vejo que Jax tenta manter a calma. Ele é o nosso alfa. Eu não consigo imaginá-lo agindo de outro jeito.
Faz parte da natureza dele.
“Qual foi o último lugar em que Lily esteve, Axton?” ele pergunta com a voz firme. Eu observo Axton ter dificuldade para falar. “A última vez que a vi, Lily estava brincando de pega-pega com alguns dos filhotes.”
Axton baixa o olhar, e eu não aguento ouvir mais nenhuma palavra. Eu corro com uma velocidade que nem sabia que tinha.
Eu escuto a mim mesma gritando pelas fêmeas da minha matilha. Mas eu me pergunto: sou eu mesma? É assim que a minha voz soa?
O medo vibra por todo o meu corpo como uma sinfonia de arrependimento. Isabella é a primeira a chegar até mim quando eu entro no refeitório.
“O que foi?” ela pergunta, vendo o meu pânico. Eu não consigo falar. Eu uso a ligação mental com ela.
“Você viu a Lily? Onde está a Lily?!”
“Ela estava brincando com...”
A voz de Isabella vai sumindo enquanto seus olhos percorrem o vasto gramado em busca de qualquer sinal de Lily. Uma parte de mim esperava que os olhos de Isabella fizessem tudo ficar bem. Que ela, de algum jeito, fosse a pessoa a avistar a minha filha.
De repente, eu sinto que Jax está bem atrás de mim. Os pés dele batem forte no chão.
“Hayley!” ele grita alto, me fazendo pular. Eu sei que ele está tão desesperado quanto eu. Ele está tentando me trazer de volta para a realidade.
“Olhe para mim!” Jax manda, mas eu não consigo. Eu continuo olhando fixamente para cada canto do terreno da matilha atrás dele. Então, sinto a força das mãos dele segurando os meus ombros.
“Eu preciso que você se acalme”, ele diz com carinho. Eu vejo a verdade e o amor nos olhos dele. Mas a minha intuição diz que o lobo dele, Aaron, está pronto para atacar. Ele não vai se segurar por muito mais tempo.
Eu o amo demais. Mas essa vontade de encontrar Lily e de protegê-la é tão forte que eu estou me esquecendo de mim mesma.
“Se acalme, Jax! A nossa filha sumiu!” Eu sinto a minha voz falhar. De repente, eu percebo os olhos da matilha sobre nós. Eles estão me seguindo. Eles estão nos seguindo.
“Quanto mais tempo a gente ficar aqui, pior vai ser, Jax!” Eu estou aos prantos agora. As lágrimas caem sem parar.
“Esse seu show de teimosia não está ajudando ninguém, muito menos a nossa filha!”
A ligação mental é repentina. Eu me sinto mal por tê-lo enfrentado. Eu decido ficar quieta, mas o meu corpo começa a tremer.
“Eu vou organizar uma busca, e nós vamos encontrá-la, está bem?” Jax continua. O lobo dele agora começa a assumir o controle. Ele me solta e se vira para a matilha, que se junta ao nosso redor.
“Guerreiros, a nossa Lily sumiu!” ele brada, seus olhos caindo sobre Axton com o que eu juro ser desprezo ou raiva. Eu não consigo ter certeza.
“Eu quero os machos vasculhando o terreno. Eu quero que procurem no norte, leste, sul e oeste!”
Normalmente, Jax me chamaria para ajudar a manter a calma. Ele me pediria para confortar os outros e reforçar as ordens dele. Mas, dessa vez, ele nem sequer olhou para mim.
“Eu quero que as fêmeas reúnam os filhotes no salão e vasculhem todos os quartos deste lugar. Nenhum filhote deve ficar sozinho, entenderam?”
Um sonoro “Sim, Alfa” ecoa pelo ar enquanto a matilha se transforma e corre na direção designada.
Eu vejo Samantha me encarando antes de se transformar em sua loba.
“Samantha!” Jax grita com uma fúria que eu nunca tinha visto. “Você vem comigo!”
Jax se transforma em seu enorme lobo negro. Eu observo Samantha e Axton irem atrás dele na direção da fronteira norte.
É lá que os renegados estão.
O sol está no ponto mais alto, e meu coração dispara enquanto o suor começa a brotar na minha testa.
“Hayley? Você está bem? Hayley, olhe para mim!”
A tontura é muito forte. Eu engulo o ar enquanto foco de novo nos olhos da minha amiga e na melodia suave da voz dela. “Sim, sim, eu estou bem”, eu solto o ar. “Precisamos de todo mundo procurando, agora!”
Tiffany, Ruth e Julie correm para perto de Isabella. “O que está acontecendo?” Julie pergunta. O rabo de cavalo loiro dela balança de um lado para o outro. Ela vê Jax correr para dentro da floresta.
“A Lily sumiu!” Eu grito bem alto agora. “Todo mundo precisa se separar! Eu quero que vocês procurem por toda parte. Olhem debaixo das mesas e atrás das portas!”
