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The Skylar Rains 1: Fragmento de Sonhos Livro Um

Autor
E. Hereygers
Leituras
68,9K
Capítulos
53
Autor
E. Hereygers
Leituras
68,9K
Capítulos
53
💕Romance👩🏽‍🎓Estudantes🔺Triângulo amoroso🎭Drama🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia👩‍❤️‍💋‍👨 Young Adult

Lux cresce em um mundo transformado para sempre quando seres alienígenas chegam e se instalam entre os humanos. Entre eles está Jax, seu melhor amigo e um Rainer que sempre foi o seu porto seguro — até ele desaparecer de repente de sua vida sem aviso prévio. Deixada com perguntas sem respostas e um coração cheio de confusão, Lux tenta seguir em frente, mas nada do vínculo entre eles realmente desaparece. Quando verdades ocultas começam a vir à tona, ela é arrastada para um conflito muito maior do que jamais imaginou, onde lealdade, identidade e desejo se misturam em algo perigoso. À medida que a linha entre os mundos humano e alienígena começa a ruir, Lux deve decidir o que está disposta a arriscar em busca de respostas, e se certas conexões são fortes o suficiente para sobreviver à verdade.

Capítulo 1

LUX

A água estava azul demais.
Foi a primeira coisa que notei, parada descalça na beira da piscina. Não foi o barulho forte de algo batendo no piso. Nem mesmo o pavor gelado subindo pela minha espinha.
Apenas a cor. Era tão brilhante que quase doía olhar — como se a piscina estivesse tentando parecer segura até demais.
Alguém estava na água. Um garotinho. Eu sabia que ele estaria lá, embora não soubesse explicar o porquê. Eu sempre sabia.
O meu peito apertou enquanto eu dava um passo à frente, o concreto áspero machucando os meus pés. A superfície da água se moveu uma vez, depois outra, e vi de relance pequenas mãos aparecendo — dedos pálidos tentando se segurar.
Foi então que o som finalmente chegou até mim. Ele estava se afogando.
Eu tentei me mover mais rápido. Mas o ar ficou denso, pesado como um xarope, e cada passo parecia que eu estava andando na cola.
O meu coração batia forte contra as minhas costelas quando a água o engoliu de novo. Eu vi um flash de cabelo loiro. Olhos arregalados demais. A boca abrindo e fechando. Uma bola vermelha boiando por perto.
Eu sabia o que ia acontecer.
Algo se moveu atrás de mim. Não foi exatamente um som. Foi mais como a falta de um. Uma pressão nas minhas costas que fez a minha pele arrepiar e a minha respiração parar. Eu não me virei.
Eu podia sentir a presença dele de qualquer maneira. Esperando.
Eu mergulhei na piscina. O frio me atingiu com tanta força que tirou o ar dos meus pulmões. Eu afundei, meus braços cortando a água em direção ao corpo que se debatia lá embaixo.
Os meus dedos roçaram no tecido. Escorregaram. Tentei de novo.
Os olhos do garoto se fixaram nos meus, o terror crescendo ali — forte e consciente, como se ele entendesse antes de mim que aquela era a parte onde tudo dava errado.
A minha visão ficou embaçada. A água escureceu com sangue e uma dor aguda atingiu as minhas costas.
Eu gritei e acordei. Sentei de uma vez na cama, puxando o ar, com os meus lençóis enrolados nas minhas pernas e o meu coração batendo tão forte que doía. O meu quarto estava escuro e familiar.
Os meus pôsteres ainda estavam tortos na parede. O meu despertador piscava 6:02 da manhã como se nada tivesse acontecido.
A minha garganta ardia. Pressionei uma mão trêmula no peito e engoli em seco, tentando me convencer de que eu estava acordada. Que eu estava segura. Que não havia piscina, não havia água enchendo os meus pulmões, não havia nenhuma presença sombria parada fora de vista.
Demorou um pouco para a tremedeira passar. Os pesadelos tinham voltado com força total nas últimas semanas. Eu quase não dormia mais. Quando conseguia, o sono era raso e agitado, como se a minha mente tivesse medo do que aconteceria se eu relaxasse totalmente.
