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Rivalidade no Gelo

Autor
Isa_Bella
Leituras
18,3K
Capítulos
28
Autor
Isa_Bella
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28
🏈Disputas esportivas🏃🏿‍♂️Atletas🕯️Romances lentos🎭Drama🏍️Cafajestes⚔️De inimigos a amantes☯️Os opostos se atraem🏙️Contemporâneo💕Romance💪Mulheres fortes🔒Proximidade forçada

Emery consegue a missão dos seus sonhos cobrindo uma temporada de hóquei de alto nível, pronta para provar o seu valor. O único problema? Carter, o arrogante co-capitão do time, que testa todos os seus limites. O histórico entre eles é complicado, as provocações são afiadas e a paciência de um com o outro é... inexistente.

No entanto, quanto mais próximos trabalham, mais difícil se torna ignorar a tensão que surge sob cada olhar e comentário sarcástico. Entre o caos do vestiário, prazos de madrugada e momentos que parecem reais demais, as linhas começam a se apagar. É rivalidade ou algo muito mais perigoso? Porque, neste gelo, o maior risco não é perder o jogo — é perder o controle de seus corações.

Capítulo 1

EMERY

Jogadores de hóquei são os piores. Pronto, falei. E antes que você revire os olhos, eu tenho experiência de vida para provar isso. Meu irmão mais velho, Ethan, me aterroriza com tacos de hóquei e equipamento suado desde que éramos crianças. Agora, adulto, ele só trocou as pistas de quintal pelas arenas profissionais, e de algum jeito me convenceu a vir para esta festa pós-jogo dele.
“Qual é, Em, você nunca vem nesses eventos,” ele tinha dito mais cedo, com o tom de apelo na voz bem óbvio pelo telefone. “Só aparece um pouco. Os caras querem te conhecer.”
Os caras: eca. Os colegas de time do Ethan são barulhentos, arrogantes e quase todos obcecados por si mesmos. Mas, como eu tenho um fraco pelo meu irmão, e talvez porque meus planos para a noite de sexta-feira envolvessem comer macarrão com queijo de pijama, eu disse sim. Grande erro.
Agora, aqui estou eu, na sala de estar do Ethan, segurando um copo de plástico com refrigerante sem gás. Estou cercada por um bando de crianças gigantes de terno. Estou aqui há apenas dez minutos, e a minha paciência já se esgotou.
“Ei, Blake! Quem é a gata?” Eu não preciso me virar. Consigo perceber só pelo tom de voz que a pergunta é para mim. Solto um suspiro e aperto a ponte do meu nariz. É claro que a brigada da testosterona ia focar logo na única mulher do ambiente que não é namorada ou esposa de ninguém.
“Emery,” Ethan diz, com a voz cortando o barulho enquanto se aproxima e para ao meu lado. “Conheça os caras. E caras, esta é a minha irmã, Emery.”
“Sua irmã?” Uma voz irritantemente suave e confiante vem do sofá. “Não sabia que o Blake tinha tanto bom gosto para irmãos.”
Eu me viro, e é então que eu o vejo. Carter Brooks. O colega de time estrela do Ethan. Eu já o vi na TV e em fotos, mas de perto, ele é de algum jeito ainda mais irritantemente perfeito: ombros largos, um cabelo escuro bagunçado que cai bem nele, e um sorriso de quem tem certeza que é melhor que você.
Ele está esparramado no sofá do Ethan como se fosse o dono do lugar, segurando uma cerveja de forma largada. No segundo em que nossos olhos se encontram, o sorrisinho dele aumenta. Eu percebo uma coisa na hora: esse cara é problema.
“Uau,” eu digo, carregada de sarcasmo. “Que elogio original. Você recicla essas cantadas ou tem algumas centenas prontas para caso uma garota entre na sala?”
Os caras ao nosso redor estão rindo, mas Carter não parece nem um pouco incomodado. Ele se inclina para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e me olha de cima a baixo de um jeito que me dá arrepios de nojo.
“Só estou dizendo a verdade, docinho.”
Docinho. Eu odeio essa palavra. Especialmente quando dita por um cara que parece estar fazendo teste para um comercial de perfume. Cruzo os braços sobre o peito e o encaro com raiva. “As pessoas realmente caem nesse seu papo furado, ou elas só fingem para você calar a boca?”
Ethan resmunga ao meu lado. “Carter, não comece.”
