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Longview Academy

Autor
Rachael Stitchy
Leituras
184K
Capítulos
42
Autor
Rachael Stitchy
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42
👯‍♂️Harém reverso💕Romance👱🏽‍♀️Adolescentes💪🏻Protetor👩🏽‍🎓Estudantes🏙️Contemporâneo💞Poliamor🕵️Crime & mistério🖤Sombrio

Presa entre três governantes poderosos que transitam pelo mundo como se fossem donos de cada sombra, Marla luta para manter sua voz firme e seu coração protegido. A atenção deles é intensa, avassaladora e focada demais nela. Ela se recusa a ser tratada como um prêmio, mas a atração que eles exercem a envolve com um ardor que ela não consegue ignorar.

Cada rei traz um tipo diferente de perigo e, juntos, eles a empurram em direção a um destino que ela nunca pediu. Mas Marla não é um brinquedo silencioso. À medida que o mundo deles se fecha ao seu redor, ela se ergue com seu próprio fogo, pronta para conquistar seu lugar em vez de ser conquistada.

Capítulo 1

MARLA

O sinal toca, avisando que a aula acabou. Acho que nunca vou me acostumar a estar em um ambiente tão chique.
“Ótimo trabalho hoje, Marla”, diz a Srta. Lawson quando passo pela mesa dela.
Não sou muito boa em história, mas ela explicou as coisas muito bem. Vou até o banheiro que fica no corredor principal, me sentindo orgulhosa por levantar o braço e responder a uma pergunta. Recebi um aceno de uma garota da minha turma, e recebi um olá de uma garota que usava sapatos que custavam mais do que um carro popular. Ela era bonita e tinha cabelos cacheados.
A maioria dos alunos tem sido legal comigo. Mas alguns não. E digo isso porque, se os olhares sozinhos pudessem me matar, eu já estaria a sete palmos debaixo da terra.
O banheiro se parece com um daqueles que você vê em um hotel chique. Um que eu nunca teria condições de visitar. Eles têm flores perfumadas ao lado do sabonete, pelo amor de Deus. Faço minhas necessidades, lavo as mãos e depois verifico meu reflexo no espelho. Têm sido dias bem estranhos, com certeza, mas de forma alguma ruins.
A porta se abre, e tenho que me segurar para não revirar os olhos quando a rainha número um da escola entra com seus dois cachorrinhos de estimação a seguindo. Já ouvi muitas coisas sobre elas. Nem todas boas.
“Ora, ora, ora. Vejam só quem é. A garota que todo mundo está comentando. Marla isso. Marla aquilo. Não sei para que todo esse alvoroço. E vocês, meninas?”
Não a respondo por um momento porque não foi uma pergunta de verdade, e as amigas dela parecem igualmente confusas. Tão idiotas. Tão coisa de ensino médio. A inveja dela transparece.
“Não me diga que você ficou tímida de repente, porque você com certeza não foi tímida quando contou a meia escola que é órfã, ou quando estava conversando com o meu namorado algumas horas atrás.”
Agora estamos chegando a algum lugar. Seu sorriso de escárnio acompanha sua declaração. Ela é o que você chamaria de uma valentona clássica. Mas não consegue intimidar ninguém sem a Crystal ou a Amy para apoiá-la — não que elas tenham dito muita coisa.
“Existe algum objetivo nisso tudo? Não é minha culpa se metade dos professores quer que eu fale sobre o meu passado”, finalmente pergunto, me virando e encostando a bunda na pia.
Minha voz soa áspera por não ser usada com frequência. O que posso dizer? Prefiro ficar quieta. Parei de falar regularmente quando era pequena. Acho que eu tinha uns seis anos. Mas o motivo disso é uma história para outro dia. Vamos chamar de um trauma menor.