Eu sinto a mão de Isabella tocar o meu ombro de leve. “Hayley, nós vamos encontrá-la, está bem?” ela diz. Ela dá um sorriso para me dar coragem.
“Ruth, Tiffany, vão para a casa da matilha. Nós vamos começar por aqui”, eu mando. Não consigo esconder o pânico na minha voz. Eu luto contra a minha loba, Aurora, pelo controle.
Antes de se transformar, Ruth me dá um olhar. “Lembre-se, Hayley.”
“Eu sei. Eu não posso me transformar”, eu respondo. Sinto uma tristeza no coração maior do que eu já senti em toda a minha vida.
Enquanto ela sai correndo para encontrar Tiffany, eu sinto Isabella tocar a minha mão de novo. “Vamos lá, vamos achar a sua pequena!” ela diz.
Eu sei que ela quer me consolar. Mas também sei que ela deve estar se perguntando por que eu não estou me transformando.
Enquanto vasculhamos a cozinha, eu arranco cada porta de armário e cada geladeira, chamando por Lily.
“Eu vou dar uma olhada no depósito. Você continua procurando aqui, certo?” Isabella avisa alto. Ela corre sem parar, e sua loba não perde o ritmo.
Quanto mais eu procuro, mais pesado meu coração fica. Como isso pôde acontecer?
Eu seguro no metal frio da bancada. Eu fecho os meus olhos. A tontura começa de novo. Essa sensação me lembra do bebê que está crescendo dentro da minha barriga.
Eu nunca imaginei que seria a luna de uma matilha, muito menos mãe. Agora que isso está acontecendo, tudo o que eu consigo enxergar é fracasso.
Eu estou falhando com todos eles. Eu estou falhando com o Jax.
“Hayley?” ouço Isabella gritar lá do andar de cima. “Você ainda está aí?”
Eu tento parar de pensar nessas coisas ruins por um momento. “Sim!” eu grito de volta. “Você encontrou alguma coisa?”
Eu respiro fundo. Tento usar a ligação mental para falar com Jax.
Por favor, me diga que você encontrou a nossa filha, Jax!
Eu espero ouvir a voz dele na minha cabeça. Mas não ouço nada. Ele bloqueou a nossa ligação.
Enquanto levo minha busca para o salão principal, tudo o que eu consigo ver é como Jax olhou através de mim.
Eu sei que bati de frente com ele. Eu sei que foi errado fazer isso. Mas com certeza ele entende o meu desespero e a minha tristeza.
“Não tem nada lá em cima”, eu ouço uma voz atrás de mim. Isabella volta para a sua forma humana.
“Pois é”, eu suspiro alto, colocando a mão na cabeça. “Aqui também não.”
“Vai dar tudo certo. Jax não vai descansar até que a Lily seja encontrada.”
A voz dela é gentil como sempre. Mas ela não entende que há tanta coisa em jogo. Muito mais do que ela pode imaginar.
Eu olho para cima. Ruth vem correndo até nós na sua forma de loba. Aurora fica agitada, e minha esperança se prende entre o estômago e a garganta.
“Ela está na casa da matilha?” eu pergunto rápido enquanto Ruth se transforma. Ela não diz nada. Mas o jeito que ela olha para baixo me diz tudo o que eu preciso saber.
Isabella diz: “Eu vou para a casa da matilha. Vou ver se sinto o cheiro dela por lá. Depois, eu vou encontrar os guerreiros.”
Eu concordo com a cabeça. Eu queria poder fazer mais, mas fico grata pela ajuda dela. Ela se transforma e corre para fora. “Lily!” eu grito. “Lily!”
Lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto e me impedem de enxergar. Mas eu continuo vasculhando, enquanto flashes do sorriso convencido de Samantha passam pela minha mente.
Naquele instante, o julgamento nos olhos dela brilha com empolgação. Como se ela também soubesse que eu sou uma péssima desculpa de mãe, assim como sou de luna.
Por fim, a frustração de ser bloqueada pelo meu companheiro transborda, e eu sinto o rosnado de Aurora vibrar bem fundo dentro de mim.
Como se sentisse a tempestade no meu coração, ouço a voz de Ruth. “Vamos lá fora tomar um ar.”
Eu vou atrás dela até a beira da porta.
Eu paro de andar na mesma hora.
“O que foi?” Ruth pergunta.
“Você consegue sentir esse cheiro?” eu pergunto bem afobada.
Eu saio correndo pela porta. Sigo o cheiro inconfundível do vestido da minha filha. Por um pequeno segundo, eu sinto uma enorme alegria. Talvez tudo isso tenha sido um grande engano.
Quanto mais eu ando para os fundos do salão, mais forte fica o cheiro.
Será possível?
Eu luto contra a forte vontade do meu corpo de me transformar. Eu vejo o focinho da Ruth virando a esquina. Ela para de andar e olha para cima, na minha direção.
Fico paralisada de expectativa. É como um feitiço que não pode ser quebrado.
Tem alguma coisa na mão dela.
É um pedaço do vestido da Lily.












