Quando me arrastei para fora de casa, a minha cabeça latejava e os meus braços e pernas pareciam fracos, como se eu pudesse simplesmente desmaiar.
Para piorar, hoje era a primeira segunda-feira depois das férias de verão. Eu odiava a primeira aula da semana com todas as minhas forças. Foi preciso muito esforço só para caminhar pelo corredor até aquela sala de aula escura e pequena.
Os meus tênis arrastavam no chão. As luzes fluorescentes zumbiam no teto. Cada passo ecoava alto demais nos meus ouvidos.
Os sonhos sempre foram assim — muito cruéis. Os lugares pareciam mais reais do que a própria vida real. Eu tentei explicar isso uma vez, anos atrás. Eu estava sentada de frente para um terapeuta que parou de fazer anotações na metade. Ele até se encolheu quando eu descrevi certas partes.
Eu nunca mais voltei.
Algumas noites eram piores do que outras. Alguns lugares voltavam com mais frequência. E algumas presenças nunca iam embora. Sempre havia alguém lá comigo. Outro garoto, crescendo ao meu lado naqueles sonhos.
O rosto dele mudou um pouco ao longo dos anos, mas os olhos continuaram os mesmos. Cabelo escuro. Olhos num tom profundo de marrom chocolate. Familiares de um jeito que fazia o meu peito doer. Ele estava lá quando eu era pequena, e ele ainda estava lá agora, com dezoito anos, assim como eu.
E então, havia o outro.
Aquele que nunca mostrava o rosto. A lembrança dele grudou em mim quando cheguei à porta da sala de aula. A minha mão pairou sobre a maçaneta por um segundo a mais do que o necessário.
Eu empurrei a porta e entrei.
Rainer Study.
A minha aula favorita.
Só que não.
Quando os Rainers caíram do céu, dezenove anos atrás, o mundo enlouqueceu. Todas as teorias da conspiração sobre alienígenas que alguém já tinha sussurrado no escuro acabaram sendo verdadeiras.
A diferença é que eles não pareciam monstros. Eles se pareciam conosco. Quase isso.
A palavra alienígena sumiu rápido. Agora eles eram chamados de Rainers, por motivos que ninguém conseguia explicar direito.
Os líderes deles prometeram paz, energia limpa e um futuro onde a Terra pudesse realmente sobreviver. Em troca, eles queriam um lugar seguro para os filhos deles crescerem.
Então, a Terra disse sim.
Um acordo foi assinado e, de repente, havia um milhão de Rainers morando em todo o mundo. As naves deles foram embora, voltando para Caros — o planeta verde que eles chamavam de lar — enquanto os Rainers ficaram para trás e tentaram construir uma vida com a gente.
A maioria das pessoas simplesmente aceitou isso. Algumas não. O meu pai com certeza estava no segundo grupo.
Ele tinha certeza de que os Rainers estavam apenas esperando. Que eles eram como um Cavalo de Troia, escondidos bem na nossa frente, prontos para atacar quando a gente menos esperasse.
O fato de que o grupinho anti-Rainer dele se chamava The Trojans? É, a ironia não passou despercebida por mim. Eu sempre tomava mais cuidado perto do meu pai do que perto dos Rainers.
Por que eu deveria ter medo deles?
A única família Rainer na nossa pequena cidade de Bridgeview morava bem ao lado. Eu escolhi o filho deles como meu melhor amigo antes mesmo de saber o que era um Rainer.
As crianças não nascem com essas opiniões formadas. Nós apenas escolhíamos de quem gostávamos. E eu escolhi Jax Skylar. Ah, e como eu escolhi.
O arrependimento subiu pela minha espinha enquanto eu continuava andando. A maioria das minhas aulas não tinha os Skylars. Exceto às segundas-feiras. As segundas-feiras eram a exceção.
Eu entrei na sala de queixo erguido. Eu tinha decidido que estava cansada de me esconder.
Eu tinha comprado roupas novas, passado horas demais na academia e feito algumas luzes no meu cabelo ruivo rebelde, que agora caía em longos cachos pelas minhas costas. Calça preta justa nas pernas. Botas de cano curto. Uma blusa cinza justa com cortes nos ombros.
Eu realmente me sentia bem. Eu realmente me sentia bonita.