“Ah, tem um objetivo sim.” Ela dá um passo à frente, invadindo meu espaço. “Fique longe do Alex, porra. Eu vi vocês dois conversando. Você é nova na escola, então não vou quebrar a sua cara. Mas este é o seu primeiro e único aviso, vadia.”
Desta vez, eu reviro os olhos. A Lucy é uma garota bonita. Deslumbrante, se você gosta do tipo de garota Barbie falsa, de cabelo loiro, que usa salto agulha e não tem cérebro. E nem me faça começar a falar da maquiagem dela. É grossa, como ela.
“O Alex se aproximou de mim. Eu não tenho o poder de decidir o que ele faz ou deixa de fazer. Ou com quem ele fala ou não. O Alex vai fazer o que o Alex quiser. Suas inseguranças estão aparecendo.” Eu sorrio de volta.
Não vou admitir que o Alex me deixou intrigada. Ele é um bad boy típico com um corpo gostoso. Mas foi ele quem se aproximou de mim. Ele simplesmente me disse o seu nome, estendeu a mão para eu apertar, e eu respondi com: “Tá bom.”
“Você se acha a tal, não é? Chegando aqui de outro país. Falando em outra língua.”
Quase dou risada. “Eu sou britânica. Eu falo inglês igual a você.”
Ela faz uma careta para o meu comentário. Suas duas capangas não disseram uma única palavra. Mas, por que diriam? Este é o show da Lucy e da Marla.
“Você sabe o que eu quis dizer.”
A burrice dela está aparecendo. Eu sabia mesmo o que ela queria dizer, mas não vou dizer isso a ela. Finalmente olho para a Crystal e a Amy. “Oi. Eu sou a Marla. Prazer em conhecê-las.” Eu dou um sorriso aberto, e as duas se olham buscando apoio.
“Não fale com elas. Quem manda aqui sou eu. Você me escuta.”
Ela ficaria ofendida se eu bocejasse? Decidindo que já cansei dessa merda, fico mais reta, fazendo a Lucy dar um passo para trás. “Isso tudo foi adorável e tal. Mas eu tenho que ir para a aula”, eu digo, dando um passo em direção à porta, que a Crystal ainda está bloqueando.
Meu cabelo é agarrado por trás, e meu corpo é empurrado contra a parede mais próxima. Solto um gemido de dor quando meu peito é esmagado, fazendo meus seios ficarem achatados.
“Não fale com o Alex. Fique bem longe dele, porra. Este é o seu último aviso.”
Não reajo de imediato. O aperto dela no meu cabelo é tão forte que consigo sentir os fios arrebentando. “Já terminou?” respiro ofegante contra a parede.
“Vai se foder, vadia. Você parece estar esquecendo quem eu sou.”
Eu, de fato, não sei quem ela é. “Tudo o que eu ouço é você choramingando sobre o Alex ser seu. Sobre como você precisa lutar para afastar as pessoas dele. Como você precisa ameaçar as pessoas para que não falem com ele. Isso é um monte de inseguranças para lidar.”
Ela puxa a minha cabeça para trás e a bate contra a parede com força de novo. Sinto o exato momento em que meu lábio corta, e uso a língua para limpar o sangue.
A porta do banheiro se abre com força, batendo direto nas costas da Crystal, e ela solta um ganido de surpresa. A Lucy me solta, e eu giro para me encostar na parede, de forma que eu fique de frente para ela.
“Marla. Aí está você. Achei que tivesse ouvido a sua voz.”
A Nicole. Minha nova melhor amiga espia pela porta, com os cabelos escuros presos em um coque arrumado que fica atrás da cabeça.
“Oi, gata. Eu estava mesmo indo te procurar.” Eu sorrio de volta, e isso faz o meu lábio rachar um pouco mais.
A Lucy faz um sinal com a cabeça para as amigas, que se afastam e deixam a porta abrir até o fim. “Vamos embora. Acho que essa vadia aprendeu a lição.”
Não consigo evitar um sorriso e bato continência para ela. “Sim, capitã.”
A Nicole as observa saírem. O rosto da Lucy fica vermelho. As duas amigas dela não fazem a menor ideia de como reagir. É cômico. Mas a Nicole entra no banheiro, e não consigo segurar a risada que sai da minha boca.