“Quem está começando?” Carter diz, cheio de falsa inocência. “Só estou sendo simpático.”
“Simpático?” Eu dou uma risada debochada. “É assim que estão chamando agora? Você é tão simpático quanto um tubarão em uma piscina de criança.”
Outra onda de risadas toma conta da sala, e Carter nem pisca. Na verdade, ele parece um pouco divertido. Satisfeito por ter sido confrontado.
“Você tem a língua afiada,” ele comenta, com a cabeça inclinada. “Eu gosto disso.”
“É, bom, eu não gosto de você.”
“Ainda não,” ele responde com um sorrisinho, me lançando um olhar convencido.
Ethan resmunga de novo, mais alto desta vez. “Podemos não fazer isso hoje à noite? Emery, não deixe ele te irritar. E Carter, deixe ela em paz.”
“Ah, não se preocupe,” eu digo, sem tirar os olhos do Carter. “Eu dou conta dele.”
“Eu não duvido,” Carter diz, encostando no sofá como se tudo isso fosse um jogo para ele. “Mas não se preocupe, docinho, eu dou conta de você também.”
Cerro os punhos ao lado do corpo. Esse cara é irritante demais. Antes que eu possa rebater, um dos outros colegas de time do Ethan entra na conversa, distraindo ele com uma pergunta sobre o jogo de amanhã. Aproveito a oportunidade para recuar até a cozinha, esperando evitar mais das bobeiras do Carter.
A cozinha está silenciosa, mas por pouco. Alguns dos colegas do Ethan estão circulando por ali, mas eles estão ocupados demais atacando a geladeira para prestar qualquer atenção em mim. Eu coloco um copo de água para mim e respiro fundo, tentando esquecer aquele encontro.
“Ei,” uma voz diz atrás de mim.
Eu me viro, e é claro, é ele. Carter está encostado no batente da porta, com a cerveja ainda na mão, e aquele maldito sorriso convencido ainda estampado no rosto.
“Sério?” eu pergunto. “Você não tem coisas melhores para fazer?”
Ele dá de ombros. “Na verdade não. Achei melhor vir checar você. Só para ter certeza de que não estava aqui planejando a minha morte.”
“Não me tente.”
Ele ri fraco, dando um passo para mais perto. “Sabe, para alguém que não gosta de mim, você passa muito tempo falando comigo.”
“Pode acreditar, isso não é por escolha minha.”
“Certo,” ele diz, como se não acreditasse em mim. “Então, qual é o seu problema, docinho? Por que você me odeia tanto? Eu nem te conheço.”
“Eu não te odeio,” eu digo. “Eu só não gosto de atletas arrogantes e egocêntricos que acham que o mundo gira ao redor deles.”
Ele ergue as sobrancelhas. “Uau. Isso foi bem específico. Tem certeza de que não está projetando um pouco?”
Eu solto um riso de desdém. “Ah, por favor. Não aja como se você não fosse exatamente o que eu acabei de descrever.”
“Talvez,” ele admite, alargando o sorriso. “Mas pelo menos eu sou honesto sobre isso.”
“Isso deveria me impressionar?”
“Não importa,” ele diz. “Não estou tentando impressionar você.”
“Que bom,” eu digo. “Porque você está falhando.”
Nós nos encaramos por um momento. A tensão entre nós é tão densa que poderia ser cortada com uma faca. Finalmente, Carter balança a cabeça, rindo baixinho. “Você é um caso sério,” ele diz.
“Obrigada,” eu respondo secamente. “Agora, com licença...”
“Espera,” ele interrompe. “Só mais uma coisa.”
Eu paro, estreitando os olhos para ele. “O quê?”
“Você sempre aparece de penetra nas festas do seu irmão ou hoje é uma ocasião especial?”
Eu reviro tanto os meus olhos que é um milagre eles não ficarem travados. “Você é impossível.”
“E é muito divertido implicar com você,” ele rebate.
Antes que eu consiga pensar em uma resposta rápida, Ethan aparece na porta, olhando para nós de forma desconfiada. “Estou interrompendo alguma coisa?”
“De jeito nenhum,” eu digo, pegando a minha água e passando direto pelo Carter. “O seu amigo já estava de saída.”
“Eu estava?” Carter grita atrás de mim, mas eu nem me dou ao trabalho de responder.
Enquanto volto para a sala de estar, faço uma promessa silenciosa: não vou deixar o Carter Brooks me tirar do sério de novo.
Pena que ele já conseguiu.

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