Eu conseguiria sobreviver a mais um ano com ele.
Eu avistei Jax na mesma hora, largado no seu lugar de sempre, no fundo da sala. O cabelo loiro dele estava bagunçado como sempre, e a calça jeans e a camisa preta básica caíam muito bem nele.
Tatuagens novas cobriam os antebraços dele. Ele parecia um jovem Kurt Cobain, se o Kurt Cobain fosse um Rainer.
Ele olhou para cima no momento em que eu entrei.
Os nossos olhos se encontraram. Algo piscou ali — reconhecimento, surpresa, talvez algo mais forte. Então ele desviou o olhar, como se eu fosse apenas mais um rosto na multidão.
Tanto faz, cara.
Eu escorreguei para o meu lugar de sempre, uma carteira na frente dele, bem na hora em que a senhorita Neomi entrou na sala, toda animada e barulhenta. Ela era uma verdadeira Galaxsleaze e, infelizmente, a nossa professora de Rainer Study.
Todo mundo sabia que ela tentava ficar com Maddox Skylar, o pai do Jax, há anos. O Maddox nunca nem olhou para ela.
“Eu tenho uma novidade muito empolgante!” ela anunciou.
Todo mundo resmungou.
“Temos um aluno novo este ano. Por favor, deem as boas-vindas ao nosso sexto Rainer oficial de Bridgeview!”
A porta se abriu. Ele entrou como se fosse o dono do lugar.
Alto — com pelo menos um metro e noventa e cinco — usando jeans escuro de marca, sapatos sociais e uma camisa azul-marinho justa. O cabelo escuro dele era raspado nas laterais e caía para o lado esquerdo em ondas perfeitas e bagunçadas.
Os olhos dele eram de um azul profundo como o oceano. Ele analisou a sala como se já estivesse entediado.
Então, os olhos dele pararam em mim. E ficaram lá. A sensação era de ser reconhecida por um estranho em um sonho.
“Este é Kai Welkin,” a senhorita Neomi disse, com uma alegria exagerada. “E ele vai se sentar ao lado da Lux. Ela se ofereceu para ser a guia dele hoje.”
Ah, droga.
Eu tinha esquecido completamente daquele formulário idiota de voluntariado.
Kai caminhou até mim com muita confiança, as covinhas aparecendo enquanto ele soltava os livros e ocupava o assento ao meu lado. “Bem”, ele disse baixinho, se inclinando na minha direção. “Olá.”
Eu dei um pequeno aceno. “Oi.”
“Você não está acostumada com os Rainers, não é?” ele perguntou.
“Estou muito acostumada com os Rainers,” eu respondi, um pouco alto demais.
Atrás de mim, ouvi alguém puxar a respiração com força.
Kai deu um sorriso de lado. “Isso parece interessante.”
“Não,” eu cortei. “Não desse jeito.”
Ele riu. “Baby, você não pode ser linda assim e esperar que eu me concentre. Além disso, você é a minha guia. Os guias conversam.”
“O meu nome é Lux,” eu disse, tentando soar indiferente. “E nós podemos conversar depois. Não durante a aula.”
“O que você disser, baby.”
“O nome dela é Lux,” a voz de Jax cortou o ambiente, dura e fria. A sala inteira ficou em silêncio.
Kai se virou devagar. “Ah. O namorado Rainer?”
“Ele não é nada meu,” eu disse rápido demais.
O ar atrás de mim ficou repentinamente frio.
Kai me analisou por um longo segundo, os olhos dele piscando para a minha boca e as narinas se abrindo um pouquinho antes de ele finalmente olhar para frente de novo. Ele não disse mais nenhuma palavra.
Quando o sinal tocou, todo mundo saiu correndo. O meu coração batia forte enquanto eu me apressava até o meu armário.
Eu encontrei Jax e Lenn em pé perto do Kai. Eles pareciam tensos — tensos como quem estava pronto para brigar.
Eles sumiram no momento em que me viram.
“O que foi isso?” eu exigi saber.
Kai apenas abriu aquele mesmo sorriso astuto. “Baby, você realmente não sabe, não é?”
“Me conta. E não me chame de baby.”
Ele deu de ombros, parecendo muito calmo. “Eu não posso. Isso não depende de mim.”
Ele se virou e foi embora. Nenhuma explicação. Nenhum olhar para trás. Apenas o som dos passos dele sumindo, me deixando parada ali com o coração batendo forte no peito.

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