“Você está louca? Você sabe o tipo de merda que ela pode fazer? Como ela pode destruir a sua vida e sair impune?”
Pego uma toalha de papel e dou batidinhas no meu lábio. A Nicole tem lidado com as rainhas desde o ensino fundamental. Dou um bufo de riso quando penso no nome. É tão clichê. “Eu não tenho medo dela. Ela tem sorte de eu não tê-la colocado no chão. Ela é uma idiota do caralho se acha que me assusta.”
“Eu sei que você é nova e que só está aqui há uma semana. Mas eu estou te implorando, Marla. Não entre no caminho dela. Ela é má com M maiúsculo. Eu gosto muito de você e quero que a gente seja amigas. Me mataria ver qualquer coisa acontecer com você.”
Amigos. Algo que eu nunca tive. Eu sempre fui ignorada. As crianças podem ser muito cruéis quando acham que você é estranha por não falar muito, porque acham que você é diferente.
“Nada vai acontecer comigo. Eu entendo a sua preocupação, mas de pessoas como ela, eu fugi a minha vida inteira. Eu não vou mais fazer isso. Mas entendo se você não quiser ficar perto de mim. Consigo ver o quanto você se sente intimidada perto dela.”
Quanto mais eu falo, mais a minha garganta queima. Mas cansei de esconder quem eu sou.
Nós saímos do banheiro e caminhamos até o meu armário para pegar o meu livro de matemática.
“Ela me assusta.” Paro o que estou fazendo e olho para a minha amiga. “Eu lido com ela e com as outras desde que eu tinha seis anos de idade. Aprendi a me esconder. A fugir e a olhar para o outro lado. Foi assim que eu sobrevivi por todos esses anos.”
Meu coração se parte por ela.
“Mas eu não vou mais fazer isso. Se eu conseguir encontrar uma maneira de você evitar ela, eu farei isso. Não quero que você seja expulsa. Mas…” Ela respira fundo. “Se eu puder te ajudar de qualquer jeito, ajudar a impedi-la de dominar essa escola como a valentona que ela é, eu ajudarei. Não quero mais sentir medo. Então, temo dizer que você está presa a mim.”
Ela me dá um pequeno sorriso.
A Nicole tem uma beleza clássica. O rosto dela é pequeno, com traços delicados, mas com brilhantes olhos azuis cobertos por óculos de armação grossa.
Nós nos viramos quando ouvimos a Lucy gritando com o Alex. Ele parece entediado, exibindo uma expressão de confusão, e eu sorrio ao olhar para baixo para a Nicole, porque ela é bem mais baixa que eu.
“Para que essa cara? O que você está planejando?” ela pergunta, mordendo o lábio.
Pego meu caderno e minha caneta. Rabisco uma mensagem curta em um canto da página, então arranco o papel, dobro, e começo a andar na direção dele. A Nicole já tinha me avisado sobre os reis da escola. Foi por isso que eu não dei o meu nome ao Alex mais cedo. Ele e os amigos dele, Shane e Max, são os donos da escola. Eu escutei com atenção e tentei não zombar.
“Vem cá”, incentivo a Nicole a me seguir.
O Alex me observa me aproximar com seus olhos azuis e frios. O cabelo dele está bagunçado, porém estilizado desse jeito. Ele é alto — com mais de um metro e oitenta, pelo menos. Cintura fina, ombros largos como um nadador. A Lucy para de falar quando eu sorrio e entrego o pedaço de papel ao Alex.
“Eu fui mal-educada mais cedo. Meu nome é Marla. Prazer em conhecê-lo.”
Pisco para a Lucy, me viro e vou embora. A Nicole está logo atrás de mim quando a Lucy grita nas minhas costas.
“Você está fodida, vadia. É melhor você tomar cuidado, está me ouvindo?”
Continuo andando e não olho para trás. A Nicole dá uma risadinha ao meu lado, e eu sorrio comigo mesma. Acho que vou gostar daqui, afinal de contas.

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